Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationships:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-02-26
Completed:
2025-02-26
Words:
9,923
Chapters:
2/2
Kudos:
42
Bookmarks:
2
Hits:
1,118

A Greve

Summary:

Estar com Obito sempre foi um mar de rosas, ele é paciente e atencioso, mas entre quatro paredes as coisas mudam de forma.
É então que Deidara propõe uma trégua, mas descobre da pior forma que talvez não seja uma boa ideia.

[Two Shot] • T/ObiDei

Notes:

Espero que gostem 😚💚
Em breve a parte 2

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Parte 1

Chapter Text

— Tobi... — gemeu manhoso o loiro deitado em seu peito. Ambos estavam suados, as respirações superficiais e as pernas trêmulas. — você não acha que pegou pesado dessa vez?
De fato haviam acabado de ter uma foda intensa, e como sempre Obito não pegava leve com o companheiro. O que era impossível, já que ele o enlouquecia pedindo por mais.
— Você deveria ter pensado primeiro antes de me atiçar daquele jeito.
Os olhos azuis o encararam raivosos, as vezes o Uchiha queria estapear aquela carinha de santo dele – e sabia que ele amaria –, porque o loiro poderia ser tudo, mas santo seria a última coisa do mundo. Ainda assim era engraçado o biquinho em seus lábios, algo que o deixava com o ar ainda mais infantil.
Obito não negaria que amava esse lado estressadinho dele. Na verdade foram assim que começaram, desde o dia que se conheceram na casa da namorada de um dos seus melhores amigos. Quando ela ligou desesperada alegando estar quase incendiando a casa. E claro, Yahiko correu para o socorro e como Obito presente foram juntos. Ao chegarem lá encontraram a azulada com um loiro bem apático, os dois pareciam estar em uma zona de guerra. Havia vários pratos quebrados, um cheiro forte de queimado no ar e cada um segurava uma faca de serra nas mãos, separados pela mesa no meio da cozinha, pareciam prestes a cometer um assassinato. Ambos vermelhos de tanto gritar um com o outro.
Obito e o amigo se entreolharam, ponderando se davam risada ou procuravam ser sensatos. Optaram pela segunda opção, os dois estavam armados, apesar de ser uma faca de serra, ainda era uma arma branca e pela expressão em seus rostos não hesitariam em usá-las, e então após vários minutos finalmente conseguiram acalmar os nervos dos dois. Obito não conseguia desviar os olhos daquela criatura loira a sua frente. A franja bagunçada sobre um dos olhos que eram absurdamente azuis, a pele alva, as sobrancelhas franzidas em irritação... tudo.
Depois daquilo passaram a se encontrar com mais frequência, visto que estavam no mesmo grupo de amigos. E quando deu por si estava ansiando por passar mais tempo com aquela criatura birrenta e explosiva. Tentava a todo custo chamar sua atenção, com brincadeiras irritantes. Deidara não negaria que gostava, na verdade adorava. Não era burro, então notou de imediato que por trás dessas “brincadeiras” havia algo a mais. Então só deixou rolar.
Isso tinha acontecido a três anos e meio, e desde então as coisas foram se acertando e, após todo esse tempo deram o passo final para morarem juntos, há dois meses. Mesmo com toda a carga horário do trabalho, conseguiam encontrar tempo para se dedicarem um ao outro.
Obito poderia ser uma pessoa calma, atenciosa, carinhosa e muito prestativa, porém muito cético. Já Deidara se mostrava iam pessoa marrenta e estressada, explosivo seria a melhor descrição da personalidade do loiro. Mas era bem sossegado e materialista.
