Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-10-29
Words:
1,862
Chapters:
1/1
Comments:
1
Kudos:
3
Hits:
52

Noite de Filmes

Summary:

Hyun nunca assistiu um filme e Shion vai mostrá-lo um, mas nenhum deles poderia prever como isso iria acabar.

Notes:

Me enfurece TÃO RIDICULAMENTE não somente não ter QUALQUER fanfic sobre esses dois, mas qualquer fanfic RELACIONADA a esta obra que eu decidi fazer o trabalho divino (eu juro, já pesquisei até em coreano e não achei nada). Acho que esse é meu castigo por gostar de obras de ação que definitivamente serão alvo do público masculino. Enfim, chamo o Hyun de gatinho porque, na sua luta com Miguel, ele pareceria um, e agora essa impressão tá na minha cabeça até agora.

A descrição de dissociação do Hyun é baseada na minha e eu traduzi “Dead Mansion” do inglês literalmente, então aqui será chamada de “Mansão Morta”; Perdão por quaisquer erros gramaticais. Se qualquer coisa relacionada as tags ou avisos estiver errada, sinta-se livre para me informar (nunca postei nada antes foi mal)

Work Text:

— Eu nunca assisti um filme antes — comenta encarando, embora alheio, a televisão. — E você, Shion?

 

A visão do loiro não deixou de repousar sobre o televisor.

 

— Hm!? Ah…!? Claro…

 

A vozeria que transpassa pelos canais incessantemente mudados faz-se ruído conforme as palavras do moreno ecoam na mente de Shion. Ainda, persistentemente, seus dedos pressionam os botões do controle quando sua visão encontra os olhos afundados em fumaça imaginária de Hyun.

 

— Ei! — a visão de Hyun encontra uma parte do sofá próxima do loiro — Cê quer conhecer que tipo de filme?

 

— Nenhum. Só estava curioso.

 

— Cê tirou minha atenção só pra ficar de papo-furado!?

 

— Perdão por desperdiçar seu precioso tempo cabeça de banana, prometo que vou dar meu melhor daqui pra frente! — o sorriso que rasga-lhe a face faz no loiro florescer uma aflição na espinha que irriga-se até os pés.

 

— Melhore! Pra quem se diz tão melhor que eu, tá falhando em uma regra de educação básica… — um travesseiro voador que Shion recusa-se a impedir que toque seu rosto interrompe-o. — É sério!? Depois eu que sou o infantil!

 

— Você e o Eugene se entendem bem por uma razão.

 

— COM LICENÇA!? VOCÊ NÃO SE DÁ BEM COM O MOLEQUE PORQUE É UM INSUPORTÁVEL!

 

— Olha quem fala! Não sou eu quem está gritando em uma sala com somente nós dois. — o silêncio curto que assola o cômodo evoca algumas risadinhas no gatinho, que ignora os protestos e questionamentos de Shion. — Você nem consegue negar.

 

— Você quer assistir um filme ou não!?

 

— Eu já disse que não.

 

— Que bom que eu não perguntei.

 

— Você acabou… — ele desiste ao perceber a competição entre a própria voz e o som estourado da televisão que o loiro decidiu aumentar.

 

Aguardando o final da birra do colega, seus olhos voltam a enxergar a vida quando sua mão inconscientemente agarra um travesseiro voador. Em seu campo de visão há apenas Shion o encarando presunçosamente após definitivamente falar algo que Hyun não lembra. Ao deparar-se com a razão da diferente iluminação do televisor, continua afogado em confusão.

 

— Entendeu!?

 

— Eu não presto muita atenção em idiotas, perdoe-me.

 

— Humildade não é parte da educação sul-coreana?

 

— Você fala como se fosse sul-coreano.

 

— Eu sou.

 

— Nos meus pesadelos.

 

— Você é impossível. — esbraveja rumo à cozinha.

 

A vista esfacelada em uma cabeça que parece magnetizar-se rumo chão presa a um espírito em fumaça, o fuzuê atrás de seus olhos impede-o de questionar-se quando foi a última vez que sentiu algo, não somente algo assim, mas algo. Algo além da cólera que fez de sua alma casa e proliferou-se pelo corpo o matando e dando-lhe significado à vida. Os olhos pesam quanto mais insiste em lembrar-se e demora alguns segundos para perceber o pote deixado em seu colo.

 

— …Você tá bem…?

 

— Sim.

 

Em sincronia com a demora que o loiro faz sobre seu rosto antes de voltar a atenção ao televisor, seu corpo recorda-se finalmente de algo e ele percebe um balde de pipoca descansando em seu colo.

