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pérolas de uma anestesia

Summary:

Riddle Rosehearts gosta de morango, mas gosta muito mais de Ace Trappola.

Work Text:

Levar o garoto por quem você está apaixonado há três anos no dentista nunca entrou no top cinco momentos aos quais Ace imaginou com Riddle, mas ele bem sabia que todas as outras situações (andar de bicicleta, competição de quem conseguia comer mais churros, patinar no gelo, fazer barulho de pum na barriga dele) eram tão impossíveis quanto, e no entanto, ali estava Ace Trappola (20), esperando Riddle Rosehearts (21), descer de seu apartamento chique na cobertura (presente da mãe quando entrou na faculdade) para acompanhá-lo até o consultório odontológico localizado no centro da cidade, bem longe de onde eles estavam agora. 

É claro que ele não se ofereceu para tal cargo, o cargo veio até ele

Ace trabalhava (e morava) com Deuce em sua mecânica e apesar de não ser o que sempre sonhou para si, não estava reclamando. Deuce era um bom chefe, e eles eram melhores amigos, então tudo era mais fácil. Ace não queria dizer o quanto estava incerto sobre seu futuro, por isso apenas desconversava quando alguém tocava no assunto. 

Por sorte (ou azar), aquele era seu dia de folga e apesar de ter planejado passar o dia inteiro em seu quarto fazendo absolutamente nada, apenas existindo e pensando no quanto era patético, Ace foi acordado cedo por Deuce que entrou no seu quarto como um vândalo, puxando suas cobertas, abrindo as cortinas e dizendo que ele tinha que se arrumar para levar Riddle ao dentista.

O Ace cansado e com sono apenas olhou para Deuce como se ele tivesse criado uma segunda cabeça e limpando a baba com a mão apenas resmungou um muito inteligente “quê?”.  

Deuce explicou que Riddle-ryochou (ainda chamava Riddle assim mesmo depois de tanto tempo, que perdedor!) precisava extrair os dois sisos inferiores e até aquele momento, quem iria o acompanhar era Trey-senpai, mas o esverdeado teve um imprevisto e não poderia ir, então, recorreu a Cater, mas Cater estava viajando com Vil, seu recém-marido, por ai em uma turnê fotográfica, então, sobrou Deuce, mas Deuce precisava trabalhar e foi aí que Ace entrou na confusão: Deuce comentou que ele estava de folga e Trey apenas disse com toda aquela sua forma de mais velho “perfeito! Então, ele pode acompanhar o Riddle!” e no fim, Ace apenas teve que aceitar, porque, sério, como ele poderia dizer não a Trey-senpai?! 

— Você consegue fazer isso, Ace, cara, você consegue! Não é como se fosse a primeira vez que está vendo ele! Semana passada mesmo vocês estavam juntos! Qual é a diferença?! — Parecendo um doido, ele estava conversando consigo mesmo pelo retrovisor do carro enquanto ajeitava os cabelos alaranjados, mas justamente hoje eles resolveram se tornar ainda mais rebeldes. 

“A grande diferença é que dessa vez vocês vão estar sozinhos” foi o que o estúpido cérebro de Ace o respondeu e ele desviou o olhar do espelho, colocando as mãos sobre o volante e apertando bem forte. 

Não tem problema. Nenhum problema. Está tudo sob controle. Claro que está. 

Oh, como ele estava errado!

Ele ouviu o portão do prédio se abrindo e desviou o olhar apenas para quase morrer engasgado com sua própria saliva.

Ali estava Riddle, usando um vestido branco rodado com babadinhos rosas e sapatinhos de boneca preto. O vestido descia até o fim de suas coxas, deixando suas pernas cobertas por uma meia fina branca à vista. Ace achou que fosse morrer ali mesmo. 

Ele não sabia que Riddle gostava de se vestir assim, e ele realmente não tinha problema algum com isso, na verdade, acabou por perceber que gostava até demais e sentiu uma gotinha de suor escorrer por sua têmpora. 

Oh, não.

Riddle o avistou e abriu um sorriso gentil, acenando com suas mãos com luvinhas brancas de renda, delicadas. Os braços finos estavam expostos para qualquer um ver e Ace nunca tinha visto Riddle mostrar tanto a pele assim e seu cérebro realmente tinha pifado. 

Mesmo quando ainda se reuniam com o pessoal da Heartslabyul, Riddle usava terninhos ou calça jeans com blusões, ele nunca apareceu trajando um vestido e Ace não estava preparado para aquilo. Ele realmente não estava preparado para aquilo. 

Seu estúpido coração apaixonado deu um pulo no peito que chegou a doer e ele ficou olhando Riddle passar pela frente do carro para entrar no banco de passageiro. Riddle, com seus lindos olhos azuis acinzentados, o cabelo vermelho escuro um pouco mais curtos na nuca que deixava Ace louco de vontade de encher de beijinho aquela parte de pele exposta. Riddle Rosehearts, a paixão de Ace desde o primeiro ano do ensino médio. Nem sabia dizer quando foi que se apaixonou por ele, parecia tão certo que talvez tivesse sido desde o início, ou talvez tivesse sido quando viu Riddle sorrir pela primeira vez. 

