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Crescente Fragrância do Amor

Summary:

❝Park Jimin é surpreendido durante seu primeiro cio quando conhece seu alfa. Inicialmente relutante, ele se vê preso em um dilema angustiante: como aceitar que seu lobo já o reconhece como companheiro há anos?

Embora aceitar essa ligação tenha sido um desafio, lutar contra um destino cruel que parecia conspirar para separá-los se mostrou ainda mais difícil. Determinados a se reunirem, Jimin e Jungkook precisam superar todas as adversidades, mesmo que isso signifique desafiar as próprias forças do universo.❞

• Twitter: #MoranguinhoeChocolate
• Você pode utilizar a mecânica do site para traduzir.

Chapter 1: Capítulo 1

Chapter Text

Geralmente, os ômegas e seus lobos acabam amadurecendo mais tarde do que alfas, que completam a transformação entre doze e treze anos. Alcançando os quinze anos, os primeiros sintomas começam a aparecer: os aromas se intensificam, seu primeiro contato sexual ocorre, junto a desejos incansáveis de serem esquentados por um alfa. Ademais, seu anseio por encontrar o companheiro de alma.

É comum adolescentes ômegas nesta idade acabarem se isolando para poderem lidar com as próprias mudanças e descobertas. Infelizmente, nem todos acabam tendo a sorte de encontrar seu alfa a tempo, para poderem passar pelo processo acompanhados e mais tranquilos.

Jimin estava animado, porém não por sua transformação. Desde muito antes gosta de festas ou de chamar atenção, portanto sempre foi o responsável por organizar eventos e, principalmente, seu próprio aniversário por muitos anos. A ajuda sempre foi muito bem vinda, embora prefira lidar com o processo sozinho. É tão fascinado com o próprio dia, que acumula mesada durante o ano todo apenas para poder caprichar na decoração.

Seus fios ruivos estavam espalhados pelo travesseiro de cor clara. O corpo escondido pelo edredom grosso era protegido do vento frio que fazia ao lado de fora da casa. Pela grande janela, podia ser observado as flores da enorme árvore balançando conforme a ventania, com galhos resistentes o suficiente para manter a casa na árvore intacta.

Uma música calma, feita por acordes de piano gravados em um brinquedo de bailarina, continuava a tocar. As luzes de outro aparelho permaneciam refletindo o sistema solar em seu teto, apagando-se cada vez mais à medida que os raios solares invadiam por entre os vãos das cortinas.

O garoto franziu o cenho, se remexendo na cama ao sentir o corpo esquentar e clamar por mais calor. Virou o rosto para o travesseiro e afundou o nariz no tecido, como se buscasse por algum aroma em específico enquanto farejava ainda sem consciência. Uma das mãos serpenteou o lençol, agarrando sem muito esforço uma pelúcia que estava próxima e começando a apertar aos poucos. Murmurou, descontente por estar sozinho.

— Jimin, acorde! O café da manhã está pronto! — Ao início da escada, no andar debaixo, Seokjin continuou encarando o alto, querendo ver se conseguia ouvir algum murmúrio ou som vindo do garoto adormecido. Lambeu os lábios, passando as mãos molhadas em seu próprio avental antes de respirar fundo e dar meia volta, desistindo de obter respostas.

Estavam em um sábado, exatamente uma semana para o garoto completar quinze anos. Tudo o que ele conseguia falar no dia anterior, era sobre sua maioridade e também sobre a festa que daria aos amigos já conhecidos da casa.

A preocupação tomou conta de seu corpo enquanto voltava a cortar os legumes e deixá-los de molho para o almoço, sabendo que com quinze anos viria muitas responsabilidades e mudanças do pequeno sobrinho. Ainda assim, o poupou de muitas informações e esclarecimentos, querendo continuar omitindo grande parte do problema que poderia vir a acontecer. Como ainda não é uma certeza, o deixaria tranquilo e viver calmamente.

— Oh! — Assustou-se ao ouvir o escândalo da chaleira de repente. Saindo de seu devaneio, buscou por uma luva protetora e segurou o utensílio até poder despejar o líquido quente entre os dois copos servidos à mesa. Observou os alimentos dispostos, sorrindo com a panqueca imitando um rosto, feito especialmente para o mais novo da casa. Então voltou aos seus afazeres, um pouco mais tranquilo que anteriormente.

