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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-12-05
Words:
2,044
Chapters:
1/1
Kudos:
9
Hits:
172

Lie With You

Notes:

Não sei se é exatamente uma drabble, mas pra mim é porque costumo escrever no mínimo 5k de palavras e esse deu bem menos! Mas quis postar assim porque fiquei com medo de escrever mais e estragar tudo. Era pra ser sad ending igual a música, mas eu não tive coragem, sou covarde! E eu gostei dela assim, espero que gostem também <3

Work Text:

A água, que antes estava quente ao ponto de subir vapor, envolvia todo o seu corpo como um abraço, que era o que ele mais precisava naquele momento. A playlist já havia parado de tocar há uns bons três minutos, mas sua mente ainda vagava longe dali. Porém, não tão longe quanto ele gostaria. Apenas o barulho do trânsito do lado de fora era sua música de fundo enquanto suas mãos e pés enrugavam debaixo da água que, agora, já ficava fria. 

Uma brisa gelada que entrou pelo basculante do banheiro foi o último sinal que ele precisou para, finalmente, voltar sua mente ao mundo real. Que não era muito melhor do que o que se passava em sua cabeça. 

Ten se levantou com certa dificuldade. Suas nádegas já haviam se adaptado ao formato da porcelana da banheira e seus membros pouco faziam para lhe dar a força necessária para lutar contra a gravidade. Mas, por fim, ele conseguiu se equilibrar e puxar o roupão do gancho da parede, cobrindo seu corpo que já se arrepiava pelo frio. 

A noite lá fora estava gelada. Provavelmente nevaria em breve. Ten odiava aquele clima, pois ele sempre lhe fazia pensar em como gostaria de ter alguém para dormir junto, compartilhando o calor dos seus corpos e mantendo um ao outro aquecido até acordarem suados com o sol batendo na janela. 

Pensar naquilo só fez seus pensamentos quererem voltar para o turbilhão que o assombrou durante todo o banho de banheira, mas ele felizmente foi retirado bem rápido pelo miado de Leon, que entrava pela porta entreaberta do banheiro, como se estivesse preocupado com a demora.

Foi então que Ten percebeu que já havia passado da hora do jantar dele. 

– Desculpa, Lele.

Se agachou e acariciou toda a extensão do corpo gorducho de Leon, sorrindo genuinamente pela primeira vez naquele dia. 

Ten não sabia o que faria sem os seus gatos. 

Após terminar sua rotina de hidratantes e vestir um pijama confortável, ele foi até a cozinha do seu minúsculo apartamento para, finalmente, botar a comida de Leon, Louis e Levi. 

– Comam devagar! – alertou quando viu que estavam enfiando ração demais na boca.

Ten sempre conversava com os gatos como se eles o entendessem. Mas, o mais louco, era que Leon realmente parecia entendê-lo. Tanto que ele mal comeu – o que era muito raro se tratando dele – e foi logo ficar rodeando os pés de Ten enquanto ele finalizava algumas coisas do estágio em seu notebook, sentado na escrivaninha. 

Aquele dia havia passado como um borrão para ele. E a noite não foi diferente. Quando se deu conta, já era quase meia noite e ele sequer havia jantado. Só percebeu que algo estava errado quando seu corpo começou a implorar por comida e suas mãos começaram a tremer de fraqueza. 

Ten bufou, decidindo por finalizar aquele dia, e fechou o notebook. Na cozinha, não havia nada de muito diferente, então optou por passar manteiga na sua última fatia de pão de forma e era aquilo que seu estômago teria naquela noite. 

Após um bom gole de água foi que seu corpo voltou a funcionar normalmente. Suas mãos pararam de tremer e ele parou de suar frio. Pronto, agora poderia dormir sem acordar com tontura e enjoos. 

Isso era se alguém não tivesse batido na porta do seu apartamento naquele instante. 

Qualquer pessoa teria ficado apavorada por ter alguém em sua porta àquelas horas. Ten, no entanto, estava mais do que acostumado. Ao mesmo tempo que um nó formou em sua garganta, seu coração o traiu, acelerando e enviando estímulos de felicidade para o seu cérebro. 

Não dava para confiar em seu próprio corpo. Não quando se tratava dele.

