Work Text:
ONE-SHOT:
UMA AJUDA AMIGA
"Não tema o final da vida, pois
a morte é apenas o início."
Eu tropecei pelo quarto, caindo de cara na minha cama. Droga, como eu estava cansado de tudo isso, de ser quem eu sou... Eu sou Harry Potter, o Menino-Que-Sobreviveu, o Escolhido, o Menino-Que-Derrotou-Voldemort, o que quer que a imprensa queira. Duas semanas atrás foi a Batalha Final em Hogwarts, onde eu ganhei de Voldemort, mas perdi muita coisa. Já não bastava meus pais, Sirius, Cedric e Dumbledore, também morreram Remus, Tonks, Colin, Fred e muitos outros. A família Weasley foi despedaçada quando Fred morreu e, francamente, eu também fui. Eles eram minha família. Depois que Fred morreu e foi enterrado, George foi embora. Os outros tentarão falar com ele, mas sem sucesso. O clima na Toca ficou bem depressivo com a morte de um filho e o isolamento de outro.
Gina e Ron… Eu tentei falar com eles, dar apoio, mas não consegui. Foi tanta coisa desabando sobre mim, tanta culpa, tanta tristeza… Que eu simplesmente não consigo. Era nesses momentos que eu sentia muita falta de Sirius e Remus, que me davam apoio. Sirius… Fiquei despedaçado quando morreu. Eu não disse adeus, não o conheci bem como queria e não passei tanto tempo com ele, mas mesmo assim ele já era minha família, a primeira que eu tinha.
Remus foi… Ótimo. Ele era um pai, irmão e amigo, qualquer coisa que você precisasse no momento. Me ajudou muito quando Sirius morreu, ficamos próximos por causa disso. Agora que a última família (tirando os Weasley) que eu tive morreu, não sei o que fazer. Nunca pensei que ficaria vivo depois da última luta contra Voldy. Nunca nem ao menos pensei que chegaria aos dezessete. Mas aqui estou eu, vivo e desolado, querendo morrer de qualquer maneira para me juntar a minha família. Meus pais não estariam orgulhosos de mim como todos falam. Eu sou um fardo, afinal, como os Dursleys tanto disseram.
Meus pensamentos foram interrompidos quando um barulho da lareira soou, significando que alguém chegou no Largo Grimmauld número 12, onde estou morando. Me levantei da cama, peguei minha varinha e desci as escadas. Um cabelo castanho-claro entrou em minha linha de visão e eu já sabia quem era: Hermione Granger, a Bruxa-Mais Inteligente-De-Sua-Idade, 'namorada' de Ron Weasley.
— Hermione? — eu perguntei, minha voz rouca por falta de uso.
— Oh, oi, Harry! — ela disse, virando-se para mim, sua voz meio embargada.
Hermione tinha ficado alguns dias nos Weasley depois da batalha, mas logo saiu para procurar seus pais. Ela usava uma camisa roxa e uma calça preta com tênis pretos. Hermione avançou, me puxando para um abraço apertado que eu retribui, me sentindo mais leve com ela.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei quando ela me soltou.
— Eu consegui achar meus pais, já falei com o Ministério e eles vão devolver as memórias que tirei deles com cuidado. Eu passei nos Weasley e depois queria vir ver você — ela respondeu, sorrindo. — Você está bem?
— Sim — menti. — E você?
Sempre acreditaram quando falei que estava bem. Não sei se é porque coloco esse sorriso falso meu ou porque não pensam que eu possa ficar mal. Sinceramente, é melhor para mim.
— Estou melhor, mas não curada — ela disse, suspirando. Então me olhou de cima a baixo. — Você está magro!
— Eu sei — respondi. Estava realmente magro. Não tinha comido nada desde a batalha.
— Por que não está comendo? Isso é por causa das mortes? — Hermione perguntou com um olhar severo no rosto.
— Eu estou comendo! — falei, indignado. — E não é por causa das mortes. Mesmo se eu não estivesse, que mal faria? Os mortos não podem nem ao menos comer!
— Harry, você está se culpando pelas mortes? Sabe que não foram culpa sua! — ela começou com um olhar de culpa.
— Chega, Mione — a interrompi, cansado. — Já passou, mas eu estou lidando com todas as mortes que não tive tempo. Meus pais, Cedric, Sirius, Dumbledore, Remus, Tonks, Dobby e Fred, acha que eu conseguiria esquecer assim?
— Claro que não! — ela disse, parecendo ofendida. — Eu não esqueci deles também! Acha que eu não sinto a morte deles como você?
— Você pode ser amiga de Fred, conhecer Sirius, Remus e todos os outros, mas eles não eram sua família! — eu disse, irritado e magoado. — Eles eram minha família, que eu perdi para essa maldita guerra! Se Dumbledore tivesse me falado no começo todas as coisas sobre mim e Voldy, todos eles poderiam estar vivos! Você não sabe como é ter culpa da morte deles, não sabe como é a saudade imensa de todos, não sabe!