O pequeno ruivo voltou a se curvar na cama, juntando ambas as sobrancelhas enquanto deixava alguns murmúrios desconexos escaparem por entre seus lábios carnudos e vermelhos. Se encontrava em posição fetal depois de tanto se remexer sobre o edredom, como se quisesse escapar de um pesadelo. Ainda assim, parecia chamar continuamente por algum ser desconhecido, sabendo que sem ele sentiria um vazio incomparável no peito.

A música parou subitamente e a ventania pareceu tranquilizar. Os olhos cheios de cílios grandes e claros do menino se abriram, facilmente se acostumando com a claridade. O brilho claro de suas íris refletiam a janela do cômodo, assim como o sistema solar enfeitando o teto.

Ainda entorpecido com um sonho que já não se lembrava mais, usou os braços para conseguir forças para se levantar. Até que estivesse sentado corretamente, não conseguiu voltar à realidade, ainda preso em um desejo escondido e peculiar. O rosto fino, porém bochechudo, virou em direção à caixa de música, sentindo a ausência da melodia. Franziu o cenho e não relutou em colocar as pernas para fora e cruzar os dedos assim que entrou em contato com o tapete felpudo de algum personagem de seu desenho predileto. Guardou a bailarina e desligou o projetor antes de seguir em direção ao banheiro do outro lado do corredor.

Em frente ao espelho, lutou contra a sonolência enquanto escovava os dentes brancos e levemente avantajados, com apenas um sendo torto e lhe dando uma característica diferenciada que poderia ser observada com admiração por alguém, se esse alguém fosse detalhista.

Ao terminar, lavou as mãos e também a boca com a água gelada, não se incomodando em ajustar os fios ruivos e longos. Apenas observou o corte recente antes de alisar com os dedos, sorrindo ao obter a maciez após rotinas de cuidado.

Eventualmente, com o cabelo preso em um rabo de cavalo minúsculo, pelas pontas alcançarem apenas o seu ombro, desceu a escada com uma das pantufas que havia ganhado de presente em seu aniversário de quatorze anos. Assim que se deparou com a sala aconchegante, observou a televisão transmitindo uma novela que seu tio costuma assistir aos sábados de manhã. Virou à esquerda, visualizando a cozinha simples, porém bem iluminada pela luz natural.

— Bom dia, dorminhoco! O que lhe fez ficar tanto tempo na cama? — proferiu ao ver sua pequena cópia vindo em sua direção enquanto farejava o café da manhã. Riu ao vê-lo quase deitar na ilha.

— Bom dia, tio Jin... — murmurou um pouco exausto, com a sensação de não ter dormido o suficiente. Então, voltou a se sentir estranho com a afirmação do responsável. — Não sei... Acho que não dormi muito bem. Choveu ontem? — Mirou sua atenção para o lado de fora da casa, enxergando a casa da árvore intacta e bonita como sempre foi.

— Acho que um pouco. Você perdeu uma noite de sono por conta de uma garoa? — Franziu o cenho, confuso. Colocou a torta no forno e recolheu as luvas, indo tirar o avental para poderem ir comer. — Você nunca foi disso, querido. — Descartou a hipótese, acariciando a bochecha dele e sorrindo gentil em sua direção. — Deve ser o seu despertar, afinal, hoje se torna exatamente uma semana até o seu aniversário, não é mesmo?

Com a menção do dia comemorativo, os olhos esverdeados do baixinho voltaram a se alegrar e suas bochechas ganharam vida, ficando com uma tonalidade rosada, tornando suas sardas cada vez mais aparentes.

— Sete dias, tio!! Apenas sete dias e menos de vinte e quatro horas! — sorridente, correu até a mesa. Cessou os passos ao visualizar a panqueca com um rosto desenhado, pequenos potes de frutas vermelhas espalhadas, calda de chocolate em um outro recipiente e seu copo cheio de suco de uva, seu favorito. Lambeu os lábios, surpreso. Elevou o olhar, observando o tio orgulhoso e também feliz.

— Então serão sete dias recheados de muita comida deliciosa e caprichada. Por que você não experimenta para que possamos conversar melhor, hum? — Se serviu, gemendo de satisfação quando pegou o primeiro pedaço da panqueca.

— Uau... O senhor é incrível! — riu e colocou algumas frutas na boca. — Então... eu estava pensando em irmos comprar algumas coisas hoje. A cidade é movimentada aos sábados, eu sei, mas posso ir sozinho se o senhor estiver ocupado com as encomendas!