Formavam um casal meio diferente. Estranho aos olhos da sociedade. Eles não davam muita atenção para isso, o importante era a felicidade mútua que sentiam. E claro, os amigos apoiavam e os protegiam de diversas situações ofensivas. Mas aqui entre nós, A maioria dos amigos eram gays também.
Mas voltando a história...
Obito não evitou o sorriso diante o porque da irritação do loiro que da água para o vinho se suavizou.
— Obito Uchiha. — pronunciou com uma calma não comum, mas o parceiro o conhecia muito bem para saber que tinha uma fúria enorme contida por trás daquelas palavras — Espero que haja uma explicação muito plausível do por que você está rindo da minha desgraça.
Obito praticamente gargalhou quando ele tentou se levantar, falhando miseravelmente. Mas conseguindo rolar para o lado oposto, caindo de costas sobre o colchão e gemendo sofrido.
— Você precisa de ajuda? — perguntou com a maior cara de pau do mundo e o seu melhor sorriso inocente. Deidara estava puto, se Obito achava que as coisas terminariam ali estava muito enganado. E o loiro tinha a ideia perfeita para acabar com aquele sorrisinho de paisagem estampado no rosto do idiota e dar uma vela trégua para o seu próprio corpo.
Seus olhos brilharam de um jeito diferente, Obito conhecia muito bem aquele brilho, significava que Deidara estava tendo uma ideia daquelas.
Ei, calma Dei — não fazia ideia de qual coisa mirabolante se passava na cabeça do loiro, mas boa não era — não precisa ficar assim, viu? Me desculpa eu não queria rir de você, mas a sua cara era tão engraçadinha que eu não resisti — sorriu amarelo ao perceber que Deidara nem sequer parecia ter ouvido suas palavras.
Vai sonhando bonitão, você vai se arrepender de ter rido de mim. Então depois de uma pausa dramática, Deidara começou a falar lentamente, palavra por palavra.
— Aqui, agora. Nesse instante. Eu declaro... — Obito tremeu e Deidara curtiu o momento de glória e depois de uma pausa dramática completou — ... Só faremos sexo daqui a uma semana. Essa é a sua punição.
Quem sorriu estonteante após o silêncio que seguiu foi Deidara que parecia contente com a própria ideia. E para Obito o mundo havia perdido a cor.
Quem ri por último ri melhor. Sentia satisfação em ver os olhos negros do parceiro o fitar incrédulo.
— Sem rapidinhas durante o banho — continuou, dessa vez com um gosto amargo na boca, engoliu em seco. Obito era muito bom no banho — Sem rapidinhas ao acordar ou durante o café — o namorado parecia um cachorrinho levando broca. Os olhos caídos se ergueram pidões, ressaltaram ainda mais as cicatrizes em um dos lados de seu rosto, mas Deidara não cedeu.
— Mais Dei...
— Nem mais e nem menos! — Esbravejou — a gente parece um bando de coelhos. Você simplesmente acaba com o meu corpo e vem com essa de: “Mas Dei...” – imitou a voz do maior — Não é como se você fosse morrer se ficasse sem sexo por uma semana!
— Dei... — Obito se levantou ficando ajoelhado entre as pernas do garoto e abaixando a cabeça em um gesto de submissão — por favor. Não faz isso comigo.
Isso, pode implorar. Eu não vou ceder. A última frase que pronunciou pareceu uma facada no peito do moreno, e Deidara não entendia o porque de tanto drama. Tá bom. Estava irritado, mas não iria se arrepender disso, não é?
— Agora serão duas semanas. Continua assim e eu você vai viver sem sexo a vida toda.
Obito suspirou e ergueu os olhos negros encarando aquele oceano azul. Engoliu em seco com a satisfação alheia.
— Você vai se arrepender disso — se afastou das penas do loiro e se levantou da cama pegando uma toalha no guarda-roupa — precisa de ajuda para tomar banho, Deidara Senpai?

