Chapter Text
Quando Diluc acordou para mais uma dia ele gostaria que aquele fosse só mais um na sua rotina diária entre verificar a produção com Connor e ficar um turno na taverna como bartender, mas depois de uma tempestade de cinco dias era óbvio que ele tinha muito mais o que fazer do que apenas olhar o lucro com Elzer.
Ao sair da mansão no fim da manhã pode realmente ver a gravidade do estrago, uma parte do vinhedo havia sido danificado pela chuva sem fim, os pedaços de madeira quebrada podiam ser vistos por boa parte da vinícola, a lama tinha invadido completamente o chão de pedra em frente da mansão e algumas partes pareciam congeladas, indícios que os slimes cryo aparentemente não estavam mais apenas em noroeste e sudeste da vinícola porém por mais trabalho braçal que tinha disponível a ser feito alguns papéis que deveriam ser entregue a Mestre Interina Jean estavam atrasados, já que a tempestade tinha o impedido de chegar em Mondstadt.
Os importantes relatórios descansavam secos dentro da bolsa diagonal do ruivo enquanto andava calmamente em direção a cidade, o estrago em sua propriedade parecia ter sido o pior, o Vale termal parecia inteiro de certa forma, com a nascente muito mais cheia que o normal mas menor destruída que a vinícola e completamente desértico, nenhuma criança correndo pelas trilhas e nenhum adulto em volta.
A cidade do vento por outro lado estava com muito mais movimento que o comum, as barracas dos comerciantes estavam cheias, o painel da guilda dos aventureiros estavam entupido de comissões a se fazer e Good Hunter exalava inúmeros aromas para o povo na praça principal. Em meio a multidão pouquíssimos cavaleiros em seus postos eram vistos, o que só pode provocar um suspiro profundo do homem
- Sempre tão ineficientes...
Subindo as escadarias de pedra para o quartel dos cavaleiros pode ver onde estava os moradores do Vale termal, os caçadores mais jovens pareciam muito agitados falando com Arto e Porto.
- Por favor, vocês precisam esperar, a Grande Mestre Intendente já enviou duas equipes de busca - Arto sinalizou com as mãos para que parassem de tentar avançar em direção as portas.
- E nós podemos ajudar! Ele estava nos treinando para situações de perigo, podemos ajudar! - Allan exclamou impacientemente sendo apoiado por Joton e Hopkins com o balançar de cabeças.
- A Grande Mestre Jean já está resolvendo isso, por favor tenham paciência, não queremos correr mais riscos devido ao clima instável que estamos - Porto tenta argumentar com os caçadores que tentam ainda entrar no prédio - Sejamos razoáveis por favor.
Passou em silêncio no meio do pequeno tumulto, não era da sua conta de qualquer forma Wood continuava em seu posto perto da porta acenando com a cabeça de forma leve como um comprimento silencioso, bateu os nós dos dedos contra a superfície de madeira da porta para entrar logo em seguida.
- Ah Mestre Diluc, que surpresa você aqui - A loira sorriu suavemente desviando sua atenção das folhas riscadas com tinta vermelha que antes direcionava sua careta - O que eu posso fazer por você velho amigo?
- Vim trazer os relatórios de venda, sei que gosta de ver isso de perto - Ao se aproximar da mesa colocou um pequena pilha de papéis ao lado da pilha rabiscada - E se possível gostaria do relatório trimestral de impostos - Diluc viu o rosto da mulher azedar por um segundo sendo substituído por um sorriso forçado logo em seguida.
- Agradeço pelo relatório e enviarei o relatório de impostos assim que essa situação urgente for resolvida - a usuária de anemo suspirou, o ruivo não pode deixar de se preocupar com algo errado acontecendo, Jean não era de fazer caras e bocas no trabalho, a não ser que seja que esteja realmente apreensiva.
- É muito sério? Posso ajudar em algo? - Levou um momento muito breve para que aquelas palavras colocassem um brilho nos olhos azuis como se a esperança estivesse bem na sua frente.
- Na verdade, você pode sim! O chefe dos caçadores do Vale Termal ficou bêbado e saiu pra caçar um pouco antes da tempestade e não voltou mais.