— Ace, desculpa pela demora e também por fazer com que me levasse no seu dia de folga — começou ele quando entrou no carro, ajeitando o vestido sobre os joelhos. Abriu um sorrisinho e um leve rubor dançou por suas bochechas fofas. Ele estava tão adorável que doía. — Cyan acabou ficando doente e apesar de Trey ter dito que Jade podia levar o filho deles sozinho ao médico, não achei certo. 

— N-Não tem problema. — Conseguiu dizer depois de um tempo. — Trey-senpai é um ótimo pai. Espero que Cyan fique bem logo.

— Pelo o que Trey disse, é apenas uma gripe. Crianças são assim. — Riddle agora colocava o cinto de segurança e Ace voltou a si, ligando o carro e dando partida. Ele já tinha o endereço no GPS. — Apesar de saber disso, penso como vai ser quando tiver os meus…

Ace arregalou os olhos e encarou Riddle. 

— O-O quê?! É tão estranho assim que eu queria ter filhos? E não olhe pra mim, Ace! Olhe pra estrada! — Resmungou, cruzando os braços e fazendo um biquinho. Agora o rubor tinha descido até seu pescoço.

Ace fez o que ele disse e balançou a cabeça.

— Quer dizer… É um pouco estranho! — Ace riu. — Você não parece o tipo de pessoa que gosta de crianças.

— Fique sabendo que eu sou padrinho de Cyan e ele me adora!

— É muito mais fácil quando o filho é dos outros! — não pode deixar de provocar.

Riddle fez um som de indignação e Ace soltou uma risadinha. Não olhar para ele fazia com que conversar fosse mais fácil porque tinha certeza que se ficasse olhando para Riddle com aquele vestido, ele com certeza falaria algo estúpido. 

— Mas e quanto a você, Ace? Pretende ter filhos? 

“Bom, você disse que quer, então eu também” era o que queria dizer, mas é claro que tudo o que realmente respondeu foi: 

— Não sei. Nunca pensei sobre isso. 

Riddle assentiu e então, se calou. Ace mordeu o lábio inferior e se concentrou no trânsito. Ele conseguia sentir o outro homem ao seu lado, o calor da pele dele, o cheiro forte de rosas vermelhas que fazia sua boca salivar. Ace nunca teve problema com sua sexualidade, vindo de uma família incrível que o aceitou completamente quando contou ser gay, mas naquele momento ele só pode se xingar por ser um homossexual idiota e cheio de tesão por seu antigo líder de dormitório. 

— Eu achei que você dirigisse — puxou conversa antes que começasse a pensar sobre como seria beijar Riddle. 

— Ah… — o tom da voz do mais velho ficou tímido e Ace ousou uma olhadinha de canto de olho. O que poderia ter acontecido? — Eu… eu bem queria, mas minha mãe nunca deixou. Ela não acha que seja certo eu dirigir meu próprio carro… 

Ace fez uma careta, mas nada disse. Ele sabia como a situação entre o rapaz e mãe ainda era tensa, ainda mais depois que Riddle decidiu sair de casa e vir para a cidade, estudar direito longe das asas superprotetoras. Apesar de ter ganhado o apartamento de presente, aquilo era só mais um dos jeitos da mãe dizer que tudo o que ele tinha, foi ela que deu. Ace se sentia triste por ele. Queria que Riddle fosse realmente livre e feliz, mas como poderia fazer algo por aquele que amava quando ele próprio não sabia o que fazer com sua vida e futuro? 

— Como vai seu trabalho? — Riddle perguntou depois de um tempo em silêncio. Mexia com as pontas das luvas, puxando-as. 

— Bem melhor do que imaginava. Quer dizer, com Deuce como patrão achei que fosse morrer, mas é tranquilo. 

— E você está feliz assim? 

Ace hesitou. 

Estava acostumado a mentir sobre isso, e bom, ele não achava que era mesmo uma mentira. Ele não estava feliz, mas também não estava infeliz. O serviço na mecânica dava dinheiro suficiente para que pudesse sobreviver e ainda sobrava para comprar as coisas que queria. Deuce o convidou para morar com ele em seu apartamento em cima da mecânica e ele aceitou, e no entanto, não sabia dizer o porquê. Não estava infeliz. Tinha seus amigos, que apesar de ser um pé no saco, eram os melhores que podia ter, e mesmo assim, ainda faltava algo bem lá no fundo. Ace nunca tinha pensado no que queria ser. Ele apenas queria ser o melhor em tudo — em magia principalmente. Gostava de basquete, mas não achava que seguir uma carreira com o esporte fosse o que queria. Ele gostava mesmo de mágica. De fazer criancinhas sorrirem ao mesmo tempo que ficavam emburradas quando ele as pregava uma peça, só que… Não era patético? Querer ser um tipo de mágico de rua, que faz trapaças, quando ele podia fazer mágica de verdade? Ace não sabia o que realmente queria e até aquele ponto, sabia que estava tudo bem, porque pelo menos tinha um serviço, e no entanto, ter aquela pergunta vinda de Riddle fez com que questionasse suas decisões desde a graduação. 

