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Mezanino

Summary:

Sobrava mencionar que Dio não se preocupava nem fazia ideia de como ser um pai; não seria um bom, tampouco um ruim. Só deixaria que o menino crescesse no seu ritmo, com certos cuidados e sem que lhe faltasse casa, comida ou sustento. Isso devia ser o suficiente. Era o que Dio desejava na idade dele.

Notes:

E aí gente! Mais uma tradução autorizada pelx autorx aqui pra vocês, espero que gostem.

Work Text:

—Lorde Dio! —exclamou Vanilla Ice com certa preocupação ao ver que o menino já tinha dado diminutos passos para dentro do quarto escuro de seu senhor.—Minhas desculpas. Tirei os olhos dele por uns segundos e...

—Ice —sua voz tranquila, porém potente fez com que o outro se calasse.

—Sim —colocou um joelho contra o chão e abaixou a cabeça somente ao ouvir seu nome.

—Por um acaso me ouviu pedir explicações?

—Não, senhor —ao captar a mensagem de que suas ações tinham sido desnecessárias, continuou. —Não voltará a se repetir.

Giorno observou Vanilla Ice em silêncio. Depois, desviou o olhar com curiosidade para a penumbra do quarto onde sabia se encontrar seu pai. Queria muito vê-lo na claridade. Só conhecia sua silhueta e o que conseguia ouvir dele. Acreditou que essa noite seria sua oportunidade de se aproximar dele, pois o permitiram andar com liberdade pelo castelo.

Para Giorno, que viveu sete anos de inferno ignorado por sua mãe e maltratado pelo seu padrasto, era lógico desejar se aproximar de sue pai verdadeiro, pois sabia que era por ordem dele que havia ido parar naquele lugar. Tomou algumas conclusões sobre ele. Era uma criança, sim, uma muito esperta, razão pela qual não deixava de escutar coisas como: "Se nota que é filho do Lorde Dio" ou "Não esperava menos da descendência de Lorde Dio". Cada comentario aumentava mais e mais sua curiosidade.

Por outro lado, apesar de ser bastante tímido no início, por causa da vida que levava, agora era mais vivaz, sem chegar a ser malcriado ou atrevido. Em certo sentido, inclusive, lhe mimavam. Os que mais o faziam eram a velha Enya e Hol Horse; Teren as vezes o arrastava para jogar videogames e Vanilla Ice servia de protetor, babá e professor particular; era o único que merecia um aumento de salário nesse lugar(se lhe pagassem).

—Bem —disse Dio. —Pode se retirar.

—Sim —Vanilla hesitou um pouco, já que foi um "pode" no lugar de um "podem"—. Com sua permissão.

Dio havia dado ordens de não ser importunado durante o dia, talvez porque correspondia a suas horas de sono, e quem o interrompesse estaria caminhando direto ao suicídio, sem dúvida. Não tinha indicações especiais para manter o menino ausente durante a noite, mas bem, não era usual encontrá-lo acordado a essa hora.

Giorno seguiu Vanilla Ice com o olhar até perdê-lo ao girar por um corredor. Depois de um momento de silêncio, Dio falou.

—Giorno.

Isso chamou a atenção do menino.

—Vem aqui.

Com um leve assentimento, se pôs a andar. À luz cintilante que vinha de uma vela em um candelabro que havia encontrado por aí, deixou que seu olhar vagasse pelo que faltava iluminar. Se percebia um frio descomunal e quase sobrenatural dentro do quarto.

Quando Giorno ficou frente a Dio, que se encontrava sentado na borda da cama, sentiu seu coração acelerar de vez. Esse homem era formidável de perto, era ainda mais alto e musculoso que Vanilla Ice. Seus joelhos tremeram um pouco, porém convenceu a si mesmo que era pela baixa temperatura que seus pelos se eriçavam.

—Do que precisa?

Conhecê-lo. Era a única coisa que desejava fazia um tempo.

—De um livro —Giorno mentiu. Porque? Não tinha certeza, mas algo dentro de si dizia que podia dizer uma mentirinha inocente para falar um pouco mais com seu pai misterioso.

—Um livro? —esboçou um sorriso divertido, esperando que o menino continuasse.

—Sim. Falta um livro de História da Arte na biblioteca —isto era verdade, ouviu de Vanilla Ice, que lhe disse que deveria cultivar conhecimentos nesse âmbito, porém mais tarde, pois Dio tinha esse material em sua posse.

