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Shin — ou Sou Hiyori, para aqueles que estão com ele no jogo da morte, vivos ou mortos. — Era cruel, mentiroso, nojento, um ser que causava repulsa. Não era de se admirar que Tsukimi enganou muitos dos participantes que estavam com ele no jogo da morte, carregando o peso das mortes daqueles que já se foram; principalmente de Kanna.
Oh sim, ele a enganou como ninguém jamais o fez. Talvez ele seja mais cruel do que a sádica da Sara. A raiva subia-lhe à cabeça quando pensava na ruiva que estava vivendo despreocupadamente caminhando pelos cantos com aquela maldita lanterna.
Sim, sim, sim. Kanna morreu por culpa de Sara. Ela era só uma criança e mesmo assim ela escolheu manter Shin vivo, porque ela era uma mulher fria e sádica, e queria vê-lo sofrer ainda mais mantendo-o vivo dentro daquele maldito lugar.
Afetar o seu psicológico com aquela IA do Joe não foi suficiente, nada é suficiente, ela merece morrer da forma mais horrível que for possível. Ele que fará o trabalho sujo de se livrar daquela adolescente, mas por enquanto isso ia ter que esperar um pouco, ele precisava falar com Hiyori — ou Midori, o nome idiota que a aquela ruiva deu pra ele —.
Sou segurou fortemente o cachecol com sua destra, e sua outra mão, que estava livre, deixando ela descansar dentro de seu bolso, seu sorriso carregado de malícia para Chidouin, se divertindo com a expressão quase vazia da moça; seu coração despedaçado e segurando com ambas as mãos aquela lanterna que mostrava uma parte do passado de Shin com Hoyori. O quão sádica pode ser uma adolescente? Ele pensou enquanto ouvia os barulhos dos sapatos de Sara se distanciando dele. Oh, já havia acabado aquele pequeno flashback que compartilhava com a ruiva.
Tsukimi colocou o livro que estava segurando, desde a chegada de Sara, de volta na prateleira. Caminhou lentamente em direção às escadas que davam no cômodo onde estava sua IA.
Ele queria tentar fazer com que suas questões referentes ao jogo da morte fossem respondidas pelo programa de computador… mesmo sabendo que seria uma perda de tempo, aquela IA era fiel igual uma cadela pelo seu dono, Sou era seu dono obviamente. Seu estômago se revirou com o pensamento, pensando no quão submisso ele era por Hiyori naquela época, e conseguia sentir a bile subir pela sua garganta.
Seus passos eram firmes e cautelosos pelo caminho. Já conseguia ver os esquipamentos que ficavam no sótão — não sabia do quê exatamente chamar aquele cômodo que estava escondido há alguns minutos atrás —, observou o computador onde residia sua ia com a tela desligada, dando passos curtos, se apoiou com as mãos na mesa e colocou sua face em uma distância considerável para não causar um possível incômodo em seu globos oculares devido a luz da tela quando o computador se iniciasse.
"Você está aí?" questionou com seus olhos atentos na tela. Logo após, recebeu o sinal positivo de que a ia ainda estava em funcionamento, a tela sendo ligada e mostrando uma visão dele mesmo do passado, seu cabelo arrumado por baixo do gorro, o casaco que Hiyori lhe deu de presente em volta do seu pescoço, o sorriso nervoso estampado em sua face.
"Você é… o eu da vida real… o que deseja?" O tom de sua voz era ao mesmo tempo caloroso e nervoso, notou brevemente a destra do seu ia indo de encontro ao cachecol. Provavelmente tentava se acalmar perante a sua presença e esquivava um pouco seu olhar de sua face.
"Você tem alguma informação referente ao jogo da morte?"
"É… bem, e–eu não sei o que é esse jogo da morte, eu já não tinha falado isso pra você e os outros?"
"Você está sempre com Midori e não sabe do que se trata o jogo da morte?" Shin arqueou sua sombrancelha em questionamento.
"Eu estou falando sério! Realmente não sei sobre o que é todo esse jogo da morte pelo qual vocês estão participando."
Tsukimi suspirou. "Entendo. Ao menos você tem alguma outra coisa contada por Midori que ele está escondendo? Acho bom você falar pra mim também o porquê de estar escondendo estas informações. Aliás, caso não saiba, eu sou você e você sou eu, não me foda", Shin terminou sua sentença com um olhar afiado em direção á seu ia.
O olhar da sua IA estava tenso. Ele abriu os lábios para falar algo, mas instantaneamente os fechou e seus olhos se arregalaram ainda mais quando olhou para algo que estava atrás das costas do homem que estava conversando consigo. A tela do computador rapidamente se apagou. Tsukimi olhou confuso para a tela do computador e direcionou os dedos da sua mão direita para bater no vidro. Não obteve respostas.
Ele ergueu sua coluna estava prestes a se virar e ir embora do local quando sentiu suas costas baterem em algo reto e um pouco duro, e imediatamente reconheceu como um peito de um homem. Não era nenhum dos outros que o acompanhavam, disso ele tinha certeza. Se virou lentamente já sabendo quem estava atrás de si, dando de cara com o sorriso alegremente doentio de Hiyori em sua direção.
