Chapter Text
Natlan, uma nação que representa não só a guerra como o fogo. Diluc lembra-se que costumava pedir ao pai para lhe contar histórias sobre esse lugar quando era mais novo, então todas as noites lá estava ele e o seu pai aconchegados no calor da lareira.
-Natlan é uma nação repleta de guerra, é o que os outros costumam dizer.- O pai sempre começava com a mesma frase, todas as noites e logo em seguida pegava um livro sobre a nação e lia uma das várias histórias que o livro tinha. Diluc sabia todas de cor e salteado, a sua história favorita era sobre a dama da noite, a história começava com a queda dos dragões e depois seguia para a criação das linhas ley.
Hoje em dia Diluc já não se lembrava mais de nenhuma das histórias que esse livro continha, ele nem sabia onde ele estava mais, mas isso já não importava pois ele tem coisas mais importantes para fazer além de ficar lendo histórias de outras nações.
Diluc neste momento encontrava-se na vinícola a terminar os últimos preparativos antes da viagem que curiosamente era justamente para o lugar que ele mais adorava quando mais novo, Adelinde, a governanta da casa ajudava-o.
-Mestre Diluc?- dizia enquanto terminava de separar os papéis importantes dos outros, parando por alguns segundos para encarar o homem ao seu lado.
-Sim?- Disse sem olhar para ela, demasiado concentrado nos papéis, Adelinde sente uma onda de nostalgia dentro dela, à alguns anos atrás ela encontrava-se no mesmo lugar mas com outra pessoa.
Ela solta um pequeno suspiro, ultimamente várias lembranças antigas enchiam a cabeça dela, por que? Ela não sabia, apenas tinha um mau pressentimento sobre isso, por isso quando Diluc disse que iria viajar justamente para a nação da guerra, ela sabia que os pressentimentos que estava a sentir com certeza estavam certos.
-O senhor tem certeza que quer fazer esta viagem?- Desta vez antes de responder, Diluc levantou a cabeça para olhá-la nos olhos.
-Algum motivo específico para dizer isso, Senhorita Adelinde?- Outra memória passou pela cabeça dela, a memória de uma criança pequena e sorridente que apenas a chamava de Adelinde.
-Estou com um mau pressentimento.- Não havia razões para mentir além do mais Diluc já a conhecia há tempo suficiente para saber quando ela estava desconfortável com alguma coisa.
-Não te preocupes.- Foi a única coisa que ele disse, obviamente Adelinde continuou preocupada e com a mesma pergunta que tivera anos antes quando Diluc foi embora, e se alguma coisa acontecer?
Do outro lado de Teyvat, os Fatuis encontravam-se a caminho de Natlan, Capitano, o primeiro mensageiro liderava o caminho, eram poucos os que iam com ele, menos de dez fatuis encontravam-se presentes ali. Para ser sincero, Capitano preferia que não estivesse ali nenhum, mas para o descontentamento dele, Tsaritsa e Pierro insistiram para que ele levasse pelo menos dez com ele.
Um pouco para trás do grupo encontravam-se um pequeno grupo de três fatuis, dois veteranos e um novato, fazia pouco mais de seis meses que tinha entrado para os fatuis. Os três tinham ido o caminho todo a falar baixinho para não incomodar os outros, uma coisa engraçada era que os outros veteranos também estavam a falar a diferença? É que os outros falavam bem mais alto, o único que não tinha falado uma palavra era Capitano, mas até então nada fora do comum.
-Ei Boris?- Disse o mais novo dos três, sabem de outra coisa engraçada? Mesmo sendo o mais novo ele é facilmente o mais alto dos três, talvez até mesmo da equipa, obviamente sem contar com o Capitano.
-Fala- Olhou para o mais alto, enquanto isso o terceiro membro do grupo comia uma maçã que tinha achado no caminho e guardado para depois.
-Eu tenho uma pergunta- “Quando é que tu não tens” pesou Boris.
-Fala Eddie- Eddie virou o olhar para o resto do grupo mais à frente deles.
- O que viemos fazer em Natlan?- Boris olhou para ele desacreditado enquanto o outro fatui começava a rir-se, finalizou a maçã e lançou o resto no chão com a pequena esperança de que daqui alguns anos aquele resto de maçã iria virar uma grande e incrível macieira com saborosas maçãs.
-Eddie, tu não prestaste atenção em nada?- perguntou o que ainda não havia falado.
-Claro que prestei atenção, Silas.- Disse enquanto claramente mentia, fazendo Silas rir-se ainda mais enquanto Boris apenas abanava a cabeça negando-se a acreditar no mais novo.
Enquanto isso os outros fatuis também conversavam entre si sobre diversos assuntos, alguns deles, os mais corajosos especificamente, tentavam conversar com Capitano, esse que encerrava as conversas rapidamentes depois de responder às perguntas com uma ou duas palavras e quando não era uma pergunta Capitano ignorava completamente.
Do outro lado de Teyvat, Diluc terminava finalmente de arrumar a pequena mochila que levaria com ele, a mochila apenas continha uma ou duas peças de roupa, mora e um pequeno lanche que Adelinde tinha insistido para ele levar, para ser sincero Adelinde tinha insistido para ele levar mais pois sabia como eram os hábitos alimentares de Diluc, mas no final ele conseguiu convencê-la de que se tivesse fome compraria comida.
Pôs a mochila às costas e despediu-se de Adelinde, também teria se despedido de Elzer caso ele se encontrasse presente, o que não era o caso.
-O senhor tem certeza de que quer ir sozinho?- Perguntou Adelinde pela milésima vez desde que soube que Diluc queria ir sozinho, ela compreendia, com ele indo sozinho ele com certeza chegaria mais rapidamente e consequentemente também voltaria mais rapidamente, mesmo assim a preocupação que sentia não ia embora de jeito nenhum.
-Tenho- respondeu já preparando-se para sair, Adelinde foi tomada pelo sentimento de tristeza e por algum motivo que ela não sabia, a sua cabeça repetia uma pergunta, e se aquela for a última vez? A última que o veria? Sem pensar muito Adelinde aproximou-se de Diluc e o abraçou, fazia anos que não fazia isso, Diluc ficou imediatamente tenso, mas depois retribuiu de uma forma fraca o abraço e nesse momento Adelinde sabia que aquela não seria a última vez que o veria.
