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O som de risadas abafadas atravessava a janela fechada, juntamente com gotículas de água a atingindo, vindo do caos que se encontrava o jardim da casa dos Lee. Felix encarava a cena à sua frente, completamente indignado, com a testa franzida em pura insatisfação.
Bagunça.
Era isso que estava acontecendo. Ou, simplesmente, pura felicidade e livre arbítrio, dependendo do ponto de vista.
Para Felix, era um verdadeiro ultraje que, enquanto ele estava no seu quarto, arrumando suas malas para a viagem que seria amanhã, Bang Chan — seu irmão — juntamente com Hyunjin e Minho — também uma dupla de irmãos — estivessem fazendo a maior bagunça enquanto tentavam lavar o carro.
E tentar era realmente uma tentativa, pois eles estavam ocupados demais se divertindo molhando uns aos outros e se sujando de barro para fazer o trabalho de verdade.
— Vocês não acham isso absurdo? — Felix perguntou, virando-se para olhar para os seus dois melhores amigos: Jeongin e Jisung.
— Do que você tá falando? — Jeongin perguntou.
Jisung estava com a cabeça apoiada nas pernas de Jeongin, os dois na cama de Felix, encarando-o com expressões de dúvida. Eles foram fazer companhia e aproveitaram para passar um tempo juntos antes da viagem do dia seguinte. Felix estava todo concentrado arrumando suas malas, mas algo lá fora chamou sua atenção, e agora estava chateado.
— Esses três patetas fazendo a maior bagunça no meu jardim. Eu aposto que nenhum deles arrumou as malas ainda!
— Calma, homem! Eles ainda têm o dia inteiro pra arrumar — Jisung respondeu.
— Eu ainda não acredito que vou passar uma semana preso com eles.
Felix foi para perto da cama onde estava sua mala e voltou a dobrar suas peças de roupa. Como eles estariam indo à praia, não poderia esquecer suas roupas de banho, além do seu protetor solar e produtos para pele.
— Meu Deus! O vegano só cai no prato mesmo! — Jeongin começou dizendo, mas logo balançou a cabeça, reformulando a frase. — Digo, a carne só cai no prato do vegano! Tirando, obviamente, o seu irmão, você vai passar as férias ao lado de dois gostosos suculentos só pra você e ainda reclama?!
Jisung engasgou com a fala do amigo e sentou-se rapidamente. Tossia, e Jeongin dava tapinhas nas costas dele. Quando conseguiu recuperar a falta de ar perdida, bateu com o cotovelo de lado nele, encarando-o com os olhos arregalados. Felix observava os dois de boca aberta, sem acreditar que uma frase daquelas tivesse saído da boca do amigo, direcionada para nada mais, nada menos do que pra ele.
— Não é possível que você cogitou isso — Felix perguntou, indignado.
— Ora pois, qual o problema? Você é solteiro, até onde eu sei. Qualquer um dos dois também, e você e o Hyunj-
— Eu e o Hyunjin o que, Jeongin? — interrompeu, entre dentes.
— Bom… é que vocês dois têm uma relação bem peculiar. Sempre acreditei que fosse tesão acumulado…
— Que porra você tá falando?! — exclamou.
Jisung encarava os amigos, olhos esbugalhados, com medo do rumo que aquela conversa estava tendo. Ele não culpava Jeongin; também tinha o mesmo pensamento, mas pensar e falar isso diretamente pra Felix eram duas coisas que ele nunca misturaria.
— Se acalmem vocês dois! — Jisung estendeu as duas mãos em sinal de calma. — O que ele tá tentando dizer é pra você não pilhar nessa e ir aproveitar suas férias.
— Sim, claro. Mas caso você queira pegar algum deles também, não seria nenhum crime. Um beijo não mata ninguém.
— Aí, meu Deus! — Jisung exclamou.
Felix fechou os olhos, respirando fundo para tentar se acalmar.
— Em primeiro lugar — respondeu, enquanto levantava o dedo indicador. — Eu nunca encostaria a minha boca naquela coisa, eu mal suporto passar dois minutos inteiros perto dele. E em segundo lugar, ele é o melhor amigo do meu irmão!
— Oxe, e o que o cu tem haver com as calças? — Jeongin arqueou uma sobrancelha.
— Tem a ver que mesmo se eu supostamente quisesse qualquer coisa com ele, o Chan o mataria.
— Por que você acha isso? — Jisung perguntou.
— Porque eu conheço o meu irmão. Na época da escola, ele vivia no meu pé. Eu mal podia trocar três palavras com qualquer garoto.
— Seu irmão é um chato que tá precisando desencalhar! — Jeongin revirou os olhos.
— Na verdade, eu desconfio que ele já desencalhou, só não teve coragem de me contar ainda… Esses dias peguei ele sorrindo pro celular, e quando questionei, ele se fez de maluco.
— Será que é alguém que a gente conhece?— Jisung indagou.
— Não sei. Pode ser.
— Bom, mas de qualquer forma, ele não pode se intrometer na sua vida sexual. Se você quiser pegar o amigo dele, vai fundo! — Jeongin respondeu.
— Eu não quero pegar o Hyunjin! Não sei de onde você tirou essa maluquice.
— Toda vez que vocês se olham, eu sinto como se estivessem se comendo com o olhar. Na verdade, é até constrangedor…
Jeongin tremelicou, lembrando de todas as vezes que dividiu o mesmo espaço com esses dois. Apesar do fato deles supostamente se odiarem ou apenas se suportarem, existia uma química inabalável que qualquer pessoa olhando a situação de fora, diria que rola alguma coisa entre eles.
Felix suspirou irritado, querendo encerrar logo esse assunto. Ele não gostava de Hyunjin e pronto. Apenas o suportava por ser amigo do seu irmão, e acreditava piamente que o sentimento era mútuo. Apesar de não haver um motivo específico para eles se odiarem, era apenas o acaso. A relação deles era irritante. Hyunjin era irritante.
Tudo que ele fazia o irritava, e um sentimento estranho apertava no peito apenas por olhar no rosto do garoto. Não sabia explicar a sensação que subia na boca do estômago, apenas era insuportável. Hyunjin o desestabilizava, e Felix não gostava que tivesse esse poder sobre ele. E Hyunjin… bom, ele apenas devolvia o “ódio” na mesma intensidade. Seu passatempo favorito era implicar com Felix. De certa forma, era satisfatório derrubar seu castelo de areia perfeito e transformá-lo em um monte de pó.
O garoto sempre abria um enorme sorriso quando olhava para Felix e o encontrava com as sobrancelhas fincadas em pura frustração. Ele lembrava um gatinho bravo.
Christopher, Minho e Hyunjin eram melhores amigos desde a adolescência. Eram um trio inseparável, e no fundo, Felix admirava a amizade deles e como eles se apoiavam fortemente. Embora nunca tenha confessado isso e nem fosse.
— Você tá completamente fora da casinha, Jeongin — Felix continuou, enquanto dobrava uma camisa florida para colocar dentro da mala.
— Ah, fala sério, Lix. Você nunca sentiu nada? Nem um tiquinho? — Jisung perguntou, enquanto unia as pontas do polegar e indicador, na frente do rosto, simbolizando o “tiquinho”.
— Não, eu…
Felix interrompeu sua fala quando outro jato de água atingiu acidentalmente sua janela. Furioso, largou suas peças de roupa novamente enquanto marchava com toda ira do mundo até ela. Mas quando abriu e estava prestes a gritar com aqueles patetas para pararem de fazer bagunça e virarem gente, ele congelou.
Nem fudendo.
O universo definitivamente estava tirando uma com a cara dele.
Hyunjin encontrava-se sem camisa, com o corpo completamente molhado, vestido com apenas uma calça folgada nos seus quadris. A cintura fina era hipnotizante, a pele de mel brilhava com a luz do sol refletindo na água sob ela. E mesmo estando um pouquinho longe, era possível ver os mamilos marrons eriçados pelo vento gentil que beijava sua pele. Os cabelos pretos, recém cortados, estavam molhados e a franja curta grudava em sua testa.
Que filho da puta. Felix pensou.
Apesar de qualquer ódio interno — ou tesão acumulado, como diria Jeongin. — ele sabia que Hyunjin era gostoso e bonito. Ele não era cego, porra ele estava vendo com seus próprios olhos.
Todos os malditos dias.
Isso o tornava mais irritante ainda, e o pior era que ele sabia que era atraente e talvez no fundo até soubesse que isso afetava Felix, mesmo que ele nunca admitisse.
Mas estar assim, quase nu e molhado diante da janela do seu quarto, onde ele poderia muito bem ver essa cena a qualquer momento, parecia até mesmo um ataque pessoal e feito de propósito.
— Lix?
Saiu do seu transe quando ouviu seu nome ser chamado por Bang Chan. Quando olhou pro irmão, encontrou ele sorrindo culpado, acenando com uma mão. Ao lado dele, Minho, também molhado, acenava junto, e Hyunjin o encarava com um sorrisinho de canto, parecia até que sabia cada pensamento que cruzava a mente de Lee.
— Ah… O-oi — começou Felix, gaguejando. — Quero dizer, oi! Parem de fazer bagunça e terminem isso logo, vocês já estão me estressando.
Felix ditou nervoso, desviando o olhar rapidamente para todos os lados, a grama, o céu, o carro, menos para aquele peitoral liso e de pele de mel.
— Relaxa, docinho, a gente está apenas brincando. Não vamos atrapalhar você — Hyunjin respondeu.
Docinho.
Esse apelido maldito. Hyunjin começou a chamá-lo assim, logo depois que Felix pintou seus cabelos de azul pela primeira vez e mantinha essa cor até hoje, já que era sua favorita.
Ele dizia que a cor o lembrava de algodão doce, e como as bochechas dele sempre ficavam vermelhas quando esse apelido era dito, dava mais gás para Hyunjin chamá-lo assim.
— Primeiro que eu já disse para parar de me chamar assim, e segundo que vocês já estão atrapalhando, já que não param de molhar a minha janela.
— Sinto muito, Felix, a gente já acabou por aqui, desculpa se atrapalhamos — Minho respondeu com um semblante culposo.
— Obrigado, Minho. Pelo menos alguém aqui consegue ser educado — cutucou.
— Ora, sua cabeça de algodão…
Felix não ouviu o restante da frase, pois fechou rapidamente a janela, voltando para dentro. Quando se virou, seus amigos lhe encaravam risonhos e com olhares curiosos em si.
— O que foi isso? — Jeongin perguntou, segurando o riso.
— Não foi nada!
— Por que você ficou paralisado olhando lá fora? Você ficou branco que nem papel. — Foi a vez de Jisung perguntar.
— E por que vocês estão fazendo tantas perguntas? Me deixem!
Felix se virou, saindo rapidamente do quarto e deixando seus amigos gargalhando para trás. Desceu as escadas rapidamente, em direção a cozinha. Precisava urgentemente de uma água para molhar sua garganta seca. Respirou fundo enquanto abria a porta da geladeira, tentando acalmar seus batimentos cardíacos, pegou a jarra com água e quando fechou a porta, quase a derrubou com o pulo de susto que deu ao encontrar Hyunjin encostado de lado na geladeira.
Ainda quase nu.
— Que susto, seu idiota. — disse, colocando uma mão no peito para acalmar seu coração.
— Calma, docinho, eu só vim pegar um pouco de água também — sorriu, apontando com o queixo na direção da jarra nas mãos de Felix.
— Já não bebeu água o bastante lá fora?
— Vou ter que repor depois que você secou ela toda enquanto me comia com os olhos.
Felix engasgou com o ar.
— Como que é?
— Você pensa que eu não reparei o jeito que você me olhou? — Hyunjin sorriu, enquanto se aproximava lentamente.
— Que jeito? Não teve jeito nenhum! Você tá alucinando. Com certeza, deve ter entrado água nesse seu cérebro de ameba.
Um passo.
— Pode ter certeza que eu tô raciocinando muito bem, e eu sei o que eu vi.
Dois passos.
A cada passo mais à frente de Hyunjin, Felix dava mais um para trás quase sendo encurralado entre o balcão da pia e a muralha ainda sem camisa à sua frente. Não tinha para onde correr, estava sem saída.
— E o que você acha que viu?
Três passos.
— Ah, docinho, você sabe fingir muito bem quando quer.
— Ou talvez seja você tentando se iludir com qualquer coisa para alimentar o seu ego.
Quatro passos.
A cintura de Felix colidiu com o balcão, ele soltou um suspiro de surpresa enquanto encarava os olhos escuros e afiados a sua frente, ainda segurando a jarra de água presa ao seu peito. Seu coração martelava, assustado e confuso com a intimidação repentina.
Havia, sim, observado Hyunjin, mas por que isso seria um problema? Ele tinha um corpo bonito e esse era um fator inegável, mas que não anularia suas diferenças com ele.
O que ele queria com isso afinal? Intimidá-lo? Usar isso contra Felix para irritá-lo e alimentar seu próprio ego e auto-estima?
Ele não cansava de ser irritante.
Mais um passo, e Hyunjin eliminou qualquer distância entre eles. Seu braço esquerdo alcançou a lateral de Felix se apoiando na pia atrás dele, enquanto se inclinava para aproximar o seu rosto ao do garoto à sua frente. Enquanto sua mão direita ia em direção à jarra para agarrá-la e afastá-la, deixando-a de lado sob a pia.