— Harry… — Mione começou, mas eu já tinha aparatado.
E assim que meus pés bateram no chão de onde tinha aparecido, eu caí de joelhos. Eu estava no cemitério onde meus pais, Sirius, Remus e Tonks foram enterrados. Bem na frente de suas lápides. Lágrimas sairam dos meus olhos enquanto eu olhava as lápides dos cinco.
James Potter
Nascido em 27 de Março de 1960
Morto em 31 de Outubro de 1981
Lilian Potter
Nascida em 30 de Janeiro de 1960
Morta em 31 de Outubro de 1981
O último inimigo que deve ser derrotado é a morte.
Sirius Black
Nascido em 3 de Novembro de 1959
Morto em 18 de Junho de 1996(*)
O Ministério pede sinceras desculpas ao Sr. Black, que ele descanse em paz
O bem sempre reinará.
Remus Lupin
Nascido em 10 de Março de 1960
Morto em 2 de Maio de 1998
Nymphadora Tonks-Lupin
Nascida em 4 de Fevereiro de 1973(*)
Morta em 2 de Maio de 1998
Onde seu tesouro está seu coração também estará.
Eu balancei a varinha, fazendo flores aparecerem sobre as cinco lápides. As lágrimas pareciam cair mais enquanto eu olhava os rostos sorridentes de minha família. E eu gritei, deixando toda minha raiva, culpa e tristeza sair no grito junto com as lágrimas. Toda as emoções que sentia saíram naquele momento, mas eu sabia que iriam voltar logo. Eu só queria nunca sentir nenhuma emoção novamente.
Foi então que eu vi uma outra lápide próxima de Remus. Uma lápide que fez toda a minha raiva voltar.
Peter Pettigrew
Nascido em 23 de Agosto de 1960(*)
Morto em 24 de Março de 1998
Já foi tarde, traidor.
Eu cerrei meus dentes, apertando minhas mãos em punhos. Foi por culpa dele que minha família foi morta. Foi por culpa dele que Voldemort voltou. Foi por culpa dele que a guerra começou. Aquele traidor, covarde… Como eu queria ter matado ele…
Foi quando eu vi uma foto sorridente de um ruivo. Era uma lápide mais longe, mas vi o que estava escrito.
Fred Weasley
Nascido em 1 de Abril de 1978
Morto em 2 de Maio de 1998
O segundo maior brincalhão de Hogwarts.
E eu cai novamente, soluçando. Fred era como um irmão para mim. Eu senti tudo voltando, todas as cenas de como eles morreram passando bem na minha frente. Todas as mortes pesando sobre mim. Como algumas pessoas podiam matar alguém tão bom e feliz como Fred? Eu sei como os Weasley estão se sentindo. Eu sinto todo dia. Mas como George está? Ele tinha sumido após o funeral para seu apartamento no Beco Diagonal. Ninguém conseguiu falar com ele.
Me levantei, secando as lágrimas, determinado. Eu podia cair em culpa e tristeza, mas a minha segunda família não. Aparatei em frente a Gemealidades Weasley. Lá estava a loja que Fred e George tanto sonharam em fazer. Que trouxe muitas risadas em dias sombrios. Respirando fundo, eu dei a volta na loja e fui até a porta escondida atrás e bati. Demorou cinco minutos antes que eu ouvisse uma voz rouca dizer:
— Estou vivo, família. A loja está fechada se for cliente.
— George, é o Harry — falei, uma parte de mim querendo que ele não respondesse e eu pudesse voltar ao meu próprio mundo de culpa. Eu não sabia o porquê de estar ali. Era porque eu sabia o que ele estava passando? Ou porque eu queria aliviar minha culpa?
— Harry? — veio a pergunta hesitante do outro lado. Minha boca ficou seca. Por que eu vim mesmo?
— Sim — respondi. — Olha, George, eu não estou aqui para te fazer sair, não pense isso. Os Weasley não sabem que eu estou aqui. Quero apenas não te deixar sozinho, porque eu sei o que é se culpar.
Houve minutos de silêncio que eu pensei que George tivesse saído, mas a porta se abriu devagar e ele apareceu. Seus cabelos e roupas estavam sujas e seus olhos emitiam profunda tristeza ao invés da felicidade de antes.
— Entre — ele falou, me observando que eu senti como se pudesse ver minha alma.
Eu entrei, vendo os inúmeros retratos no corredor, todos da família Weasley e outros amigos dos gêmeos. George me guiou para uma sala incrivelmente limpa e espaçosa. Mais retratos estavam espalhados pelas paredes e em cima de móveis.
— Você está bem? — A pergunta de George me vez pular, assustado. Não, eu não estava bem, mas ninguém precisava saber disso.
— Sim — respondi. Eu não iria perguntar se ele estava bem, era óbvio que não. Ele tinha olheiras sobre os olhos e parecia muito cansado.
— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou. Não rude, apenas curioso.