→←

Obito ajudou Deidara a tomar banho, provocou um pouco, mas percebeu que o loiro estava realmente falando sério. Então deixou quieto, quando tudo acabasse, o faria se arrepender por isso.
Se sentou de frente para ele na mesa enquanto tomava calmante seu café. Estudou todo o semblante do loiro esperando alguma reação que denunciava arrependimento.
— Se você acha que eu vou mudar de ideia — disse levantando os olhos e com a xícara de café em mãos — pode ir desistindo.
— Eu sei... — Obito diz baixinho — e para a sua informação, — o encarou na mesma intensidade — vou te fazer implorar por mim. Aí depois você vai saber o que é dor — os dois se encaram, os olhos se fuzilando. Mas havia uma leve hesitação de um lado — vê se não desista agora.
Sorriu maroto. Sabia que Deidara era teimoso e nunca renunciaria a sua decisão, mas ainda assim é interessante o ver se revirar em desconforto.
O Uchiha e o namorado eram aquele casal Vanilla. Preferiam do jeito tradicional. Deidara afirmava se sentir desconfortável usando objetos em seu corpo e preferia apenas o sentir em si, mas isso não impedia Obito de ser bruto. Pelo contrário. Talvez abusasse um pouquinho demais, mas ele o amava. Então seria sempre o máximo carinhoso possível.
— Ah, eu já ia esquecendo... — o loiro falou quebrando o silêncio e interrompendo seus pensamentos — vamos na social daqui a duas semanas não é? — Obito o olhou confuso — não me diga que esqueceu.
É claro que o Uchiha se lembrava. Sasori veio lhes “informar” sobre, e como sempre aquele desgraçado não perdia o fio da meada. A todo custo tentava cantar o namorado que não parecia notar. Ou Deidara era sonso para isso, ou fingia que não via mesmo. Obito odiava aquilo, e Deidara insistia que eram apenas amigos e que não precisava se preocupar. Mas também deixou claro que já tentaram um relacionamento antes, só que não deu muito certo.
Balançou a cabeça afastando os pensamentos.
— Você realmente quer ir?
O menor o encarou como se fosse uma barata falante e pensasse em como a mataria: Com um pisão ou com um inseticida.
— É claro que eu vou – obvio, Deidara não perdia uma festa — e você também vem. Me prometeu.
Sim. Prometeu, porém foi obrigado a isso, longa história.
Até o dia da festa seriam duas torturantes semanas pela frente. E por ironia o dia coincidia com o final daquela greve idiota do namorado. Deidara me paga por isso.
— Ok — o Uchiha nunca seria idiota para contrariar o namorado – ainda mais estando na cozinha. Sabe-se lá o que ele não pode fazer.
— Ótimo.
Pousou a xícara sobre a mesa e observou atentamente aqueles olhos azuis – que segundo o artista eram de uma tonalidade azul-aço –, aquela carinha de inocente e aquele rostinho angelical.
Os dois se encararam pelo que pareceu horas, mas na verdade foram apenas alguns minutos. Quebrando o contato visual Deidara se levantou ficando de costas para Obito. Vestia apenas uma cueca cinza clara e uma camiseta branca folgada meio transparente e os longos cabelos loiros amarrados em um coque bagunçado, alguns fios claros soltos emolduravam a sua nuca de forma adorável. Ressaltando as marcas profundas de “amor”, o último resquício da noite anterior, juntamente com seus passos meio mancos.
Sorriu meio maroto ao pensar que dali duas semanas a pele do namorado estaria sem nenhum tipo de marca e o Uchiha como um bom rapaz se disponibilizaria a remarcá-lo.
— Nem pense nisso — o menor tinha umas das sobrancelhas arqueadas ao se virar e ver aquele olhar em Obito — parece que vai me agarrar aqui e agora.
— Não, pelo contrário. Pretendo esperar pacientemente até a sua greve terminar — se levanta e repete o ato anterior de Deidara, levando a xícara para a pia e depois o encarando — Você quer assistir a algum filme?

←→

O filme escolhido foi Como Eu Era Antes De Você. Um dos inúmeros filmes que curtiam juntos. O Uchiha estava fazendo a pipoca enquanto Deidara assistia o namorado na cozinha pelo canto dos olhos.
Obito fingia não perceber, mas estava adorando.
Se pegou pensando no momento que descobriram a mesma paixão por filmes românticos e açucarados. Era o primeiro encontro oficial dos dois e Obito estava uma pilha de nervos.