A respiração de Felix engatou. Nunca tinha chegado tão perto de Hyunjin assim antes. Sua respiração com a dele se misturavam, quentes e harmoniosas, batendo em suas bochechas sardentas. Seus olhos trabalhavam em uma batalha constante entre permanecer fixos nas orbes escuras, ou se abaixarem para os lábios vermelhos, cheios e suculentos à sua frente.
Hyunjin se aproximou mais um pouco, desviando apenas para alcançar sua orelha esquerda e encostar sua boca ali. Felix fechou os olhos com força quando sentiu o hálito quente o atingir.
— Você sempre fica com essa pose durona e autoritária pra cima de mim, fingindo que não se afeta apenas com minha presença. — a voz melodiosa sussurrou enquanto Felix estremecia com o som. — Você acha que eu não sei que você ficou duro enquanto olhava cada gota d’água escorrer pelo meu corpo?
Felix arfou. Mas que porra tava acontecendo? Desde quando Hyunjin era tão atrevido assim? E por que ele não conseguia mover nenhum músculo pra fugir dali e do que quer que fosse que estivesse sentindo?
Hyunjin levantou sua mão direita, até envolver a nuca sardenta de Felix e entrelaçar seus dedos nos fios azuis, seu nariz começando um caminho carinhoso pelas bochechas cheias de pontinhos que o lembravam as estrelas nas galáxias.
— Desde que a gente se conheceu, você tem esse ódio por mim, nunca deixou eu me aproximar ou te conhecer melhor — continuou sussurrando, enquanto se embebedava do perfume floral de Felix. — E eu apenas comecei a retribuir, no começo até que era um jogo legal, mas com o tempo fui cansando, e sabe o que eu descobri docinho?
— O quê?
Felix perguntou. A voz fraca e a respiração entrecortada. Ele acompanhava os movimentos de Hyunjin com a cabeça, aproveitando o carinho inconscientemente.
— Que tudo isso era apenas uma máscara para você esconder o que realmente sente.
— Isso é mentira.
Hyunjin sorriu, agora com o nariz em seu pescoço.
— Mentira? Hmm, eu acho que não.
— Eu não sinto nada por você — Felix respondeu enquanto respirava fundo.
Hyunjin levantou o rosto para encarar os olhos castanhos a sua frente, mas eles estavam fechados fortemente, a testa franzida e a boca aberta enquanto soltava lufadas de ar.
Era uma verdadeira visão do paraíso.
— Diga isso olhando nos meus olhos, docinho.
Felix os abriu de repente, as pupilas dilatadas mostrando a imensidão escura que estava por trás das pálpebras.
Hyunjin se aproximou novamente encostando sua testa na dele. Seus narizes roçando um no outro enquanto suas bocas estavam a dois centímetros de distância. Os dedos, continuavam entrelaçados nos seus fios azuis segurando sua cabeça com força. Os olhos de corça de Felix pareciam embebedados, desfocados, sem saber para onde olhar ou se apenas se fechavam novamente e sucumbiam ao sentimento.
Céus. O que estava acontecendo com ele? Sua respiração estava acelerada, seu peito subia e descia rapidamente, sua mente não conseguia mais raciocinar, ele não conseguia sair dali, e no fundo ele nem queria sair… Ele apenas queria sucumbir ao sentimento e deixar que Hyunjin fizesse o que quisesse com ele.
Talvez seja até hipocrisia já que até cinco minutos atrás no seu quarto com seus amigos, ele dizia com todas as letras que jamais ficaria com Hwang Hyunjin. Mas, até o momento, nada tinha acontecido de fato com aqueles dois. Hyunjin que simplesmente resolveu enlouquecer no dia de hoje e levar Felix junto consigo, porque ele supostamente o comeu com os olhos.
Mas ele não conseguia ter controle sobre si mesmo, seu corpo parecia uma gelatina e ele nem queria pensar sobre a situação lá embaixo.
Talvez Hyunjin estivesse certo, e todo esse ódio nutrido por anos, fosse apenas uma autodefesa contra o que sentia de verdade. Mas ele jamais confessaria.
— Diga, docinho. Estou esperando.
— Eu não sinto nada — Felix sussurrou, repetindo.
— A sua boca diz uma coisa, e o seu corpo responde com outra — sussurrou de volta.
Com a mão esquerda, Hyunjin agarrou a cintura de Felix, aproximando ainda mais os seus corpos. Suas intimidades colidindo lhe causando um arquejo. Os dedos abertos em sua cintura, começaram a descer até se infiltrarem por baixo de sua camisa, subindo lentamente até chegarem ao meio do seu peito. Hyunjin pousou sua mão ali, próximo ao seu coração sentindo suas batidas constantes e aceleradas.
— Eu consigo sentir o quanto seu coração tá batendo rápido. Sua respiração entrecortada e nervosa. — dizia sussurrando, enquanto seus dedos começavam a se mover novamente, dessa vez, em direção ao mamilo de Felix.
— Isso não quer dizer nada.
— Não? — sorriu.
— E isso aqui quer dizer o quê então?
A mão que segurava os cabelos azuis o soltou, indo rapidamente até o meio das suas pernas, segurando o seu pau sobre a calça e o apertando. Felix arfou surpreso, levando suas mãos até os ombros de Hyunjin e o segurando com força para se firmar.
— Por que você tá fazendo isso? — fechou os olhos com força, respirando fundo.
— Porque, meu docinho… eu quero ver você cair, eu quero derrubar cada pedacinho dessa muralha que você construiu.
A mão que ainda estava por baixo da blusa de Felix, alcançou o seu peito direito, beliscando seu mamilo com os dedos, ao mesmo tempo que sua outra mão começava a acariciar o seu pau por cima da calça.
Felix estremeceu.
— Então é isso? Você quer me destruir?
— Eu quero sucumbir você. Quero te mostrar que você me deseja na mesma medida que eu desejo você há anos.
Felix gemeu baixo em sua boca. A fricção deliciosa no meio das suas pernas, o seu mamilo sendo beliscado, as palavras gostosas e sussurradas a centímetros da sua boca, e a pele quente e ainda úmida dos ombros de Hyunjin sob seus dedos, estava-o enlouquecendo.
Seus dois melhores amigos ainda estavam lá em cima no seu quarto, ele não sabia onde Minho e Chan estavam, provavelmente — ele implorava aos céus — ainda no jardim limpando a bagunça que fizeram. E ele estava na cozinha, com o cara que dizia odiar, quase gozando com a mão dele em suas calças.
A adrenalina e o senso de perigo tornava tudo melhor.
— Eu poderia te foder tão bem se você me pedisse. — Hyunjin voltou a sussurrar, roçando seus lábios nos de Felix. — Eu te dobraria aqui mesmo, e enterraria meu pau dentro de você, te faria gritar e implorar por mais, até você se sentir cheio e satisfeito.
— Hyunjin… Por favor.. — Felix arfou.
— Por favor, o quê meu anjo?
Felix estava prestes a responder, prestes a esquecer todo mundo que estava naquela casa junto com eles e implorar para que Hyunjin o fodesse. Mas o barulho da porta da sala se fechando e de passos por perto o acordou da realidade. Ele empurrou Hyunjin para longe rapidamente, se virando pra pia para esconder sua ereção vergonhosa.
— Oh, vocês dois estão aqui!
Era Chan. Seu irmão quase o pegou transando com seu melhor amigo. Porra.
— Tava dando um oi melhor pro seu irmãozinho. — Hyunjin respondeu, enquanto fingia olhar dentro da geladeira procurando por alguma coisa.
Enquanto isso, Felix procurava por um copo no armário acima de sua cabeça, quando o encontrou, imediatamente o encheu com a água, finalmente bebendo e aliviando sua garganta seca e esfriando um pouco sua mente.
— Espero que esse oi não envolva um “quase matamos um ao outro.” — Chan brincou.
— Nunca, estávamos nos entendendo muito bem, não é, docinho?
— É claro… — Felix respondeu, ainda de costas para os dois.
— Tá tudo bem mesmo, Lix? Você parece meio agitado.
— Tá sim, Chris. É só porque eu desci correndo as escadas.
Felix respondeu, olhando o irmão sobre o ombro, sorrindo para tranquilizá-lo. Na verdade, não estava nada bem, mas torcia para que Chan acreditasse e fosse embora logo.
Mais passos foram ouvidos, dessa vez vindo da escada. Logo, Jeongin e Jisung se juntaram aos três na cozinha, os dois encarando o amigo desconfiados, mas sem fazerem nenhuma pergunta verbal.
— Bom, é melhor eu ir pra casa logo terminar de fazer as minhas malas. — Hyunjin começou. — Essa viagem vai ser muito interessante. — completou, sorrindo de lado, os olhos desviando para Felix por um último instante, antes dele começar a caminhar para a porta da frente com Chan o acompanhando.
— Eu devo perguntar sobre esse climinha tenso de novo, ou…? — Jeongin começou.
— Definitivamente não.
🍹🌊
O dia seguinte havia chegado, o sol brilhando quente no céu azul. Na calçada da casa dos Lee, Chan guardava as bagagens no porta-malas do carro, Felix estava ao seu lado checando a hora do celular pela milésima vez em menos de 15 minutos.
8:45h. Eles estavam esperando os irmãos Hwang chegarem, tinham combinado de se encontrarem às 8:00h em ponto para a viagem, mas eles estavam atrasados à 45 minutos…
— Isso é culpa daquele Hwang, certeza!
— Qual deles? — Chan perguntou.
— Hyunjin é óbvio, bem a cara dele se atrasar.
Chan soltou uma risadinha enquanto fechava o porta-malas se virando pro irmão.
— Você não gosta mesmo dele, né?
— O quê?
— Do Hyunjin. — Chan continuou. — Na real é até engraçado ver vocês se implicarem, só espero que isso não resulte no estrangulamento de ninguém.
— Não é que eu não goste dele… — Felix respondeu enquanto desviava o olhar. — Ele só é alguém irritante.
— Tem certeza que é só isso mesmo?
Antes que Felix tivesse a chance de responder, um som de buzina foi ouvido do outro lado da rua, e logo em seguida pôde ver Hyunjin e Minho saltando de um carro com suas malas. Eles se despediram de sua mãe, que havia dado uma carona pra eles, e assim que terminaram de ouvir vários sermões para terem juízo e se cuidarem, cruzaram a rua até chegarem onde os irmãos Lee se encontravam.
— Mil perdões pela demora, o cabeça oca aqui esqueceu de botar o alarme e acabamos perdendo a hora — Minho falou assim que se aproximaram, apontando com o dedão para Hyunjin que revirou os olhos.
— Eu não falei? — Felix debochou, se virando para Chan.
— Ei pera lá, foi sem querer!
— Tá bom, tá bom, sem discussão galera que a gente já se atrasou demais. — Chan suspirou. — Me dêem suas malas e já vão entrando no carro.
Ele pegou as bagagens dos irmãos, abrindo o porta-malas novamente para guardá-las. Minho se acomodou no banco de passageiro da frente, ao lado do motorista, deixando o banco de trás livre para Felix e Hyunjin ocuparem.
— Essa viagem vai ser interessante. — Hyunjin murmurou enquanto passava por Felix para entrar dentro do carro.
Felix fechou os olhos ao sentir o perfume inebriante e forte do garoto, se arrepiando ao ouvir sua voz tão próxima novamente e lembranças do seu último encontro virem a sua mente.
“Eu poderia te foder tão bem se você me pedisse.”
Uma pressão no seu ombro o fez sair do transe momentâneo, encarando seu irmão, ao seu lado, com a respiração pesada e assustada.
— Tá tudo bem? — Chan perguntou, com a testa franzida em preocupação.
— Tá, tá, sim. Tá tudo bem, não se preocupe. — Felix forçou um sorriso, esperando que isso o convencesse.
— Se você não se sentir bem no caminho, você me avisa, ok? Eu paro o carro na hora.
— Eu aviso, sim.
Felix soltou um suspiro, e entrou no carro se sentando no banco de trás ao lado de Hyunjin, numa distância considerável.
Quanto mais longe possível, menos ele sentiria a presença dele.
Chan se acomodou no banco do motorista, dando partida no carro. A viagem até a praia era algo planejado pelos quatro garotos há alguns meses, eles estavam ansiosos e contando os dias para quando finalmente poderiam relaxar na casa de praia alugada, esquecerem qualquer preocupação de suas vidas reais e rotinas cansadas, e mergulharem em alto mar e lavarem suas almas.
O começo da viagem foi tranquilo, Minho e Chan conversavam tranquilamente na parte da frente, planejando o que fariam durante esses dias. O som tocava baixinho uma música qualquer, animando o clima no carro. Hyunjin, ao seu lado, com o rosto sereno como se não houvesse nenhuma preocupação sequer, comia um salgadinho devagar olhando a paisagem pela janela. Enquanto Felix apenas sentia o vento nos seus cabelos, tentando relaxar a mente e aproveitar o momento.
Hate me, de Ellie Goulding, começou a tocar no rádio, e Chan imediatamente aumentou o som.
— Eu amo essa música!! — Chan exclamou.
A voz doce e melodiosa preencheu o carro, enquanto Felix começava a prestar atenção na letra.
Hate me, hate me, still tryna replace me
(Me odeie, me odeie, ainda tentando me substituir)
Chase me, chase me, tell me how you hate me
(Me persiga, me persiga, me diga como você me odeia)
Felix engoliu em seco, olhando de soslaio para Hyunjin que também parecia atento à música.
