Chapter Text
Eu me sentia cansada, derrotada, sobrecarregada, sem a possibilidade de largar tudo e sem a perspectiva de melhora por um longo tempo, meus turnos perto da cafeteria do campus estavam me matando, a faculdade e as provas constantes estavam me matando e eu não conseguia dormir. Motivo? O meu vizinho, eu nunca vi a cara do sujeito mas ouvia ele o tempo todo em que estava em casa.
O que é péssimo porque na maioria das vezes minha rotina exaustante só me permitia ir pra casa dormir, o que se torna uma tarefa impossível quando seu vizinho de parede é um idiota com a vida noturna mais movimentada existente.
Eu não queria ser a chata, a pessoa que vai reclamar. Quando os barulhos começaram, sendo eles os gemidos exagerados "essas mulheres estão com muita dó dele, não é possível que seja tão bom assim" e outros sons em momentos inadequados “quem bate vitamina de madrugada” . Eu pensei que provavelmente não era a única vizinha a achar ruim " não é possível que só eu esteja ouvindo" , pensei que outra pessoa teria o trabalho de reclamar e eu ficaria em paz. Errei, passou-se 1 mês, passou- se 2 e 3 e eu continuava sem ver a cara dele, mas o odiando profundamente pelas noites mal dormidas.
A tela do meu celular acende uma nova mensagem, e eu o pego rapidamente.
Malli 🐲
Tem certeza que não vem?
O Ben vai pagar as bebidas
Eu
Não posso hoje
não acredito que ele vai pagar justo quando eu não vou
a bebida desce até melhor de graça
Malli 🐲
pois é né
se eu soubesse das regalias tinha saído com ele antes
eu
...
malli 🐲
caso mude de ideia me avise
faço ele te buscar
Hoje é uma sexta feira noite, meus amigos estavam indo a uma boate famosa, Benjamin, mais conhecido como Ben, o novo namorado de Mal recém oficializado no grupo, pagaria. Era fofo ver como esses dois se complementam, infelizmente pra mim, tenho zilhões de leituras atrasadas da faculdade, Maldita seja a Uma que achou uma boa ideia cursar direito. Agora cá estou eu, sexta noite, estudando.
Em uma tentativa de relaxar vou para cozinha e preparo uma xícara de chá para mim, levo meus livros, computador e canetas para a mesinha de centro da pequena sala do meu apartamento, jogo as almofadas no chão para ter um lugar confortável para sentar. decidi que mudar de cenário faria bem pra hoje. vejo meu celular apitar de novo, na tela as notificações do grupo de mensagem dos meus amigos, as mensagem brilhando uma atrás da outra
“Ben nosso sugar daddy (obrigado Mal)”
Jay💪🏻-
Então a Uma não vem mesmo??
Vou ser obrigado a ir lá e arrastar ela
Evie💙-
não seja bruto jay
Tenho certeza que ela está sofrendo mais que a gente
Forças amiga
Carlinhos👨🏻💻-
Qual a leitura que ela tem que fazer mesmo??
Tenho certeza que posso resumir pra ela depois.
Ben📚-
Se precisar de algo, não exite em chamar, ok?
Jay💪🏻-
o Ben também faz direito e vai, fala o que você tá realmente aprontando uma
Mal 🐲 -
é que o meu namorado é um gênio, sempre com a matéria em dia
Carlinhos👨🏻💻-
gênio = não trabalha
desculpa Ben
Jay💪🏻-
hoje ninguém zoa o status de herdeiro do Ben que ele tá pagando
@Ben, fica em paz que eu te defendo 🤜🏻🤛🏻
Ben📚-
obrigado??
É tudo o que vejo antes de bloquear a tela e virar o celular pra baixo, evitando distrações, amo meus amigos, mas se eu me concentrar no quanto essa conversa vai render não faço mais nada.