— Eu apenas… — suspirei, coçando a nuca. — Estava no cemitério e… Ver as lápides me fez estourar. E então pensei em você e nos outros, e simplesmente aparatei aqui. Acho que eu queria ajudá-lo.
— Me ajudar? — George perguntou.
— Sim — respondi, deixando as palavras apenas saírem da minha boca. — Porque quando Cedric morreu, ninguém falou nada comigo. Quando Sirius morreu, evitaram falar seu nome perto de mim. Dumbledore, nem se importaram em conversar comigo. O que estou dizendo, George, é que quando a minha família morreu, ninguém me ajudou a lidar com o luto. E nunca lidei, porque não tive tempo.
O ruivo ficou em silêncio, seus olhos desfocados. Foi então que se virou para mim e perguntou:
— Ninguém te ajudou a lidar com as mortes? — seu tom era duro. Dei de ombros.
— Não. No começo, achei ótimo que ninguém me forçou a falar ou disse o nome da pessoa, mas depois de um tempo eu comecei a querer que falassem dele, honrando sua memória e lembrando apenas dos dias felizes com eles.
— Eu… Eu quero que lembrem do que Fr-Fred era, do legado dele, do nome dele, mas não consigo me olhar no espelho e ver ele — George disse. Eu o olhei, analisando-o mais fundo. Eu sempre consegui diferenciar os gêmeos, então nunca achei que um fosse o outro. Eles eram diferentes.
— Você não irá ver ele, George — eu disse. — Irá ver você. Porque Fred não é você e você não é Fred. São gêmeos, não iguais em espírito. Quando olhar no espelho, veja você e se orgulhe que os outros virão não só você, mas seu irmão, porque uma metade dele ficará sempre em seu coração.
Ele ficou em silêncio, com lágrimas nos olhos. Eu desviei o olhar e passei a ver os retratos. Uma foto de George e Fred, outra deles com Lino, com Angelina e Katie, uma com a família Weasley, outra comigo, com Hermione e outra com a família Weasley (exceto Percy), eu, Hermione, Sirius e Remus. Senti meus olhos arderem e rapidamente desviei o olhar para George.
— Você já comeu desde a batalha? — perguntei, vendo como ele estava magro.
— Algumas coisas — respondeu, sem olhar para mim. Ele estava claramente mentindo. — E você?
— Sim, já comi — menti, sentindo minha boca seca. — Vou fazer uma janta para nós e depois você se livra de mim, ok?
Ele balançou a cabeça, me levando até a cozinha. O cômodo era menor que a sala e tinha alguns lixos em cima da bancada. Eu engoli e procurei nos armários comidas ou qualquer coisa que pudesse fazer, o que acabou sendo um macarrão com muito molho.
— Sabe — começou George —, eu saí de casa porque não aguentei ficar lá. Pensei que fosse enlouquecer. Toda vez que alguém olhava para mim, eles logo desviariam o olhar, vendo Fre-Fred, não eu. A Toca ficou tão silenciosa que não parecia que tinha alguém lá. E eu estava morrendo por dentro. E, no começo, fiquei feliz que ninguém mencionasse Fred, mas depois não. E então eu me culpei pela morte dele. Como eu não vi aquilo?!
Ele estava frustado. Coloquei a panela no fogo e sentei na mesa de frente a George. Eu sabia que ele tinha que desabafar.
— Eu me culpo por não ver — continuou. — Me culpo por não ter sido eu. Odeio como minha própria família olhou para mim. Odeio como eu sobrevivi e ele não. Odeio Fred por ele morrer!
Então ele colocou as mãos no rosto e seus ombros tremeram. Eu sabia que ele estava chorando. Deixei ele descarregar tudo e voltei a fazer o macarrão, limpando minhas próprias lágrimas.
— Quando Sirius morreu — eu comecei —, Dumbledore me mandou para o escritório dele. Eu estava com muita raiva e gritei com ele. Depois que não me deixou sair do escritório, destruí ele. Quebrei muita coisa. Então, quando quebrei quase tudo, Dumbledore me olhou e falou "sente-se, eu sei o que você sente". Eu precisava descarregar minha raiva em alguma coisa e fiz isso em tudo do escritório dele. Mas a culpa ficou, e ninguém me ajudou a lidar com ela.
— Você destruiu o escritório de Alvo Dumbledore? — George me perguntou, incrédulo. Pela primeira vez em semanas, eu sorri.
— Sim, destruí — disse. Ele balançou a cabeça incrédulo.
— Mas o que você quer me dizer? — perguntou o ruivo.
— Que eu sei o que você sente e estou aqui para te ajudar. Não só com a morte de Fred, mas com a culpa e raiva — respondi.
Balancei minha varinha e a mesa ficou em ordem. Coloquei macarrão e água para nós dois e me sentei.
— Eu não quero que você saia daqui logo ou fale pessoalmente com os Weasley, você vai fazer isso quando estiver pronto — continuei. — Não vou te forçar a nada, George. Eu só quero te ajudar.