Lies, tell me lies, baby, tell me how you hate me
(Mentiras, conte-me mentiras, querido, diga-me como você me odeia)
I bet you don't kiss her with your eyes closed
(Aposto que você não a beija de olhos fechados)
Sua pele arrepiou e seus olhos se fecharam, ao lembrar da cena da cozinha no dia anterior. A forma como suas bocas estavam a centímetros de distância, e que por poucos segundos elas não se beijaram…
I bet you're still walkin' on a tightrope
(Aposto que você ainda está andando na corda bamba)
Miss me so much, you've been goin' psycho
(Sente tanto a minha falta, você está ficando psicopata)
Abriu seus olhos rapidamente ao sentir uma aproximação. Ao se virar pro lado, reparou que Hyunjin tinha se aproximado minimamente. Para quem visse de fora, não era nada, mas para ele, significava tudo.
Hyunjin, lentamente, aproximou sua mão da de Felix, que estava posicionada no banco. Seus dedos mindinhos se entrelaçaram docilmente. Felix desviou o olhar para a frente, fingindo que nada estava acontecendo, enquanto tentava acalmar sua respiração acelerada. Minho e Chan continuavam no seu mundinho, sem perceberem o contato dos dois no banco de trás.
You ain't gotta say it, baby, I know (I know, I know, I know)
(Você não precisa dizer isso, querido, eu sei) (eu sei, eu sei, eu sei)
It's a thin line between all this love and hate (okay)
(E se você mudar de lado, terá que reivindicar seu lugar) (ok)
So baby, this time you're gon' have to seal your fate (okay)
(Então, querido, desta vez você terá que selar seu destino) (ok)
A mão de Hyunjin se abriu mais em cima da sua, entrelaçando todos os seus dedos fortemente. Seu dedão fazendo um carinho singelo nos nós dos seus dedos, a quentura de sua mão contrastando com a frieza da de Felix.
Mas ele não parou por aí.
Deslizou sua mão para mais perto de Felix, encontrando sua coxa, posicionando sua mão ali. Aproveitando a sorte dele estar vestido com uma bermuda, deslizou seus dedos mais para baixo até encontrarem a pele macia. E então usou suas unhas curtas, mas arrepiantes, para arranhar lentamente a pele enquanto puxava a bermuda pra cima consigo.
A respiração de Felix engatou, surpreso com a coragem — ou estupidez — do garoto. Seus olhos se voltaram imediatamente para seu irmão e Minho na frente, ainda distraídos com a música. Vendo que não repararam em nada, desviou seus olhos de volta para Hyunjin ao seu lado, este que continuava olhando pra frente despreocupado, sem se importar de serem pegos ou não.
Felix segurou sua mão, impedindo-a de subir mais qualquer centímetro. E sussurrou para Hyunjin:
— Que porra você tá fazendo?
— Só estou entediado. Não posso tentar me distrair?
— Não comigo e não assim!
Voltou seus olhos para frente checando novamente. Por sorte, eles não estavam preocupados com eles no banco de trás.
— Você não pode brincar comigo desse jeito. — Felix sussurrou novamente.
— Eu não estou brincando. Tudo o que eu disse era sério.
— Não parece sério pra você.
Felix retirou a mão de Hyunjin de sua perna, encarando os olhos confusos e escuros do garoto. Ele parecia querer dizer algo, mas devido a onde se encontravam, apenas respirou fundo e se afastou novamente se virando para a janela, escolhendo o silêncio.
Felix também se virou, torcendo para que chegassem
o mais rápido possível até a casa de praia.
🍹🌊
O restante da viagem foi tranquilo. Nenhum dos dois trocou mais nenhum contato ou palavra, perdidos em seus próprios pensamentos e tentando ignorar seus sentimentos.
No meio do caminho, à uns 3km da casa de praia que alugaram, havia uma pequena loja de conveniência. Minho sugeriu que eles fizessem uma pequena parada por ela, e aproveitarem para comprar algumas comidas e bebidas, já que provavelmente não teria nada em casa.
Chan estacionou o carro no pequeno estacionamento em frente à loja e todos desceram.
O pequeno sininho em cima da porta badalou, anunciando a entrada deles. O estabelecimento era pequeno, as paredes pintadas de cinzas, alguns refrigeradores do lado esquerdo encostados nelas expunham as bebidas, prateleiras com diferentes tipos de comidas, snacks, e frutas ao redor. Mais a frente, um balcão com um computador apoiado, e um garoto de cabelos castanhos lisos — provavelmente o atendente — o encarando com toda concentração do mundo. Ele não pareceu dar muita importância para a presença dos quatro garotos, continuando sua tarefa árdua naquele computador cheio de poeira.
— Eu vou pegar algumas bebidas. Vocês querem alguma coisa específica? — Minho perguntou.
— Eu vou com você e te ajudo a escolher — Chan respondeu.
Os dois seguiram caminho até os refrigeradores, enquanto Felix e Hyunjin trocavam olhares tensos, e um silêncio desconfortável se estendia. Hyunjin pigarreou enquanto desviava o olhar e seguia em direção ao banheiro, deixando Felix sozinho pra trás. Ele respirou fundo e desviou sua atenção para as prateleiras, pegando uma pequena cesta vermelha encostada no chão ao lado. Escolheu alguns salgadinhos, uma massa de brownie — Chan era viciado em brownies —, pizza, alguns macarrões e frutas e então seguiu até o balcão onde o garoto se encontrava.
— Oh! Bom dia! Vai ser só isso mesmo por hoje? — o garoto cumprimentou. A franja em sua testa quase alcançava seus olhos castanhos e brilhantes, um sorriso doce adorava seus lábios.
Inevitavelmente, Felix pensou que ele lembrava um cachorrinho adorável, pela maneira que ele inclinou a cabeça e lhe encarava com atenção.
— Ah, não. Meu irmão e meu amigo ainda estão escolhendo as bebidas — Felix respondeu enquanto apontava para trás.
— Certo! Vocês são novos por aqui?
— Viemos passar as férias, na verdade. Alugamos uma casa de praia a uns 3 km daqui. Meu nome é Felix. Prazer!
— O meu é Seungmin. O prazer é todo meu! — estendeu a mão para Felix, que a apertou de volta em um cumprimento.
— E aí? O que você recomenda às pessoas fazerem para se divertirem por aqui?
— Hummmm….. eu recomendo aproveitarem muito o mar! Não há sensação melhor do que esquecer tudo e só sentir a água…
— Acho que eu queria aprender a surfar um pouco, mas não sei se vou ser bom nisso. — Felix respondeu com um biquinho.
— Surfar é uma boa — Seungmin sorriu. — Não se preocupe. No começo pode ser difícil, mas tenho certeza que você pega o jeito.
Felix sorriu agradecido e desviou o olhar para o balcão. Um folheto com o desenho de uma fogueira na praia chamou sua atenção. O pegou virando para Seungmin.
— O que é isso?
— É uma festa na praia que vai ter hoje a noite, vão acender uma fogueira enorme e uma banda da cidade vai cantar lá. Acho que essa é uma ótima ideia para você se divertir, você deveria ir!
— Parece ser divertido. — Felix sorriu encarando o folheto.
Chan e Minho se aproximaram dos dois, cada um com uma cestinha cheia de refrigerantes e bebidas alcoólicas. Hyunjin se juntou a eles alguns segundos depois que voltou do banheiro. Pagaram todas as compras, e se despediram de Seungmin, Felix agradecendo e dizendo que esperava encontrá-lo novamente.
Quando chegaram no carro e se acomodaram em seus assentos novamente — logo depois de guardarem as compras no porta-malas — Felix sorriu se apoiando no banco de motorista olhando para Chan.
— Por que você tá me encarando com esses olhinhos brilhantes? — Chan arqueou uma sobrancelha.
— Vai ter uma festa na fogueira na praia, perto de onde alugamos a casa… e se a gente for?
— Uma festa? Eu topo! — Minho se animou.
— Não me parece uma má ideia… — Chan concordou.
— Ótimo, então tá combinado!
— Você vai, Hyunjin? — Minho se virou no banco, encarando o irmão.
— Claro, não posso perder uma festa que promete tanto como essa — ironizou, desviando o olhar para a janela.
Felix respirou fundo ignorando o humor ácido dele.
— Realmente tá prometendo.
🍹🌊
Chan estacionou o carro na entrada da casa de praia, assim que chegaram. Todos desceram e pegaram suas respectivas bagagens, enquanto Felix ficou admirando o lugar, sentindo o vento levando seus cabelos azuis para trás, e o sol brilhante esquentando a sua pele. A casa era um lugar simples, as paredes pintadas em um tom verde musgo, com detalhes que davam a impressão de que elas eram feitas de madeira, as janelas eram de vidro com batentes na cor branca e adornavam perfeitamente com a casa. Do lado de fora da casa, era possível ver uma pequena área com um pequeno jardim, cadeiras marrons com estofados, é uma lareira de jardim próximo a elas. Felix anotou mentalmente para não se esquecer de passar um tempo aproveitando ali.
— E aí, vamos entrar?
Chan perguntou enquanto pegava a chave e caminhava em direção a porta, abrindo logo em seguida.
Os três garotos o seguiram, adentrando o lugar. A parte interna da casa era mais linda ainda, a sala e a cozinha dividiam o cômodo espaçoso, separados por um balcão. As paredes internas na cor branca, combinavam perfeitamente com os dois sofás em tons de cinza na sala, e com a televisão em um rack da mesma cor. Já a cozinha, era composta por móveis modernos, uma geladeira Eletrolux enorme entre os armários de madeira, a mesa de jantar com 6 lugares dava um ar chique mas aconchegante.
— Uau, Chan! Você arrasou na escolha do lugar. — Minho elogiou.
— Obrigado… queria achar algo legal pra gente nessas férias.
— Bom, você conseguiu — Felix completou, sorrindo. — E onde ficam os quartos?
— Por aqui!
Chan os guiou pelo corredor a frente em direção aos quartos. Havia apenas três portas pelo corredor, ele parou na frente de uma enquanto se virava e olhava nervoso para os outros garotos.
— Então… eu precisava de um lugar que coubesse no nosso orçamento, e quanto mais cômodos e maior fosse a casa, mais caro seria o lugar, então eu tive que optar com uma que tivesse apenas dois quartos, vocês não se importariam em dividir, né? — Chan terminou seu monólogo, dando um sorrisinho amarelo e culpado para eles.
— Claro que não, Chan. Você fez o melhor que pôde, não é gente? — Minho se virou para os outros dois, sorrindo forte.
— É, sim, sim, claro! Desde que eu não tenha que dividir o quarto com o docinho azedo aqui, não vejo problema. — Hyunjin respondeu, apontando com o polegar para Felix.
Felix riu com escárnio da audácia do garoto. Qual é a dele? Pensou. Será que ele está bravo pelo o que rolou no carro?
— Não se preocupe, que eu também não quero dividir um quarto com você!
— Que bom que conseguimos concordar em algo! — sorriu cínico.
— Pera lá, que eu também não quero dividir quarto com você, já te aguento todo dia — Minho interrompeu.
Hyunjin olhou incrédulo pro irmão.
— Tudo bem, não preciso de você, posso dormir com o Chan! — respondeu Hyunjin.
— Ah-h, é que eu… preferia dormir com o seu irmão… você ronca demais, Hyunjin. — Chan respondeu nervoso.
— Eu não ronco!
— Ronca, sim!
— Fala sério… — Felix revirou os olhos.
— Qual é, gente, não vai doer se vocês dois dividirem os quartos. — Minho apontou para Felix e Hyunjin. — Não é possível que vocês não consigam ficar sem se matarem.
Se o problema fosse só esse…
Hyunjin respirou fundo enquanto massageava suas têmporas, desviando o olhar logo em seguida para os olhos de amêndoas de Felix.
— Tudo bem, acho que consigo não sufocar ele com o travesseiro enquanto ele estiver dormindo. — Hyunjin sorriu cínico.
— É, acho que consigo não raspar a cabeça dele enquanto ele estiver dormindo — Felix rebateu.
— Vou considerar isso como um sim… Ótimo, então podem ir descansar. — Chan respondeu já entrando no quarto que dividiria com Minho, e levando suas malas.
Felix respirou fundo, se virando em direção a sua porta também. Talvez dividir o quarto com Hyunjin não fosse tão ruim, afinal se cada um ficasse em sua própria cama sem incomodar o outro, e sem se falarem tudo poderia correr bem.
Foi o que ele pensou.
Mas ao abrir a porta viu que dividir o quarto seria o menor dos seus problemas, o maior seria:
Ter que dividir a cama.
Pois só havia apenas uma.
— Que porra é essa, Christopher Bang Chan? — Felix voriciferou.
Hyunjin atrás dele, encarava estático o cômodo à sua frente, sem conseguir expressar reação.
— O que aconteceu ago-
Chan interrompeu sua frase no meio, encarando perdido e confuso o mesmo cômodo que os garotos.
— Aí, meu Deus…
— Pode começar a rezar mesmo, porque eu estou prestes a te matar! — Felix se virou para o irmão completamente puto de raiva.
— O que tá acontecendo agora? — Minho perguntou enquanto se aproximava.
— Tá acontecendo que só tem uma cama! Vocês tão de brincadeira com a minha cara?
— M-mas, era pra… era pra serem duas camas. Eu tinha olhado, só um quarto que teria cama de casal. — Chan respondeu, nervoso.
Hyunjin respirou fundo, finalmente saindo do seu pequeno transe e se virando para eles.
— E por que caralhos você queria um quarto com uma cama de casal? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— A gente sempre dividiu a cama sem nenhum problema, ok? — Minho deu de ombros.
Hyunjin e Felix se entreolharam confusos. Como assim eles dividem a cama?