 

— É um filme de terror. Não vai agarrar meus braços quando sentir medo não, hein!?

 

A sensação quente em seu peito ao enxergar o suave sorriso que adorna o admirável rosto do gatinho implora por reconhecimento. Ela quer eternizar-se na retina e corpo dele até encontrar semelhante calor. Ela quer consumir todo centímetro desconhecido do gato até que não reste nada senão a pele nua de um homem que deseja ser conhecido.
Confortáveis no silêncio que só pode vir à tona entre aqueles que ressignificam o som da solidão em aconchego pela presença de outros, o filme desenrola-se em uma narrativa emergida em neve que penetra por debaixo das unhas de Shion e aperta-lhe na garganta. Não há sustos, mas um temor que agarra-lhe as vísceras e assombra-lhe por detrás dos olhos. Arriscando-se buscar um medo reconfortante em Hyun, chateia-se ao colher indiferença. Algumas piadas talvez nitidamente banhadas em voz trêmula provocam risadas de desdém no colega que caçoa do loiro.

 

— Você sente falta… da Rússia? — a familiaridade do cenário do filme resulta em fagulhas que alastram-se por debaixo de sua pele e repuxam suas entranhas, mas o loiro ignora.

 

— Não. — não há hesitação. — Se eu puder, nunca mais volto pra lá. Eu posso ter acabado aqui por conta de um erro, mas acho que muitos chamariam de ironia do destino. Eu gosto da pimenta e do frio, quando eles queimam, me lembram de que estou vivo, mas o calor escaldante também. Aqui eu posso experimentar os dois.

 

— Pff! E você acredita em destino?

 

— Eu acredito em sorte.

 

— Acho que somos os azarados então. — ambos riem, e sua atenção volta-se para a televisão uma vez mais.

 

O filme termina com um beijo de alívio após desaparecimentos e perseguição. Seria um filme genérico para eles, se alguns deles conhecesse algo de cinema.

 

— Você… já quis namorar antes? — o gatinho não tira os olhos da tela ao perguntar.

 

— …Não. Eu pensava em ajudar os outros, mas não em romance ou namoro. E você? Com essa cara, deve ter sido fácil conseguir o que queria.

 

— Me acha bonito?

 

— Observável.

 

— O quê!? — Shion não consegue evitar rir da careta de Hyun. — Um homem tão rude e vulgar quanto você com toda certeza não saberia reconhecer uma beldade como eu nem que ela estivesse grudada na sua cara. Tem certeza que é o melhor trunfo da Mansão Morta?

 

— Ah! Claro, perdoe-me presente de Afrodite. — a sensação do foco da pressão aplicada contra o sofá mudando causa arrepios nos gato, e um nó em sua garganta rouba-lhe o ar — Acho que preciso olhar mais de perto.

 

A beldade acha que vai receber o elogio mais do que tudo, mas mais que tudo, ele pode jurar que sente o corpo de Shion tocando o seu, mesmo que isto não condiga com o que enxerga.

 

— É, feinho. — e ele agarra o controle e uma vez mais procura algo, mas desta vez, em algum streaming.

 

Hyun chuta a coxa de Shion indignado.

 

— Isso é mentira.

 

— Não é não.

 

— É sim.

 

— Depois sou eu quem sou infantil. Você não consegue aguentar um não!?

 

— Eu não consigo aguentar mentiras!

 

— E o que te faz pensar que eu estou mentindo?

 

O gatinho o encara por alguns instantes.

 

— Você não tem ideia dos quantos eu conquistei por conta deste lindo rosto! Mesmo homens não resistiram.

 

— O que você não se interessa por romance se interessa por putaria então.

 

Hyun está incrédulo o bastante para não conseguir desenvolver qualquer fala ou pensamento coerente, e o loiro ignora.

 

A vozeria da televisão não o relaxa e seus olhos encontram Hyun de braços cruzados encarando o chão. Os músculos do próprio peito retraem-se em um suspiro profundo.

 

— Você é bonito… — diz desviando a vista — Se é o que você quer ouvir.

 

Os ruídos do televisor não formam palavras coesas e seu significado perde-se pela sala. Shion não atreve-se a elogiá-lo ainda mais, ou mesmo olhá-lo, provavelmente porque não conseguiria mais desviar sua atenção.

 

— Eu não fiz nada desse tipo com ninguém. — comenta entre sibilos.

 

— …E você quer fazer?

 

A atenção de ambos foca-se nos olhos um do outro.

