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As duas mulheres corriam pela colina dançando uma dança sem música, se amando apesar das circunstâncias, enquanto o sol sumia na linha do horizonte, anunciando o quão tarde logo seria. Logo teriam que voltar para suas vidas, para suas obrigações para com seus reinos, servos e povo, mas não naquele momento. Sem precisar pensar nas consequências de seu amor, em seu doloroso futuro onde seriam separadas, se casando com pessoas que não amavam apenas para o ganho político de seus reis, elas se abraçaram e fizeram juras de amor sob a luz do sol poente.
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Eva e Celeste não sabiam, mas os reis haviam descoberto seu relacionamento. Tudo foi causado por uma serva que, enquanto se dirigia para a parte mais afastada do castelo para fugir de suas obrigações, as viu na clareira do bosque naquele em que saíram para se distanciar de suas realidades e usufruem um pouco de uma liberdade que não as pertencia. Ambas jamais se arrependeram de nada como fizeram por estar naquele lugar durante os últimos raios de sol do dia.
Celeste perdeu suas forças a medida em que a espada que a transpassou sem qualquer aviso foi brutalmente puxada para longe de seu corpo, ainda processando o que acabará de acontecer, ela caiu no chão de mármore do palácio em um baque surdo, sangrando por onde antes foi atingida pela espada de seu pai – o rei – que, com nada além de um olhar de nojo em sua direção, deixou o salão onde estavam apenas ela, Eva e ele próprio com largas e pesadas passadas e sua espada encharcada do sangue de sua própria filha.
Eva correu o mais rápido que pode em direção a sua amada, com os olhos embaçados de lágrimas, se jogou ao lado de Celeste, correndo seus olhos para o ferimento que jorrava sangue sem saber ao certo o que fazer. O desespero corriam em duas veias como gelo, o terror de perder o amor de sua vida a paralisou como qualquer outra coisa jamais conseguiu e, sem que percebesse, suas lágrimas já corriam como cascatas incontroláveis de água . por seu rosto, como ela conseguiria sobreviver sabendo que Celeste não estava mais viva?
Erguendo a mão ensanguentada que antes estava apoiada no chão ao lado de seu corpo frágil para alcançar o rosto de Eva, Celeste tentou sorrir para tranquilizar sua amante. Seus dedos acariciando a pele molhada buscando trazer algum conforto para sua mulher, que não apenas pôde elevar sua mão para segurar o pulso de Celeste enquanto estremecia em meio a um soluço que não pode ser contido.
— Eva... meu amor... — A voz saiu como um sussurro, alto o suficiente apenas para a mulher ao seu lado ouvir, seu tom falho e arranhado por conta de toda a for que estava sentindo.
– Celeste, por favor, não se force a falar, você guardar forças. – Seu tom era cheio de pesar, falado em meio a soluços e lágrimas, enquanto a mulher tentava se levantar para buscar alguém que poderia ajudar sua parceira. Antes que pudesse se levantar, a mão que acariciava seu rosto desceu para a saia de seu vestido e puxou o tecido caro.
– Por favor, não se lembre de mim assim... – Os olhos de Celeste olhavam para dentro da alma de Eva, como se pudesse ver tudo que existia no interior de seu ser. – Diga que se lembrará de mim como da última vez que nos encontramos... que se lembrará de mim como estava quando assistimos o pôr do sol... – Sua voz ainda era fraca, mas o aperto que fazia no vestido, impedindo que a outra fosse embora, ainda era firme.
– Celeste...– Eva tinha tanta coisa para falar, mas nada foi dito, ela simplesmente não pode fizer nada, não conseguiu.
– Nós nos encontraremos novamente... mesmo que seja em seus sonhos, ou... ou até mesmo em outra vida... vamos nos reencontrar, eu prometo. –
Usando suas últimas forças para falar as últimas palavras, boa parte saindo como nada além de uma respiração que foi escutada com muito esforço por sua mulher. Celeste caiu na inconsciência, deixando para trás Eva, inconsolável com seu corpo inerte em braços gritando deu nome e orando aos deuses para não levá-la psra longe de si.