— Desde quando isso? — Felix perguntou.
— Desde sempre, qual o problema?
— Não sei….
— Eu acho que acabei me confundindo… — Chan continuou enquanto olhava no aplicativo do celular. — É que na imagem mostrava duas camas, mas é uma montagem com as camas dos dois quartos…
— Puta que pariu.
— Como você não checou essas fotos direito, Chan? — Felix respirou fundo, tentando se acalmar.
— Desculpa, eu fiz o melhor que pude, só acabei me confundindo…
— Tá tudo bem, Chan, acontece. Você não fez por mal — Minho acariciou os ombros dele.
— E agora eu vou ter que dividir a cama com o Hyunjin?
Felix estava prestes a surtar, se mais alguma coisa acontecesse com ele nesse momento, ele não responderia por seus atos. Dividir o quarto poderia ser fácil, poderia apenas ignorar a presença de Hyunjin, mas dividir a cama? Como ele conseguiria?
— No chão que eu não vou dormir, né? — Hyunjin retrucou.
— Bem que você deveria.
— Céus, não comecem vocês dois a discutir de novo — Minho interrompeu.
— Ele quem começou!
— Chega, Hyunjin! Vocês dois vão dividir a cama e pronto, e quem não gostar dorme no chão!
Minho segurou a mão de Chan, e seguiu em direção ao quarto deles, não deixando espaço para ninguém mais dizer nada.
Felix olhou de soslaio para Hyunjin que respirava fundo. Estava começando a se sentir nervoso por ficar sozinho novamente com o garoto. Ele só esperava que tudo ficasse bem, se eles não trocassem nenhuma palavra, e fingissem que o outro não existia,
tudo poderia ficar bem.
Tinha que ficar tudo bem.
🍹🌊
Felix encarava seu reflexo no espelho enquanto terminava de se arrumar. Seus cabelos azuis estavam perfeitamente penteados para trás, e combinavam com a roupa que havia escolhido. Uma blusa preta justa abraçava sua cintura pequena, com alguns detalhes de renda que desenhavam seu colo e lhe davam um ar sexy e sedutor, uma jaqueta azul escuro e uma calça jeans preta completavam o look.
Ele se sentia muito lindo e confiante, gostava de se aventurar nos estilos de roupa, e vestir o que lhe agradava e o deixava confortável.
Terminava de fazer sua maquiagem, enquanto pensava no que poderia acontecer está noite. Estava sozinho no quarto, Hyunjin tinha saído à meia hora atrás para a praia, provavelmente o encontraria na festa da fogueira.
Não tinham trocado nenhuma palavra depois da pequena discussão com Minho e Chan. Pareciam ter apenas aceitado o incrível destino e se conformado assim. Não sabia o que faria quando chegasse depois da festa e tivesse que dormir na mesma cama que ele, provavelmente criaria uma pequena muralha com alguns travesseiros entre eles para não se encostarem nenhum centímetro.
Hyunjin andava estranho desde o pequeno acontecimento no carro. Felix sabia que o tinha chateado, mas quem poderia culpá-lo?
Se odiaram por tanto tempo, e acreditava que apenas o ódio ou birra existiria entre eles… Tudo o que aconteceu naquela cozinha no dia anterior, o deixou muito confuso em relação aos seus sentimentos.
Foi como se o seu mundo tivesse virado de cabeça pra baixo, tão de repente. Ele gostou de como se sentiu com Hyunjin, e se seu irmão não tivesse interrompido ele gostaria de ter feito muito mais…
Um arrepio lhe subia a espinha sempre que pensava no acontecido, ele gostaria de tê-lo beijado. Talvez ainda quisesse fazer isso. Mas todo esse misto de sentimentos repentinos o assustava. Felix não era do tipo que ficava apenas por ficar, se ele se envolvesse com alguém, ele se envolvia com intensidade, e ele não gostaria de ter seu coração partido. Ainda mais pelo melhor amigo do seu irmão.
E ele temia que algo tenha se rompido quando suas peles se tocaram, e ele esteja começando a sentir algo. No fundo, mesmo que não admitisse, sabia que algum sentimento estranho sempre esteve presente em relação ao Hyunjin, e talvez — só talvez — como forma de defesa, ele se irritava e transformava o que sentia em raiva.
Também o assustava como seria a reação de seu irmão, caso algo viesse a acontecer. Ele não gostaria que a amizade deles fosse afetada por causa dele, ele nunca iria se perdoar por isso. Chan sempre foi tão protetivo com Felix, e a confiança que depositava em Hyunjin é algo bastante admirável.
E também não é como se Hyunjin tivesse confessado que era apaixonado por ele ou algo do tipo. Ele não sabia o que ele sentia de verdade. Era tudo apenas suposições…
Mas, independente do que acontecesse ou não, ele iria aproveitar a viagem como se não existisse amanhã.
E pelo menos o quarto que ele estava era bastante legal, um charme bastante moderno, espaçoso, e ainda havia uma jacuzzi!!
Ele nunca havia experimentado uma jacuzzi antes, e não ia deixar essa oportunidade passar.
Mas por enquanto, isso teria que ficar para outro momento, porquê agora ele tinha uma festa para aproveitar.
Guardou seus pincéis de maquiagem na sua nécessaire, saindo do banheiro depois de se conferir no espelho pela última vez. Foi em direção ao seu quarto, pegando suas chaves e seu celular.
19:10h.
Já estava na hora de ir. Saiu na procura de seu irmão e de Minho, os encontrando na sala à sua espera. Todos arrumados e prontos, pegaram caminho em direção a praia.
Como era próximo de onde tinham alugado a casa, não teve necessidade de ir de carro. Além disso, a noite estava muito linda com o céu estrelado, e merecia ser aproveitada.
Em poucos minutos, conseguiram avistar uma pequena multidão, um palco posicionado perto deles, e uma fogueira mais ao longe já iluminando a praia. Havia alguns postes posicionados pelo caminho que se abria em direção a festa, enfeitados com algumas flores nativas, e que iluminavam a trilha para eles.
O mar estava calmo, algumas poucas ondas batiam contra algumas pedras próximas à beira d’água, a brisa fria batia contra seus rostos e arrepiava suas peles.
Felix se sentiu em casa.
Aproximando-se mais da multidão, conseguiu ver alguns rostos, não conhecia ninguém ali era a primeira vez que visitava aquele lugar. Mas, com sua sorte, conseguiu avistar Seungmin próximo de uma barraquinha de bebidas. Sorriu aliviado, se virando para seu irmão.
— Olha só, o Seungmin veio também. — sorriu, apontando para o garoto.
— O cara do mercadinho? — Chan questionou.
— Sim, ele que me convidou. Tudo bem se eu for até ele?
— Claro, eu e Minho vamos pegar alguma bebida, pode ir se divertir.
Chan sorriu se afastando, enquanto levava Minho consigo parar explorarem um pouco o lugar. Felix se virou, caminhando em direção a Seungmin, feliz por ter um conhecido ali.
— Você veio mesmo, eu sabia que não ia perder a festa do ano! — Seungmin cumprimentou animado.
Ele parecia mais animado longe do tédio sugador que envolvia computadores, e comidas em prateleiras.
— Eu nunca perco uma festa! Além disso, eu vim tirar férias pra me divertir, e esquecer tudo. Não poderia ficar em casa com algo assim rolando a poucos metros de mim. — sorriu olhando ao redor.
— É assim que se fala, meu amigo! — deu alguns tapinhas no ombro de Felix. — É bom conhecer gente nova. Você é solteiro? Tem que aproveitar pra beijar umas bocas.
— Sou um solteiro em confusão…
— Ihh, já vi que tem alguém dominando sua mente.
— Acho que dominando é pouco, ele tá me enlouquecendo. — soltou um suspiro.
— E por que você não agarra ele?
— Não é tão simples quanto parece.
— Bom, mas se você veio pra esquecer tudo, então deveria mesmo tentar esquecer se não te fizer bem. Tem muita gente legal por aqui, vai que você vive um amor de verão. — Seungmin piscou em sua direção, se afastando um pouco quando alguém o chamou.
Felix aproveitou o momento de distração de Seungmin, para olhar ao redor enquanto pensava em suas palavras. Meio difícil esquecer seu problema, se ele teria que dormir ao lado dele.
E falando em problema, não demorou muito para avistá-lo na multidão. Hyunjin estava lindo. Ele usava um conjunto preto, um coturno da mesma cor nos pés, e uma jaqueta jeans rasgada, seus cabelos um pouco bagunçados lhe davam um ar sexy.
Ele parecia a própria noite.
Uma lua.
Era incrível como ele exalava uma aura luar. Enquanto Felix, para todos que o cercavam era o brilho do sol. Iluminando todos ao seu redor com sua energia.
Eles eram sol e lua, duas peças completamente distintas uma da outra, mas que se completavam perfeitamente.
Como se fossem feitos um para o outro.
Hyunjin, talvez sentindo o peso de seu olhar, se virou na sua direção. O fantasma de um sorriso, ainda brilhava em seu rosto. Mas ao encontrar o olhar de Felix, seus olhos se escureceram, brilhando enquanto olhava o garoto da cabeça aos pés. Ele parecia enfeitiçado.
Felix prendeu a respiração, enquanto também o encarava. A tensão, mesmo a alguns metros de distância, era palpável. E qualquer um que prestasse um pouco de atenção, conseguiria enxergar o desejo nítido entre os dois.
Mas o contato foi quebrado, quando Felix desviou sua atenção para a figura ao lado de Hyunjin. Um garoto de cabelos loiros que falava e gesticulava animadamente em direção a ele. Não tinha notado sua presença antes, ele estava de costas, então não conseguia ver o rosto dele e identificá-lo.
Franziu a testa encarando a cena à sua frente, enquanto uma sensação estranha embrulhava seu estômago. O que é isso? Por que Hyunjin tá conversando com esse cara? Quem é ele?
Felix não conseguia parar de se perguntar, não conseguia entender ou explicar o que o incomodava em ver Hyunjin com outra pessoa. Não poderia ser ciúmes, poderia? Não! Por que vou ter ciúmes desse panaca?
— Felix, você vai querer alguma bebida? — conseguiu ouvir a voz distante de Seungmin em sua direção. Mas ele estava tão ocupado, se martirizando mentalmente que não conseguiu responder.
— Felix? Tá me ouvindo?
Finalmente conseguiu desviar sua atenção quando Seungmin voltou para o seu lado, balançando seu ombro o tirando do seu pequeno transe.
— O que? Desculpa, eu não te ouvi…
— É, deu pra perceber mesmo. Tá tudo bem? Você não parava de encarar aquele cara.
Ele desviou sua atenção rapidamente em direção a Hyunjin novamente, agora o sorriso já havia sumido, dando lugar a uma pequena carranca e sobrancelhas franzidas enquanto conversava com o garoto loiro.
— Tá, tá tudo bem, sim — voltou-se para Seungmin novamente.
— Não me diga que aquele é o seu problema? — Seungmin sorriu malicioso.
— É tão óbvio assim? — Felix suspirou olhando para baixo.
— Você faltou engolir ele com os olhos e fuzilar a loira do banheiro na frente dele, é claro que tá óbvio. — ele gargalhou.
— Eu não fuzilei ninguém!
— Fuzilou sim, se eu fosse ele estaria morrendo de medo de você.
— Tanto faz, eu nem sei quem é aquele cara mesmo. — deu de ombros, enquanto um pequeno bico tomava conta dos seus lábios.
— Calma que nem tudo está perdido, pode ser apenas um amigo dele, ou um conhecido.
— Não sei, é a primeira vez que a gente vem aqui. Mas tanto faz, se ele pode se divertir eu também vou. Eu aceito aquela bebida! — sorriu malicioso na direção de Seungmin que o acompanhou.
E ele não aceitou só uma bebida, quando Seungmin tinha apenas piscado, Felix já estava virando seu terceiro copo. Decidiu se entregar e se divertir como se o amanhã não fosse existir.
Em um determinado momento se juntou a pequena multidão em frente ao pouco. A banda da cidade já estava tocando, um cover da música “Glad You Came” do The Wanted animava a todos. As vozes doces e harmoniosas dos vocalistas preenchiam seus ouvidos.
Algumas pessoas acompanhavam e faziam um coro desafinado, enquanto outras apenas sentiam a energia e dançavam sem se importarem com nada. Felix era uma dessas pessoas.
Sua mente estava relaxada, se sentia leve e feliz como nunca antes. Seu corpo se movia ao som da música, suas mãos passeavam pelo seu próprio corpo, enquanto remexia seu quadril no ritmo do som.
Em um instante, acabou sentindo o calor de um corpo colado ao seu. Duas mãos agarraram sua cintura, ao mesmo tempo que uma boca se aproximou do seu ouvido direito.
— Você está sozinho aqui, princesa? — uma voz desconhecida sussurrou.
Felix sorriu diante da audácia do desconhecido.
— Depende de quem pergunta.
As mãos em sua cintura o apertaram mais uma vez, enquanto o virava para ficar frente a frente com ele. Um garoto de cabelos pretos, com faces bonitas e marcantes, e braços musculosos o encarava com um sorrisinho malicioso.
— Changbin, muito prazer.
— Felix. O prazer é todo meu — sorriu.
— Então, Felix, aceita dançar comigo?
— Achei que já estivéssemos dançando.
Changbin sorriu enquanto virava Felix e colava seus corpos novamente. Suas mãos moviam os quadris de Felix, enquanto ele segurava a nuca do garoto atrás de si, não deixando nenhum espaço entre eles.