— Claro que não! Eu quero lhe acompanhar também! Não se preocupe com os doces, querido. Eu adiantei alguns pedidos e os clientes virão buscar em breve. Agora, apenas se preocupe em comer e não ouse falar mastigando. — Ficou aliviado ao vê-lo obedecer em silêncio, comendo com delicadeza, embora notasse sua fome e vontade de conseguir energia após uma noite mal dormida. Foi então que se recordou das sensações do desenvolvimento de um lobo ômega. Respirou fundo, não sabendo como iniciar uma conversa deste tipo. — Então, quer me contar um pouco sobre como se sentiu momentos antes?

— Eu não sei, não me lembro muito bem — respondeu, focado nas frutinhas. — Acho que eu chamava alguém.

— Mesmo? — sorriu tristemente, ciente do que poderia ser. Ao ouvir um murmúrio de afirmação, segurou a mão pequena e gordinha, finalmente conquistando seu olhar. — Era o seu lobo chamando pelo companheiro.

— Companheiro? — em dúvida, voltou a se questionar, esquecendo-se temporariamente da refeição.

— Uhum. Você sabe, alfa e ômegas sempre funcionam melhor juntos. Você pode observar muitas famílias da vila assim.

— Mas o que tem eu chamando por um alfa? Eu não tenho um.

— É quando o seu lobo começa a sentir falta de um, querido. E, infelizmente, essa sensação irá lhe perseguir até que encontre o seu companheiro de alma. Sobre isso, eu já te expliquei, não foi? — Escondeu uma mecha solta atrás de sua orelha, ganhando a afirmação sendo feita com a cabeça.

— Nossas almas vagueiam pelo tempo, sempre acompanhadas com nossos parceiros que são destinados a nos dar sua marca. Juntos, encontramos o equilíbrio e a paz, desde os tempos primórdios — resumiu uma longa história que nunca teve tanto interesse em estudar, já que nunca foi sua preocupação procurar por um alfa. Cresceu em um ambiente sem essa figura, vendo seu tio, ômega, também não ter um parceiro romântico. Portanto, se acostumou com a ausência, achando inútil ter alguém de outra classe, sendo que souberam sobreviver sozinhos desde muito tempo, mesmo em invernos onde seus corpos não emanam calor o suficiente.

Entretanto, Seokjin compreende a falta que um alfa faz para um ômega. A sensação parece corroer suas entranhas e tudo aparenta se mover lentamente, tornando-se um ciclo cansativo de viver. Em tempestades de frio, enfrenta o pior. Por anos teve que comprar diversos cobertores para não perecer sem calor. Tentou salvar o filhote inúmeras vezes, recorrendo a construir uma ladeira na sala para que montassem um ninho juntos e pudessem adormecer perto.

Sobretudo, notou também o que a ausência de uma figura alfa fez com o mais novo. O que era para lhe deixar forte aos aromas, comportamentos e ameaças, não aconteceu. Não que não fosse totalmente forte, porém aprendeu com o tempo para ensiná-lo da melhor maneira, mesmo que não chegasse nem um pouco perto do que realmente deveria ser. Infelizmente, seu avô não estava vivo para poder lhe ajudar, e o pai da criança estaria melhor longe do que perto.

— Não quero um alfa, tio. Quero ser como o senhor.

— Não use isso como meta. Não ter um alfa é ruim. — Notou o sorriso do menor desaparecer aos poucos. Respirou fundo e sorriu pequeno para ele. — Há uma conexão maravilhosa entre alfas e ômegas, querido. É inexplicável, portanto tantos desejam ter seus companheiros. E sim, eu também.

— Mas...

— Eu não encontrei o meu, e tudo bem. — Tentou parecer motivador, elevando os ombros e depois abaixando, sorrindo pequeno. — Talvez eu encontre futuramente.

O brilho melancólico e preocupado de Jimin correu pelos olhos. Ele temeu, pela primeira vez, estar sozinho e continuar sentindo aquele vazio crescer dentro de si.

Seu alfa estaria muito longe? Ele também consegue se sentir incompleto?

Após o café da manhã, se aprontaram para poderem sair em conjunto, em busca de algumas decorações para o aniversário do mais novo. Portanto, com trajes semelhantes, contendo uma jardineira jeans, pegaram suas bicicletas após colocarem algumas presilhas em seus cabelos, deixando-os com uma aparência mais fofa e amigável.

Passando por uma plantação de girassóis, Jimin cumprimentou o senhor que cuida do local e que estava trabalhando duro novamente, mesmo na manhã de sábado. Observou, portanto, as belas flores apontadas na direção da enorme estrela que ilumina o céu. Riu ao visualizar o tio fazendo zigue-zague com a bike, também feliz e aliviado por viverem em uma vila tranquila, demorando apenas alguns minutos para encontrarem a cidade, onde a maior movimentação se concentra.

