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Noona, you are my MVP

Summary:

Lloyd Frontera só queria uma coisa: ficar rico rápido pra não ter que trabalhar demais depois. Como jovem senhor de um território afundado em dívidas, sua maior preocupação é encontrar um secretário competente que aceite suas condições absurdamente abusivas — tarefa que se mostra mais difícil do que ele imaginava.
Até Faelith Smeragd.
Herdeira de uma das famílias mais ricas e influentes do continente, Faelith parece ser a candidata perfeita para o cargo. Há apenas um pequeno problema: ela não está interessada em ser sua secretária.
Ela quer ser sua esposa.
Lloyd logo descobrirá que existe algo muito mais perigoso do que a falência: uma futura noiva que decidiu que ele é o investimento mais valioso de sua vida.

Notes:

Olá. Depois de tanto tempo excluída, esta fanfic está sendo repostada, já que eu a reescrevi. :) Muitas coisas estão diferentes, mas nada tão complicado assim.
*Esta fanfic - onde tudo é possível - auto indulgente foi criada apenas para diversão.

Chapter 1: 00 replay

Chapter Text

 

— Jovem Mestre — começou Javier, com aquela voz calma —, a fila de candidatos à vaga de secretário acabou. Eles fugiram pela janela dos fundos. Novamente.

Lloyd suspirou, afundando-se em sua cadeira de espaldar alto. Ele era um homem simples. Só queria lucrar, evitar o trabalho braçal e, quem sabe, dormir por mais de três horas seguidas. Mas a burocracia do território exigia um secretário competente.

— Fugiram? Mas por quê? Eu ofereci um contrato de doze horas diárias, sem folgas nos fins de semana, com direito a intervalo a cada duas horas! É um emprego dos sonhos! — reclamou Lloyd, revirando os olhos.

De repente, a pesada porta de carvalho se abriu com um estrondo.

— Ora, ora. Pelo visto, cheguei a tempo de ver você.

Lloyd levantou o olhar, pronto para despejar a carga de trabalho no indivíduo.

A mulher parada à porta era deslumbrante. Cabelos cor de ametista que pareciam brilhar com luz própria, olhos esmeraldas aconchegantes que lembravam pedras preciosas perfeitamente lapidadas, e roupas de uma grife tão cara que fez o olho esquerdo de Lloyd tremer em formato de cifrão. Ela exalava poder, riqueza e… cheiro de dinheiro. 

O cérebro de Lloyd trabalhou a mil por hora. É um milagre! Não, espera, que espécie de roteiro é esse?

Ele não perdeu um segundo. Lloyd já havia sacado um pergaminho da gaveta, estendendo-o sobre a mesa com a velocidade de um profissional.

— Não precisa dizer mais nada! — exclamou Lloyd, com um sorriso largo que revelava suas intenções puramente capitalistas. — O trabalho é seu! Veja aqui as cláusulas: subordinação total, proibição de reclamar, salário em promessas futuras de desenvolvimento territorial e, claro, o selo de sangue garantindo que você não vai me processar se desmaiar ou morrer de exaustão. Assine aqui, subalterna!

Javier, no canto da sala, fechou os olhos e massageou a ponte do nariz. Ele sentia que algo terrivelmente errado estava prestes a acontecer.

A mulher olhou para o pergaminho estendido. Depois, olhou para o rosto radiante de Lloyd. Um sorriso lento, perigoso e absolutamente encantador formou-se em seus lábios vermelhos. Ela ignorou solenemente o contrato de trabalho.

— Subordinada? Oh, meu caro Lloyd, você tem uma imaginação muito divertida — disse ela, aproximando-se da mesa e apoiando as mãos no mogno, inclinando-se para perto dele. — Eu não vim aqui para trabalhar pra você. Vim pra obter você.

Lloyd piscou, o sorriso congelado no rosto. — Hã? Desculpe, o reflexo do sol na sua testa me cegou por um segundo. O que você disse?