- E quer que eu ajude na busca? - Ele só pode franzir a testa, um homem bêbado durante uma tempestade de derrubar árvores não era uma boa combinação.
- Eu já mobilizei duas equipes de cavalheiros para fazer a busca de Draff, agora nos resta esperar, mas o problema agora é a filha dele, a Diona - Ela olhou com pesar para a folha riscada de vermelho suspirando mais uma vez ao voltar a se sentar em sua cadeira - Dos cinco dias de tempestade ela ficou quatro completamente sozinha na cabana, uma criança de sete anos não deveria ficar tanto tempo sozinha não importa o quão madura ela seja. A questão é que Diona precisa muito de um lugar pra ficar por um tempo indefinido e estou sem opções como pode ver - Uma das páginas rabiscada em questão tinha uma grande variedade de nomes riscados.
- E você quer que EU cuide dela!? - Diluc tinha que admitir a tempos que alguma coisa tinha lhe surpreendido tanto quanto aquele pedido. Jean, uma de suas mais velhas conhecidas, estava pedindo para ele cuidar de não só uma criança, mas uma criança detentora de uma visão que lhe ODIAVA por algum motivo - Você só pode estar brincando…
- Diluc, o motivo da maioria das pessoas que pedi pra abrigar ela foi que não tinham como sustentar mais uma boca ou não ter onde colocar ela, e você com certeza tem um quarto sobrando e pode alimentar ela, além de que não seria bom ter uma companhia naquela casa gigante depois de tanto tempo? - Foi a vez do Ragnvindr bufar e quase soltar um “Não preciso de companhia” mas acabou esticando os olhos para os nomes riscados antes, notando que tinha algumas linhas intactas.
- E quanto aos não riscados?
- São as pessoas próximas de Draff que acho inapropriados para cuidar dela.
- Inapropriados? Os caçadores na porta do quartel pareciam bem preocupados pra você os chamar de inapropriados - Não conseguiu evitar vociferar baixo, o rosto da mulher mostrou um vestígio de surpresa que foi encoberto com uma carranca preocupada.
- Eles se importam de fato, mas a probabilidade de eles não escutarem os cavaleiros e fazer seu próprio grupo de busca é muito alta, Diona ficaria sozinha de novo por sabe se lá quanto tempo, ou pior se junta a eles na busca igual a ultima vez.
- Última vez? Aquela garotinha já fez parte de um grupo de busca!?
- Essa é a segunda vez que Draff some assim, a primeira vez ele desapareceu por três dias e a própria Diona foi na tempestade procurar ele, impediram ela dessa vez, Marla e Brook que trouxeram ela pros cavaleiros assim que a tempestade diminuiu, ela não estava nem um pouco feliz - As novas informações foram algo para ele ponderar por um momento, aquele era o segundo desaparecimento do homem. Se lembrava de Draff frequentemente na taverna dos anjos até os últimos horários que eles mantêm o estabelecimento aberto, era meio difícil se esquecer do bem humorado caçador com orelhas de gato, da mesma forma que era difícil fazer ele calar a boca quando começava a falar de o quanto amava a filha, pelo que conseguia entender da conversa de bêbado nunca o escutou falando da mãe da criança ou de algum parceiro romântico em potencial, e o fato de Marla e Brook terem a trazido a sede só reforçava a possibilidade de Diona, só ter seu pai.
Diluc não queria sentir empatia pela situação, não queria mesmo, aquela criança não era sua responsabilidade e iria dar um baita de um trabalho… Mas aquele sentimento horrível que sentia diariamente alguns anos atrás assolou em seu peito, mesmo que já fosse crescido ele gostaria de ter alguém para o confortar na época, mas ele seria um bom conforto para Diona? A menina não gostava muito dele. Ela estaria mesmo segura com ele? Seria mesmo uma boa ideia ter mais alguém naquela mansão com ele além de seus funcionários? Talvez fosse se arrepender profundamente em algumas horas mas...