— Desculpe, eu não devia ter perguntado algo assim. — Riddle levou seu silêncio como recusa e ele quis se estapear. 

— Não! Quer dizer, está tudo bem, eu só estava pensando. — Disse com a voz alta. — Eu não sei. Acho que sim? Talvez. É difícil. 

— Entendo como é. — Aquela não era o que esperava, por isso olhou para Riddle e encontrou o homem lhe olhando atentamente. — Às vezes eu penso se direito é o que realmente quero ou se é só o que minha mãe quer de mim. 

Riddle sorriu afetado e Ace sentiu seu coração doer. Por ele e por seu amado. Ele queria ter palavras bonitas pra dizer, um conselho que faria Riddle sorrir verdadeiramente e tiraria aquela expressão confusa dos olhos bonitos dele, contudo, não tinha e pensou que o silêncio talvez fosse o melhor. 

De qualquer forma, eles já tinham chegado até o local. O trânsito não estava ruim e Ace estacionou algumas quadras perto do dentista. Riddle parecia perdido em pensamentos enquanto eles desciam do carro. 

— Você não precisa subir comigo, pode ir fazer outras coisas.

— Tá tudo bem, não tenho nada melhor pra fazer. 

Riddle assentiu e eles subiram. 

O consultório era grande e muito branco. Cheirava a desinfetante e a moça da recepção tinha o sorriso mais branco que Ace já tinha visto. O sorriso veio depois do olhar de reprovação para Riddle e no seu interior, Ace já a odiava. Ele percebeu nos olhares voltados a Riddle e viu as orelhas do mesmo ficarem vermelhas. Queria puxá-lo para seus braços e protegê-lo, em vez disso, apenas o seguiu até um canto mais afastado para esperar sua vez. 

— Riddle-ryochou.

— Sim?

— Eu gostei do seu vestido. 

Riddle, que tinha o olhar baixo, levantou a cabeça com surpresa nos olhos. Ele estava corando e Ace quis tanto beijá-lo que doeu. 

— Obrigado, Ace.

Deu para perceber como aquilo significou para ele e Ace ficou feliz, realmente ficou. E era verdade. Tinha realmente gostado do vestido. Tudo bem que talvez ele também tivesse pensado em tirá-lo e beijar todo o corpo de Riddle, mas naquele momento, não houve malícia, apenas sinceridade. Riddle podia muito bem usar o que quisesse, até uma melancia na cabeça e tudo o que Ace veria era o ser humano mais bonito do mundo na sua frente. 

— Riddle Rosehearts? — O médico chamou e o menor se levantou, passou as mãos pelo vestido para ajeitar um pouco do amassado e olhou para Ace com expectativa.   

Ace não pode deixar de ser um idiota e abriu um sorriso malicioso.

— Quer que eu entre para segurar sua mão, Riddle-ryochou? 

As bochechas de Riddle pegaram fogo e ele semicerrou os olhos, fazendo um bico emburrado. Ace soltou uma risada alta e observou o mais velho marchar para dentro da sala do dentista. 

 

🔻

 

Como sempre acontecia quando Ace achava que as coisas iriam se ajeitar, tudo dava uma reviravolta e problemas apareciam. Ele já deveria estar acostumado, mas de verdade, jamais pensaria que Riddle fosse ficar grogue àquele ponto. 

A cirurgia durou uma hora e meia e Ace tinha ficado ali, sentado, olhando revistas e seu celular, xingando Deuce no grupo dos “meninos do primeiro ano.” Eles nunca mudaram o nome mesmo depois de mudarem pro segundo, terceiro ano, e ficou por assim mesmo. Gostava do nome porque se sentia um pouco mais novo. 

Deuce comentou com os namorados, Epel e Jack, o que estava acontecendo, e Sebek se intrometeu depois de um tempo. Era incrível como aquele cara conseguia escrever sempre com capslock e mesmo quando conseguia desativar, ainda dava para sentir os gritos vindo de suas mensagens. Epel, o grande merdinha que era, disse para Ace deixar de ser um veado covarde e se confessar de uma vez. Jack o repreendeu por isso e Epel até se desculpou, mas Ace sabia que aquele anãozinho não estava se sentindo culpado. 

Uh, ele odiava aqueles três e seu feliz relacionamento poliamoroso! Eles sempre estavam esfregando na sua cara o quão felizes estavam, mesmo que sem intenção. E ele nem queria falar sobre Sebek! Aquele jacaré idiota finalmente conseguiu se confessar para Silver, o que todos do grupo deram graças a Deus pois ninguém mais aguentava aquela situação. Desde que Silver tinha se tornado seu namorado, Sebek, não satisfeito em gritar o tempo todo sobre seu adorado Waka-sama, Malleus, agora também gritava sobre seu amor por Silver e vivia pedindo opiniões sobre presentes. Sério, Ace odiava seus amigos e odiava ainda mais ser o único solteiro. 

— Acompanhante de Riddle Rosehearts? 

Ace achou aquilo estranho, mas se levantou e foi até onde o dentista estava. O médico era um senhor de meia idade, começando a ficar calvo, com olhos castanhos grandes e muitas pintas no rosto. A armação de seu óculos era verde como águas de um pântano. Ele sorriu para Ace e pediu para que entrasse. 