— Eu disse que sou a última interessada em um compromisso formal como chefe e subordinado — disse ela, estendendo uma mão enluvada de seda para segurar o queixo de Lloyd. — Eu prefiro algo muito mais íntimo. Como um anel de noivado. E, eventualmente, um altar.

— Noivado? — Lloyd guinchou, recuando tanto que quase caiu da cadeira. — Comigo?! Espere, você é uma nobre mesmo?! As pessoas normais querem casar com príncipes ou cavaleiros heroicos, não com o filho do conde afundado em dívidas. Quem é você, senhorita....?

A mulher ajeitou a gola impecável de seu vestido e sorriu, com a satisfação de um gato que acabou de encurralar o canário mais gordo da gaiola.

— Permita-me me apresentar. Sou Faelith Smaragd. Herdeira primogênita da família Smaragd.

Lloyd sentiu o sangue sumir de seu rosto. A família Smaragd. Os magnatas das gemas raras, os financistas do continente, uma família cujos membros eram conhecidos por comprar o que quisessem, custasse o que custasse. E agora, a herdeira principal estava lá, olhando pra ele como se ele fosse um prato de trufas brancas.

— S-Smaragd? — Lloyd gaguejou, engolindo em seco. — Olha, minha cara Smaragd, deve haver um engano terrível. De antemão, devo dizer que eu sou horrível! Sou preguiçoso, mesquinho, só penso em dinheiro e…

— E eu sou extremamente rica, entediada e adorei a forma como você tentou me explorar em menos de dez segundos de conversa — retrucou Faelith, dando a volta na mesa e parando perfeitamente ao lado dele. Ela pegou o contrato de trabalho de Lloyd, rasgou-o em pedaços miúdos e os deixou cair sobre a mesa que nem confetes. — Esqueça esse emprego de secretária. Prefiro ser sua esposa. Os termos do cortejo começam agora: eu te dou metade da minha fortuna, e você me dá exclusividade de ser meu e um belo casamento na primavera.

Javier, vendo a cena, pigarreou discretamente e deu dois passos para trás, saindo lentamente da sala. O jovem mestre finalmente encontrou alguém pior do que ele, pensou o assistente, fechando a porta com suavidade e abandonando Lloyd à própria sorte.

Na sala, Lloyd olhou para os pedaços de papel rasgados, depois para Faelith, que o encarava com expectativa ardente.

Um milagre? pensou o jovem Frontera, sentindo um frio na espinha que nada tinha a ver com negócios. 

...  Javier estava em choque do lado de fora da porta, com a orelha colada na madeira, tentando processar se o jovem mestre recusaria ou não um dote no valor do PIB de três reinos menores.

Dentro da sala, Lloyd estava em choque absoluto, com os olhos arregalados, a mandíbula caída e o cérebro travando igual a um computador rodando um jogo pesado em hardware obsoleto. Metade da fortuna dela? Casamento na primavera? Exclusividadel?! Aonde ia parar o capitalismo selvagem se o amor comprado (ou a loucura pura) vinha com uma oferta tão absurda?

As herdeiras Smeragd, acostumadas a terem homens, monstros e reis se curvando diante da vontade delas e de sua herança infindável, piscou uma, duas vezes, esperando uma resposta.

Nenhum homem jamais havia olhado para ela como se ela fosse um contrato de risco financeiro de alto grau.

A pesada porta de carvalho foi empurrada com força. — Lloyd, meu filho. Precisamos conversar sobre o...

O patriarca Frontera — o senhor daquelas terras, o conde entrou a passos largos, com uma pilha de relatórios agrícolas debaixo do braço. Ele estava pronto para comentar sobre a plantação de trigo, mas parou abruptamente ao ver a cena.

O filho dele estava estático. Os confetes de papel rasgado espalhados pela mesa. E, bem ao lado do jovem mestre, uma jovem deslumbrante de cabelos cor de ametista, estava lá e era surpreendente - uma dama daquela magnitude não aparecia no fim do mundo à toa.

Faelith girou nos calcanhares. A herdeira dos Smeragd ergueu o queixo, adotando uma postura impecável e estendeu a mão enluvada de seda para o patriarca dos Frontera com a seriedade de quem negociava um tratado de paz internacional.