De frente a entrada do cinema encontrava-se um Obito a todos os nervos. Era o seu primeiro encontro oficial com um certo loiro rabugento que mexia demais com a sua cabeça, e já pensava no pior. O tinha convidado para ir ao cinema mas não sabia dos gostos alheios. E Deidara deixou bem claro que adoraria ter uma “surpresa”. Mas Obito não conseguia pensar em nenhum filme espetacular. Então optou por algo que ele mesmo gostava. A Culpa é Das Estrelas foi o título escolhido pelo moreno. Se fosse levar um gelo, desejava pelo menos chorar assistindo um dos filmes prediletos.
Temia que o loiro achasse seus gostos estranhos. Já que era um homem um pouco “grandinho” para gostar de romances clichês, com finais tristes e agridoces. Tentava a todo custo não pensar muito nisso.
Tinham combinado de se encontrar já na entrada do cinema. Deidara afirmou que não precisava que Obito o buscasse pois sua casa ficava a apenas duas quadras de distância e alegou ainda que precisava se mexer um pouco. Já que ficava horas sentado por conta do trabalho. O loiro era pintor, costumava passar horas trancado em sua “humilde salinha” como ele mesmo havia dito. Era um ateliê enorme, tinham telas de todos os tamanhos, vários pincéis e diversas cores espalhadas e distribuídas nas prateleiras, separadas em tonalidades. Trabalhava de forma independente e vezes ou outra aceitava pedidos para encomendas.
Mal sabia ele que adoraria observar aquele espetáculo de pessoa tão concentrado em seu novo ateliê – tão grande como o anterior – no quintal ou na grande varanda com uma simples folha em mãos e um carvão. Aqueles belos olhos azuis e face serena, sua própria forma de enxergar o mundo. As unhas e roupas folgadas sempre sujas por tinta. Realmente mal sabia ele que se tornaria dependente de cada uma dessas pequenas coisas.
Ergueu os olhos ao ver aquele ser que se destacava sobre as outras pessoas se aproximar de si. Vestia um moletom preto e uma calça jeans bem colada ao corpo, emoldurando a cintura fina. Desviou os olhos, a insegurança se abatendo fortemente outra vez. Será que ele vai gostar?
— Oi Obito...! — espontâneo como sempre, fazendo o Uchiha sorrir.
— Oi loirinha — sabia o quanto Deidara odiava ser chamado assim, mas sentia a necessidade de provocar para disfarçar seu nervoso.
— Affs... — revirou os olhos e mordeu o lábio inferior. Também estava nervoso — você não presta mesmo.
— Então vamos?
Já dentro do cinema encontraram um bom local para assitir e esperaram. O filme começou e Obito observou pelo canto do olho Deidara que parecia concentrado na tela a frente.
O loiro arregalou os olhos e se virou o encarando surpreso. Pronto Obito, já era seu primeiro encontro.
Mas a reação a seguir foi completamente a contaria. Ele sorriu de forma adorável e o Uchiha jurou que guardaria aquele sorriso para todo o sempre e se possível o ter todos os dias. Ficando mais a vontade Deidara envolveu a mão na do outro e descansou a cabeça no ombro.
O loiro sussurrou a frase do filme ao mesmo tempo em que Augustus Waters:
“— Eles não matam se você não acender. E eu nunca acendi nenhum. É uma metáfora. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço.”
Obito não sabia mais o que pensar. Seja qual for o feitiço que lhe foi atirado não havia mais volta.
Riram e derramaram algumas lágrimas no decorrer do filme e Obito ficava ainda mais admirado com o que descobria sobre Deidara.

