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O Salão da Torre estava mergulhado em uma quietude cerimonial, como se até o ar se contivesse diante da solenidade do momento. Moiraine permanecia imóvel e impecável no centro do salão da torre branca com Alanna e Liandrin ao lado. 2 anos haviam se passado desde a última vez que ela esteve na Torre e ainda sim ela conseguia sentir os mesmo olhares de desconfiança que as outras irmãs lhe lançavam sempre que ela retornava.
“Atenção, todos… eis que vem a Guardiã dos Selos, a Chama de Tar Valon… o Trono de Amyrlin!” Leane Sharif, a Guardiã das Crônicas, postava-se à direita do Trono do Amyrlin com uma presença quase tão imponente quanto a de sua líder. A cada palavra de apresentação, sua voz ressoava clara, orgulhosa, como se exaltasse uma deusa e não uma mulher.
Siuan atravessava a sala em direção ao trono envolta em uma autoridade quase divina, a mulher de pele negra e cabelos cacheados que, mesmo após duas décadas, ainda fazia o coração de Moiraine tropeçar no peito.
Moiraine mantinha-se entre as duas Aes Sedai, os olhos fixos na figura que dominava o trono. A postura era rígida, a expressão serena — mas Moiraine conhecia cada nuance daquele rosto.
E, luz, como sentira falta dela.
As formalidades continuaram, Alanna, Liandrin e Moiraine responderam a cada pergunta com precisão. O julgamento de homens canalizadores acontece antes que eles sejam amansados. Além de ser uma tradição, era uma lei da Torre.
Moiraine não deixou de notar — com uma breve inclinação de cabeça — as reações no Salão quando Alanna defendeu as ações de Liandrin, pedindo clemência ao Assento de Amyrlin e somando, por conta própria, algumas justificativas para o ocorrido com o falso Dragão. Ainda assim, não se surpreendeu quando Liandrin a entregou sem hesitação, relatando o episódio envolvendo Nynaeve com frieza calculada.
O silêncio que se seguiu foi denso, quase palpável, enquanto a cena se desenrolava. Siuan voltou-se diretamente a Moiraine, questionando-a diante de todas, mas Moiraine recusou-se a revelar o propósito de suas longas viagens nos últimos anos. Mesmo que Siuan já soubesse a resposta, Moiraine jamais a pronunciaria diante de outras ajah, nem mesmo da sua própria. Aquele segredo era delas — e de mais ninguém.
~
A pintura antiga na parede dos aposentos de Moiraine parecia inócua à primeira vista — apenas uma mulher parada de costa observando o lado de fora da cidade. Mas, ao canalizar uma delicada corrente de Saidar, o ar ao redor dela tremeluziu, como um véu de calor em pleno verão. Com um passo, Moiraine atravessou o portal.
A cabana estava quente, iluminada por chamas que lançavam sombras douradas sobre a madeira envelhecida. E ali, sentada na cama com uma rede de pesca na mão, estava Siuan.
“Você tem ideia do que me obrigou a fazer, Moiraine?” A voz dela não era a da Amyrlin agora, mas a da mulher que ela conhecia. “Na frente de todo o Salão. Tive que te repreender como se você fosse uma noviça rebelde!”
Moiraine arqueou uma sobrancelha, tentando conter um sorriso enquanto permanecia parada, escutando Siuan.
“Você precisava manter as aparências, mãe.”
“Não me chame disso aqui,” Siuan rebateu, os olhos se estreitando. “Você sabe que eu odeio quando me chama assim fora do Salão. E tire esse sorrisinho do rosto.”
Moiraine se aproximou, ainda contendo o sorriso, encurtando a distância entre as duas. Siuan ergueu a mão, tocando suavemente o rosto de Moiraine com a ponta dos dedos.
“Você fez novas tatuagens,” notou Moiraine, seus dedos deslizando pela pele quase luminosa no ombro da outra mulher.
“Você passou bastante tempo longe dessa vez.”
Siuan suspirou com o toque suave, fechando os olhos por um instante sob o carinho que despertava lembranças e desejo. Lentamente, ela encurtou o espaço entre elas e beijou Moiraine, fazendo a outra arfar contra sua boca. Seus lábios se encontraram em um impulso urgente, um desespero moldado pela saudade acumulada.
Moiraine foi a primeira a se afastar, os olhos fixos nos de Siuan, o queixo erguido em desafio contido.
Sua voz veio como um sussurro rouco dessa vez, “De joelhos.”
Siuan ficou surpresa por um instante, mas um arrepio percorreu seu corpo ao ouvir as palavras. Um sorriso travesso surgiu em seus lábios enquanto sua mão, ainda pousada no pescoço de Moiraine, mantinha-as próximas — seus rostos a meros centímetros de distância.
Ela se ajoelhou.
Moiraine inclinou-se, os dedos enredando-se nos cachos escuros. “Repita. Repita o que disse no Salão.”