— O sr. Rosehearts precisou tomar uma anestesia localizada bem forte — informou o médico e Ace já pensou “opa.” — Ele está acordado, mas bem grogue, seria prudente que o ajudasse a chegar até o carro. 

— Claro. 

— É recomendado que ele coma coisas bem geladas nos primeiros dias, pois o gelo é anti-inflamatório e vai ajudar na cicatrização. 

— Pode deixar, vou fazer com que ele faça isso — mentiu. Ele nem mais veria Riddle, mas comentaria com Trey e ele teria que lidar com seu melhor amigo de infância. Nem seria difícil já que ele é dono de uma doceria. 

O médico lhe entregou uma receita com um remédio em caso de dor, disse para fazer compressa de água fria e depois deixou que Ace fosse até Riddle que ainda estava deitado na cadeira. 

— Ei, Riddle-ryochou. 

— Ace! — exclamou feliz, abrindo um sorriso enorme. Suas bochechas estavam levemente inchadas e Ace reprimiu uma risada. Dava para sentir o quão grogue Riddle estava. 

— Sim, sou eu.

— Você é tão bonito — comentou o ruivo como se fosse normal. Ace arregalou os olhos e sentiu seu rosto queimar. 

— Claro que sou, eu era o maior garanhão do colégio.

— Hm — Riddle concordou e então, estendeu os braços, como se estivesse pedindo colo. 

— O que foi?

— Me dá um beijo e me carrega. 

A pressão de Ace poderia ter caído ali mesmo. Ele estava corado e ficou encarando Riddle com a boca escancarada. 

— Por que eu faria isso?

— Você é meu namorado, não é? — O pior de tudo era que Riddle parecia realmente confuso quanto a isso. Ace suspirou. 

— Não, Riddle-ryochou — “mas bem que eu queria”, pensou. — Somos só amigos. 

— Oh. 

Ace ia morrer. Ele certamente ia morrer. Riddle parecia decepcionado. 

— Vem, eu vou te ajudar. 

Riddle não disse mais nada, e na realidade, Ace teve que praticamente o carregar. As pernas dele pareciam gelatina de tão molengas. Tentou não pensar (muito) sobre sua mão na cintura de Riddle e no calor do corpo dele, no maldito vestido roçando contra sua coxa. 

Quando chegaram até o carro, Ace segurou Riddle com uma mão só para abrir a porta e nesse meio tempo, o ruivo segurou seu rosto e fez com que lhe encarasse nos olhos. Ele afagou sua bochecha e o cérebro de Ace pifou novamente. 

— Seus olhos são vermelhos — disse ele com uma risadinha. — Me lembra morango. 

Ace soltou uma risada.

— É mesmo?

— Sim! Eu gosto de morango… Gosto de você também. — Sorriu tentando ser galanteador e Ace mordeu o lábio inferior. Ele queria gritar. Alguém devia ter avisado que anestesia demais fazia a pessoa ficar parecendo bêbada! Riddle não estava falando coisa com coisa e o coração de Ace, apesar de saber disso, não pode deixar de se descompensar. — Oh! Milkshake de morango! 

Milkshake de morango?

— Uhum! Eu quero milkshake de morango! O maior que tiver! 

Ace suspirou.

— Ok, Riddle-ryochou, eu vou te comprar um, mas primeiro você precisa entrar no carro. 

Riddle não pareceu feliz em sair do seu lado, mas a promessa de um milkshake fez com que entrasse no carro. Ace fechou a porta e passou a mão no rosto. Ele não era de ficar envergonhado com facilidade, mas Riddle dizendo tudo aquilo estava fazendo seu rosto queimar. Respirando fundo, criou coragem para ir até o outro lado e entrar no carro. 

O vestido de Riddle tinha levantado um pedaço e suas coxas estavam à vista. Ace não achava que teria mais neurônios quando aquele dia acabasse. 

Com uma mão trêmula, puxou o tecido para baixo, voltando à posição inicial. Riddle não pareceu se importar, na verdade, a respiração dele se descompensou. Ace pode ouvir claramente o ofego por conta do silêncio de dentro do carro. Seu coração batia tão acelerado que parecia pronto para sair por sua boca. 

— Pode tocar mais. — Riddle falou, pegando sua mão e levando até seu joelho, colocando-a sobre o membro e apertando. 

Ace tirou a mão tão rápido que parecia ter sido queimado. As batidas de seu coração ecoavam em seus ouvidos e ele ligou o carro bem rápido. 

— Você não quer me tocar? 

— Riddle… 

Se antes o coração de Ace estava batendo muito acelerado, no momento que ouviu o outro fungar, ele parou de bater.

— Por que você está chorando?!

— Porque… Porque Ace não me quer! 

— Riddle-ryochou, meu Deus… Meu Deus! — exclamou e colocou o carro no ponto morto. 

Virou-se no banco e aconchegou o rosto de Riddle em suas mãos, limpando as lágrimas com delicadeza.

— Isso não é verdade, mas você não está em seu juízo perfeito, eu jamais faria algo assim. 