←→

— Eu não faço ideia de como diabos você descobriu o meu gosto para filmes — Deidara dizia ao saírem do cinema e entrarem no carro do moreno. — Sério. Eu fiz a Konan jurar que não ia dizer nada se você perguntasse.
Obito riu da empolgação dele, não imaginava que algumas horas atrás estava super inseguro.
— Na verdade eu perguntei — Deidara o olhou irritado, mas se apressou em continuar — ela não me disse nada. Então eu pensei que se fosse levar um gelo pelo menos choraria assistindo a um dos meus filmes favoritos.
O loiro tinha aceitado uma carona de volta para casa, apesar de ainda achar desnecessário já que era muito perto. Pelo menos teria mais alguns minutos antes de se despedirem.
— Você realmente me surpreende cada vez mais Obito. Me pergunto quanto ainda irei descobrir estando com você.
Ele Desviou os olhos da estrada por alguns segundos em que se encararam, entendendo o significado das palavras voltou a atenção para o trânsito.
— Você pode descobrir tudo que quiser. Já sabe disso.
E realmente sabia. Não seria ruim dar uma chance para Obito, certo? Desviou os olhos para frente e notou o carro desacelerando e parar em frente a sua casa.
Primeiro houve um silêncio, depois as portas se abrindo em sincronia e mais uma vez estavam ansiosos. Pareciam dois adolescentes com os hormônios a flor da pele.
Deidara rodeou o carro ficando de frente para Obito.
— Eu até poderia te convidar para entrar, mas minha irmã está em casa. Ela é muito irritante então...
Ia se afastando para longe, mas as mãos fortes do Uchiha enlaçaram sua cintura por trás e o puxou de volta, colando suas costas no peito do mesmo.
— Não vai nem se despedir? — sussurrou rente ao ouvido do loiro.
As voz rouca o fez estremecer. Se virou para fitar os olhos negros intensos e sentiu que poderia se perder ou se encontrar neles. Dependeria de si.
Se perder não parecia ser algo ruim, então foi isso que fez. Entrelaçou as mãos nos cabelos negros e curtos.
— só estava esperando a deixa.
Sequer terminou de falar e quem tomou a atitude foi Obito. Puxou sua cintura com força e tocaram os lábios com intensidade. Iniciando um beijo afoito, as línguas se entrelaçando e buscando conhecer cada perímetro da cavidade bucal um do outro. As mãos curiosas de Deidara largaram o pescoço e desceram contornando as costas largas e apertando os ombros. O Uchiha entrelaçou as mãos nos longos cabelos loiros e sedosos e aprofundou ainda mais o beijo. Obito arfou quando as mãos pequenas e delicadas adentraram a camiseta que usava interrompendo o ósculo.
Não se importando com o local em que se encontravam Obito desceu as mão contornando todo o corpo delicado. Pousou as mãos na cintura e apertou, por um momento temeu que pudesse machucá-lo já que o mesmo parecia tão frágil. Mudou de ideia quando as unhas cravaram em sua pele, mesmo sendo pequenas ainda arranhavam. Contornou as nádegas e o puxou de encontro as pelves arrancando um gemido insinuante do mesmo quando as ereções de friccionaram.
— Agora eu realmente tenho que... Huum — tentou se afastar quando o moreno passou a intercalar beijos e leves chupões pela sua pele alva do pescoço — Sério Obito... Eu tenho... Que ir.
Relutantes se afastaram e Deidara não evitou o sorriso ao visualizar o grande volume do Uchiha, sabendo que estava da mesmas forma.
— Então quando posso te ver novamente?
– “Calma gafanhoto” — recitou a frase dita por Hazel no filme que acabaram de assitir — tudo no seu devido tempo.
Se despediram para valer e Obito retornou para o carro e ligou o motor assistindo o loiro entrar para dentro e fechar a porta com um último aceno.

←→

— Obito por favor me explica o porque o Will não ficou com a Lou e continuou vivendo?
Estavam agarradinhos no sofá, uma grande tigela de pipoca ao lado, as pernas entrelaçadas e Deidara com a cabeça apoiada no ombro largo do namorado. Ambos derramando algumas lágrimas enquanto Will dizia “Às vezes, Clark, você é a única coisa que me dá vontade de levantar da cama”. Não importava quantas vezes assistissem ao filme, seria sempre a mesma coisa.
— Só se você me explicar primeiro.
Ficaram em silêncio assistindo as últimas cenas passarem e prontos para argumentar as mesmas teorias de sempre, mas nunca encontrando uma resposta coerente, chegavam apenas a conclusão de que ele não aguentava mais.
Após o filme desligaram a televisão e continuaram deitados apenas jogando conversa fora. Era domingo então não tinham nenhum tipo de obrigação. Obito acariciou os cabelos loiros até ouvi-lo ressonando baixinho e notar que estava dormindo, se aconchegou mais a ele e adormeceu.