Enquanto dançavam juntos, e deixava se levar pelo momento, inconscientemente Felix abriu os olhos e olhou ao redor. E como um forte ímã se atraindo, encontrou aqueles olhos castanhos escuros, cabelos desgrenhados e jaqueta rasgada, já o encarando ameaçadoramente.
Seu cérebro se desligou por um momento, enquanto seu coração errava uma batida. Não conseguia desviar o olhar, ao mesmo tempo que continuava dançando com o garoto loiro. Um arrepio cruzando sua espinha com o olhar flamejante.
Felix engoliu em seco, enquanto desviava o olhar e tentava se concentrar no cara bonito e charmoso que havia acabado de conhecer e que estava atrás dele, colando seus corpos a todo momento.
Mas ele não conseguia, não depois de encontrar aquele que não saia da sua mente desde o dia que o havia conhecido.
Ele se virou um pouco envergonhado, se aproximou do ouvido de Changbin para ele poder ouvir melhor acima do som.
— Eu sinto muito, mas não estou me sentindo muito bem, vou dar uma volta pra tomar um ar. Mas foi um prazer conhecer você, Changbin. — sorriu triste enquanto se afastava.
— Quer que eu vá com você?
Ele o encarou tristonho, parecia genuinamente preocupado e interessado em passar algum tempo com Felix. Ele queria seguir o conselho de Seungmin e se divertir, mas era impossível, pelo menos não quando o dono que seu coração queria, estava a poucos metros de distância.
— Tá tudo bem, preciso ficar um pouco sozinho agora.
Respirou fundo enquanto se afastava dando um tchauzinho triste, e se virava. Caminhou para longe da multidão, se afastando e finalmente podendo respirar ar puro.
A brisa fria movimentando seus cabelos, enquanto fechava os olhos e tentava acalmar as batidas do seu coração. Avistou a fogueira mais adiante, e decidiu se aproximar. Havia poucas pessoas ali, em vista que a maioria delas estava aproveitando o show do outro lado da praia.
Se aproximou, sentando em um banquinho pequeno posicionado perto da fogueira. Algumas pessoas por perto, assavam alguns marshmallows e se aqueciam com o fogo. Felix esticou as pequenas mãos, para também se aquecer um pouco.
Sua pequena solidão, não demorou muito tempo para ser preenchida. Sentiu a presença de alguém sentando ao seu lado, enquanto também esticava as mãos para se esquentar com o fogo. Não precisou se virar para saber quem era dessa vez, o perfume amadeirado denunciava perfeitamente.
— Se divertindo muito? — Hyunjin perguntou.
— Tanto quanto você.
— É, eu vi você se divertindo com aquele filhote de tinker bell. — ironizou, soltando uma risada debochada. — Mas eu achei que você já estivesse acompanhado do atendente da mercearia.
Felix riu enquanto se virava para encarar Hyunjin.
— E o que você tem a ver com isso, Hyunjin?
— Não tenho nada, só achei engraçado você colecionando figurinhas.
— Bem que você queria ser uma delas, né? — piscou para Hyunjin.
— E se eu quisesse? — desafiou, enquanto se virava para encarar Felix pela primeira vez desde que se sentou ali.
A tensão aumentou, enquanto Felix o encarava surpreso por ser tão direto.
— Bom, eu diria que você já estava bastante ocupado mais cedo também.
— Do que você tá falando? — franziu as sobrancelhas.
— Não pense que eu não vi você de conversinha com um cara também. Então exatamente do que você tá reclamando?
— O quê? — Hyunjin começou a rir, desatando em uma gargalhada enquanto Felix o encarava com raiva.
— O que é tão engraçado? — rangeu os dentes.
— Você. Você é engraçado, Felix. — respirou fundo, se recompondo.
— Ah, agora eu sou uma piada pra você? — franziu a testa.
Felix estava fervendo de raiva do deboche e cinismo de Hyunjin, ele era tão irritante. Mas quando estava prestes a se levantar e ir embora, Hyunjin segurou seu pulso, o prendendo ali, enquanto levava a sua mão direita ao rosto de Felix, e o forçava a encarar seus olhos.
— Sim, você é. Porque você é irritantemente patético, ao mesmo tempo que meu coração só consegue ter olhos pra você. — ditou sério, enquanto encarava os olhos amendoados e surpresos de Felix.
— O que você…
— Eu tô dizendo, Felix, que gosto de você. Sempre gostei de você. Mesmo que você sempre tenha sido irritante e me odiado, tentando me afastar com as suas implicâncias, porque simplesmente não sabia lidar com o que estava sentindo por mim. Você poderia ditar mil palavras odiosas e dizer com todas as letras o quanto me detesta, mas seus olhos nunca mentiram e seu corpo também não. Então para de ser teimoso e aceita o que você tá sentindo.
Meu Deus…
Isso não poderia ser real, podia? Hyunjin estava mesmo se declarando pra ele? Isso é um sonho?
— Ah é, só pra deixar claro, eu não tava flertando com ninguém, aquele era só o carao vendendo bebida e me explicando sobre elas, mas você estava tão cego de ciúmes que nem reparou nisso. — sorriu satisfeito, por ter pegado o garoto no pulo.
— Eu não estava com ciúmes… — respondeu enquanto desviava o olhar.
— Ah não? Então porque depois de olhar pra gente, você ficou com um bico enorme?
— Eu não fiz bico nenhum! — respondeu bravo, voltando a encarar Hyunjin.
— Você fez sim, igualzinho ao que você está fazendo agora.
Hyunjin deslizou a mão que ainda segurava a bochecha de Felix, até seu maxilar, e desligou o polegar sobre os lábios carnudos, desfazendo o pequeno bico que havia se formado.
— Mas e você? Por que saiu flertando com todo mundo? — perguntou Hyunjin, uma pequena mágoa passava sobre seus olhos.
— Eu não flertei… — Felix respondeu baixinho. — o Seungmin é só um amigo que eu fiz, e o outro cara ele só… queria dançar comigo, e eu tentei me distrair depois do que eu vi, mas assim que eu olhei pra você eu não consegui mais.
— Por quê?
— Porque meu coração, não consegue aceitar outra pessoa que não seja você.
— Felix… — respirou fundo enquanto se aproximava. — Então por que você se afastou de mim mais cedo?
— Eu só tava com medo. — mordeu o lábio inferior, nervoso. — A gente sempre brigou, e de repente tudo isso muda, e coisas que a gente não fazia antes… Eu só…
— Você se assustou. — Hyunjin concluiu, enquanto olhava pra baixo vendo suas mãos entrelaçadas.
— Sim, e então você parecia bravo comigo, e tudo tinha voltado como antes de novo.
— Eu não estava bravo, eu só fiquei magoado por você achar que eu queria só brincar com você. — respondeu, voltando a encarar o rosto sardento a sua frente. — Eu não sou esse tipo de pessoa, várias garotas e garotos tentam flertar comigo, mas eu quase nunca tenho interesse. Eu nunca brincaria com ninguém assim, especialmente com você.
Felix fechou os olhos enquanto aproveitava o carinho no seu maxilar, e absorvia as palavras. Hyunjin tinha razão, e ele não achava que o garoto era desse tipo, nunca via ele com ninguém na verdade. Mas o medo falou mais alto, e não por não confiar em Hyunjin, mas por achar que não seria o suficiente pra alguém como ele.
Às vezes as inseguranças apenas gritam mais alto que qualquer coisa.
— Me desculpa, você tá certo. Eu não acho que você seja alguém assim, eu sinto muito por ter magoado você. — abriu os olhos para encarar Hyunjin.
— Tudo bem, docinho. Nossa relação sempre foi complicada, mas eu nunca mentiria pra você. Eu cansei de brigar, eu cansei de tentar fingir que eu não te quero mais do que qualquer coisa nesse mundo. Eu quero você, Felix. Eu quero muito você.
Hyunjin o encarava angustiado, tentando transmitir toda sinceridade com suas palavras. Felix também o queria, mas não poderia mentir dizendo que ainda não se assustava.
— Eu tive uma ideia… — Hyunjin se afastou, enquanto chamava com a mão um garçom que passava por ali com uma bandeja. — Eu quero dois, por favor.
O garçom sorriu gentil, enquanto pegava os dois drinks e entregava para Hyunjin, que sorriu agradecido. Logo em seguida se afastou, voltando a circular e oferecer bebidas para as pessoas.
— O que é isso? — Felix perguntou curioso, encarava os drinks nas mãos de Hyunjin.
— Sex on the beach. Você já experimentou?
— Nunca. — sorriu para Hyunjin.
— Pois vai experimentar agora! Que tal a gente sair daqui e ir pra outro lugar? — Hyunjin perguntou, arqueando uma sobrancelha sugestivo.
— Achei que nunca fosse perguntar!
E assim, com sorrisos nos rostos e corações mais leves, os dois se levantaram, dando apenas mais uma espiada na multidão, para ter certeza que ninguém estava prestando atenção neles. Vendo que estava tudo certo, que seus irmãos estavam apenas dançando e se divertindo com o show, foram se afastando lentamente dali, deixando todo aquele ar caótico pra trás, indo em direção ao outro lado da praia.
Com uma mão, Hyunjin segurava seu próprio drink, assim como Felix, enquanto com a outra entrelaçaram seus dedos e caminhavam juntos sentindo o calor um do outro.
Quanto mais se distanciaram, menos ouviam a música e os gritos das pessoas, deixando espaço apenas para o som das ondas batendo contra as pedras, e suas próprias respirações.
— Então… — Felix começou dizendo. — Posso perguntar algo?
— Claro, docinho.
— Há quanto tempo você gosta de mim?
— Seria loucura se eu dissesse que desde o primeiro dia que eu te vi?
Hyunjin sorriu enquanto levava as mãos entrelaçadas ao seus lábios, e depositava um beijo casto na mão de Felix. Seu olhar vagou nas lembranças.
— Mas como… Como isso é possível?
— E por que não seria?
— Desde que eu me lembro, a gente sempre se estranhava. Você parecia fazer de tudo pra me irritar.
— Eu te irritava porque eu achava adorável ver você bravo. — Hyunjin o olhou de soslaio, dando um sorriso de canto.
— Não tem nada de adorável nisso. — Felix suspirou.
— Claro que tem! Você fica igual a um gatinho bravo.
Ainda com as mãos entrelaçadas, ele as levou ao rosto de Felix, cutucando sua bochecha.
— Eu não fico! Mas se essa era sua tentativa de me fazer apaixonar por você, sinto lhe dizer que você falhou feio.
— Se eu tivesse falhado, acho que você não estaria aqui. — implicou.
— E é por isso que eu te acho insuportável. — Felix revirou os olhos.
— Pode me achar insuportável, mas vai ser assim que vou conquistar o seu coração.
— Idiota.
Felix riu enquanto encarava o horizonte. As estrelas no céu, junto com a lua, iluminavam o caminho deles. E a brisa fresca ajudava a acalmar seu coração acelerado. Ele se sentia feliz e tranquilo por finalmente estarem se dando bem, apesar das implicâncias.
— Acho que… apesar de você me irritar constantemente, no fundo, algo me atraia até você. — Felix voltou seus olhos para Hyunjin, que já o encarava com um sorriso de canto.
— Posso te contar um segredo?
— Claro.
— Lembra da sua festa de aniversário de 17 anos? Quando tudo tinha dado errado com o buffet, a decoração tava atrasada, e alguma onda de azar gigantesca caiu naquele dia e você ficou arrasado e quis desistir de tudo?
— Lembro… E depois o Chan encontrou um lugar onde a gente conseguiu comemorar, mas ele nunca me explicou como. — Felix desviou seu olhar pra baixo, pensativo.
— Porque eu pedi pra ele não contar…
— O que? Foi você que arrumou tudo aquilo? — Felix se virou espantado para Hyunjin.
— Foi sim. — Hyunjin sorriu, envergonhado. — Você ficou tão triste, e ver você daquele jeito logo em um dia que deveria ser feliz, partiu meu coração. Então liguei pra minha tia que tinha um restaurante, e expliquei a situação, e ela deixou a gente comemorar lá. Mas como a gente sempre se bicava, eu pedi pro Chan não contar nada. E ali naquele dia eu percebi o que eu tava sentindo por você.
— Uau, eu não fazia ideia… Você deveria ter me contado, eu fiquei irritado com você tantas vezes mesmo depois de você ter feito algo legal assim pra mim… — Felix parecia desapontado.
— Não, não docinho, eu não quero que você se sinta mal. — Hyunjin interrompeu a caminhada, se colocando na frente de Felix. — Eu nunca me importei com nada disso, porque só de ter algo único com você, e te ter por perto já me deixava feliz.
— Você tem certeza que eu não te magoei?
— Tenho, Lix. Você só poderia me machucar se tivesse chutado minhas bolas em algum momento. — riu, enquanto soltava suas mãos e levava a sua em direção ao rosto de Felix.
— Não que eu não tenha pensado nisso. — revirou os olhos, rindo.
— Sorte a minha que você não tentou.
— Posso te fazer mais uma pergunta?
— Tudo o que você quiser.
— Por que você me chama de docinho? — Felix perguntou, genuinamente curioso.
Hyunjin suspirou feliz com a pergunta. Colocou a mão livre na cintura de Felix, enquanto o afastava delicadamente para trás até encostá-lo em uma pedra. Ali, no canto escuro da praia, longe de todos e atrás daquela pedra gigante onde ninguém poderia os ver ou incomodar, apenas a lua era testemunha do que vinha nascendo ali.