- Certo Jean, você venceu - Pode ter sido um resmungo baixo mas nem precisava virar o rosto para saber que a Gunnhildr deveria parecer satisfeita com a resposta - Mas preciso de pelo menos um dia para preparar uma estadia decente pra ela
- Acho que Klee não se importaria em ficar com a Diona no quarto dela por hoje - Segurando a vontade de resmungar mais um vez se virou para sair do escritório principal quando se lembrou de uma coisa, ou melhor alguém que trabalhava nos cavaleiros que se ouvisse algo sobre a futura nova moradora da Adega faria suas noites como bartender mais irritantes que o normal.
- E se puder não mencionar isso ao capitão da cavalaria, agradecia profundamente.
- Não vai escutar nenhuma palavra de mim Mestre Diluc, vejo você amanhã na hora do almoço - Foi com o aceno leve da mulher que ele deixou a sala e a sede dos cavaleiros a caminho de sua casa.
Só conseguia pensar que além do trabalho que a chuva tinha deixado ele arranjou mais um coisa pra tomar conta, e é claro que uma menina de sete anos com um personalidade um pouco agressiva não iria facilitar pra ele. Ele sabia que tinha que parar de querer suspirar o tempo todo como um velho cansado mas não conseguia deixar de se sentir um frustrado de ceder a vontade da Grande Mestre Intendente, ela conhecia Diluc des de as fraldas, sabia que tinha um fraco por crianças e definitivamente se aproveitou dessa fraqueza.
Adelinde estava na entrada do casarão com Hillie e Moco retirando uma grande quantidade de lama para abrir um caminho limpo para a porta quando o mestre da casa chegou com sua carranca pensativa.
- Há algum problema Mestre Diluc? - Pode ver o rosto do ruivo suavizar quando perguntou, ele fez um gesto com as mãos para que o seguisse para a grande sala de jantar dentro da casa, naturalmente ela o seguiu até o escritório de canto na sala.
- Adelinde vou precisar que você prepare um quarto para um visitante de estadia indefinida - O homem estava apoiado na mesa de madeira quando falou, e já sabia como sua empregada chefe estava pensando baseado na clara confusão que expressava.
Algum amigo de longe vem te visitar Mestre?
- Não, é um pouco mais complicado Adelinde.
- Complicado?? É um diplomata então? - Aquilo conseguiu arrancar-lhe um leve sorriso, aquela mulher era preocupada demais para seu próprio bem.
- Não Adelinde, essa visitante provavelmente vai ser mais problemática que um diplomata.
- Desculpe Mestre, mas que tipo de visitante estamos falando?
- De uma criança.
- Uma criança?! Mestre o que exatamente está acontecendo? - A confusão da mulher estava bem mais aparente agora depois de cobrir a boca de susto com o tipo de convidado que iria recepcionar.
- Diona a bartender da cauda de gato precisava de um lugar para ficar por enquanto, aconteceram coisas ruins e Jean pediu pra mim fazer isso.
Acho que Elzer vai ficar feliz com a nova visitante - O olhar zombeteiro estava acompanhando o sorriso brincalhão da morena que notou o pequeno sorriso em seu superior.
Ele acha mesmo que vai conseguir? acho que vou ter que pedir para ele e Connor não a incomodar pedindo bebidas novas enquanto estiver aqui - Elzer era uma pessoa determinada e sabia fazer seu trabalho muito bem mas ainda era um idiota.
- Devo preparar qual quarto de visitas Mestre? - A menina não era sua maior fã e era provável que iria preferir distância mas tinha que levar em conta a situação e a informação valiosa que Jean tinha dado, Diona já tinha fugido uma vez.
- O perto do meu, e arranje algumas roupas que caibam em uma criança de sete anos, não sabemos o quanto ela vai trazer.
- As menores roupas que temos eram de quando você era pequeno Mestre, devo usá-las? - Ele poderia não se sentir muito confortável com a maioria das mulheres, mas até ele sabia que uma garota poderia não se sentir confortável em vestir seus velhos shorts e camiseta de botão.
- Acho que podemos comprar algumas coisas novas, aqueles shots devem estar bem gastos, vou pedir pra Moco e Hillie irem para a cidade fazerem isso, elas devem saber mais de roupas que eu - Adelinde se retirou em direção as escadas com um sorriso compreensivo, seu jovem mestre tinha crescido muito. Sua nova jovem senhorita Diona certamente vai fazer bem para essa casa fria e vazia.