←→

Se passaram cinco dias assim. O trabalho ocupava metade do tempo de ambos. Mas ao chegar em casa ainda era insuportável a ideia de ter um Deidara com uma camiseta branca, shorts jeans – curtos e desfiados – e respingados de tinta. Não diria em voz alta, mas essa é uma das coisas que mais ama nele, a entrega pela arte, a capacidade de ir para outro mundo enquanto pimcelava.
Nesse dia em especial saiu da empresa mais cedo. Porém antes de voltar para casa passou primeiro no supermercado para comprar um “agradinho” ao namorado. Doces eram o seu fraco e Obito queria lhe fazer uma surpresa.
Sorriu bobo ao pensar que provavelmente ele teria sujado a varanda dos fundos inteira, já que era um dia quente e a tarde estava o que Deidara chamaria de “esplêndida”.
Depois de estacionar o carro na garagem abriu a porta da frente tentando fazer o mínimo de barulho possível. Retirou os sapatos e afrouxou a gravata cruzando o pequeno corredor para os fundos. Pelo vidro da porta viu os cabelos loiros mesclados com os tons de salmão da tarde.
Envolveu a maçaneta e puxou sem fazer barulho, depois fechou novamente as suas costas e observou melhor seu loirinho.
Ele estava de pé, mas tinha um pequeno banco na altura da tela, as costas voltadas para si, um pincel fino entre os dedos e várias cores de diversas tonalidades espalhadas ao seu redor. Virava a cabeça de um lado para outro atento a todos os detalhes de sua arte, pelo ângulo Obito não pode ver o que era, mas sabia que era esplêndido. Deidara poderia muito bem estar em seu ateliê, onde havia espaço de sobra, mas disse que nessa época do ano preferia sujar a casa para ele limpar depois. Abusado mesmo.
Pigarreou atraindo a atenção dele que se virou já sorrindo.
— Você chegou cedo meu amor — ele havia amarrado a franja junto ao coque que estavam bagunçados e várias mechas caídas emoldurava sua face, e como o esperado ele parecia ter tentando retirá-las da frente dos olhos, pois tinha tinta em várias partes.
— Você não tem ideia da vontade que eu estou de te agarrar aqui agora — se aproxima e lhe dá um selinho estalado e antes que o loiro reclamasse acrescentou — trouxe uma caixinha de doces para você.
Ergueu as sacolas que tinha em mãos.
— Só uma? — arqueou a sobrancelha.
— Você sabe que não — Obito sorriu. Deidara era uma formiga. Amava doces, trocaria até mesmo o Uchiha por doce. Duvidava que batesse em uma criança para lhe roubar o doce — trouxe todos os seus sabores favoritos.
— Eu já disse que te amo?
— Não. Mas disse agora — o abraçou por trás mesmo com todos os protestos sobre sujar seu terno e blá blá blá — eu também te amo Senpai.
Ele amoleceu e permitiu o abraço e Obito apoiou a cabeça em sua cabeça para visualizar a tela a sua frente.
— Alguma encomenda?
— Não, eu já terminei. Então resolvi fazer isso.
Era um por do sol lindo, exatamente o mesmo que acontecia agora. Os tons de fúcsia, azul celeste, salmão e várias outras cores mescladas a perfeição.
— Está incrível — direcionou o olhar para o chão coberto de respingos de tinta — Você fez uma bela de uma bagunça aqui.
— Eu fiz só para você limpar depois — tinha uma carinha marota que dizia conseguir tudo o que queria. E sim, Obito faria. — agora vai tomar banho e preparar o jantar enquanto eu guardo minhas coisas.
Com relutância o largou e prontamente fez o que lhe foi dito. Deidara havia aprendido a cozinhar algumas coisas, não era algo tão surpreendente. Pelo menos agora não colocava fogo na casa.
Mas ainda era um perigo deixá-lo sozinho na cozinha de frente para um fogão ou qualquer outra coisa que pudesse iniciar um incêndio.
Desceu as escadas e ele já estava com tudo guardado esperando para subir. Não queria tomar banho consigo, a desculpa era que poderia ser agarrado durante o banho. Lá no fundo Obito sentia que Deidara era quem fosse o agarrar.
— O que você quer comer hoje meu amor?
Deidara estreitou os olhos e o analisou de cima a baixo, mordeu os lábios de forma provocativa.
— Não sei... — colocou uma mão sobre o queixo ainda pensativo — ainda tem massa de pizza na geladeira? — Obito anuiu — então vamos comer pizza assistindo a um filme.
Ótimo, só faltou ele querer me colocar no forno. Balançou a cabeça e se dispôs a fazer o que fora pedido.