— É uma honra conhecê-lo, Conde. — disse Faelith — Vim formalmente pedir a mão do seu filho em casamento.

O conde Frontera paralisou. O sangue sumiu de seu rosto por um segundo, substituído por um rubor violento de pura incredulidade. Ele largou os relatórios de trigo no chão, que se espalharam sem que ele desse a mínima importância.

Javier, ainda encostado na parede, ouviu de repente um som abafado vindo de dentro da sala. E então, o som de um homem adulto desabando em lágrimas.

— MEU FILHO! — soluçou o pai, com a voz embargada pela mais profunda e pura emoção, abraçando (ou talvez sacudindo o próprio Lloyd). — GLÓRIA AOS DEUSES! Finalmente vai desencalhar!

Do lado de fora da porta, Javier estava em absoluto estado de choque. Suas pernas pareciam feitas de gelatina e sua espada balançava na cintura como se estivesse prestes a cair. Ele realmente vai se casar.

Marbella, mãe de Lloyd, que acabara de entrar na sala atraída pelo grito do marido, deixou os joelhos firmemente plantados no chão, as mãos postas em uma prece desesperada e os olhos banhados em lágrimas de pura gratidão celestial.

— Oh, céus! — ela olhava para Smeragd como se ela fosse a própria Deusa. — Muito obrigada! Muito obrigada por olharem por esta humilde família! Aceite-o! Por favor, aceite-o! Se precisar, nós lhe pagamos!

— Com licença?! — Lloyd estava estupefato. Ele olhou para a matriarca ajoelhada, depois para Faelith e por fim para o pai, que continuava chorando e esfregando o rosto no ombro de Javier no corredor. — Vocês não podem aceitar isso tão fácil!

— Sinto muito, meu amor, eu amo você, filho. — respondeu a condessa, enxugando as lágrimas com a barra do vestido chique que Faelith já havia trazido de presente só pra que a sogra ficasse bonita na cerimônia.

Faelith olhou para Lloyd com um meio-sorriso vitorioso. Havia uma centelha de pura diversão e triunfo em seus olhos.

— Negócio fechado, então — declarou Faelith. Ela virou-se para a condessa e estendeu a mão para ajudá-la a levantar. — Não se preocupe, mãe. Vamos nos casar assim que chegar a primavera.

— Meu filhinho vai se casar na primavera! — Marbelle cobriu o rosto com as mãos, emocionada.

Maldito capitalismo, Lloyd fez beicinho.

.... O som da carruagem chegando para buscar Faelith ecoou pelo pátio de entrada do decadente (mas agora financeiramente aliviado) conde Frontera. A magnata estava prestes a subir nela quando sentiu uma mão firme segurar parte de seu casaco de pele de marta.

Ela se virou. Era Lloyd Frontera, com uma expressão que alternava entre a paranoia pura e a confusão de quem foi passado para trás em um contrato de criptomoedas na Idade Média.

— Espera aí. Vem cá, senhorita de ouro — disparou Lloyd, puxando-a um pouco mais para longe dos pais dele, que acenavam com lenços brancos como se ela fosse a rainha da Inglaterra partindo para salvar o reino. — Nós precisamos conversar. A sós.

Faelith arqueou uma sobrancelha, um sorriso brincando no canto dos lábios.

— Oh? O meu futuro marido quer discutir os termos do testamento antes mesmo de assinarmos a certidão? Se for sobre a divisão dos pôneis dourados, saiba que eles são meus.

— Esquece os pôneis! — sibilou Lloyd, cruzando os braços e estreitando os olhos. — Vamos falar de negócios. Porque, olha, eu posso ser horrível, mas eu não sou burro. Essa história está boa demais pra ser verdade.

Faelith assentiu. — Eu concordo. É uma ótima história para a sua mãe, que finalmente vai parar de comer sopa de casca de árvore? Ou para o seu pai, que agora tem um ducado de verdade?