 

— Eu não sei. Nunca me preocupei antes com isso. Todas as pessoas que já conheci que tinham algum tipo de relacionamento tinham vidas muito diferentes das nossas. Estavam felizes, em sua maioria das vezes, mas nunca consegui me identificar o suficiente para querer algo igual. Sempre pareceu algo distante.

 

— Então se fosse entre pessoas como nós, você iria querer? — o moreno hesita. Nunca havia sequer uma oportunidade de fagulhas de dúvidas surgirem em sua mente até aquele momento. Ele nunca conheceu ninguém como ele, não até Nol.

 

— Quem sabe? Acho que nunca terei a chance de descobrir.

 

Shion continua a observá-lo presunçosamente.

 

— O que você acha de descobrir como se parece?

 

— … Com quem?

 

O loiro quer jogar o gato pela janela.

 

— Comigo, uai!? Com o Eugene que não vai ser.

 

— Então você ficaria com alguém “feinho”? — ele sorri com os olhos de Shion revirando-se, mas seria mentira se dissesse que seu corpo sob o dele o incomoda.

 

Com as mãos apoiadas no sofá aos lados da cabeça de Hyun, o loiro demora-se em seu rosto.

 

— Perto o suficiente?

 

— Seu rosto é delicado. É um pouco surpreendente que você tenha tanta força e consiga manter uma feição tão suave. Você é com toda certeza, uma das pessoas mais belas que já conheci. Só seu resto me faz ter vontade de aprender a desenhar para eternizá-lo de alguma forma. Sua roupa cai tão bem em você que parece um sacrilégio querer tirá-la.

 

— E meu corpo foi pensado para o seu. — o loiro não esperava uma resposta a altura, e Hyun diverte-se com o moleque entrando em parafusos. — Vai ter que se esforçar mais se acha que vai me surpreender.

 

— Quantos outros te cantaram?

 

— Alguns. Sempre mais velhos do que deviam, mas um colega de classe também. Sei bastante do que achavam de mim pelos rumores da escola.

 

— E eles não falavam com você diretamente?

 

— Poucos.

 

— As pessoas sequer falavam com você com essa personalidade sua?

 

— Acha que eu não consigo te jogar da janela daqui?

 

— Dúvido.

 

Dito e feito, embora Hyun tenha preocupado-se em não quebrar a vidraça. Quando seus passos alcançam Shion de cócoras com um rosto adornado de um sorriso sapeca, ele abaixa-se e conduz o loiro até deitar-se no chão.

 

— Você quer mesmo tentar?

 

— Você já está sobre mim, não está?

 

— Mas você pode pedir para parar quando quiser.

 

— Tudo bem — concorda entre sorrisos.

 

— Você ao menos já beijou alguém?

 

— Não…

 

Ao loiro, não restam dúvidas de que a respiração profunda em formato de suspiro do outro deve-se a preocupação, pois embora a raiva casual diluída em caras fechadas e deboches, tanto um quanto o outro são reféns do ensinamento de seus mestres e pais. Portanto, reconhecer as emoções daqueles que os rodeiam é um método de sobrevivência.

 

— Primeiro, a gente dá um selinho e depois usa a língua. Eu duvido que vá ser bom da primeira vez, mas você vai pegar o jeito.

 

— Por que só eu?

 

— Porque eu já beijei antes. — Shion franze o cenho.

 

O gatinho o encara en descrença silenciosa, embora o loiro não pareça perceber.

 

Ambos ouvem seus próprios corações ecoarem em seus ouvidos e garganta, mas não amedrontam-se. O selinho foi fácil, Shion imitou o movimento de Hyun e curvou um pouco a cabeça em sentido oposto do outro. A língua dele roçou seus dentes, então o loiro abre um pouco mais a boca conforme continuam até conseguir acostumar-se com o movimento. Os dedos do gatinho entrelaçando-se nos dele ao ponto de fazer seu coração parecer muito pequeno para o próprio peito, mas não o desencoraja a continuar. Quando Hyun afastou-se de seu rosto, algumas lágrimas caíram sem sua permissão, e o gatinho as limpou assim que as viu.

 

— Shion… Você quer continuar…?

 

A respiração do loiro permanece ofegante, e sua garganta recusa-se a permitir que qualquer som atravesse-a. Contudo, um aceno negativo é o suficiente para que o gato recue e espere Shion sentar-se.

 

— O que achou? — questiona Hyun.

 

— Não sei… Acho que não consegui informação o suficiente. Acho que a gente teria que demorar um pouco mais num segundo teste! — o gatinho solta algumas risadinhas.

 

— Quantas você quiser.