— Então, você quer?

Ace fechou os olhos e com o resto quente, respondeu:

— Claro que quero, mas não assim. — Não era uma pessoa religiosa, mas estava rezando para Riddle não lembrar daquilo quando o efeito da anestesia passasse. 

— Oh. — Riddle assentiu e colocou a mão em cima da sua. — E o meu milkshake?

Ace não pode deixar de rir. Apenas alguns segundos foram precisos para ele voltar a perguntar do milkshake, o que foi muito bom. Em vez de salvo pelo gongo, ele foi salvo pelo milkshake

Agora que tinha parado de chorar, Riddle ficou mais tranquilo, desenhando com os dedos na janela no carro. Ace sabia que ficaria manchado, mas o carro era de Deuce mesmo, ele que limpasse depois. 

Por fim, chegaram até o McDonald's mais próximo e Ace comprou o maior milkshake de morango que tinha para Riddle. O homem pareceu muito feliz enquanto bebia, gemendo de aprovação. Ace sorriu carinhoso e dirigiu até uma farmácia onde comprou também o remédio e mais alguns sorvetes na loja de conveniência. Depois disso, levou Riddle para casa. 

Realmente levou, já que o ruivo ainda não conseguia andar direito. 

Riddle se grudou nele como um coala carente, com os braços ao redor de seu pescoço, e ficou ali, respirando no seu cangote durante toda a viagem de elevador. Algumas pessoas olharam estranho, mas algo no jeito de Ace fez com que ficassem quietos e desviassem o olhar. Ele ficou realmente satisfeito com isso. 

Por fim, depois de muito procurar a maldita chave do apartamento, Ace conseguiu levar Riddle para dentro, deitando-o na cama e depois indo até a cozinha onde colocou os sorvetes no freezer e pegou um copo de água. Sentiu-se invasivo, mas era por um bem maior, lembrou-se, e por fim, voltou até Riddle que estava esparramado sobre a cama. 

— Riddle-ryochou, quando acordar, tome um remédio se sentir dor e tem vários sorvetes no freezer, é bom que coma bastante gelado.

Riddle apenas respondeu com “hm” e se remexeu, procurando uma posição para dormir. Depois do milkshake, ele parecia mais tranquilo e disposto a tirar uma soneca. Aquilo era ótimo. 

— Bom, eu vou indo. Vou falar com Trey-senpai e ele deve vir te ver mais tarde, ou amanhã. — Continuou falando mesmo que o menor agora tivesse os olhos fechados e a boca entreaberta. Ace sorriu uma última vez com a cena. — Até mais, Riddle-ryochou. 

— Hm — Riddle resmungou e jogou a mão para cima, procurando por algo. Ace segurou sua mão e ele apertou fracamente. — Hm, eu te amo, Ace. 

Ace soltou a mão de Riddle e se afastou, sabendo muito bem que aquelas eram apenas palavras vazias. 

Sentiu vontade de chorar, em vez disso, apenas riu baixinho e não respondeu, apenas foi embora, deixando o rapaz dormindo tranquilamente sem saber a dor que tinha trago ao coração do alaranjado. 

 

🔺

 

Estranhamente, o apartamento estava escuro quando Deuce chegou, trazendo seus namorados em seus calcanhares. Jack e Epel conversavam sobre uma nova marca de moto enquanto Deuce abria a porta e levava as latinhas de cerveja e caixa de pizza até a cozinha. 

— Acho que o Ace não chegou ainda.

Eu jurava que tinha visto seu carro quando a gente subiu pela garagem, Deuce Jack comentou. Ele estava com uma camisa branca justa e calça jeans escura. As botas de camurça estavam na porta. 

É, eu também vi. Epel concordou, se apoiando na geladeira com os braços cruzados. Ele estava com uma calça jeans clara e um moletom vermelho números maior que ele. Ace deve ter esquecido de acender as luzes, você sabe como ele é um idiota. 

Eles riram e seguiram para a sala, abraçados um no outro. Epel ficou na ponta dos pés e beijou Deuce na boca com vontade, segurando sua nuca. Jack os abraçou e encostou a cabeça no pescoço de Epel. Assim que se sentiu satisfeito, Epel se afastou com um sorriso e se virou para Jack, beijando ele também. Deuce arfou e acariciou os cabelos um tanto cacheados de Epel, ouvindo-o suspirar. 

Jack segurou sua mão e o puxou para perto, deixando-o livre para tocá-lo também e assim ele fez, levando a mão até o peitoral do namorado, seguindo até os ombros. Epel parou de beijar Jack e estava prestes a beijar Deuce novamente quando fez uma careta e Deuce se virou, confuso. 

Atrás deles, no sofá, praticamente desmaiado sobre, estava Ace.

O-O que aconteceu com ele? Jack perguntou e os soltou, indo até o melhor amigo de seu namorado com preocupação. 

Epel e Deuce os seguiram. 

Aos pés do sofá, tinha algumas latinhas de cerveja. Deuce sabia que só aquilo não deixaria Ace bêbado, por isso, cutucou ele nas costelas, fazendo o amigo abrir os olhos. Epel acendeu as luzes e Deuce se surpreendeu com lágrimas escorrendo pelo rosto do amigo. 