Consigo estudar por umas 4 horas, quando dou por mim são 3 da manhã e eu preciso dormir. Começo a arrumar meus materiais, arrumo as almofadas em seguida, quando estou colocando a xícara na pia escuto a batida na parede, como se alguém estivesse sendo empurrada contra ela, logo em seguida os gemidos, já sabendo o que é escolho ignorar me concentrando em lavar a xícara, mas o barulho continua, e vai ficando mais estridente até que me sinto no limite, ao mesmo tempo em que a digníssima companhia do meu vizinho geme estridente anunciando que ela também chegou ao próprio limite. Quando dou por mim estou no corredor batendo agressivamente na porta do meu vizinho.
Demora uns sólidos segundos até que o desquerido abra a porta, e quando ele abre "porra" posso entender pelo menos o porquê de tantas mulher se sujeitarem entrar na casa dele. Ele é alto, moreno, sarado e com um sorriso encantador.
—A...uau — Ele parece surpreso com a interrupção, mas logo põe um sorriso de canto em seu rosto — Oi. Precisa de algo?
A forma como ele fala acaba totalmente com o encanto momentâneo que senti por ele "ele está realmente flertando comigo enquanto tem uma garota na casa dele?"
—Oi... na verdade você pode sim me ajudar…— ele sorri — Eu sou Uma, moro ao seu lado… — aponto pra porta a no máximo 2 metros da porta dele — Gostaria de pedir por gentileza que você não fique jogando a moça na parede, é espelhada com a parede da minha sala e meu quadro do Troy Bolton pode não aguentar.
Termino por fim, acredito que consegui ser muito educada e que escondi meu tom de irritação muito bem.
— É só isso?. Ele pergunta se escorando na porta, me olhando de cima a baixo, é aí que percebi que meu shorts é provavelmente muito curto pra sair de casa, e que ele não teve nem a decência de colocar a camisa pra atender a porta.
—É só isso.
—Então receio que não seja possível. "Que babaca".
—Com licença?. Digo perplexa, devo ter entendido errado.
— Veja bem, a moça gosta quando eu prendo ela contra a parede então...
Eu devo estar com a expressão mais incrédula possível, já que o sorriso do idiota só faz crescer desde que parou de falar.
—Quer saber? Espero que essa parede caia em cima de vocês.— começo a falar gesticulando, como alguém com muita raiva contida que necessita de se mexer pra extravasar, a educação anteriormente almejada já tinha ido passear a eras — Eu estava sendo educada seu idiota! — já começo a me preparar pra ir pra meu próprio apartamento —E mais, ela com certeza não gosta disso não, ela fica com uma dor enorme nas costas depois, ela só está sendo educada!. Digo por fim fechando minha porta com força.
—Boa noite Uma, foi um prazer te conhecer. Ouço a voz dele através das paredes "imbecil, e ainda pronuncia meu nome de um jeito estranho".
Não muito tempo depois os gemidos voltaram, dessa vez as batidas na parede são mais fortes e meu quadro enfim cai, como retaliação pego a caixa de som que Carlos esqueceu em minha casa, conecto e coloco do lado da parede tocando “a galinha pintadinha” se eu não vou ter uma boa noite ele também não vai.
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Segunda enquanto conto isso pra Mal e Evie elas só sabem rir.
—Mas assim, o quão gostoso ele era mesmo, em uma escala de 1 a 10? Indaga Evie — para pesquisa, obviamente.
— Meu amor, esse não é o ponto. — Falo — O ponto é meu vizinho imbecil que não consegue atender a um pedido educado.
—Eu acho que a coisa da música foi fraca…— começa Mal, e eu me preparo psicologicamente para o crime que ela vai sugerir cometer depois — Meu pai tem uma cobra. Caso queira soltar no apartamento dele.... ele também pode arranjar um crocodilo se eu pedir com jeitinho.
—Vamos manter os animais silvestres fora, que tal?. Evie diz antes que eu consiga.