Mais uma batida na porta. Sempre naquele mesmo ritmo, que era quase como uma senha compartilhada entre os dois. O estômago de Ten se revirou, embrulhando o pão de forma e as borboletas junto com ele. E seu coração acelerou ainda mais. Era um misto de sentimentos que o deixava tonto.

– Ten… eu sei que você tá aí. – a voz abafada pela porta entrou pelos seus ouvidos. – Abre, por favor. 

E Ten foi traído pelos seus pés, caminhando até a porta e, finalmente, a abrindo. 

Ver o estado de Kun fez com que Ten sentisse um pouco de satisfação. Ele estava um caco. Seu cabelo escondido debaixo de uma touca, o moletom vestido do avesso tinha ainda alguns flocos de neve e os olhos estavam inchados e com círculos escuros em volta.

Há quanto tempo será que ele não dormia?

Ten esperava que fossem dias. 

– Eu posso entrar? – Kun perguntou. 

Para Ten, aquela pergunta era quase uma provocação, porque era óbvio que ele podia entrar. Quando foi que Ten teve coragem de negar qualquer coisa que fosse para ele? 

– Eu falei… pra você não me procurar mais.

A voz de Ten soou estranha até mesmo para ele. Não acreditou que teve coragem de falar aquilo em voz alta, sem ser por uma mensagem digitada por Yangyang e não por ele. 

– Ten… vamos conversar.

A voz de Yangyang gritava muitos insultos voltados para Kun na cabeça de Ten. Mas quem ele estava querendo enganar? Ten queria ouvi-lo. Queria que tudo fosse um mal entendido. 

Queria que as coisas voltassem a ser como eram. 

Novamente, seu cérebro e seu coração trabalharam em equipe e Ten se afastou, largando a porta aberta e seguindo em direção ao sofá de dois lugares. Ele sabia que Kun vinha logo atrás após trancar a porta e, ao invés de se sentar ao lado dele, permaneceu em pé na sua frente, o encarando conforme apertava a barra de seu casaco.

– Então… converse – Ten mandou, abraçando seus joelhos, e Kun respirou fundo antes de assentir. 

– O que você viu… a… a menina que tava comigo… a gente… nós não…

Quanto mais Kun se enrolava com as palavras, mais Ten se arrependia de tê-lo deixado entrar. Não apenas no seu apartamento, como na sua vida. 

– O que você esperava conseguir vindo aqui? – Ten perguntou de repente, interrompendo o balbuciar de Kun e fazendo com que ele o encarasse, confuso.

– Como assim?

– Você me ouviu. O que você esperava? Me contar que não era nada sério e que isso ia fazer eu voltar pros seus braços como se nada tivesse acontecido?

– Quê? Claro que n…

– Porque se você quer saber, eu achei até bom isso ter acontecido. Me ajudou a finalmente dar um basta na situação ridícula que a gente tava vivendo – Ten se levantou.

– Ten, eu não…

– Eu já tava cansado de servir como um alívio pra você, Kun – Ten começou a andar na direção dele enquanto falava. – Cansei de sempre estar física e emocionalmente disponível sempre que você precisava. Mas, no final, eu passava as noites sozinho porque nada do que acontecia entre a gente saía das paredes dessa merda desse apartamento! E nem nunca ia sair, né? Porque você nunca pretendia me assumir! Porque você não tem coragem! Não tem capacidade de enfrentar o mundo lá fora, porque você não me ama o suficiente! Se é que um dia você já me amou.

A essa altura, os olhos de Ten já estavam inundados de lágrimas e sua voz embargou, foi apenas por isso que ele parou de falar. Não queria chorar na frente dele. 

Kun não conseguia dizer nada. Apenas ergueu as mãos e segurou o rosto de Ten com elas, o aproximando mais e olhando em seus olhos.

– Ten, mas eu te a…

– Não fala. Por favor. Vai doer ainda mais quando você for embora se você falar. 

As lágrimas finalmente escorreram e sua voz falhou quando ele soltou o primeiro soluço. 

Kun se sentia aliviado por Ten saber o que ele iria dizer naquele momento, mas seu peito doía com a possibilidade de aquela ser a última vez que tocaria nele. 

– Ten… acredita em mim, por favor. Eu só saí com ela porque a minha mãe tava tentando juntar a gente, mas nada aconteceu. Eu prometo. Eu fui sincero com ela. Eu disse que já gostava de outra pessoa.

– Pessoa… claro que você não disse quem era.