— Pra mim! É isso que não encaixa! — Lloyd apontou o dedo indicador para o próprio peito. — Eu estou num poço de dívidas, detesto trabalhar, sou estressado, o meu único talento na vida é construir barragens e tentar tankar o apocalipse que vai cair sobre mim. O que você ganha com isso? Por que diabos a mulher mais rica e influente do continente está se casando comigo? Qual é a pegadinha?

Faelith riu. — Oh, por favor. Pare de se humilhar. Carência não é nada atraente.

 Ela suspirou, ajeitou a gola e olhou para o horizonte por um segundo antes de voltar os olhos verdes para ele.

— Quer a verdade nua e crua? — ela perguntou, a voz perdendo o tom comercial implacável e assumindo uma vulnerabilidade rara. — Eu sou mais velha que você. Sou viúva. E, contrariando o que os jornais dizem... o império Smaragd está falindo.

Lloyd piscou, surpreso. — Espera. Vocês... falindo? 

— A fachada ainda é brilhante, mas por dentro, os investimentos errados e a queda no comércio marítimo estão nos sufocando — admitiu Faelith, cruzando os braços. — Eu precisava de sangue novo, de alguém imprevisível, alguém que não siga as regras tradicionais da alta nobreza e que consiga reorganizar a infraestrutura econômica das minhas terras antes que os abutres percebam que estamos fracos. Você é um gênio dos cálculos e da engenharia, Lloyd. Eu vou comprar o seu cérebro e a sua capacidade absurda de gerar lucro do nada.

Lloyd a encarou, processando os dados. — Ah. Entendi. É uma transação de negócios. Uma fusão de empresas disfarçada de casamento arranjado. Você ganha um CEO obcecado por produtividade e eu ganho tráfego livre de impostos e patrocínio para minhas obras públicas.

— Exatamente — disse Faelith, dando de ombros com um meio-sorriso. — Satisfiz a sua paranoia?

— Não. — Lloyd estreitou os olhos ainda mais. — Isso não fecha a conta. Só isso não justifica o risco. No fim das contas, você ainda está assumindo o fardo de entrar pra OUTRA família falida. Então qual é o bônus oculto?

Faelith suspirou, impaciente. — Escute aqui, seu cabeça-dura. Pra compensar o fato de que você vai ter que casar comigo, eu vou dar todo o apoio financeiro e militar para qualquer coisa que você precisar. Quer desviar o curso de um rio? Tem o meu ouro. Quer construir muralhas em forma de labirinto para espantar monstros? Tem os meus melhores pedreiros. Quer dormir o dia inteiro? Eu pago para ninguém te acordar. Eu vou investir o que resta da minha família em você. Pronto. Feliz?

Lloyd a encarou em silêncio por alguns segundos. O cérebro dele trabalhou a mil por hora, calculando margens de lucro, custos de oportunidade e o peso emocional daquela proposta.

— Ah, entendi agora... — Um sorriso cínico brotou nos lábios dele. —... Então você está desesperada.

— O-o quê? — gaguejou ela, os olhos esbugalhados. — Eu?! Desesperada?! Seu... seu insolente!

— Ah, você tá vermelha! — apontou Lloyd, sentindo uma ponta de vitória mesquinha. — Quer dizer que a grande herdeira Smaragd não aguentava mais o desespero de cair do topo e teve que recorrer ao mercado de usados pra arrumar um marido?!

— Quer saber? Eu vou cancelar o contrato! Vou doar os pôneis para a caridade! — sibilou Smaragd, virando-se para a carruagem, com as orelhas dela queimando de vergonha enquanto tentava esconder o rosto ruborizado.

— Ei, calma aí, patroa! Negócio fechado não se desfaz! — riu Lloyd — Afinal, quem sou eu pra recusar uma mulher desesperada por um engenheiro tão talentoso quanto eu?

Smaragd parou com a mão na porta da carruagem, antes de adentrar no veículo e bater a porta com força.

Do lado de fora, Javier, que ainda estava escorado na parede da entrada com as pernas de gelatina, murmurou para si mesmo: — Definitivamente... eles foram feitos um para o outro.