←→

Dessa vez o filme foi algo menos romântico. A menina que roubava livros era algo intrigante e seu narrador era um personagem bem inusitado: A morte.
A cena favorita dos dois era quando Max, um judeu que estava escondido no porão da família adotiva da Liesel, pergunta como está o dia lá fora, automaticamente ela responde que está nublado. Então ele pede para que ela descreva como enxerga o dia lá fora, então ela muda a resposta e diz que parece uma pérola prateada.
É admirável a força e garra da protagonista para lidar com as diversas questões que a cerca. Sem mencionar as opiniões ácidas da morte sobre as pessoas, são deveras hilárias.
Depois que o filme acabou ficaram em silêncio, ainda agarrados no pequeno sofá na sala. Apenas se acariciando e sentindo o contato um do outro. Deidara estava deitado com a cabeça no peito de Obito sentindo o coração bater meio rápido pela proximidade, o Uchiha brincava com seu cabelo, enrolando as mechas loiras e a destra pousada nas costas pequenas e se movendo em círculo.
Era torturante não poder tocá-lo de uma forma diferente. Maldita greve. Deidara estaria fodido quando isso tudo acabasse.
Sentiu as mãos pequenas e delicadas se aproximarem do seu rosto, ainda tinham resquícios de tinta por debaixo e dos lados das unhas. Tocou seu rosto com carinho, mas esse toque parecia buscar mais. Em um supetão Deidara se ergue, ficando sentado sobre a barriga do namorado.
— Algum problema Senpai? — Se encararam por bastante tempo, os olhos azuis-aço contra aquela escuridão negra. Deidara desviou o olhar primeiro, as maçãs do rosto ganhando uma coloração avermelhada — Não vai me dizer que já está desistindo da greve?
Usou um tom de voz baixo, que sabia – segundo o próprio Deidara – o deixar excitado.
Foi “tiro e queda”, primeiro o suspiro e então depois a ondulação de leve no quadril junto de um gemido manhoso e insinuante. Ao mesmo tempo sentiu o sangue fluir para o meio de suas pernas e instintivamente agarrou a cintura fina.
— Isso parece tentador — Obito intensificou o aperto na cintura e impediu um movimento — mas você não vai querer fazer isso, certo?
Deidara parou e olhou bem para o namorado abaixo de si. Só estava fazendo exatamente o que o Uchiha queria e o desgraçado ainda mantinha um sorriso de deboche estampado como paisagem. Mas sabia que ele sofria junto. A mão pressionada de forma possessiva sob seus quadris dizia isso, juntamente com os olhos levemente nublados de prazer e a semi ereção que sabia estar lá. Escorregou a bunda mais para baixo e ondulou mais uma vez os quadris, as mãos fortes fracassando em mantê-lo no lugar. Sorriu sacana e não evitou se mexer mais uma vez e gemer com vontade.
Antes que Obito fizesse algum movimento perigoso se afastou. Analisando bem o resultado de suas pequenas provocações. Mas ao mesmo tempo se sentindo excitado e sedento pelo namorado.
— Eu não esqueci da minha greve, Obito — pelo contrário, se lembrava amargamente.
— Não vai sequer me ajudar com isso? — perguntou na maior cara de pau — acho que não seria uma quebra em sua greve.
Engoliu em seco, porém continuou irredutível.
— Sexo não é só penetração. Se divirta sozinho. — disse a contragosto e saiu a passos rápidos da sala em direção ao banheiro mais próximo em busca de alívio.