“Moiraine Sedai…” Siuan murmurou, com os olhos ardendo. “Você não está acima da Lei da Torre…”
Moiraine puxou-a para si e a beijou, silenciando o resto das palavras. O toque foi como o quebrar de uma represa: toda a saudade contida, toda a dor sufocada, tudo se derramando entre lábios que se lembravam perfeitamente do caminho de volta.
O mundo se apagou. Restaram apenas elas, e o som dos suspiros abafados, das roupas sendo abandonadas ao chão, da paixão que não havia sido extinta, apenas adormecida. O calor entre elas era algo antigo e sagrado, gravado no tecido do tempo.
~
O amanhecer filtrava-se pelas frestas da cabana, dourando os lençóis revoltos e o emaranhado de corpos entrelaçados. Moiraine já estava acordada, os olhos fixos no teto de madeira, o corpo relaxado, mas a mente inquieta — como sempre. Siuan dormia ao seu lado, com o rosto voltado para ela, a expressão pacífica suavizando os traços endurecidos pelo Trono.
Havia tanta coisa que precisava ser dita. Mas elas nunca tinham sido boas com palavras quando se tratava das duas, e muito menos tinham tempo para tal.
Moiraine passou a ponta dos dedos pela curva do ombro de Siuan, e a Amyrlin se mexeu, murmurando algo ininteligível antes de abrir os olhos.
“Bom dia, Lady Damodred.” Siuan murmurou, a voz rouca pela manhã.
“Bom dia” Moiraine sorriu de leve, passando os dedos pelas covinhas da bochecha de siuan.
Elas ficaram em silêncio por um momento, observando-se. Até que Moiraine suspirou, voltando os olhos para a janela.
“Eu encontrei cinco jovens, Siuan. Todos com idades próximas. Todos com potencial. Eles podem ser…”
Siuan imediatamente ficou séria, sentando-se e cobrindo-se com o lençol. “Cinco?”
“Sim. Três rapazes. Duas mulheres. Todos vindos da mesma região. Alguma coisa me diz que a roda está brincando conosco, colocando as peças fora do tabuleiro.”
“Ou o tabuleiro é maior do que pensávamos.” Siuan passou a mão nos cabelos, agora uma confusão de cachos desfeitos. “O que nós vamos fazer?”
“Eu vou guiá-los até o Olho do Mundo, Siuan” disse Moiraine com convicção. Siuan permaneceu em silêncio. As duas sabiam exatamente o que aquilo significava.
“Preciso partir da Torre novamente”, ponderou Moiraine. Ela não diria isso de forma tão direta, mas Siuan compreendia o recado. Moiraine precisava ir embora mais uma vez — e, como sempre, sem levantar muitas perguntas entre as outras Ajah.
“É por isso que elas cochicham, sabia?” Siuan sorriu sem humor. “Acham que sou parcial. Que te protejo.”
“Você me protege?”
“Depende do meu humor.” Ela bufou, fingindo exasperação.
Moiraine riu, aquele riso baixo que sempre escapava dela quando as duas estavam juntas. Ela ficou os olhos na Amyrlin como quem decora um mapa raro, precioso. “Siuan…”
“Hmm?” veio a resposta, distraída, como quem já sabia o que viria.
“Precisamos voltar.”
Siuan apenas assentiu, embora lamentasse o quão pouco tempo tinham sempre que estavam juntas.
~
O som dos passos de Leane ecoava em compasso firme pelos corredores da Torre Branca, e Moiraine os escutou antes mesmo de vê-la dobrar a esquina. O tom da presença da Guardiã era inconfundível: autoridade cravada em cada movimento. Como sempre.
A Aes Sedai da Ajah Azul estava parada junto a uma das altas janelas do corredor do andar superior, observando a paisagem da torre como se a serenidade da vista pudesse suavizar o nó que trazia no estômago desde que voltara à Tar Valon.
Quando Leane a avistou, desacelerou o passo, o rosto composto, mas os olhos estreitos como flechas prontas para o disparo.
“Moiraine Sedai,” ela disse, com a voz limpa como cristal… e tão afiada quanto. “A Mãe deseja vê-la. Agora.”
Moiraine virou-se com a tranquilidade estudada que a tornava uma fortaleza ambulante. O nome fora pronunciado com tanta frieza que poderia ter congelado uma fonte. Moiraine. Não “irmã”. Nem qualquer outro título respeitoso entre iguais. Apenas Moiraine, como se a palavra em si tivesse gosto amargo na boca da Guardiã.
“Ela pediu com urgência?” Moiraine perguntou, a voz baixa, porém firme.
“Ela sempre espera que suas ordens sejam cumpridas prontamente.” Leane respondeu, já se virando para caminhar à frente. “Principalmente quando se trata de assuntos sensíveis… ou pessoas sensíveis.”
A alusão era clara.