— Obrigado — ele me agradeceu depois de um momento em silêncio.
— De nada — respondi. Sabia o que ele queria agradecer.
— Como você aguentou a morte de tanta gente em sua vida, Harry? — George me perguntou. Eu inclinei a cabeça, pensando.
— Eu não sei — admiti, bebendo um pouco de água. — Primeiro, eu vi Cedric morrer. Fiquei me culpando todo o quinto ano. Até que Sirius morreu e eu passei a me culpar por sua morte também. Depois Dumbledore, Remus, Tonks, Moody, Dobby, Colin e Fred. A verdade, George, é que eu não vou aguentar.
— Claro que você pode aguentar! — ele exclamou, convencido. Eu balancei minha cabeça, dando um sorriso fraco a ele.
Quando terminamos de comer, lancei um feitiço e toda a louça suja começou a se lavar e enxugar. Fomos até a porta em silêncio e quando estava prestes a aparatar, falei:
— Volto aqui amanhã.
E estava no meu quarto novamente. Meu quarto pintado de cinza e minha casa silenciosa e deprimida. Caí na cama, exausto, mas com esperança que George melhore e volte para sua família.
Dez horas. Eu bati no relógio que continuava a tocar. Quem diabos acordaria às dez? Ok, eu acordava, mas isso não importa. Joguei as cobertas para o lado, fiz minha higiene matinal, arrumei a cama e coloquei minha máscara de "estou feliz". Escrevi cartas aos Weasley, Hermione, Minnie e os demais membros da AD, falando que estou vivo e se estavam bem. Enviei todos por uma coruja do correio e me sentei na cama, vendo o relógio mudar. 12:07. Falta mais seis horas para eu ir para o apartamento de George. Eu faço essa mesma rotina a uma semana desde que fui a casa dele. Só comia na janta lá, mas era o suficiente. Os mortos nem mesmo poderiam comer.
Eu sinceramente acho que George está melhorando. Vejo que ele tem um pouco do brilho antigo nos olhos novamente. E não posso esquecer que hoje iremos no cemitério em Godric's Hollow. Esse é um grande passo para ele, querer ver onde Fred foi enterrado.
Suspirei, pegando o álbum de fotos e vendo as pessoas das fotos sorrirem para mim. Éramos tão felizes… Como tudo virou guerra e morte? Como pode alguém matar pessoas tão boas? Como pode eu não ter conseguido salvá-las? Eu sou a culpa de todos morrerem… Eu não deveria estar vivo. Eles não deveriam estar mortos. Essa guerra não deveria ter acontencido. Maldito Snape e Pettigrew!
— Harry? — Veio a voz de Ron do andar de baixo, me fazendo sair dos meus pensamentos. O que diabos ele estava fazendo aqui?
Me levantei, pegando minha varinha e descendo, encontrando-o sentado numa cadeira na cozinha. Rony parecia cansado e triste.
— O que aconteceu? — perguntei, estranhando ele aqui.
— Oi para você também — ele cumprimentou irônico. Revirei meus olhos. — E eu só queria escapar de tudo. Está me sufocando ficar na Toca.
Assenti, compreendendo o que ele queria dizer. Me sentei na frente dele, balançando minha varinha para dois copos de água vir para nós.
— Como estão todos? — tentei puxar assunto. Estava muito preocupado com todos na Toca.
— Estão… Mais ou menos. Estamos tentando nos recuperar, mas sem George junto não dá — Ron disse.
— Ninguém conseguiu falar com ele? — indaguei baixinho. Só eu consegui falar com ele pessoalmente?
— Não — Ron respondeu, balançando a cabeça. — Mas ele responde mais pela porta agora. Mamãe acha que ele pode abrir a porta para nós logo.
Eu senti vontade de sorrir. George realmente estava melhorando.
— Eu também acho — disse sinceramente. — George só está em choque. Se recuperando da morte do irmão gêmeo e da culpa que provavelmente está sentindo por não conseguir salvá-lo.
— É, você está certo — falou Ron, suspirando e colocando os cotovelos na mesa. — Deve ser mais difícil para ele, mas George não pode esquecer que nós também perdemos Fr-Fred. — Eu acenei para isso. Ele não esqueceu, apenas a dor é maior quando se é mais perto da pessoa que morreu.
Ron ficou mais uma hora depois da conversa antes de ir embora. Então eu esperei mais quatro horas e, às dezesseis horas, aparatei na frente da casa de George. Bati na porta e logo ele abriu, seu rosto um pouco amassado.
— Olá, Harry — cumprimentou.
— Hey, George — disse. Ele me levou até a sala, onde conversamos um pouco, até que ele levou o assunto nos meus tios.
— Então, você falou com seus tios e o seu primo?
— Não — respondi, desviando o olhar. Eles provavelmente nunca mais queriam me ver e eu também não queria vê-los. — Mas enviei uma carta dizendo que a guerra acabou e que poderiam voltar para a antiga casa deles.