Ele se aproximou mais, colando seu corpo ao de Felix. Pegou a bebida que ele ainda segurava, e depositou as duas no chão, próximo a eles. Quando se levantou, levou as duas mãos ao rosto sardento, encarando os olhos amendoados de Felix.
— Primeiro, porque seu cabelo azul me lembra algodão doce. — sussurrou enquanto encarava a boca de Felix, que sorriu com o comentário.
— E segundo?
— Porque você é a pessoa mais doce que tive o prazer de conhecer.
Felix desviou o olhar dos olhos de Hyunjin, para sua boca carnuda. Ambos se encaravam famintos, sedentos para se sentirem. E sem deixar espaço para qualquer interrupção, Hyunjin colou seus lábios ao dele em um beijo apaixonado.
Suas bocas se encaixaram como se tivessem sido desenhadas uma para outra. Os olhos se fecharam fortemente enquanto sentiam a textura dos lábios se encostando, a respiração acelerada e os corações batendo fortes no mesmo ritmo.
Hyunjin chupou o lábio superior de Felix, o fazendo abrir mais a boca. Suas línguas se entrelaçaram, sentindo o gosto um do outro. Um almíscar doce na boca de Felix o fez arfar, enquanto deslizava sua língua mais a fundo em busca de mais.
Uma das mãos de Hyunjin desceram lentamente até a cintura delineada, a apertando. Enquanto a de Felix se entrelaçaram nos cabelos pretos, os puxando ao mesmo tempo que aprofundava o beijo. Sua mão esquerda adentrou a camiseta de Hyunjin, seus dedos pequenos passeando pela pele quente sem nenhum pudor. Seguindo em direção ao peito e beliscando o mamilo sensível, causando um arrepio nas costas de Hyunjin enquanto ele soltava um pequeno gemido em sua boca.
— Parece que você é um pouco sensível, hum? — disse Felix, enquanto separava suas bocas para recuperarem o ar.
— Você é um garoto petulante, né?
Hyunjin sorriu diante da audácia do garoto. Não deixando barato suas provocações, se abaixou um pouco e levou suas mãos para a parte de trás das coxas de Felix, o levantando e o segurando em seu colo. Suas mãos estavam espalmadas nas coxas grossas, enquanto pressionava Felix contra a pedra, não deixando nenhum espaço entre seus corpos.
Um gritinho surpreso escapou da boca de Felix, suas pernas se entrelaçando imediatamente na cintura fina de Hyunjin, e seus braços enlaçando seu pescoço.
Sem deixar espaço para qualquer objeção, Hyunjin juntou seus lábios novamente, enfiando sua língua na boca dele sem qualquer aviso, apenas seguindo sua sede por ele.
Seus corpos ardiam de desejo, se prestassem bastante atenção conseguiriam ouvir os corações um do outro batendo. Hyunjin começou a se esfregar em Felix, ainda vestidos pelas calças, o que causava um atrito delicioso e não demorou muito para ficarem duros de tesão. Felix começou a se contorcer em seu colo, enquanto soltava um gemido abafado em sua boca.
— H-Hyunjin… — suspirou Felix, quando Hyunjin soltou sua boca e a moveu em direção ao seu pescoço, começando a chupar a pele sardenta.
— Sim, docinho?
— E-eu acho que a gente d-devia…
— Devíamos?
Hyunjin chupou a pele com força, a lambendo logo em s
eguida para acalmar a ardência, continuando a se esfregar no garoto.
— A gente devia ir p-pra casa… — continuou Felix.
— Seu pedido é uma ordem, meu docinho.
🍹🌊
O som de suas respirações em conjunto e seus tropeços ecoavam na casa vazia. Suas bocas não se desgrudaram nem por um segundo, enquanto entravam e tiravam seus sapatos, caminhando em seguida, desajeitados em meio aos amassos em direção ao quarto.
Ainda seguravam suas bebidas, apesar de terem derrubado um pouco ao longo do caminho enquanto tentavam segurar o desejo um pelo outro.
Felix abriu a porta do seu quarto em meio a risadas, com um Hyunjin segurando sua cintura com um braço ao mesmo tempo que tentava morder o seu pescoço.
— Para, Hyunjin! Isso dói. — disse, com um sorriso de orelha a orelha.
— Desculpa, docinho. É que você me dá vontade de te devorar inteiro. — respondeu, dando um beijinho logo em seguida no local que tinha mordido.
— Você é difícil demais. — revirou os olhos, brincalhão. — O que é que vamos fazer com essas bebidas? A gente mais jogou fora do que bebeu.
— Eu tenho uma ideia…
— Que tipo de ideia?
— Você confia em mim?
— Claro que sim.
— Então você vai ver.
Voltaram a unir seus lábios em um beijo quente, entrelaçando suas línguas num ritmo delicioso. Era incrível a química que tinham, é como se conhecessem perfeitamente a boca um do outro.
Foram andando cegamente até a pequena varanda que tinha no quarto, abrindo a porta que os separava. O ar gelado vindo da praia fez seus corpos quentes se arrepiarem com o contato.
— Você já experimentou uma jacuzzi antes? — Hyunjin sussurrou rente a sua boca.
— Nunca. Mas adoraria fazer isso com você.
Sorrindo juntos, posaram seus drinks na superfície de madeira, próximo a jacuzzi. Retiraram apenas as meias, e entraram com as roupas ainda no corpo. A água quente que batia até suas cinturas, borbulhava, aquecendo seus corpos, e fazia uma pequena fumaça subir ao redor. Uma luz azul de dentro refletia, iluminando o lugar e trazendo uma aura calma e relaxante.
Hyunjin levou suas mãos até a cintura molhada de Felix, a enlaçando enquanto deixava beijos molhados em seu pescoço. Suas mãos foram levantando lentamente a camisa encharcada, revelando a cintura fina.
Seus dedos traçaram um caminho pelos gominhos marcados, indo em direção aos mamilos, causando um pequeno tremor no garoto em antecipação. Com uma mão em cada peito, Hyunjin puxou os dois mamilos ao mesmo tempo em um beliscão, sorrindo quando Felix arquejou, soltando um suspiro e segurando os cabelos de sua nuca.
— Pensei que você gostasse de beliscões. — sussurrou em seu ouvido, chupando seu lóbulo em seguida.
— Então você queria se vingar? — sussurrou de volta.
— Não. Eu só quero te torturar um pouquinho enquanto você me implora pra te foder.
Suas mãos inquietas começaram um novo caminho tortuoso, queimando as costas de Felix em cada toque lento, mas firme. Agarrando sua bunda logo em seguida e o puxando em direção a sua virilha, fazendo seus paus duros colidirem deliciosamente, ainda por cima das calças molhadas.
— Você sente isso? Sente como eu tô duro por você?
Ele fazia movimentos circulares, ainda segurando sua bunda, e causando uma fricção entre suas intimidades. Uma sensação quente e gostosa começava a se formar em suas barrigas, indo rapidamente em direção aos seus paus e os enchendo de tesão.
— Você sabe como foi torturante te ver todos os dias, rebolando por aí com a sua bunda gostosa, enquanto você até fervia tentando provar que me odiava?
Mudando o ângulo um pouco mais pro lado, ele ondulou seu quadril ao de Felix, roçando a cabeça do pau dele. O movimento o fez soltar um gemido mais alto, agarrando os ombros de Hyunjin com mais força.
— Eu aposto que você ia direto pro chuveiro tentar se aliviar, mas nada adiantava. Porque a única coisa capaz de te satisfazer, seria o meu pau enterrado dentro de você.
— Hyunjin…
Felix, de olhos fechados tentou buscar a boca de Hyunjin que estava com o rosto ainda colado no seu ouvido, sussurrando maliciosamente todas essas palavras profanas. Percebendo o que o garoto queria, ele sorriu, se voltando para ele e encostando suas testas.
— O que você quer, docinho? É só você me pedir que eu faço.
— Eu preciso de você.
— Precisa de mim como?
Felix bufou frustrado, encarando seus olhos castanhos.
— Me fodendo. Eu preciso de você me fodendo Hyunjin. Agora.
— Seu pedido é uma ordem, princesa.
Sorrindo, ele finalmente tirou a blusa molhada de Felix, e jogou no deck. Logo em seguida, puxou a sua própria pela cabeça, expondo seu torso com sua cintura fina e pele macia.
Ele não sabia, mas aquela cintura fazia parte dos sonhos mais profanos que Felix tinha.
Se aproximando ousadamente do garoto, ele enganchou os dedos na calça de Hyunjin, abaixando-as lentamente enquanto encarava seus olhos. Hyunjin repetiu o processo nele, juntando as peças molhadas com as outras que já estavam no deck. Agora estavam os dois molhados apenas de cueca dentro da jacuzzi.
Hyunjin se aproximou da borda, se sentando no assento que havia ali dentro da água. Esticou uma mão em direção ao pulso de Felix, o trazendo para perto.
— Se vire pra mim, docinho.
Obedecendo, ele se virou de costas para Hyunjin, se sentando logo em seguida no colo dele com as costas apoiadas no seu peito. Hyunjin circulou sua cintura com um braço, não deixando nenhum espaço entre seus corpos. Aproximou sua boca do ombro sardento, deixando um selar terno na pele sedosa. Suas sardinhas eram como pequenas galáxias iluminando sua pele, ele poderia passar os dias às contando uma por uma.
— Eu posso, meu bem? — enganchou seu dedo na cueca de Felix, pedindo permissão antes de tirá-la.
— Por favor…
Ele retirou a última peça, deixando Felix completamente nu. O contato com a água, o fez estremecer e suspirar. A mão que estava em sua cintura desceu em direção a sua virilha, seus dedos longos envolveram completamente o membro de Felix, o fazendo gemer e jogar sua cabeça para trás, encostando no seu ombro e fechando seus olhos.
Ele começou com um movimento lento de vai e vem, acariciando-o, fazendo Felix se contorcer em seus braços. Sua boca estava aberta, emitindo gemidos deliciosos que encantavam os ouvidos de Hyunjin.
Sua boca foi em direção ao pescoço livre de Felix, chupando a pele macia e a pintando em um tom carmesim. Ele seria sua obra de arte. Com a mão livre ele foi em direção ao peito esquerdo, fazendo movimentos circulares no mamilo rosado, enquanto levava a outra mão a pressionar a glande, espalhando o líquido pré-ejaculatório em seu pau, junto com a água para facilitar seus movimentos.
— I-Isso é… Isso é tão gostoso… — Felix suspirou, gemendo.
— Está gostoso assim, meu bem? — Hyunjin perguntou, acelerando seus movimentos.
— Sim… Eu preciso de m-mais, p-por favor.
— E você ainda não está satisfeito? Eu vou te dar tudo meu bem, você nunca mais vai pensar em outra pessoa.
Sorrindo zombeteiro, Hyunjin abandonou os movimentos em seu peito para abrir mais suas pernas, colocando-as em cima das suas e o deixando completamente aberto.
— Você teria lubrificante, docinho? — perguntou, sem abandonar seus movimentos.
— N-Na minha mala…
Droga. Estava longe demais. Não poderia abandoná-lo sedento por seu orgasmo assim.
Ainda movendo rapidamente sua mão no membro de Felix, ele levou a outra em direção ao seu orifício rosado, roçando-o com seus dedos sem de fato colocar. Ele não queria machucá-lo. Seus dedos traçaram movimentos circulares e firmes em sua borda, ao mesmo tempo que movia a mão em seu pau para baixo e pra cima, combinando seus movimentos na mesma velocidade.
Felix gemia desesperadamente em seus braços se contorcendo, enquanto Hyunjin chupava seu lóbulo. Era demais pra ele. Ele o sentia em todos os lugares, seu corpo inteiro formigava, ansioso pelo clímax. O suor escorria de sua testa, a temperatura da água quente se juntava com a de seu corpo e o deixava fervendo.
Hyunjin acelerou seus movimentos, seu dedo pressionando sua entrada, adentrando levemente a pontinha ao mesmo tempo que pressionava a ponta do seu pau. A sensação o fez tremer. Uma pressão atingiu seu ventre seguindo em direção ao seu pau.
— H-Hyun… Eu não vou a-aguentar.
Felix tentou avisar, mas isso só serviu de incentivo para Hyunjin continuar mais ainda. Um gemido grave cruzou seus lábios, seu corpo tremendo em êxtase ao atingir seu orgasmo. Sua mão não parou de se movimentar, até que todo líquido saísse para fora e Felix caísse mole em seus braços, cansado e vendo nuvens através dos seus olhos fechados. Seu coração batia fortemente junto de sua respiração acelerada.
Hyunjin encostou sua testa na têmpora dele, soltando seu membro e o segurando pela cintura, o amparando.
— Você está bem, meu bem? — perguntou, deixando um beijo em sua bochecha.
— Estou sim… Eu só…Isso foi muito gostoso. — Felix se virou em seus braços, o encarando de frente.
— Eu supri suas expectativas, bebê?
— Mais do que isso. — sorriu, desviando seu olhar para o lado. — Acho que agora seria uma boa pra beber esse drink, tudo isso me deixou com sede.
Hyunjin sorriu, pegando as duas taças com os drinks sex on the beach, dando uma para Felix enquanto segurava a outra.
— Um brinde, meu docinho?
— Um brinde, meu Hyune. — brincou, enquanto brindavam.
Ele entrelaçou seus braços enquanto bebiam suas bebidas juntos. Seus olhares não se separaram, engoliam o sabor doce e refrescante, misturado com o amargor da vodka e o licor de pêssego.