Moiraine respirou fundo, engolindo a resposta que dançava na ponta da língua, e seguiu a mulher pelos corredores da Torre, os passos ecoando como batidas de um tambor de tensão entre as duas.
Por longos segundos, caminharam em silêncio. Leane com o pescoço ereto, os braços cruzados nas costas, o vestido flutuando com rigidez. Moiraine, logo atrás, mantendo a mesma distância que manteria de uma fera indomável: próxima o bastante para se defender, longe o bastante para não provocar o ataque. Leane Sharif era uma lâmina com um sorriso. A mulher se movia como uma guarda de elite — reta, precisa, imaculada —, e olhava Moiraine como se ela fosse um perigo à integridade da Torre Branca. A guardiã claramente não gostava da presença de Moiraine. Nunca gostou. E não apenas por causa das décadas em que a Azul andara nos limites da rebeldia sob o pretexto de “cumprir uma missão secreta” — Leane não sabia exatamente o porquê, mas algo em Moiraine a incomodava. Arrogante demais. Orgulhosa demais. Misteriosa demais.
“Você não confia em mim,” Moiraine disse, quebrando o silêncio.
Leane não parou. “Eu não confio em muita gente.”
“Mas você confia em Siuan.”
“Ela é a Amyrlin,” respondeu Leane, como se estivesse respondendo uma pergunta estupida. “Minha lealdade é absoluta.”
“Deu pra perceber” moiraine resmungou baixinho para que leane não escutasse.
Leane parou.
Não bruscamente. Ela apenas diminuiu o passo até parar junto a uma tapeçaria que representava o selo da Ajah Verde em batalha, a expressão imutável. Quando virou-se para Moiraine, havia algo calculado em seu olhar — como se ela estivesse tentando medir até onde poderia ir sem cruzar uma linha perigosa.
“Você acha que eu não vejo?” disse Leane, sem elevação de voz. “O modo como ela fala com você. Como ela te olha. Como ela espera por você.”
Moiraine sustentou o olhar, imóvel.
“Não sei do que está falando.”
“Você sabe.” Leane estreitou os olhos. “Mas se pensa que estou aqui para confrontá-la por isso, está enganada. Meu dever não é aprovar as escolhas da Amyrlin. É garantir que essas escolhas não destruam a Torre. E, até onde vejo, você anda perigosamente perto disso.”
“Você me considera uma ameaça,” Moiraine disse, a voz baixa, quase suave.
“Não considero. Tenho certeza disso.”
Moiraine inclinou levemente a cabeça, abriu a boca para responder, mas pensou melhor e se calou. O silêncio entre elas pesou por alguns instantes. Então Leane se virou e retomou o caminho pelos corredores de pedra fria.
Moiraine demorou um pouco, mas a seguiu — e havia um gosto amargo na boca.
“Você a ama,” disse, como quem comenta o clima, sem pressa nem julgamento.
Leane parou mais uma vez, a poucos passos da sala da Amyrlin. Virou apenas o rosto, os olhos cortantes. “Você não sabe de nada.” E então se virou por completo, aproximando-se de Moiraine com uma intensidade fria. “Você não sabe porque nunca está aqui para saber sobre ela.”
Moiraine vacilou por um instante. Leane percebeu, e seu olhar se aguçou ainda mais.
“Você volta à Torre depois de anos — indo e vindo como se nada mudasse — sem se importar com o que acontece aqui dentro. Sem pensar em como ela permanece nesse trono, mesmo quando a Ajah Vermelha tenta enfraquecê-la dia após dia.” A voz de Leane era um fio de lâmina agora. “E ainda assim, por algum motivo, ela parece mais feliz quando te vê. Mesmo quando você a desafia diante de todo o Salão, ainda assim… ela espera por você. Sempre.”
As últimas palavras saíram com um desprezo nada sútil, como se aquilo fosse uma sentença terrível.
“Você não tem ideia do que está dizendo,” Moiraine rebateu, fria como neve.
“Oh, eu sei exatamente o que estou dizendo.” Leane respondeu, sem desviar os olhos. “Porque enquanto você viajava o mundo, eu estive aqui. Ao lado dela. Lutando com ela. Mantendo-a no trono.”
E então se virou sem esperar resposta, caminhou até a porta da sala da Amyrlin e a empurrou com firmeza contida, como se segurasse um mar inteiro dentro do gesto.
“A Mãe está lhe esperando.”
Moiraine cruzou o limiar da sala, os olhos encontrando imediatamente os da Amyrlin.
Quando Siuan finalmente pediu para ficar a sós com Moiraine, Leane hesitou. Seus olhos deslizaram lentamente para a mulher, como se buscasse uma segunda chance de recusar aquela ordem — mas não havia espaço para desobediência. Não para com o Trono de Amyrlin.