Mal dá de ombros, provavelmente já começando a bolar a próxima pior coisa não tão ruim que podemos armar contra meu vizinho.
Estamos na frente da faculdade, esperando os meninos pra todos irmos ao meu apartamento, acontece que, Mal e Evie dividem o dormitório da faculdade, Jay e Carlos também, e Ben, mora um pouco longe de todos nós, e ele também é um pouco novo no grupo então estamos tentando não assusta-lo de cara (namorar Mal já é assustador o suficiente), logo minha casa é o lugar ideal para nossas reuniões em grupo, é um apartamento decente, 2 quartos 1 banheiro sala e cozinha, também é um espaço em que todos, podemos ficar confortáveis.
Ganhei o apartamento de meu tio, que provavelmente se sentiu péssimo com a mãe horrível que me foi dada e usou um pouco de seu dinheiro ,ele é bem rico, pra arranjar um lugar legal pra mim ficar, ele é uma boa pessoa, aparece de vez em quando e saímos, nós e a família da minha prima. E a relação familiar mais saudável que eu já tive.
bii bii
A buzina do jeep de Ben chama nossa atenção. Quando o carro para Jay vai a contragosto para o banco de trás já que Mal ocupa o banco ao lado do namorado. Carlos, Evie, Jay e eu nos apertamos atrás e o carro começa a andar.
—Já sei — exclama Mal animada — A gente faz uma torta com laxante e envia pra ele.
Dessa ideia eu até gosto, laxante não pode fazer tão tão mal né?
—Quem vocês vão envenenar? Pergunta Carlos com cara de quem já espera as maiores atrocidades.
— O vizinho gostoso da uma que não deixa ela dormir por ser muito transante. Evie responde
Da onde estou, sentada no banco direito, posso ver as sobrancelhas de Ben franzir pelo retrovisor.
—Já tentou conversar com ele? — pergunta, sempre um pacificador.
Conheci Ben no curso de direito e ele era o advogado bom para meu advogado mal, somos uma boa dupla de tribunal, fazíamos um trabalho juntos quando Mal invadiu a biblioteca precisando de alguém que a ajudasse a completar todos os insultos que ela fosse lançar a Audrey, e eu era essa pessoa.
Quando ela entrou Ben se esqueceu um pouco de como respirar e eu observei de camarote os dois ficarem com vários coração figurados sobre suas cabeças.
—Se você quiser eu converso com ele por você —Jay é rápido em interromper, conhecendo Jay todos no carro sabem da conversa de punhos que ele pretende ter. Jay tem músculos por todos no carro, ele também está sempre disposto a usar por todos no carro.
—Que tal não batermos em ninguém — É Ben quem fala de novo.
—Então não pode colocar animais e não pode bater… daqui a pouco não vai poder pôr veneno também. Mal fala, quase fazendo um beicinho, Ben ri, independente das atitudes criminosas da namorada.
—Também não pode colocar veneno Mal. Com o sorriso que ele dá a ela enquanto diz isso tenho certeza que ele a deixaria por veneno aonde ela quisesse.
—Se ele está mesmo te incomodando eu posso hackear o banco dele e desviar o aluguel até ele ser expulso, é claro, se o pagamento for remoto. é a contribuição de Carlos a conversa, já posso antecipar a reação dos outros então logo falo.
—Agradeço a todos vocês pela contribuição para infernizar meu vizinho, mas eu acho que dou conta, então ninguém precisa ir pra cadeia por mim, mas alguém vai possivelmente precisar me buscar.
Os tópicos da conversa até meu apartamento vão ficando diversos e logo chegamos.
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É engraçado que antes de sexta eu nunca tinha visto o vizinho gostoso, mas agora enquanto entro no prédio com meus amigos ele está ali conversando com um garoto musculoso enquanto Espera o elevador.
—Ele é o vizinho gostoso, né?. Evie pergunta ao pé do meu ouvido.