— Não seria sua antiga casa também? —George me perguntou. Sacudi a cabeça. Aquele lugar nunca foi minha casa.
— Minha antiga casa é Hogwarts. Lá eu nunca considerei uma casa — disse.
— Bem — ele pigarreou, pensativo. — Onde você aprendeu a cozinhar?
— Nos Dursleys — respondi.
— Sua tia ou o porco te ensinaram a cozinhar? — o ruivo perguntou incrédulo. Soltei uma pequena risada.
— Nunca, aprendi sozinho — falei. Não era a verdade, mas não era mentira.
Conversamos mais um pouco antes dele falar que estava na hora de ir ao cemitério.
Assim que chegamos, ele andou rápido até a lápide de Fred. Primeiro, apenas ficou parado, olhando a imagem de Fred, depois ele caiu de joelhos e começou a chorar. Eu desviei o olhar, deixando-o lidar com a tristeza, e fui onde meus pais estavam enterrados. Balancei a varinha e duas lírios flutuaram em minha frente. Peguei-as, pondo uma em cima do túmulo de minha mãe e outra do meu pai. Então fiz aparecer três rosas e coloquei-as nos túmulos de Sirius, Remus e Tonks. Olhei para os rostos deles mais uma vez e senti lágrimas descendo pelas minhas bochechas. Me virei para George, vendo que ele ainda estava ajoelhado, mas já tinha parado de chorar. Fiz meu caminho até ele e gentilmente toquei seu ombro, fazendo-o olhar para mim.
— Fred merece flores e fogos, não acha? — perguntei, convocando um fogo de artifício e fazendo aparecer outra rosa, mas dessa vez uma branca. George os pegou, pondo em cima do túmulo de Fred e se levantando. As marcas das lágrimas no rosto dele eram visíveis, mas não falei nada, já que as minhas provavelmente também eram.
Ele olhou para a lápide de Fred por mais um momento antes de ir para os dos meus pais, Sirius, Remus e Dora. Ele fez aparecer cinco orquídeas e as colocou em cima dos túmulos junto com as minhas.
— Seus pais eram bonitos — disse, olhando as fotos se mexendo. — A aparência do seu pai e os olhos de sua mãe. Posso ver porque falavam isso agora.
Meus lábios tremeram. Eu queria apenas voltar para minha cama e chorar até dormir. Foi uma má ideia eu vir aqui junto.
— E você ficou vivo para continuar o legado deles — George continuou. Fechei meus olhos brevemente e vi quando ele se virou para mim e disse: — Vamos embora.
E fomos. Aparatamos em frente à sua casa e entramos em silêncio. Eu não sou digno de continuar o legado deles. Isso era só o que eu sei. Que eu sou um fardo, uma aberração. Foi só quando nos sentamos na sala que lembrei de uma coisa.
— George, você sabe quem são os Marotos? — perguntei. Ele olhou para mim e balançou a cabeça. — Eu sei. Você conviveu com dois deles.
George arregalou os olhos, virando-se completamente para mim. Eu sorri, sabendo que ele iria me matar quando eu falar.
— Wormtail era Peter Pettigrew. Moony era Remus Lupin. Padfoot, Sirius Black. Prongs, James Potter — disse num fôlego só. George abriu a boca e fechou várias vezes, antes que um brilho assumisse seus olhos.
— Você é o herdeiro dos Marotos?! — perguntou, chocado. — Você sabia disso desde quando?
— Sim, tecnicamente — respondi, sorrindo levemente. — Desde o terceiro ano.
— E não contou para a gente?! — ele gritou, se lançando para mim. Eu só percebi mais tarde que ele disse "a gente" ao invés de apenas "eu".
— Ron e Hermione também sabiam! — eu gritei de volta, desviando dele. E, pela primeira vez em muito tempo, eu ri com felicidade.
— Mas VOCÊ não contou para a gente! — George gritou e começou a correr atrás de mim, parecendo assassino e divertido ao mesmo tempo.
Eu gritei, me debatendo e acordando do pesadelo. Respirei fundo várias vezes, tentando me acalmar. As imagens de todos os Weasley e minha família me culpando pelas mortes não iria sair da minha cabeça nunca. Me levantei, fui ao banheiro e lavei meu rosto. Me apoiei na pia, olhando meu reflexo. Eu tinha a aparência cansada e triste. Bolsas sob os olhos e cabelos completamente bagunçados. E tenho cicatrizes que eram a história da minha vida.
Subitamente, eu olhei para meu pulso. Já vi histórias de pessoas que se cortaram ou se mataram. Eu sempre pensava que eram idiotas por fazerem aquilo. Agora, aqui estou eu, desejando ter morrido com meus pais. Dei uma risada cansada e sem graça. O que eles pensariam de seu filho que queria morrer? Eu nunca iria saber, eles estavam mortos. Mas e se eu... Fosse ficar com eles? Eu não era um fardo para os outros, como os Dursleys sempre me falaram que eu era? Então quem se importaria se eu morresse? Ninguém. Eu podia morrer. Eu podia morrer e ninguém se importaria.