— Hmmm, o sabor é doce e gostoso. — disse Felix, enquanto lambia seus lábios e separava seus braços.
— Eu acho que o gosto pode ficar mais doce ainda.
Se aproximando novamente, como um predador rondando sua caça, Hyunjin pegou o restante de sua bebida e despejou lentamente no peito de Felix. Colocando a taça de lado no deck, ele não perdeu tempo em avançar e lamber todo o líquido, circulando seu mamilo com os lábios e o chupando, fazendo Felix soltar um arquejou surpreso.
Suas mãos seguraram firmemente a sua bunda, enquanto sua língua fazia movimentos circulares para, logo em seguida, o morder levemente.
— H-Hyunjin, espera! — interrompeu seus movimentos enquanto segurava seu rosto. — Eu ainda estou sensível… E eu também quero retribuir você.
Os olhos de Hyunjin se arregalaram. Felix o pressionou contra a borda novamente, fazendo-o sentar. Seus pequenos dedos acariciavam as maçãs do rosto de Hyunjin, enquanto ele ainda o encarava atônito e com expectativa.
Sua boca de coração, se aproximou do lóbulo do ouvido dele, o chupando lentamente.
— Eu também quero te fazer sentir bem, Hyune. — sussurrou. — Também quero realizar os seus sonhos molhados.
Felix levou sua mão até o membro ainda duro e preso na cueca, dolorido e implorando por liberdade. Um arrepio cruzou as costas de Hyunjin, assim que aquela pequena mãozinha o apertou.
— Eu não posso deixar você cheio e dolorido assim, me deixa te mostrar o que eu posso fazer com você.
Ele se afastou, encarando Hyunjin com seus olhos de corça, terminando de o enlouquecer. Sem forças para responder, ele apenas assentiu desesperadamente em anseio.
Repetindo os mesmos movimentos de antes, Felix também pegou o restante de sua bebida e a derramou no pescoço de Hyunjin, imediatamente levando sua boca na pele quente e a chupando fortemente. A ideia de deixar sua marca em Hyunjin era excitante, todos poderiam ver que ele era somente dele.
Esse pensamento o fez segurar os cabelos pretos, inclinando seu pescoço e o expondo mais ainda. Sua boca trabalhava animadamente, chupando, mordendo e beijando a pele macia e que era somente sua.
Terminando de despejar o restante em seu peito, levou sua boca para lá, lambendo o líquido e deixando marcas de chupões em seu peitoral, mordendo e devorando seu mamilo em seguida.
Hyunjin se desfazia em seus braços, perdido nas sensações que sentia. Seus dedos entrelaçaram nos cabelos azuis, os puxando enquanto gemia pedindo por mais. Ele era apenas uma mistura de suspiros e gemidos, não conseguia mais ter força para nada.
A boca carnuda soltou seu peito, deslizando até seu estômago. Felix foi se abaixando, a água batendo no seu queixo.
— Hyune, eu posso chupar você?
Céus, ele iria morrer.
Os olhos castanhos de corça o encaravam por baixo, como se implorasse por isso. Como ele poderia resistir?
— Como você espera que eu seja forte enquanto me olha desse jeito?
Passou suas mãos no maxilar sardento o segurando, enquanto Felix o encarava sorrindo maliciosamente.
— Vamos para a cama, meu bem.
Eles se levantaram e saíram da jacuzzi, molhando todo o deck sem se importarem. De mãos dadas, caminharam em direção ao quarto. Antes de se sentar na cama, Hyunjin retirou a sua cueca, libertando o seu membro dolorido e vermelho que pulsava implorando por alívio.
Aos olhos atentos e arregalados de Felix que não desviava o olhar do seu pau, ele se sentou na beirada da cama de pernas abertas, totalmente exposto, se encostando para trás com seus braços.
— Você é tão grande…
— Acha que aguenta, docinho?
Sem ao menos dar uma resposta, Felix se ajoelha aos seus pés, abocanhando seu membro. Seus lábios carnudos ficaram ainda mais cheios rodeados ao pau de Hyunjin. Ele chupou a cabecinha, rodeando sua glande com sua língua em movimentos circulares, que encheram Hyunjin de tesão.
Ele imediatamente levantou suas mãos e entrelaçou novamente aos cabelos azuis, se segurando para não enfiar tudo de uma vez dentro da garganta. Felix se segurou nas coxas grossas, as agarrando firmemente enquanto começava a descer o membro grande em sua boca.
Sua boca se abria e aceitava facilmente, felizmente ele não tinha reflexo de vômito o que o ajudava muito. Ele desceu devagar, até seu nariz encostar na pélvis de Hyunjin e empalando todo o pau do garoto dentro da sua boca.
Com sua boca cheia de pau, ele desviou seu olhar para cima, encontrando um Hyunjin com a respiração pesada lutando para não fechar seus olhos e se perder na sensação, enquanto olhava para baixo, vendo os olhos de corça de Felix, cheio de lágrimas enquanto segurava seu membro.
Ele sentia sua garganta, a sensação quente e molhada de sua língua e bochechas que o aqueciam deliciosamente, fazendo-o pulsar. Vendo que Felix ainda não se movia, ele segurou em seus cabelos o puxando para trás, fazendo sua boca deslizar até chegar à ponta.
E então, com um movimento firme, ele puxou a cabeça de volta para frente enfiando todo o seu pau novamente na garganta deliciosa. As mãozinhas que estavam nas suas coxas, o apertaram fortemente ao mesmo tempo que relaxava sua boca e deixava Hyunjin ditar o ritmo, o deslizando para frente e para trás.
O líquido pré-ejaculatório que saia de seu pau, junto com a saliva espessa de Felix, facilitava os movimentos. A língua de Felix circulava ao seu redor, fazendo-o sentir o calor molhado e quente. Suas bochechas pressionavam quando ele voltava para trás, o apertando em sua volta.
Hyunjin não conseguia respirar direito, a sensação era demais pra ele. Mesmo que ele tivesse fantasiado várias e várias vezes com um momento como esse, a realidade era mil vezes mais excitante e ele não sabia quanto tempo mais poderia segurar.
Os olhos de Felix lacrimejavam, o que o fazia aumentar a velocidade dos movimentos. Sua respiração estava entrecortada, ele batia o nariz na pélvis a sua frente, o pau grande pulsava na sua boca e ia até o fim da sua garganta, o que dificultava sua respiração. Mas ele não se importava, não quando ele estava finalmente dando prazer ao garoto que ele tanto fantasiou discretamente.
— Docinho. — Hyunjin retirou seu membro da boca de Felix, ouvindo um resmungo em resposta. — Eu não vou conseguir aguentar por muito tempo, meu bem.
Suspirando em antecipação com o sinal, Felix se levantou, dando a volta na cama indo até a sua mala. Se agachou, abrindo e pegando seu lubrificante. Hyunjin, ainda na cama, encarava seus movimentos, tentando controlar sua respiração.
— Eu não tenho camisinha, mas eu não ligo porque preciso sentir você ou eu vou morrer.
Hyunjin sorriu diante do comentário, pegando o lubrificante de sua mão.
— Deite-se.
Animadamente o obedecendo, ele seguiu as instruções de Hyunjin, se deitando de bruços, se apoiando nos seus cotovelos e empinando sua bunda em direção a ele.
— Você ainda vai me deixar doente. — Hyunjin suspirou.
Ele se posicionou atrás de Felix, despejando o líquido quente em seus dedos. Com a mão livre, segurou em sua cintura enquanto circulava seus dedos melados na sua bunda. Ele enfiou seu primeiro dedo, sentindo a pele quente e apertada de Felix o pressionar. Começou seu movimento de vai e vem, lentamente acostumando seu interior.
Não demorou muito para Felix se contorcer, começando a pedir por mais, o que ele assentiu sem pestanejar. Inseriu seu segundo dedo, fazendo movimentos de tesoura para o abrir mais. Seus dedos roçavam a próstata de Felix, fazendo-o gemer e arquear suas costas.
Com sua mão livre, massageava a cintura fina e apertava a carne, tentando a todo o momento o sentir, para ter certeza de que não era apenas mais um sonho, e sim que era real. Isso realmente estava acontecendo, ele estava prestes a transar com Felix, o garoto que sempre reprimiu seus sentimentos.
Inserindo o terceiro dedo, e o deixando quase pronto para o receber, Hyunjin se inclinou e beijou suas costas, se aproximando logo em seguida de sua orelha.
— Você tem certeza disso, meu bem?
— Por favor, Hyune, me fode logo. Eu preciso do seu pau. — choramingou enquanto se contorcia quando sua próstata foi acertada.
Atendendo ao seus choramingou e pedidos, Hyunjin retirou seus dedos molhados da bunda de Felix. Para logo depois, os substituir com a ponta do seu pau já lubrificado.
Pressionando lentamente a entrada, ele segurou com as duas mãos o quadril de Felix, deixando sua bunda empinada. Suas paredes aveludadas se abriam e acolhiam o pau de Hyunjin que entrava dentro dele, fazendo Felix gemer alto empurrando seu quadril para trás.
Quando ele estava inteiramente dentro com sua pélvis encostada na bunda de Felix, que acolhia todo o seu membro, ele soltou um suspiro, sentindo o calor o envolver.
Se afastou para trás devagar, deixando apenas a pontinha para voltar com força enquanto agarrava o quadril de Felix e colidiram seus corpos. O movimento fez ambos gemerem juntos. Hyunjin fazia movimentos firmes e fortes, fodendo Felix com força, segurando seus quadris para não o deixar cair. Enquanto Felix era apenas uma bagunça de gemidos e baba escorrendo pela sua boca, sentindo o pau de Hyunjin acertar constantemente sua próstata e lhe dando um prazer avassalador.
Ele ondulou seu quadril, abraçando a cintura com seus braços e aproximando sua boca do pescoço de Felix, o chupando.
— Você é tão gostoso, eu poderia viver pra sempre assim.
Felix gemeu em resposta, arqueando suas costas e batendo sua bunda para trás, fazendo seus corpos se encontrarem e colidirem em uma fricção deliciosa.
— Hyunjin… Porra, eu amo seu pau.
Hyunjin sorriu no pé de sua orelha, aumentando seus movimentos enquanto o fodia. O pau de Felix friccionava no lençol com os movimentos, o fazendo revirar os olhos.
O quarto era uma mistura de gemidos e sons de suas peles colidindo. A cama batia contra a parede, acompanhando seus movimentos de vai e vem. Se alguém estivesse de fora — ou pior, se Chan ou Minho chegassem agora — poderiam ouvir com certeza o que eles estavam fazendo.
Mas eles não estavam nem aí, tudo o que queria e tudo o que importava era o prazer que estavam dando um para o outro. Tudo o que importava era Hyunjin dentro de Felix, o tomando para si e o reivindicando, deixando suas marcas um no outro, mostrando para o mundo que se pertenciam.
Não apenas seus corpos, mas seus corações e almas também. A cada estocada, era mais uma promessa de que o que sentiam era único e verdadeiro.
Hyunjin gemeu em seu pescoço, sentindo que seu orgasmo estava próximo.
— Lixie, eu preciso ver você.
Se retirando momentaneamente, ele virou Felix de costas no colchão, abrindo suas pernas e o penetrando novamente. Quando olhou para o rosto sardento, ele quase gozou. Lágrimas escorriam dos olhos castanhos, molhando suas sardas, seus lábios estavam vermelhos e inchados de tanto Felix mordê-los, tentando conter seus gemidos, com o tanto que Hyunjin fodeu sua boca.
Ele estava destruído. Mas destruidamente belo.
Hyunjin afastou seus cabelos suados da testa de Felix, encontrando seu olhar, sem parar seus movimentos. Depositou um beijo em sua testa, depois em seus olhos, bochechas e por fim beijou sua boca, envolvendo sua língua e lambendo todo o interior de sua boca, sentindo o gosto do drink que dividiram, e o seu próprio gosto em conjunto.
O sabor era delicioso. Felix era delicioso.
— Hyunjin, eu estou quase…
— Goza comigo, meu amor.
Acelerando seus movimentos, Hyunjin prendeu os pulsos de Felix acima de sua cabeça com uma mão, o pressionando contra o colchão. Levou sua mão livre até o membro de Felix, o masturbando no mesmo ritmo que entrava e saia do garoto.
A testa de Felix franziu enquanto ele se contorcia de tesão, indicando que estava próximo. Com mais algumas estocadas, Hyunjin gozou, enchendo sua bunda, o que o fez gozar logo em seguida, o acompanhando e manchando toda sua barriga com o líquido branco.
Seus corpos tremiam de êxtase, sentindo os espaços dos orgasmos e arrepiando suas peles com uma sensação deliciosa. Depois de mais algumas estocadas, tentando prolongar a sensação, Hyunjin desabou em cima de Felix, totalmente exausto.
Seus corações batiam freneticamente e suas mentes entravam em branco, apenas sentindo a sensação de leveza pós-orgasmo.
Felix levou sua mão direita em direção aos cabelos morenos, fazendo um carinho enquanto o abraçava nas costas com seu outro braço. Hyunjin sorriu em seu pescoço, aproveitando o carinho. Suspirando, se afastou do local confortável, saindo de cima de Felix para não sufocá-lo.
Se deitou de lado, esticando seu braço para Felix usar de travesseiro, este que não perdeu tempo para se aproximar e se aconchegar perto do garoto. Hyunjin levou sua mão ao rosto sardento, retirando seus cabelos azuis dos olhos e colocando a mecha atrás da orelha.
— Eu ainda acho que estou sonhando, e que você não é real. — sussurrou enquanto fazia um carinho na bochecha.