– Porque não importa pra ela! 

– MAS PRA MIM IMPORTA! – Ten se desvencilhou de Kun, dando um passo para trás. – Eu fui assumido a minha vida inteira, mas aceitei ser arrastado de volta pro armário por você! E o que eu recebo em troca?! Você nem tem coragem de dormir comigo! Vai embora logo depois que a gente transa toda vez! Isso não é amor, Kun! 

– Ten, isso não é justo… eu só não queria que ninguém me fizesse perguntas por eu tá dormindo fora de casa… pelo menos até eu ter condição de sair da casa dos meus pais. 

– Nada é justo pra você. Só eu tenho que aceitar sofrer calado. Não poder falar de quem eu amo pras pessoas que eu confio. A minha mãe sabe que eu tô apaixonado e eu nem posso contar nada pra ela! 

– Ten… desde que nós começamos com isso, eu sempre deixei claro que eu não poderia me assumir até conquistar minha independência. Eu não tenho onde cair morto. 

– VOCÊ PODE MUITO BEM MORAR COMIGO! 

Os dois arregalaram os olhos ao mesmo tempo. Aquele era um passo grande na relação para ambos e nunca foi algo conversado antes.

– Você… nem aceitou quando eu te pedi em namoro – Kun lembrou.

– Era diferente. Eu sabia que você não me assumiria, então pra quê colocar um rótulo numa relação que não existe?

– Ela existe pra gente e é isso que importa. 

– Não pra mim. 

Kun respirou fundo e assentiu.

– Tudo bem, Ten… você tá no seu direito. Eu só gostaria que você entendesse meu lado antes de me expulsar da sua vida.

– Você beijou ela?

– Claro que não. Eu nunca beijei ninguém além de você. Eu nunca transei com ninguém além de você. E eu só amo você. Porra, eu amo mais você que a minha própria família! Eu só não tenho COMO abrir mão de um teto sem um emprego! 

– Então… se você puder morar comigo… nós vamos poder assumir nosso relacionamento?

– Tá brincando? Ten, eu casaria com você, se tivesse dinheiro pra um anel. 

Ten arregalou os olhos novamente, mas Kun sequer esboçou alguma reação. Ele realmente falava sério. 

– Então… vai buscar suas coisas. A partir de hoje, essa casa é sua também. 

– Você tem certeza, Ten? É um passo grande.

– Eu quero você. Se ter você dentro de casa é a única forma, então é apenas uma vantagem pra mim. 

Kun sorriu, seus olhos brilhando com lágrimas de felicidade e amor. Suas covinhas aparecendo e quase sumindo com as olheiras fundas de suas pálpebras. 

– Eu posso te beijar? – pediu. 

Ten afirmou com a cabeça e fechou os olhos, fazendo seus cílios encharcarem com as lágrimas que ele nem havia notado que ainda inundavam seus olhos. Kun se aproximou e o beijou devagar, como ele sabia que Ten mais gostava. Suas línguas logo se encontraram e a pequena faísca que quase se apagava acendeu com a força de um sol. Ten envolveu os braços no pescoço de Kun, que abraçou sua cintura e grudou seus corpos. Nenhum dos dois tinha ideia do quanto sentiam falta um do outro. Era muito mais do que imaginavam e, refletindo isso, ambos rapidamente se despiram, desgrudando suas bocas apenas para passar suas respectivas camisas, e logo se grudando novamente. 

Kun não queria dar chance para que Ten mudasse de ideia. Aquilo era bom demais para ser verdade.

E Ten não queria dar chance para que seu cérebro pensasse em mais nada. Só queria viver aquele momento, aquelas sensações. Então estava decidido a se entregar por completo.

O início daquela noite parecia que seria a última vez, mas, agora, parecia que, finalmente, estavam abrindo caminho para um futuro juntos. 

Chega de mentiras. Chega de noite frias sozinho.

Ten tinha certeza que o fim seria doloroso, mas, enquanto durasse, queria que fosse com Kun o abraçando, sentindo o calor dele contra o seu corpo frio. Seus lábios o aquecendo até ele suar contra os lençóis da cama. Até atingir o oásis em um orgasmo. Até se sentir completamente preenchido com ele dentro de si. 

Ten só era completo ao lado de Kun. E seu coração sempre contaria aquela mentira porque os dois dependiam emocionalmente um do outro.