Ace?! O que aconteceu?!

Ace revirou os olhos e o empurrou, enxugando as lágrimas com o antebraço, sentando-se em seguida. 

Nada. 

Não parece que foi nada. Jack comentou. 

Foi o Riddle? Epel, que não tinha muita paciência para as coisas, cutucou bem na ferida. Ace tremeu e os três se entreolharam, confusos, mas igualmente preocupados. 

Ace, o que aconteceu? — Q uis saber Deuce.

Então, Ace, que estava cansado e meio bêbado, contou o que aconteceu. No meio do relato, Epel já tinha revirado os olhos mais de dez vezes, mas ficou quieto pois ambos seus namorados o repreenderam com olhares. Ele não conseguia entender como aqueles dois idiotas, Ace e Riddle, podiam ser tão estúpidos. Era tão incrivelmente óbvio o quanto se gostavam e queriam ficar juntos! No segundo ano, até mesmo ocorreu uma aposta entre eles, mas é claro que os dois patetas nunca fizeram nada sobre o amor que sentiam um pelo outro e continuavam não fazendo! Isso enfurecia Epel sem fim!

Deuce já tinha falado com eles sobre Ace levar Riddle até o dentista para tirar os sisos e Jack sabia o quão grogue alguém podia ficar com a anestesia, visto que ele mesmo já tinha retirado os seus, mas ele não pensou que aquilo traria aquela reviravolta. Mesmo ele que não gostava de julgar as pessoas não aguentava mais Riddle e Ace naquela dança. 

E ele disse que me amava! Sabe, me amava! Mas é claro que isso não é verdade!

Epel encarou Deuce e respirou bem fundo, cruzando as pernas. Ele queria sacudir Ace até ele perceber que os sentimentos eram mútuos. 

Você não tem como saber disso, Ace. Jack interveio. Claro que ele estava sob efeito da anestesia, mas isso não quer dizer que não era verdade. 

Ah, claro. Porque faria todo o sentido alguém como ele gostar de alguém como eu. 

Os três namorados ficaram em silêncio. Pela primeira vez, Epel não quis dar um soco em Ace. Ele bem entendia como era se sentir menor e não digno de amor. Todos os dias sentia-se grato por ter dois caras incríveis que o mergulhavam em amor e carinho, que o fizeram ver que ele podia e que ele era bom do jeito que era, que não precisava de mudanças. 

Mas apesar disso, não tinha como dizer aquilo para Ace. Epel conhecia Riddle e sabia que o homem gostava de Ace por quem ele era. Porque todos sabiam como foi importante para Riddle quando o alaranjado foi o único que não o perdoou de primeira, o único que fez com que demonstrasse de verdade o quanto estava arrependido depois de todo o acontecimento do Overblot. Ace não tinha como saber disso, já que Riddle nunca vociferou, mas era óbvio para qualquer um que olhasse para eles por mais tempo do que um segundo. Só que… É claro que Ace se sentiria menor em relação a Riddle, o que era ridículo, mas não era de se surpreender. 

Deuce se levantou e abraçou Ace. O mais baixo deixou que ele o abraçasse e ficou quieto, olhando para o nada. 

Ace ficou assim por um tempo. Em sua cabeça, só conseguia pensar em Riddle, no vestido de Riddle, na coxa de Riddle, em Riddle falando que o amava, que ele era bonito, no Riddle decepcionado quando Ace disse que eles não eram namorados. 

Em um impulso, Ace se levantou. Os três o olharam ressaltados e observaram enquanto o amigo seguia até a parede e horrorizados ficaram quando o mesmo chocou a cabeça contra ela. 

ACE! O grito deles foi a última coisa que Ace ouviu. 

 

🔻

 

Depois de ter socado a cabeça na parede e ficado com um galo enorme por uma semana, a vida de Ace meio que voltou ao normal. 

Ele ainda pensava em Riddle, nas coisas que tinham acontecido, principalmente no vestido, mas não era muito diferente de antes. Ace sempre pensava em Riddle, a única mudança é que agora doía um pouco. 

Claro que ele tentou tirar os três urubus de cima dele, mas Deuce, Epel e Jack ficaram impossíveis, dizendo toda vez que ele deveria ir falar com Riddle. No começo, ele discutia, mas agora apenas os deixava falando sozinho. Era óbvio que Riddle não lembrava de nada, ou, se na pior das hipóteses, lembrava, claramente não queria saber de Ace, visto que também não entrou em contato. 

Deuce comentou uma vez que Trey disse que Riddle estava bem, e que já tinha ido tirar os pontos. Ace ficou feliz por isso, mas uma pontada de dor sempre aparecia com o nome dele, o que era bem chato. 

Naquela noite, os três urubus tinham chamado Sebek para o apartamento de Deuce para comer sushi e beber vinho caro, já que o bastardo do Epel agora era rico o suficiente para aquilo. 