“Como desejar, Mãe,” ela respondeu com um leve meneio de cabeça. Mas antes de sair, lançou a Moiraine um olhar de cima a baixo. Foi um olhar que dizia eu sei o que você é, mesmo que ninguém mais saiba.
Moiraine não se moveu. Respirou lenta e profundamente, como se estivesse diante de um oponente armado com espada, e ela só com palavras.
Leane passou por ela como um raio, e só quando a porta se fechou atrás da Guardiã — com um leve estalo que soou mais como uma ameaça — é que Moiraine permitiu-se respirar direito.
Moiraine observou Siuan tecer uma trama precisa, selando o cômodo contra ouvidos curiosos. Havia algo quase cerimonial naquele gesto — como se o silêncio entre elas precisasse ser protegido com a mesma seriedade de um segredo antigo.
“Ela me odeia,” disse Moiraine, quebrando o silêncio repentinamente.
“Leane é protetora. Apenas isso.” Siuan se recostou na cadeira, os dedos entrelaçados sobre os documentos que lera antes, tentando manter o tom neutro.
“Ela me lançou um olhar que teria queimado metade de Andor.” Moiraine sorriu, amarga.
“Ela só está fazendo o trabalho dela.”
“Ela está apaixonada por você.” As palavras saíram antes que Moiraine pensasse melhor. Era impossível acreditar que Siuan fosse mesmo cega a algo tão evidente.
Siuan parou. Levantando os olhos para ela, surpresa. “Da onde você tirou isso?”
Moiraine ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com calma ensaiada, mudando o peso de um pé para o outro no centro da sala. “Vai me dizer que nunca percebeu a maneira como ela fala de você?”
O rosto de Siuan era uma tela em branco. Nada ali denunciava compreensão — apenas confusão genuína.
“Ela é minha Guardiã das Crônicas, Moiraine. É o dever dela estar ao meu lado.”
“E é apenas isso?”
Siuan a observou em silêncio, e algo pareceu acender por trás de seus olhos. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios — incrédulo, quase encantado.
“Você está com ciúmes?”
“Não seja ridícula.”
“Luz, você está!” Siuan riu, breve e divertida. “Lady Moiraine Damodred, a mulher mais contida que eu já conheci, se deixando afetar por ciúmes…”
Ela se afastou da cadeira, contornando a mesa com a tranquilidade de uma predadora, os passos lentos, quase preguiçosos. Moiraine permaneceu onde estava — ereta no centro da sala, os braços cruzados com rigidez ao redor da cintura, como se segurasse o próprio orgulho entre os dedos.
“Você está completamente enganada,” rebateu, a voz firme como sempre, embora um leve rubor começasse a colorir-lhe as bochechas. “Além do mais, eu não tenho motivos para sentir ciúmes, tenho?”
Siuan arqueou uma sobrancelha, parando a poucos passos dela. “Claro que não.”
Moiraine estreitou os olhos. “Você está se divertindo.”
“Mais do que deveria.” O sorriso de Siuan era quase inocente - quase. “É tão raro ver você assim… descomposta” Siuan observou com curiosidade.
“Não estou descomposta.”
“Está se abraçando, Moiraine.”
Como se as palavras fossem um feitiço, Moiraine descruzou os braços de imediato, o gesto quase brusco. Endireitou os ombros, erguendo o queixo com a altivez de uma nobre bem treinada — ou uma Aes Sedai tentando esconder o que sente.
“O que você queria conversar que precisou me chamar com tanta urgência?” perguntou, claramente tentando tomar de volta o controle da situação.
Siuan ainda mantinha o sorriso, embora agora mais contido. Observou Moiraine com atenção — o jeito como ela passava a mão pelo pescoço, o outro braço repousando na cintura, como se ainda se segurasse. Era um gesto pequeno, mas eloquente. Siuan conhecia aquela linguagem.
Mas decidiu não provocá-la mais. Por ora.
“Você me falou dos cinco jovens,” começou, com um tom mais sério. “Quero ouvir mais.”
Moiraine assentiu, aliviada com a mudança de foco.
“Todos vindos dos arredores das Terras dos Rios. Idades semelhantes. Coincidências demais para serem apenas isso. Há algo neles, Siuan. Um deles… talvez todos… podem estar ligados à profecia. E Rand — o mais velho, o mais quieto — ele…”
Fez uma pausa, os olhos vagando como se buscassem as palavras certas.
“Ele brilha. É como estar perto de uma chama acesa em meio a pólvora seca. Não se pode ver o fogo diretamente, mas se sente o perigo. O potencial.”
Siuan inclinou levemente a cabeça.
“E você acha que ele é o Dragão Renascido?”
“Não posso ter certeza ainda,” Moiraine respondeu. “Mas cada instinto meu… cada fio do Poder que toco perto dele… tudo grita que há algo ali. Algo vasto. Imenso. Como uma muralha de água contida por uma barragem que já começa a rachar.”
Siuan cruzou os braços. “Você tem certeza?”