—Ah —tirou o candelabro das mãos do garoto para colocá-lo no móvel adjacente, de onde tirou o livro, um presente de seu amigo Pucci. —Você fala deste aqui —Estendeu o livro ao menino, que o pegou com cuidado.

—Sim.

Em Dio se encontrava a vontade de conhecer tudo o que o mundo atual tinha à oferecer; avanços em arquitetura, tecnologia, arte, ciência, matemática... E o que era melhor para obter tal conhecimento do que os livros? Sem mencionar que ler era seu passatempo favorito.

—Me diga uma coisa, menino.

Giorno despregou os olhos da capa de couro para fixá-los nos de seu pai.

—Por acaso sabe ler em inglês? —Dio havia tido tempo de sobra para aprender francês, japonês, italiano e um tanto de chinês, mas um menininho de sete anos criado em negligência na Itália era outra história. Devia reconhecer que o pretexto do livro era inteligente. O que buscava de verdade?

Giorno encolheu os ombros antes de responder.

—Vanilla está me ensinando.

—Entendi.

O pirralho gerava em Dio algo difícil de explicar. No início pensou ser resultado de sua relação pai e filho; sem dúvida, mas depois de uns dias descobriu que era por causa de seu rosto. Giorno era sutilmente parecido com Jonathan, especialmente seus olhos, essa cor tão azul remexia seu interior de forma negativa, sem mencionar o brusco despertar de seu Stand ao se encontrar perto do Joestar que iniciou tudo.

Além disso, logo depois de sofrer de uma febre inexplicável e do despertar de seu stand, o cabelo de Giorno começou a se tornar loiro, apresentando uma ondulação distinta. Por outro lado, tirando a cor, os olhos do menino não eram de todo o mal. Tinham um brilho analítico e impassível, como se analisasse tudo ao seu redor de forma contínua. Ele gostava disso. Lhes faltava a perfídia que os de Dio abrigavam durante sua juventude, mas não deixavam saber o que o menino tinha em mente.

"Curioso" pensou enquanto extendia uma mão para Giorno. Sem dúvida tinha sangue Brando. O sangue desse filho da puta imundo e desprezível a quem Dio repudiou como progenitor.

Sobrava mencionar que Dio não se preocupava nem fazia ideia de como ser um pai; não seria um bom, tampouco um ruim. Só deixaria que o menino crescesse no seu ritmo, com certos cuidados e sem que lhe faltasse casa, comida ou sustento. Isso devia ser o suficiente. Era o que Dio desejava na idade dele.

Giorno estava ciente de que seu pai era um vampiro centenário imortal. Não acreditou até o momento em que sentiu a enorme mão pousar sob sua cabeça, descobrindo que não emitia calor corporal. Qualquer um teria pensado que esse toque seria gélido e incômodo, era como ser tocado por um cadáver, mas para Giorno, que nunca havia recebido nem mesmo um beijo, abraço ou carinho, essa mão era a mais suave e cálida de todas.

Dio voltou à realidade quando o menino desviou o rosto e espirrou. Então se deu conta de sua roupas leves e que se encontrava descalço.

Sua cama era bastante ampla e tinha acabado de mudar os lençóis. Certamente não poderia dormir com ele. Teria a mesma temperatura de um iceberg, mas supôs que os cobertores fariam seu trabalho.

—Suba —ordenou.

Giorno lhe retornou o livro e tentou obedecer, mas por alguma razão a cama de Dio era muito alta e estava lhe custando muito para cumprir sua tarefa.

Dio soltou um suspiro curto e cansado ao imaginá-lo como um cachorro tentando alcançar uma altura ridícula. Quase que por inércia, o pegou pela camisa do pijama com uma mão para tirá-lo do solo e subí-lo por completo.

—Se acomode por ali —não o mandou para o outro lado da cama, mas quase. Depois de tudo, se acostumara a ter um bom espaço quando não se tratava de um sarcófago.

Giorno não respondeu nada. Se cobriu e se aconchegou todo emocionado enquanto Dio adotava sua cômoda postura de leitura. Abriu o livro e não avançou mais de três linhas pois sentiu uns olhinhos ansiosos pousando em si. Não precisou desviar o olhar para saber que assim era.

—Ei, Giorno —não acreditava no que estava prestes a fazer —Já ouviu o nome de Michelangelo Buonarroti?

—Hmm...

Ao não obter nada mais como resposta, Dio fez um breve resumo do artista. Falar mais teria sido em vão, pois o menino caiu no sono instantaneamente. Ele soube por sua respiração. Era de se esperar, pois já passava da meia-noite.