A ideia mal estava completa na minha cabeça quando o relógio disparou. Era hora de ir para a casa de George. Suspirei, frustado, e me vesti melhor, assim como coloquei minha máscara de "estou feliz, muito obrigado". Aquilo ficaria para outra hora.
Aparatei na frente da casa dele, bati duas vezes e ele abriu rapidamente.
— Oi, Harry — cumprimentou George. Ele parecia mais alegre, além de ter um sorriso suave no rosto.
— George — acenei com a cabeça, quase sorrindo quando vi seu brilho antigo nos olhos.
— Vem, entra! — ele disse, me levando para a cozinha. Tinha comida japonesa na mesa, já posta no meu lugar e de George. Estranhei, era sempre eu quem comprava ou fazia comida.
— Que animação, o que aconteceu? — perguntei, feliz que ele tivesse quase normal.
— Amanhã vou ir na Toca — ele anunciou. Desta vez, eu sorri. Estava muito feliz por ele para deixar minha miséria atrapalhar. — Obrigado, Harry! Se não fosse por você, eu estaria muito pior.
— De nada, George. Você é como um irmão para mim, eu iria ajudá-lo de qualquer jeito — respondi, sorrindo. — Os Weasley vão amar isso! Será a melhor coisa desde a batalha para eles!
— Eu sei… Para mim também será. Mas não desde a batalha, porque você foi a melhor coisa que podia ter aparecido para mim depois de Fred morrer — George disse. Senti meu coração bater forte. E se eu tivesse me afundado na minha miséria e não ajudado George? — Por isso, eu espero que você vá comigo na Toca.
— Eu n-não posso, George — falei, meu estômago ficando gelado. — É um momento em família, vou me sentir um intruso lá.
— Mas você é da família, Harry — ele respondeu. Uma parte de mim ficou quente por dentro. — Você me tirou da miséria, quero você lá.
— Desculpe, eu não posso ir. — Meu pesadelo voltou com tudo na minha frente. Toda a família Weasley iria me culpar pela morte de Fred… E se eles não me quisessem lá? Ou pior, me expulsassem? Não, eu não poderia ir.
— Tudo bem, Harry — George falou, suspirando. Estranhei, ele nunca desistia de alguma coisa, mas deixei de lado. Era um alívio para mim.
E começamos a comer, conversando. Mais consistia em eu ouvir e fazer comentários e George falando. Mas para mim, isso era ótimo. Porém, eu não percebi que George continuava olhando para mim.
— Como você esconde tão bem? — o ruivo perguntou, me fazendo pular. Eu tinha me perdido em pensamentos?
— Não sei do que está falando — eu disse confuso.
— Como você esconde tão bem que não está morrendo por dentro? — George indagou mais alto. Eu congelei, olhando com olhos arregalados para ele.
— N-não sei… — eu comecei a falar, mas ele me interrompeu. Eu estava com medo pela primeira vez em semanas.
— Eu posso ver, Harry. Você está morrendo por dentro. Mas pensei que talvez estivesse melhorando, como eu, porém hoje você está pior — ele disse. Meu coração começou a bater mais rápido.
— Não estou morrendo por dentro. Eu estou bem — falei, me levantando e saindo da cozinha. Ele me seguiu. Como diabos eu poderia fingir que tudo estava bem se ele insistisse?!
— Você está bem por fora, mas e por dentro? Quer dizer que todos os sorrisos que deu aqui você não estava tentando esconder seu mal-estar? — ele continuou perguntando.
— Eu estou bem, George! — gritei para ele.
— Ok, se você está bem, me encontre na frente da Toca ao meio-dia! — ele gritou e eu não iria perder esse desafio.
— Tudo bem! — confirmei e aparetei.
Foi provavelmente a maior burrada que eu fiz. Como eu iria encarar os Weasley?
Meio-dia em ponto eu estava na frente d'A Toca. Eu olhei para George, vendo seus olhos brilharem enquanto olhava para a casa. Suspirei, empurrando gentilmente ele para ir na frente. Talvez eu pudesse apenas aparatar quando chegássemos perto...
— Eles estão todos aqui? — George me perguntou, andando.
— Sim — respondi. Passei as três horas antes de vir para cá tentando achar desculpas para não vir, mas não achei nenhuma. Eu também tinha confirmado que todos estariam aqui.
Ele respirou fundo, batendo na porta da casa. Segundos depois, uma mulher baixinha de cabelos ruivos atendeu a porta. Molly Weasley estava parada na nossa frente, de olhos arregalados. Ela subitamente deu três grandes passos e abraçou George, soluçando.
— Ge-George querido… Você não sabe a falta que fez! — ela soluçou. — Nu-nunca mais suma desse jeito e se recuse a falar com a gente, está ouvindo?! — ela gritou, ainda abraçando George. — Você está tão magro, querido!