Moiraine ergueu o queixo. “Você já me viu duvidar de uma intuição assim antes?”
“Já vi você seguir intuições até o fim do mundo,” respondeu Siuan, a voz mais baixa, quase um sussurro. “E quase morrer por elas.”
“Melhor isso do que ignorá-las.”
Siuan bufou, desviando o olhar para o fogo que dançava na lareira. Por um momento, pareceu procurar respostas nas chamas, como se as brasas pudessem oferecer alguma saída.
“E você espera que a Torre… os aceite?”
Moiraine a encarou, firme. “O que eu espero, Siuan, é que você cumpra sua parte.”
O silêncio que se seguiu era pesado. Como gelo fino sob os pés, prestes a ceder.
“Você se lembra do que prometemos à beira do corpo de Gitara?” Moiraine deu um passo à frente. “Você disse que cuidaria da Torre. Que a prepararia. Que se tornaria a Amyrlin para isso. Enquanto eu partia em busca do Dragão.”
“Eu lembro,” Siuan respondeu, sem alterar o tom. A lembrança estava ali, viva, queimando como a marca de um ferro em brasa.
“Então por que, vinte anos depois, a Torre ainda não está pronta? As Vermelhas ainda amansariam qualquer homem que ousasse canalizar. Mesmo que ele fosse a única esperança contra o Tenebroso.”
“Você acha que é simples assim?” Siuan deu um passo à frente, a voz ganhando força. “A Torre está dividida. As Ajahs mal conseguem concordar sobre como tomar o chá da tarde. E você quer que eu vá ao Salão e diga que o Dragão Renascido pode ter voltado — e que será um homem a quem devemos obedecer? Que devemos nos ajoelhar diante dele, em vez de destruí-lo?”
“Não quero que você declare nada.” Moiraine também se aproximou, a poucos passos de distância agora. “Quero que você prepare. Com inteligência. Com sutileza. Com aquela esperteza que só você tem. Aquela que fez você chegar ao Trono da Amyrlin.”
“Você sabe o quanto tenho tentado,” disse Siuan, a voz agora baixa, cansada. “A cada decreto, a cada convocação, eu empurro a Torre um passo mais perto disso. Mas ainda somos um ninho de serpentes, Moiraine. E se eu mexer demais, elas me picam até sangrar.”
Moiraine a observou em silêncio por um longo momento. Os olhos antes firmes estavam mais suaves agora — profundos, mas calmos. Quase gentis.
“Eu sei. Mas o tempo acabou. A Torre vai precisar escolher um lado. Estar com o Dragão… ou contra ele.”
Siuan fechou os olhos por um breve instante. Respirou fundo, como quem carrega o peso de todo o mundo nos ombros.
“E você confia neles?”
“Não.” Moiraine sorriu, sem humor. “Mas a Roda não se move com base em confiança. Só em necessidade. E os fios estão se apertando, Siuan. Eles estão sendo puxados para o centro do padrão, quer estejamos prontos ou não.”
“Você vai trazê-los para cá?”
“Não. Ainda não. Vou guiá-los ao Olho do Mundo como puder. E quando a hora chegar… será você quem terá que agir.”
Siuan assentiu lentamente, como quem já sabia a resposta antes mesmo de perguntar.
“Você quer que eu finja não saber,” ela disse, contida. “Que me cegue oficialmente. Que permita à Torre acreditar que tudo está sob controle… enquanto ajudo o Dragão a ascender nas sombras.”
“Esse foi o acordo.”
“Foi.” Siuan endireitou os ombros, a voz mais firme. “Mas entre então e agora… eu me tornei a Amyrlin, Moiraine. Tudo o que sou, tudo o que carrego, está sob o peso desse assento. Eu não sou mais aquela Siuan. Agora… eu sou o Trono.”
Moiraine caminhou até ela. Os passos lentos, o olhar tão intenso que poderia atravessar muralhas.
“Você ainda é aquela Siuan,” disse suavemente. “Mesmo aqui. Mesmo com essa maldita cadeira entre nós.”
Siuan baixou os olhos. Só por um instante.
“Você sempre soube me convencer, senhorita Damodred,” murmurou com um toque de rendição, erguendo a mão para pousá-la com delicadeza na bochecha de Moiraine.
Moiraine fechou os olhos, inclinando-se instintivamente em direção ao toque. Por um momento, ficaram ali — tão próximas, tão cheias de passado e silêncio — envoltas em algo mais denso que o ar, mais antigo que as promessas que haviam feito.
Um silêncio confortável… mas ainda assim carregado de tudo que não podiam dizer.
A chama da lareira estalava suavemente no canto da sala de Siuan, lançando sombras dançantes sobre as redes de pesca penduradas nas paredes de madeira clara. A sala da Amyrlin era calorosa. Simples. Quase caseira. Um reflexo nítido de Tear — e de Siuan Sanche.