"Shiiin~ eu não disse à você para agarrar a verdade com suas próprias mãos?"
Shin vestiu a sua feição séria e encarou aqueles olhos que possuía uma coloração bem curiosa, como se fosse um verde misturado com um azul petróleo, as íris brilhavam com entusiasmo, e seu sorriso parecia ter se alargado mais quando ele percebeu os olhos do outro homem o encarando, o avaliando. Sou — aquele que Shin roubou a identidade — mexeu sutilmente seus braços contra seu corpo, as mãos de Hiyori estavam carregadas de desejo de segurar o mais jovem contra seu corpo e capturar o cheiro dos fios azulados do mais novo. Sou não negava de forma alguma seus sentimentos por Tsukimi, veio trabalhando nisso a muito tempo, estudou aquele sentimento minuciosamente e trabalhou as melhores formas de abordá-lo quando chegasse a hora. E aquele momento finalmente havia chegado.
Hiyori abriu os lábios para soltar outra de suas provocações, mas foi interrompido pelo diálogo de Shin. "Eu estou fazendo exatamente o que você disse para eu fazer: estou agarrando a verdade com minhas próprias mãos. E que mal há em pedir informações para minha própria IA? Aliás, o que fazes aqui? Veio só provocar? Ou verificar minha IA?"
"Assim você fere meus sentimentos, Shin. Eu estou aqui porque queria muito te ver, sabia?" Ele alargou ainda mais seu sorriso, se é que isso poderia ser possível.
"Acho que seu motivo é outro, eu não citei essa informação no meu último diálogo, mas agora eu sei o que você esconde."
Hiyori mostrou uma expressão confusa para Shin. Permitiu-se naquele momento se afogar naqueles olhos azuis como a água de uma piscina, sentia seu mundo desmoronar aos poucos e era uma sensação até que boa. Sua visão caiu, contra sua própria vontade, naqueles lábios cheios e vermelhos que estavam um pouco levantados devido ao sorriso lascivo e pequeno que ele dava para o esverdeado. Estava tão entorpecido pelos olhos e boca de Tsukimi que só "acordou" quando sentiu um puxão em seu cachecol que veio das mãos de aparência delicada. Seu rosto ficou, quase, na mesma altura que a face de Shin, seus lábios quase roçando um no outro, e os olhos verdes e azuis se encarando como se aquelas duas cores fossem se juntar em uma só, igual as suas bocas que estavam a milímetros de distância.
"Eu sei o que você sente por mim, e eu digo que sinto o mesmo." O sorriso orgulhoso enfeitou a boca bonita de Shin.
"Uou, como você é convencido Shin~ me pergunto de onde veio tanta confiança."
"Você já sabe o que eu sinto a muito tempo, Sou", Hiyori sorriu quando ouviu seu primeiro nome sendo proferido pela boca bonita de Tsukimi."E agora eu sei o que você sente, talvez isso seja o fato de eu ter roubado sua identidade, moldado minha personalidade, tudo para ficar igual a você, e talvez seja por isso que agora eu percebo os seus sentimentos, e agora eu não negarei mais os meus."
Em menos de cinco segundos a boca que Hiyori tanto desejou estava colada à sua, as mãos branca e frias segurando seu rosto, as pálpebras fechada deixando os cílios bonitos à mostra. Hiyori se surpreendeu pelo monólogo e atitude do mais novo. Shin definitivamente cresceu, pensou ele. Ele se permitiu encaixar ambas as mãos na cintura fina do mais novo, fechou os olhos e aproveitou aquele momento. Aquele era seu primeiro beijo com Shin e provavelmente seria o último. Ele queria aproveitar cada gota daquele beijo. Seus corpos estavam tão colados que Sou conseguia ouvir o coração do outro bater freneticamente em sua caixa torácica, talvez seu coração esteja batendo no mesmo ritmo, se ele tivesse um, quem sabe. Shin movia-se de forma desleixada e apressada, era a primeira vez que fazia aquela atividade e Hiyori sabia muito bem disso. Não se sabe ao certo por quanto tempo eles estiveram ali, abraçados e se beijando como se sua vida dependesse disso — e dependia, porque suas vidas estavam por um triz, principalmente a de Sou—; assim como se iniciou, Shin terminou.
Sou abriu lentamente seus olhos e observou as íris de Tsukimi, sua boca, suas bochechas e suas mãos. As mãos de Shin empurraram Hiyori para que ele o soltasse, e ele o fez.
"Bom, é isso. Desperdicei meu tempo mostrando o que sempre quis fazer a tempos, e creio que essa será a última vez que ficaremos sozinho. Não podemos nos dar o luxo de nos encontrarmos sozinho de novo depois disso. Adeus Sou Hiyori, porque eu sei que a Sara vai conseguir o que ela quer e você vai cair."
Hiyori teve o último vislumbre do sorriso de Shin naquela hora, ficou parado encarando o outro se distanciar. Sou sabia que Shin odiava a ruiva, mas ele também sabia que ela iria vencer, Hiyori também sabia, mas ainda não estava preparado para aceitar, assim como não estava preparado para deixar seu amor, Shin Tsukimi, partir.