Ace não queria ficar ali, pela primeira vez em todo aquele tempo. Era sexta e ele normalmente estaria animado, querendo ir em alguma balada ou apenas ficar com seus amigos batendo papo, mas não naquele dia. Queria apenas ficar quieto e dormir, mas é óbvio que isso não iria acontecer. Seus amigos nunca deixariam isso acontecer e por um lado, era grato por eles. Óbvio que jamais diria isso.

Ele sabia que estava sendo patético, mas até mesmo ele podia se sentir depressivo de tempos em tempos. Ace sentia-se estúpido, visto que era apenas o evidente, mas seu coração não o obedecia quando pensava que não queria mais ficar triste por causa de Riddle. 

Aquilo era um saco. 

Lá pelas nove, Sebek chegou trazendo uma torta enorme de cereja. Ace achou suspeito, mas nada disse. E nem foi preciso, porque o próprio Sebek se revelou:

— Trouxe sua torta preferida porque fiquei sabendo que você tá com dor de cotovelo. 

Epel bateu a mão na testa e Deuce deu um soco no braço de Sebek. Jack sorriu para ele como um pedido de desculpas. 

— Tanto faz, pelo menos é torta de cereja. Sebek fez mais por mim do que vocês trazendo essa torta, sabia? Se tivessem me dado torta antes talvez eu já estivesse melhor. 

Era brincadeira, claro, e todos sabiam, por isso apenas reviraram os olhos e riram. 

As bebidas começaram a vir e Ace já tinha devorado mais da metade da torta quando Epel começou a falar:

— Mas é sério! Ace, você é um idiota!

— Caralho, Epel, essa foi de graça!

— Sempre é porque você é estúpido! — Gritou. — Você devia ter falado com ele!

— Falado com ele, eu? Por que eu faria isso, porra? Ele que fez confusão na minha cabeça e tudo aquilo, por que eu deveria ir atrás dele? Estúpido! Se ele quer algo, então é bom que ele venha atrás! — Berrou e comeu outra colherada de torta. 

Epel jogou uma almofada nele e Ace estava preparado para jogar de volta quando a campainha tocou. 

— Você pediu mais comida, Sebek? 

— Não — respondeu o cinzento com a testa franzida. — Vou abrir. 

E lá foi ele. Ace não se preocupou e apenas continuou comendo sua torta. Ele tinha que perguntar para Sebek onde ele tinha comprado aquilo, porque era a torta mais gostosa que já tinha comido, e isso quer dizer muito, já que ele vivia comendo as delícias que Trey fazia. 

— Ace — a voz o chamando fez com que ficasse paralisado. A mão que levava outra colherada até sua boca ficou suspensa e um pedaço de torta caiu no chão. 

Com muita lentidão, o alaranjado virou o rosto e se deparou com Riddle. Seu coração se acelerou com a visão dele ali, usando um maldito vestido novamente. Dessa vez, o vestido era rosa com estampa de morango. Um decote em V deixava as clavículas de Riddle à vista e ele pode ver uma gargantilha preta no pescoço dele. 

O vestido era mais curto que o primeiro que tinha usado. Batia acima das coxas, mas era rodado, contudo, não tinha meia por baixo ali e suas pernas estavam visíveis. Ace se perguntou se Riddle veio com os mesmos sapatinhos de boneca pretos. Em seus pés, tinha apenas meias brancas com babados nos tornozelos. Riddle tinha pulseiras pratas no punho direito e uma bolsinha bege sobre o ombro. 

— Boa noite, Epel, Deuce, Jack e Sebek — cumprimentou o ruivo. — Peço desculpas por aparecer assim, sem avisar antes, mas eu precisava falar com Ace urgentemente. 

— Ai, finalmente! — Epel exclamou. Deuce colocou a mão sobre a boca dele. Riddle arqueou uma sobrancelha. 

Ace finalmente abaixou a mão, colocando a colher no prato onde a torta se encontrava. Ele não estava bêbado, não como Epel, apesar de ter bebido um pouco, mas era difícil de acreditar que Riddle estava ali, em pé na sua frente, na sua sala de estar, usando um vestido com estampa de morango. 

— Ace. — Jack o cutucou e ele se levantou, parecendo um robô. 

— Riddle-ryochou. 

— Ace.

Os dois se encararam por um instante até que Epel tossisse. 

— Vocês dois precisam conversar! — gritou o de cabelo roxo, jogando de novo uma almofada em Ace. 

Jogou a almofada de volta na cara de Epel e andou até Riddle, apontando para a varanda no fim da sala. Riddle assentiu e o seguiu. 

Antes de entrar na varanda, Ace fechou a porta de vidro e mostrou o dedo para Deuce que fazia um coração com as mãos. 

— Riddle-ryochou, eu não te esperava aqui. 

— É, eu… — Riddle parecia bem perdido. Ace não sabia se era a claridade ou se o ruivo estava mesmo corando. 

— O que você precisava falar comigo que era tão urgente que te fez vir até minha casa numa sexta à noite? 

— Por que você não me ligou?

— Perdão… O quê?

— Por que você não tentou entrar em contato depois… Depois do que aconteceu na semana passada?

Ace o encarou por um longo tempo, sem saber exatamente o que fazer. Seus sentimentos estavam completamente conflituosos. O que deveria falar? O que deveria realmente sentir naquela ocasião? 