Moiraine sempre achara aquele contraste fascinante: a mulher que comandava a Torre com um punho de aço, no fim do dia se refugiava entre lembranças do mar e do lar, cercada por tapeçarias modestas e móveis que pareciam ter sido talhados por mãos calejadas de pescadores.
Siuan parecia tão tranquila agora, livre do manto branco e dourado da Amyrlin. O vestido simples que usava moldava-se ao corpo com uma elegância despretensiosa — algo que a própria Siuan jamais admitiria, mas que Moiraine, é claro, percebia. Percebia tudo.
“Você me surpreendeu hoje,” disse Siuan, rompendo o silêncio confortável entre elas. “Defendendo as Vermelhas no Salão. Nunca imaginei ver isso.”
Moiraine desviou o olhar da curva suave da cintura de Siuan e ergueu os olhos para os dela — escuros, profundos, e agora com um leve brilho de interesse.
“Não defendi as Vermelhas. Defendi o princípio de que as Aes Sedai possam se proteger, caso necessário. Há uma diferença clara.”
“Mm.” Siuan estreitou os olhos, estudando-a com aquela astúcia afiada que Moiraine conhecia bem demais. “Justamente por isso estou perguntando. Fiquei realmente surpresa.”
Moiraine arqueou uma sobrancelha com a precisão elegante de quem domina cada gesto. “Você me conhece bem o bastante para saber que não faço nada sem propósito.”
“Exatamente.” Siuan se moveu até se recostar de leve contra a beirada da mesa, os braços apoiados casualmente atrás de si. “Mas foi divertido ver o rosto da Liandrin. Ela estava quase roxa.”
Moiraine sorriu, só com o canto dos lábios — aquele sorriso contido que dizia muito mais do que mostrava.
“Liandrin sempre fica roxa perto de mim. É parte da sua paleta natural.”
“Você sabe,” começou Siuan, com um brilho diferente nos olhos, “que ela era completamente apaixonada por você quando vocês eram noviças?”
Moiraine franziu o cenho, visivelmente surpresa.
Siuan deu de ombros com um ar de quem não havia dito nada demais.
“Você nunca percebeu?” Siuan perguntou, com a voz mais baixa, quase como se confessasse. “Sempre tão ocupada fingindo frieza e distância. Mas Liandrin te olhava com verdadeira adoração. Depois que você foi elevada a Aes Sedai, ela tentou se aproximar de todas as formas. Quando não conseguiu, passou a fazer da sua vida — e da minha — um inferno. Cada comentário envenenado, cada provocação mesquinha… Era pura frustração. Petulante. Irritante.” As últimas palavras saíram como um desabafo contido há anos.
Moiraine ficou em silêncio por um momento, apenas encarando-a. Então soltou um riso baixo, abafado, quase encantado.
“Siuan Sanche, filha do rio…” Ela começou a se aproximar com a leveza de um predador. “Você está com ciúmes da Liandrin?”
“Não estou.” Siuan desviou o olhar, fixando os olhos na janela. “Estou apenas relatando os fatos.” Cruzou os braços, fechando-se. “Liandrin claramente tem interesse em você. E então você — você — a defende diante de todas as outras irmãs, até mesmo contra a sua própria Ajah, que a detesta. E na primeira oportunidade, ela te trai sem pestanejar. Joga você aos lobos. Mas imagino que, por um momento, ela deve ter se sentido realizada ao ver você interceder por ela…”
Mas Moiraine já não escutava. As palavras de Siuan viraram som ao fundo enquanto seus olhos percorriam a figura da Amyrlin — de cima a baixo — e, depois, a sala ao redor. Tudo ali era Siuan. Os móveis simples, de madeira envelhecida. A almofada de tear costurada à mão — provavelmente por ela mesma. Os apetrechos de pesca pendurados como relíquias de uma vida que nunca quis abandonar. Aquele espaço era o único lugar no mundo onde Siuan podia simplesmente ser.
Moiraine se aproximou da mesa, seus dedos deslizando pela borda gasta da madeira. O toque trouxe um pensamento inesperado. Intenso.
Como seria inclinar Siuan ali mesmo, sobre a mesa, e trilhar beijos pelas pernas dela até que qualquer protesto virasse um gemido? E se ela a fizesse gemer tão alto que Leane, onde quer que estivesse, ouvisse e ruborizasse?
O pensamento escapou num risinho contido — curto, mas impossível de esconder.
Siuan parou de falar imediatamente, os olhos se estreitando, uma sobrancelha arqueada.
“O que foi isso?”
Moiraine ajeitou os cabelos com elegância, como se afastasse um pensamento irrelevante.
“Nada. Apenas… algo engraçado me ocorreu.”
“Você não sorri desse jeito à toa, Moiraine Damodred.” Siuan cruzou os braços, voltando a se aproximar. “Eu conheço esse sorrisinho.”