Gritou, extasiado com a liberdade e calmaria. Feliz por estar quase completando mais um ano vivo, compartilhando momentos ao lado de bons amigos e um familiar incrível. E embora sinta tristeza ao se lembrar do genitor ausente, nunca tem chance de ficar nas poucas memórias, pois Seokjin sempre se mostra disponível para cuidar de si.

Ao chegarem em uma das lojas escolhidas, encostaram suas bicicletas na parede do lado de fora e entraram, já podendo visualizar as variadas decorações para festas.

Jimin foi rápido em buscar por coisas fofas, assim como seu tio, que também contém os mesmos gostos. Andando para o lado, entrou em contato com um garoto de regata que também olhava alguns produtos, porém estes se tratavam de canetinhas escuras. Olhou para ele, surpreso por estar tão desatento.

Todavia, quando recebeu sua atenção imediata, seu coração pulou e suas mãos tremeram. Seu corpo todo entrou em combustão, liberando um aroma mais forte que o comum sob a presença do alfa próximo. Tampouco notou que as pupilas dele dilataram enquanto farejava o ar ao redor. Soltou o ar aos poucos, encantado com um garoto tão lindo.

— Desculpa... — pediu baixinho, se questionando em como nunca havia visto um alfa assim antes. Provavelmente por ser mais velho, nunca teve a atenção centrada nele em algum momento. Se fosse alguém da sua idade ou classe, o encontraria nos intervalos da escola.

O estranho desceu o olhar pelo corpo miúdo, cheiroso e encolhido, tentando reconhecer o aroma que estava lhe entorpecendo no momento, ainda se acostumando com o próprio lobo agitado, querendo rosnar em chamado para o ômega.

Jimin ofegou quando sentiu sua visão escurecer um pouco, à medida que tentava buscar pelo cheiro do mais velho, algo que parecia diferente dos outros e também mais atrativo. Era como se fosse feito para ser seu.

Reconheceu, pela primeira vez, o perfume de alguém. Nem mesmo de seu tio poderia dizer do que se trata ou de seus amigos. Entretanto, o alfa porta a fragrância de um chocolate e, por pouco, não sentiu o sabor em sua língua.

— Jimin, achei alguns chapéus que você irá gostar. — Escutou de longe a voz de Seokjin tentando chamar sua atenção, alheio ao encontro astral que estava ocorrendo naquele momento.

Receoso de se afastar do menino que parecia lhe aquecer apenas com um olhar, apertou as canetinhas coloridas que havia pegado e deu meia volta, fugindo rapidamente da atenção dele, não sabendo como reagir às mudanças do próprio corpo. Assim que encontrou o familiar, respirou rápido, vendo-o parar de sorrir e estranhar sua pele suada e bochechas vermelhas.

— O que houve? — Aproximou-se, não notando o alfa espiar por entre os corredores, ainda de olho no baixinho.

— Vamos... Vamos comprar morango com chocolate? — Foi automático as palavras saírem após receber o almejo em sua mente. Assim que recebeu apenas mais dúvidas do outro, choramingou frustrado por não ter os próprios desejos atendidos.

— O quê? Mas agora? Estamos no meio das compras, querido. Você ao menos viu algumas fitas que irá colocar como decoração. — Voltou para os materiais, sorrindo acolhedor novamente ao pegar alguns que havia achado, todos coloridos e em tons pastéis. — O que acha destes?

Jimin assentiu freneticamente com a cabeça, gostando da escolha.

Seokjin pareceu finalmente sossegar de buscar por mais decorações de aniversário, assim colocando as fitas no carrinho, junto aos chapéus e também diversas bexigas da mesma cor. Acariciou o cabelo ruivo do menor antes de incentivá-lo a ir até o caixa e finalizar as compras.

Assim que saíram, carregando várias sacolas, deixaram nas cestinhas em frente aos guidões, para depois se acomodarem nos assentos para colocarem os pés nos pedais.

Jimin olhou para trás mais uma vez, sentindo o coração saltar e suas bochechas conquistarem mais ardência ao enxergar o alfa parado em frente à loja, também vermelho e um pouco suado, farejando o ar cada vez mais forte.

Usou a última força que lhe restava para fugir do local, tímido pela atenção que teve de outro garoto, lembrando-se vagamente do cheiro de chocolate.