Eu sorri, dando espaço para eles se abraçarem. Eu observei George abraçar a Sra. Weasley na mesma intensidade.
— Não vou mais, mãe… — ele disse baixinho. — Só precisava de tempo e ajuda para lidar.
— Ajuda? De quem? — ela perguntou, soltando ele e finalmente me vendo. A imagem da Sra. Weasley me acusando no meu pesadelo voltou na minha cabeça e pensei que ela fosse fazer a mesma coisa, mas ela apenas avançou e me abraçou com força. — Obrigada, Harry… Obrigada por trazer meu filho de volta.
E, naquele momento, eu senti que tinha feito a coisa certa. Minha missão estava cumprida. George voltou para a família.
— Mãe? Está tudo bem? — eu ouvi a voz de Bill Weasley de dentro da casa.
— Está, Bill. Chame todos para a cozinha! — a Sra. Weasley gritou para ele, enxugando as lágrimas e dando o maior sorriso que já vi ela dar a George. — Vamos, filho, todos querem te ver. Você também, Harry.
E nós dois entramos, encontrando a família Weasley já reunida em volta da mesa. Até Fleur Delacour-Weasley estava sentada ao lado de Bill. Arthur, Charlie, Percy, Gina e Ron estavam sentados quietos. Tinha cinco cadeiras vagas na mesa. Assim que todos se viraram, eles congelaram nos vendo, mas logo se levantaram e abraçaram George, depois me abraçando também.
— O que aconteceu? Nunca mais desapareça assim!
— Você está bem?
— Parece magro, George!
— Sentimos sua falta, irmão!
— Eu te amo, filho! Não suma mais!
Todas elas foram direcionadas à George, que sorria e abraçava todos. Eu assisti com um sorriso, meu coração se enchendo de felicidade por essa família estar unida novamente.
— Eu estou bem, família — respondeu George, sorrindo, antes de olhar para mim. — E Harry aconteceu. Ele que me ajudou a lidar com a morte de Fred.
Todos os olhos foram para mim. Eu dei de ombros, respondendo:
— Eu só queria ajudá-lo. Eu sei como é lidar com a morte de alguém próximo.
— Obrigado, companheiro — Ron disse, sorrindo. Eu sorri de volta, sabendo que Ron também sofreu com tudo.
— Obrigado, Harry — disse Percy. Ele também devia estar sentindo a morte de Fred, saindo de casa depois da formatura e quando volta já vem a morte do irmão.
Os Weasley me abraçaram e agradeceram. Eu sorri, vendo minha família adotiva finalmente poder voltar a ser feliz.
— Você vai voltar a morar aqui? — perguntou o Sr. Weasley. Olhei curioso George, esperando sua resposta. Nunca pensei nisso.
— Não, vou ficar na minha casa. Vou tentar reerguer a loja — ele disse. Assenti, eu teria feito a mesma coisa.
— Oh. — A Sra. Weasley parecia desapontada. — Tudo bem. Mas vai vir me ver todo final de semana, entendeu?
— Claro, mãe — George concordou sorrindo.
E antes a casa silenciosa e deprimida, voltou a ter um pouco da sua antiga felicidade. A família Weasley aproveitou seu momento junto, rindo e conversando. Eu comentava algumas coisas, mas na maioria das vezes ficava pensando no que eu teria feito ontem se não tivesse que ir ao George. Eu teria me cortado? Ou me matado logo? Agora que já ajudei George, o que vou fazer da minha vida? Seria um alívio para todos se eu morresse…
— Harry? — Uma voz me chamou, me fazendo sair dos meus pensamentos. George estava na minha frente. — Tudo bem? Eu estava perguntando se você irá embora agora…
— Sim, sim, eu vou — disse, me levantando. — Adeus, todos.
— Volte, Harry, você também fez falta — falou Gina. Ela estava olhando o tempo todo para mim, mas não falei nada sobre isso. Eu não acho que posso voltar com ela agora. Ou nunca.
— Claro, Gina — falei. Me levantei e abracei todos. Junto com George, fui para fora e aparatei na frente da casa dele. George segundos depois apareceu do meu lado.
— Você está bem? — ele me perguntou. Eu ergui uma sobrancelha.
— Sim, por que? — indaguei.
— Você estava meio fora do ar lá — respondeu.
— Eu não estava "fora do ar", George — revirei meus olhos.
— Estava sim — disse ele.
— Não vou discutir com você, George. Cumpri o que eu queria: te ajudar. Agora, vou embora — falei, pronto para aparatar, mas o ruivo colocou uma mão no meu braço. Eu tinha sido rude, mas eu queria acabar com tudo. Literalmente tudo.
— Você me ajudou, Harry. Você me tirou da minha miséria. — Ele começou. — Você me impediu de me matar. É a minha vez de te ajudar e te tirar de sua miséria. Eu vou te impedir de morrer, porque foi o que você fez comigo. E porque você é meu irmão.