Moiraine fingiu inocência — mas os olhos… os olhos a traíam.
“Você está imaginando alguma indecência,” Siuan disse, agora tão próxima que Moiraine podia sentir o calor dela no ar entre as duas.
“Talvez.” Moiraine inclinou levemente a cabeça, o tom abaixando até virar um sussurro sedoso. “Mas você fica perigosamente bonita fora dos trajes de Amyrlin. E não posso ser responsabilizada pelos pensamentos que isso provoca.”
Siuan tentou manter a postura, mas os olhos suavizaram — e por um breve instante, toda a dureza se desfez.
A tensão entre elas era um feitiço antigo, e Moiraine o conjurava com maestria. Siuan abriu a boca como se fosse dizer algo, mas Moiraine já tinha a mão em sua cintura, puxando-a para mais perto com uma delicadeza que fazia o gesto parecer inevitável.
“A mesa…” Moiraine murmurou, como quem pondera um pensamento audacioso em voz alta.
Siuan soltou uma risada — meio surpresa, meio desafiadora.
“Você sabe que Leane está lá fora, não sabe?”
“Talvez eu queira que ela escute…”
Siuan arqueou as sobrancelhas, o olhar aceso.
“Então você realmente está com ciúmes.”
“Talvez.” Moiraine admitiu, antes de inclinar-se e beijar a curva do pescoço dela, sentindo o leve tremor no corpo de Siuan, o suspiro que escapou como resposta. Ela não recuou, não protestou. Mas também não respondeu com palavras — e Moiraine soube, pelos olhos semicerrados e a respiração agora mais pesada, que a porta havia se aberto.
Moiraine a beijou.
Primeiro com suavidade, testando os contornos do desejo entre elas. Mas Siuan respondeu com fome, puxando-a pela cintura com força, colando os corpos como se tentasse fundi-los. O beijo se tornou urgente, profundo, e Moiraine gemeu baixinho contra a boca da amante.
“Eu devia te punir por defender uma Vermelha,” Siuan murmurou, a voz rouca contra os lábios dela.
“Você já fez isso.” Moiraine sorriu. “No Salão. De joelhos, lembra?”
“Arrogante.” Siuan deslizou a mão pela nuca de Moiraine, forçando-a a se afastar apenas o suficiente para encará-la. “Você sempre foi.”
“E você sempre gostou.” retrucou, provocante.
Os dedos de Siuan encontraram o tecido do vestido azul, amassando cada parte com a precisão de quem conhecia aquele corpo. Moiraine suspirou ao sentir o contato. Ela começou a guiar Siuan até a mesa com movimentos firmes, seguros — como se aquele espaço tivesse sido feito para isso.
A madeira antiga rangeu sob o peso da Amyrlin ao se sentar, os joelhos se abrindo naturalmente em torno de Moiraine. Os cabelos de Siuan estavam levemente desalinhados pelos beijos urgentes, os olhos enevoados de desejo. E Moiraine sentiu o coração apertar ao vê-la assim — entregue, real, linda.
Ajoelhou-se entre as pernas dela, as mãos subindo pelas coxas com uma lentidão quase cruel. Seus lábios encontraram a pele acima do joelho, e dali traçou o caminho que já imaginara minutos antes — beijos leves no começo, depois mais quentes, mais fundos, subindo centímetro por centímetro.
Siuan arfou, os dedos se cravando na borda da mesa como se procurassem âncora.
“Moiraine…” A voz saiu arrastada, carregada de necessidade.
Moiraine ergueu os olhos, mas manteve os lábios contra a pele dela. “Eu quero que saiba… que sempre voltarei pra você, Siuan.” sussurrou. “Você é a minha casa.”
Siuan gemeu, um som misto de prazer e vulnerabilidade, e uma das mãos mergulhou nos cabelos escuros de Moiraine — como se quisesse puxá-la para mais perto, ou talvez impedi-la de ir tão fundo, e não conseguisse decidir.
Mas quando Moiraine finalmente chegou onde queria, Siuan já não dizia mais nada. Apenas sons — suspiros entrecortados, gemidos abafados, sussurros que preenchiam a sala como encantamentos sagrados, como uma prece dita com o corpo.
Moiraine era dedicada. Metódica. Como em tudo que fazia, ela se entregava com precisão e intenção. Sua mão deslizou com lentidão, ainda por cima da roupa, mas tocando diretamente a intimidade de Siuan — e o efeito foi imediato. A outra arqueou as costas, os lábios se abrindo num suspiro que ela rapidamente tentou conter com a própria mão. Em vão. Moiraine soube, naquele instante, que a guerra silenciosa entre elas havia sido vencida.
Ela se inclinou para beijar a parte interna da coxa de Siuan, devagar, como se reverenciasse. E enquanto sua boca percorria a pele quente, seus olhos permaneciam fixos nos de Siuan — com aquela intensidade serena e firme que sempre a desarmava.