— Por que eu faria isso?

Riddle gemeu de desgosto e virou o rosto para o lado, colocando uma mão sobre a cintura. Agora, Ace se irritou. 

— Por que você queria que eu te ligasse? Pra que pudesse rir da minha cara? Ou não foi o suficiente tudo aquilo? 

— Do que você está falando? 

— Estou falando sobre o que aconteceu semana passada! Você claramente lembra do que aconteceu e quer ver com clareza o quanto me machuca! 

Riddle arregalou os olhos e ficou abrindo e fechando a boca igual um peixe. Seu rosto estava vermelho. 

— Olha aqui, Ace Trappola! — ele gritou, levantando um dedo e apontando para ele. — O que você pensa de mim? É algo tão baixo assim? E eu aqui pensando que você me entenderia e iria aceitar meus sentimentos, mas é claro que Trey e Cater estavam errados. 

— Espera. Que sentimentos? 

Riddle ficou ainda mais vermelho. Opa.

Que sentimentos? Eu achei que você tivesse percebido depois da semana passada! Eu gosto de você, seu idiota! Eu te amo! Desde o seu primeiro ano naquela escola! Eu te amo! Eu te amo! E eu te amo! E eu pensei que você sentisse o mesmo… — Riddle não pode continuar a berrar porque seus lábios estavam ocupados com outra coisa. 

Essa outra coisa sendo beijar Ace. 

Depois de tanto tempo fantasiando sobre aquilo, Ace finalmente pode provar os lábios que passou três anos pensando sobre e se um arrepio desceu por sua coluna e ele gemeu baixinho, ninguém precisava saber. Os lábios de Riddle tinham gosto de morango, claro que tinham. Eram macios e delicados, perfeitos. Ace já estava se viciando. 

Riddle se desmanchou em seus braços, levando uma mão até seu rosto e o segurando ali, quase que com medo de que Ace pudesse desaparecer. Oh, ele nunca mais iria embora. Nunca mais. 

Abraçou a cintura de Riddle e o puxou para perto, grudando seus peitos e lambendo seu lábio inferior. Quando o menor arfou, Ace aprofundou o beijo, tocando a língua de Riddle com a sua. 

Eles ficaram ali, naquele momento deles, se beijando como se não houvesse um amanhã. E se não houvesse, se o mundo viesse a acabar naquele momento, eles estariam felizes de estar um no braço do outro. Naquele beijo, todas as palavras foram ditas. O pesar, a dor, a angústia e toda a incerteza se foram e uma sensação de inteiro os preencheu. 

Quando, por fim, se separaram, os lábios de Riddle estavam molhados e um tanto inchados e suas bochechas tinham a mesma coloração que seus cabelos. A mão no rosto de Ace não se foi, continuou ali, fazendo carinho. 

— Eu te amo também — Ace finalmente disse. — Eu te amo por tanto tempo. Tanto, tanto tempo. Eu te amo.

Riddle riu e o abraçou. Lágrimas brotaram em seu rosto e ele se escondeu no pescoço de Ace. 

— Nós somos tão estúpidos. Não acredito que precisei esperar três anos e uma extração de siso. 

Ace riu e abraçou Riddle mais forte, afundando o rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de rosas vermelhas o intoxicar. Começou a beijar a pele exposta, mordiscando aqui e ali. Lambeu a parte bem acima de onde a gargantilha estava e sentiu Riddle tremer junto a si. 

— A-Ace…

Ele não respondeu, apenas se afastou e beijou Riddle novamente, com mais ternura e mais desespero. 

Riddle se agarrou a ele com o mesmo sentimento. Ace andou um pouco e encostou Riddle na grade de vidro. O homem se impulsionou e subiu no colo do maior, cruzando suas pernas na cintura do mesmo. 

Ace o segurou com uma mão na coxa e outra no meio das costas. 

— Ugh, vão pro quarto! 

Os dois se separaram e Ace se virou para ver os amigos ali, sem a menor vergonha, olhando tudo. Ele não queria nem saber a quanto tempo eles estavam ali. 

— Quer saber? Nós vamos mesmo. — Ace retrucou e pegou Riddle no colo, esse que exclamou surpreso e passou as mãos por seu pescoço. 

Sebek pareceu chocado enquanto Deuce, Epel e Jack faziam um high-five. 

Assim que fechou a porta e trancou, Ace colocou Riddle sobre a cama e sorriu. 

— Riddle-ryochou, eu gostei do seu vestido — comentou enquanto passava a mão pelas coxas do menor. 

— Que bom, Ace, eu comprei ele especialmente para você. 

Ace soltou uma risadinha e voltou a beijá-lo. 

O que aconteceu naquela noite ficou gravado em seus corações eternamente e na manhã seguinte, enquanto estavam ali, abraçados, ouvindo o batimento cardíaco um do outro, sentiram que dali para frente, as coisas seriam diferentes. A parte que faltava estava finalmente completa e eles puderam se ver livres de sentimentos amargurados, estando prontos para avançar para o futuro, onde teriam, e fariam, o que realmente quisessem. 

Salvos pelo gongo? Não, salvos pelo milkshake de morango!