Eu não consigo dizer se ela tem um radar pra fofoca ou é muito observadora, é claro que com a animação mal contida dela todos os meus amigos notam e olham ao mesmo tempo.
—Nossa...
Isso foi Carlos, soando muito surpreso. Não me dou o trabalho de olhar.
—Caramba, disfarcem. Tento em vão.
Por mais que eu plante um pouco os pés para que peguemos o próximo sou guiada pelo braço de Jay sob meu ombro para as portas do elevador para espera-lo, os meus amigos super interessados em pegar o elevador com o gostosinho imbecil e seu amigo fortão.
O vizinho gostosinho notou rapidamente a gente se aproximando, um sorriso que eu já estava começando a associar a ele aparece em seus lábios.
—Seu quadro está bem? . “A ousadia desse filho da puta”
—Troy Bolton reside em cacos no chão da minha sala, e agora cabe a você resolver, se quer mesmo saber. O vizinho gostosinho franze as sobrancelhas.
—A propósito, o que é um Troy Bolton? .
E ele acaba ficando uns 50% menos atraente, mesmo sem olhar pra trás posso ouvir o som da risada da Mal “de que lado ela está”.
—Cara? A gente assistiu high school musical com a Harriet lembra?? o Troy, jogador de basquete e cantor. O amigo dele responde por mim, tão revoltado quanto eu me sinto.
—Certo — ele parece entender, logo se vira pra mim — Por que você tem um quadro dele em casa?. Ele me pergunta.
—Ele é o primeiro romântico do mundo.
É uma resposta natural pra mim, nem penso na tosquice dela. Jay bufa, Mal começa a rir de gargalhar enquanto Ben tenta parar ela, Carlos parece estar passando por um grande nível de vergonha alheia enquanto Evie parece estar assistindo a uma novela. o vizinho gostoso parece tão descrente quanto Jay, enquanto seu amigo vem me apoiar.
—Ele é realmente um homem apaixonado. Ele completa.
—Obrigado… — Gesticulo com a mão para que ele me diga seu nome.
—Gil, eu me chamo Gil.
—Obrigado Gil, você sabe das coisas. O garoto Gil da um sorriso também, diferente de seu amigo vizinho idiota, seu sorriso é tão puro que quase me faz querer abraça-lo.
O elevador chega e todos nós entramos, tudo está quieto por um tempo, o que não combina em nada com meu grupo de amigos. Eu não preciso olhar pro meu vizinho pra saber o quanto sua atenção está presa em mim, eu quase sinto queimar um pouco, é quase sufocante. devo estar tensa porque Jay é muito rápido em se aproximar novamente de mim e colocar os braços sobre meu ombro outra vez, como faz quando os caras não entendem os "não" diretos meus e das meninas.
— Tá tudo bem cara? .Ele pergunta pro meu vizinho, em um tom nada amigável.
—Jay. Carlos e eu dizemos ao mesmo tempo, Carlos como um pedido e eu como um aviso.
O meu vizinho no entanto não parece intimidado ele tira seu olhar de mim rapidamente enquanto olha Jay, posso ver que eles tem um fogo parecido, pessoas muito parecidas ou se amam ou se odeiam. Mal e eu atestamos essa informação.
—Eu estou muito bem cara, só estava pensando que Uma não foi educada o suficiente pra deixar eu me apresentar.
Com isso ergo minha sobrancelha pra ele como desafio, afinal nós dois sabíamos quem era o mal educado, mas percebo que provavelmente era a minha atenção que ele queria.
—Eu sou Harry Hook — ele diz, olhos grudados em mim, como se não tivesse mais seis pessoas naquele elevador —E você, minha querida. É a coisa mais linda às três da manhã defendendo o quadro de um cantor ruim.
com isso as portas do elevador se abrem e Harry vizinho gostoso sai com seu amigo Gil a tiracolo, eu ainda tô boquiaberta quando Jay fala:
—Esse cara precisa apanhar.