“Você ainda se lembra do que me disse no Salão?” perguntou, a voz um sopro de provocação.
Siuan fez uma careta, desconcertada pela pergunta. “Não me faça repetir aquilo.”
“Repete pra mim,” Moiraine sussurrou, subindo lentamente por cima do corpo dela até os rostos estarem a centímetros. “Só pra mim. Sem o Salão. Sem a Torre. Só eu e você.”
Siuan bufou — mas o rubor que tomou seu rosto a entregava.
“Moiraine Sedai…” começou, com um tom levemente zombeteiro.
“Não.” Moiraine a interrompeu, sorrindo com aquele perigo suave que só ela sabia usar. “Do jeitinho que você falou.”
A Amyrlin revirou os olhos, mas mesmo no fingido desgosto, havia um sorriso que ela não conseguia conter.
“Moiraine Sedai,” disse, teatral, solenemente, “você será julgada conforme a autoridade da Cadeira da Amyrlin, que é a voz da Torre, a mão das Aes Sedai, e a guardiã do Padrão…”
“Assim,” Moiraine murmurou, antes de tomá-la em um beijo. “Assim mesmo.”
“Bem assim…” repetiu contra os lábios de Siuan, enquanto suas mãos voltavam a deslizar pelas pernas dela — lentas, seguras, saboreando cada toque, como se redesenhasse um mapa já decorado. A verdade era que Moiraine conhecia aquele corpo melhor do que ninguém jamais conheceria.
E Siuan se rendeu.
Com um suspiro resignado e desejoso, reclinou-se devagar sobre a mesa, os cabelos cacheados em desordem, o peito subindo e descendo num ritmo pesado. Seus olhos encontraram os de Moiraine — e neles havia algo entre rendição e reverência.
Ali estava a mulher que enfrentava o mundo com um decreto nos lábios, que fazia a Torre se curvar com um olhar. E agora, estava ali, entregue. Inteira.
Moiraine, com toda a calma do mundo, puxou as amarras do vestido, suspirando ao vê-lo deslizar pelo chão, expondo centímetro por centímetro da pele bronzeada que ela conhecia como o mapa do próprio destino. Permaneceu ali, entre as pernas de Siuan, explorando, beijando, acariciando — como se quisesse relembrar cada curva, cada marca esquecida, cada tatuagem não vista antes, cada ponto fraco que fazia Siuan tremer.
Sua boca encontrou o vale entre os seios da amante, e então desceu ainda mais, enquanto as mãos firmes a mantinham no lugar, mesmo quando o corpo de Siuan arqueava e ofegava sob cada novo toque.
“Você ainda sabe…” Siuan gemeu entre dentes, a voz rouca, arranhada pelo desejo.
Moiraine ergueu os olhos, e um sorriso arrogante dançou nos lábios ainda molhados.
“Tudo. E mais do que isso.”
Ela desceu outra vez, e o corpo de Siuan se curvou sob ela, um suspiro escapando alto demais. Moiraine sorriu contra a pele da amante — tão linda, tão perdida, tão dela.
E então a levou à beira. Uma vez. Duas. Até que Siuan já não era Amyrlin, nem pescadora de Tear, nem Aes Sedai. Era apenas carne, osso, prazer… e um nome sussurrado contra o fogo crepitante.
“Moiraine,” Siuan arfou, derrubando objetos da mesa — as mãos enterradas nos cabelos da mulher ajoelhada diante dela. “Pela Luz, Moiraine…”
E então se desfez novamente, com um gemido abafado que fez Moiraine fechar os olhos, como se aquilo a ferisse de tão belo. Ficou ali por mais um momento, apenas ouvindo a respiração pesada da mulher que amava.
Depois, subiu devagar e beijou-lhe os lábios com uma ternura silenciosa.
Siuan tremia levemente, as mãos agora suaves sobre os ombros da amante, como se não quisesse que ela partisse jamais.
“Você ainda é a única capaz de me deixar assim,” sussurrou, com os olhos semiabertos, a voz embargada de cansaço e afeto.
“Eu sei.” Moiraine afastou uma mecha dos cachos rebeldes e lhe deu um beijo breve. “E você ainda é a única razão pela qual eu continuo voltando para a Torre Branca.”
As duas se encararam por um instante, antes de Moiraine se acomodar no abraço de Siuan, aninhando o rosto no pescoço da outra, sentindo os dedos acariciarem seus cabelos enquanto a respiração de Siuan, aos poucos, se regularizava.
A Amyrlin ouviu um murmúrio abafado vindo da mulher.
“O quê?” perguntou, afastando-se só o suficiente para ver aqueles olhos — os mais azuis que já tinha visto — agora brilhando com algo divertido.
“Será que sua Guardiã das Crônicas escutou você gemendo meu nome?” perguntou, descarada.
Siuan bufou e riu, puxando-a de volta para o abraço.