Meu olhos se arregalaram. Senti um calor enorme dentro de mim com a última frase. E, realmente, tudo que eu mais queria era alguém para me salvar e me proteger. Mas eu queria ser salvo agora? Por que não me juntar a minha família?
— Você tem uma família aqui, Harry. Todos os meus irmão, principalmente Rony, irão sentir se você morrer — ele continuou, determinado. — Minha mãe iria enlouquecer se você morrer. Ela te considera um filho, mesmo que não tenha dito a você. Eu te considero um irmão, assim como Ron.
Eu tenho uma família aqui. Os Weasley são minha família adotiva. Mas eles não seriam melhores sem mim? Ron realmente me considera um irmão? George também? Eu os considero, mas foi por minha culpa que Fred morreu.
— Me deixa te ajudar, Harry. Eu quero meu irmão mais novo do meu lado quando eu reabrir a loja — George disse. Ele ofereceu a mão para mim. Eu a olhei, em dúvida. Quando olhei para cima novamente, não estava mais na frente da casa de George.
Era um jardim em volta de mim. Lírios e girassóis estavam por todo canto. O sol queimava no céu, o vento soprando os meus cabelos.
— Harry — uma voz me chamou. Eu nunca pensei que iria ouvir aquela voz novamente.
Na minha frente, estava Fred Weasley. Igualzinho como morreu.
— Fr-Fred? — questionei, minha voz falhando. Ele assentiu.
— Eu quero que você tome conta de George e toda minha família — ele pediu, sorrindo. — Que fale pro Gred que eu o amo. E que você aceite a ajuda de meu irmão.
— Ma-mas… — eu comecei, mas me interrompi. Uma mulher apareceu atrás dele, com cabelos ruivos e olhos verdes.
Lily Potter, minha mãe. Meus olhos se encheram de água.
— Fale a Molly que estou tomando conta de Fred, filho — ela pediu, sua voz suave e gentil, como Harry sempre imaginou. — Como ela fez com você. E seu pai, Sirius e Remus falaram que se você não aceitar a ajuda de George, eles irão te por de castigo.
— Mãe… — Eu não conseguia falar. O que estava acontecendo? Onde era esse lugar? Como uma hora eu estava na frente da casa de George e outra aqui?
— Nós queríamos falar com você — minha mãe me respondeu. — Esse lugar é onde sua mente criou para isso. E quando você voltar, George não saberá que você saiu. Será como se nunca tivesse saído de lá.
Por que então papai e os outros não estavam aqui também? Como eles poderiam falar comigo estando... Mortos?
— Só podia duas pessoas, Harry — minha mãe disse, dando o sorriso mais bonito que já vi. — Nós podemos falar com você porque você se tornou temporariamente o Senhor da Morte, além da Morte te admirar em como você conseguiu as Relíquias da Morte juntas sem nem ao menos saber. Ela te devia um favor por você matar Voldemort, o que ela vem tentando fazer a décadas.
Assenti. Minha cabeça estava uma loucura. Eu só conseguiria raciocinar tudo isso quando voltasse.
— Nosso tempo está acabando, Lily — Fred disse. — Fale pro meu irmão que eu quero ver aquela loja cheia de clientes, Harry.
— Falo, Fred… — disse, minhas lágrimas caindo enquanto eu olhava os dois. Eu não podia sair do local, senão eu daria um abraço nos dois.
— Nós te amamos, Harry. Seu pai, Sirius, Remus e eu te amamos. Queremos que você tenha uma vida longa e feliz. Nós somos sua família, mas os Weasley também. Fique com eles — minha mãe falou. Eu assenti, as lágrimas já escorrendo pelo meu rosto livremente. Minha mãe tinha lágrimas no rosto também, mas sorria.
— Eu amo vocês — declarei.
— E Harry, eu também te vejo como um irmão — acrescentou Fred, sorrindo. Eu ia responder, com meu coração aos saltos, mas me senti puxado de lá. Tudo escureceu, Fred e minha mãe desapareceram...
E, do nada, estava na frente de George, olhando sua mão estendida. Era como se eu não tivesse saído de lá. Sem lágrimas no meu rosto e sem nenhum morto por perto. Minha mãe estava bem na minha frente...
— Eu aceito, George — falei sem pensar, pegando sua mão. Ele sorriu.
— Eu vou te ajudar, irmãozinho — George disse.
Pela primeira vez em semanas, senti esperança de poder melhorar. Eu vou fazer isso pela minha família. Pelas minhas duas famílias. Por Fred e minha mãe.
— George? — eu chamei.
— Sim, Harry? — ele perguntou. Eu sorri, olhando para ele.
— Fred te ama e quer ver a sua loja cheia de clientes.
George sorriu, me abraçando forte. Eu sabia, naquele momento, que tudo daria certo. E que eu realmente tinha um irmão comigo. Mesmo que eu afunde algumas vezes.
FIM
"Para uma mente bem estruturada,
a morte é apenas uma aventura seguinte."