— É real, Hyune. Eu estou aqui. — Felix pegou sua mão que estava em seu rosto, levando em direção ao seu coração que ainda batia rápido. — Me sinta. Sinta como meu coração bate louco por você.
— Felix…
— Eu estou apaixonado por você, Hyunjin. — sorriu docemente.
— Eu também estou apaixonado por você, Felix.
E assim, sorrindo docemente e com os corações transbordando de amor e felicidade, eles se abraçaram, caindo em um sono profundo e relaxante. Com o sentimento que estavam no seu próprio lar, no lugar certo. E não tinha lugar mais certo, do que os braços um do outro.
🍹🌊
A luz do sol da manhã entrava pelas cortinas junto com uma brisa suave e o cheiro de mar invadindo o quarto. Os raios suaves iluminando o rosto de Hyunjin o despertaram de seu sono profundo o fazendo se espreguiçar na cama, estalando seus músculos doloridos da noite passada. Mas ele não poderia reclamar, já que havia um bom motivo por trás disso.
Ao abrir os olhos preguiçosos de sono e com a cara amassada pelo travesseiro, ele imediatamente notou que estava sozinho no quarto. O espaço vazio e amarrotado ao seu lado era um sinal claro de que não havia apenas sonhado, mas a frieza do lençol dizia que estava dormindo sozinho há algum tempo.
Há onde o Felix estava? Será que ele se arrependeu?
Milhares de pensamentos e paranóias invadiram a sua mente enquanto se sentava no colchão e olhava ao redor procurando pelo garoto de cabelos azuis.
— Felix? — chamou esperando alguma resposta.
Uma ruga de preocupação se formou em sua testa, enquanto se levantava. Um pouco nervoso e tropeçando nos seus próprios pés, rapidamente ele vestiu suas roupas indo em direção a pequena varanda do quarto.
Soltou um suspiro de alívio ao avistar Felix um pouco mais ao longe perto da beira do mar.
Ele só esperava e desejava do fundo do seu coração, que ele não tivesse se arrependido de ontem.
Calmamente e aliviado por saber o paradeiro de Felix, ele saiu da casa silenciosa indo em direção ao garoto. A caminhada não foi muito longa, e em poucos minutos ele estava perto. Felix estava na beira d’água, sentindo a areia fresca e as ondas leves lavando seus pés. Não notou sua presença de imediato, somente quando Hyunjin se aproximou de suas costas o abraçando por trás que ele soltou um pulinho de susto, saindo do seu transe e voltando pra realidade com um suspiro, relaxando em seus braços quando o reconheceu.
— Achei que você tinha fugido. — disse Hyunjin enquanto deixava um selar doce em seu ombro.
— Desculpa, eu não queria acordar você. Você tava tão fofinho dormindo todo relaxado com um biquinho nos lábios. — suspirou se aconchegando nos braços que lhe apertavam forte.
— Preferia acordar com você do meu lado.
— Da próxima prometo acordar você com milhares de beijinhos.
Felix sorriu se virando para Hyunjin e deixando um beijo carinhoso no canto de sua boca. O coração dele errou uma batida ao receber o ato de carinho, relaxando imediatamente suas preocupações. Hyunjin pousou seu queixo no ombro sardento, encarando o mar à sua frente e sentindo a água em seus pés.
— Por um instante, eu achei que você tinha se arrependido…
— O quê? — Felix se virou bruscamente encarando o olhar preocupado.
— Quando eu acordei e não te vi, eu pensei que você tinha ido embora e se arrependido do que aconteceu ontem.
— Não, nunca! Eu não me arrependo, eu só… Precisava pensar um pouquinho.
— O que tá perturbando sua cabecinha, docinho?
Respirando fundo ele encarou Hyunjin, levando suas mãos até as maçãs do rosto dele fazendo um carinho leve enquanto se aproximava lentamente, colando seus lábios em um beijo doce. O beijo começou lento, seus lábios aprendendo a se conhecerem um pouco mais antes de suas línguas entrelaçarem em uma dança rítmica e deliciosa.
As mãos de Hyunjin apertaram seu quadril, o fazendo andar para trás até entrarem dentro do mar com a água batendo em suas cinturas. Seus dedos se entrelaçaram nos cabelos morenos, enquanto o puxava para mais perto aprofundando o beijo.
Sua respiração começou a acelerar com o calor do momento, a cada lambida dentro de sua boca era como uma ida ao céu. Quando Hyunjin chupou seu lábio inferior, o mordendo e o puxando logo em seguida ele soltou um pequeno gemido, respirando profundamente em sua boca.
Felix juntou suas testas e fechou os olhos tentando organizar seus pensamentos, enquanto fazia um carinho em seus cabelos.
— Me desculpa por isso, acho que ainda estou um pouco assustado, então eu vim aqui pra pensar em tudo. — suspirou. — Eu não me arrependo de ontem, foi tudo tão perfeito que você não tem ideia do quanto meu coração acordou feliz, e eu não retiro nada do que eu disse a você. Por mais que eu tenha tentado reprimir tudo o que eu sentia todo esse tempo, sem nenhum esforço, você conseguiu destruir qualquer barreira que eu tenha feito e meu coração pertence a você Hyune.
Hyunjin sorriu diante das palavras doces, se sentiu tão feliz por finalmente aceitarem seus verdadeiros sentimentos e deixarem seu passado de mágoas e irritações para trás.
— Meu coração também pertence a você meu docinho, ninguém poderia tê-lo como você. Eu quero recomeçar, eu quero que possamos nos conhecer de verdade e viver esse sentimento da maneira certa, sem nenhum medo tentando nos impedir. Se você quiser quebrar o meu coração pode quebrar, se quiser brigar comigo, me xingar, qualquer coisa eu quero que você faça, mas quero que você faça estando comigo e aceitando o que eu sinto por você.
— Eu também quero estar com você, eu não acho que eu consiga continuar seguindo a minha sem você por perto. — sorriu com lágrimas nos olhos.
— Então o que tá te impedindo meu bem? Do que você tem tanto medo?
— Meu irmão…
— O quê? O Chan? — franziu a testa.
— Hyunjin, ele é seu melhor amigo. Você sabe como ele sempre foi protetor pra cima de mim, e eu não sei como ele vai reagir a isso, eu tenho medo. Eu não quero ser um empecilho na amizade de vocês. — suspirou frustrado.
— Lixie, você nunca seria um empecilho na minha vida, meu bem, por favor, nunca mais repita isso. — segurou delicadamente o rosto de Felix, encarando-o com um olhar preocupado. — Eu sei que o seu irmão pode ser um pouco coruja e cabeça dura, mas eu também sei que ele tem um coração muito puro e bom. E eu nunca seria capaz de machucar ele, e principalmente machucar você.
— Eu sei, Hyun, eu confio em você. Mas e se vocês brigarem?
— Isso não vai acontecer, meu amor, eu prometo a você.
— Meu amor? — sorriu com um brilho no olhar pelo apelido carinhoso.
— Sim, meu amor. — afirmou sorrindo. — Você quer ser o meu amor? Você quer namorar comigo, Felix?
Felix pulou nos seus braços, o abraçando fortemente pelo pescoço enquanto sorria largamente. A felicidade em seu peito era tanta, seu coração estava disparado com as palavras que acabara de ouvir.
— Sim, sim, Hyunjin! Eu aceito namorar com você. Você também quer ser o meu amor?
— Você sempre foi o meu amor. — sorriu se afastando do abraço para encarar os olhos amendoados e brilhantes.
O mar continuava indo e voltando em suas ondas lentas, abençoando feliz a união daquele jovem amor. O sol brilhava alto no céu, tornando o dia mais alegre e confiante, era como se ele estivesse sorrindo para eles.
— Não se preocupe, ok? A gente vai conversar com seu irmão, e vai dar tudo certo você vai ver.
Soltou um beijo estalado na pontinha do nariz de Felix, arrancando uma gargalhada gostosa dele. Felix retribuiu avançando com a mão para o lado fazendo a água do mar respingar em Hyunjin. Abrindo a boca em choque com a audácia do garoto, ele agarrou sua cintura os afundando dentro da água, lavando qualquer insegura e medo em seus corações.
Uma pequena guerra de água se sucedeu entre eles, risadas genuínas de felicidade emergiram enquanto brincavam. Os corações leves pela escolha de terem escolhido um ao outro, e a certeza de que o futuro poderia ser um lugar feliz e confortável, se estivessem juntos.
🍹🌊
O som de passos molhados pelo piso ecoaram na casa não tão mais vazia. Chan e Minho já haviam acordado, aproveitaram bastante a noite anterior bebendo e se divertindo. Quando chegaram em casa completamente bêbados, já era de madrugada e apenas caíram na cama em um sono profundo, sem nem se importarem em procurar os outros dois fugitivos.
Agora acordados, com um pouquinho de ressaca pesando em suas cabeças eles faziam o café da manhã, prontos para começarem mais um dia.
Um dia que foi interrompido por gargalhadas altas e pés molhados, assim que Hyunjin e Felix cruzaram a soleira da porta encharcados dos pés à cabeça.
— Caíram cedo da cama vocês dois, hein? — Minho comentou, sentado na mesa enquanto se servia com a garrafa de café.
— Eu e Felix queríamos aproveitar um pouco o mar, a água estava deliciosa.
— Hmm, só a água? — arqueou a sobrancelha sugestivo.
— Sim, Minho, a água. — retrucou sorrindo cínico.
— Como foi a noite? Eu e Minho perdemos vocês de vista, mas estávamos tão bêbados que não conseguimos pensar direito. — Chan perguntou enquanto cortava uma fatia do pão.
— Foi divertida. — sorriu Felix sonhador. — Conseguimos passar um tempo legal juntos e fazer às pazes.
— Oh, vocês fizeram as pazes?
— Sim… Na verdade Chan, gostaríamos de conversar com você uma coisa. Em particular por favor.
Minho olhou questionador em direção a dupla molhada, desviando o olhar em seguida para um Chan confuso com um pedaço de pão dentro da boca. Soltou um riso interno enquanto se levantava para dar espaço para os três conversarem, apesar de talvez ter uma ideia do motivo da conversa.
— Bom, eu vou tomar banho enquanto vocês conversam. — apontou com o polegar para trás em direção ao corredor. — Se precisarem de mim, podem me chamar.
Assim que Minho saiu da cozinha em direção ao quarto, um silêncio constrangedor foi tomado no cômodo. Chan pressentindo a tensão estranha ao redor, pigarreou se virando em direção aos dois garotos.
— Vamos nos sentar em um lugar mais confortável.
Sorrindo amigável, se levantou indo em direção ao sofá da sala e se acomodando, indicando o móvel da frente com a cabeça para eles fazerem o mesmo.
— Então, o que querem falar comigo?
Hyunjin e Felix respiraram fundo enquanto se encaravam, tomando coragem para contar o pequeno segredo que guardaram nos últimos tempos, torcendo para que tudo desse certo.
— Primeiramente, eu queria dizer que eu amo muito você, e eu não poderia ter um irmão melhor para escolher. — começou Felix dizendo. — Você sabe como é importante pra mim, não sabe? E que eu sou grato por sempre me proteger e querer o melhor pra mim.
— Claro que eu sei, Felix. Mas a onde você quer chegar com esse assunto?
— Bem, é que… Hyunjin e eu conversamos e aconteceram umas coisas…
— Que coisas? — questionou com a testa franzida em preocupação.
— Não é nada demais, é só qu-
— Eu tô apaixonado pelo Felix. — interrompeu Hyunjin.
Um silêncio mortal cobriu o cômodo novamente. Nada além de suas respirações compassadas e o barulho do mar podia ser ouvido. Felix estava com os olhos arregalados pela surpresa das palavras terem sido ditas, enquanto Hyunjin continuava com um olhar impassível e seguro de si, esperando pela consequência que viria a seguir.
Chan estava em silêncio com a boca levemente aberta em surpresa, um brilho rápido cruzou o seu olhar. Mas não durou muito tempo, pois uma gargalhada alta e contagiosa irrompeu sua garganta enquanto ele se encostava no sofá virando a cabeça pra trás, morrendo de rir.
Felix e Hyunjin se olharam confusos com a reação repentina, sem entenderem o que tinha de tão engraçado.
— Eu achei que era algo mais sério. — Chan retornou a falar, limpando uma lágrima do olho causada pela crise de risos. — Vocês ainda vão me matar de rir.
— O que é tão engraçado? — questionou Felix com uma carranca.
— O que? Eu não entendi qual a novidade, achei que era uma coisa óbvia.
— Do que você tá falando? — Hyunjin o encarava confuso.
— É sério que vocês não perceberam? Toda essa implicância, briguinhas bestas só por respirarem o mesmo ar, eu sempre achei que fosse tesão acumulado. Na verdade, achei que até demoraram pra se assumir.
— Como…
Os dois garotos se encontravam atônitos olhando para Chan. Ele não parecia nem um pouco surpreso pela revelação, pelo contrário, parecia ter tido consciência disso antes mesmo do que eles.
Era realmente uma coisa tão óbvia assim, que eles só precisam de um gatilho para enxergar?
— Não me levem a mal, eu fico feliz por vocês finalmente deixarem toda essa birra pra trás e assumirem seus verdadeiros sentimentos, eu torcia por isso e eu sabia que uma hora ou outra vocês iriam se dar conta.
— Você sabia? — murmurou Felix perdido.
— Lixie, você é meu irmãozinho, eu te conheço como ninguém. E, Hyunjin, você é meu melhor amigo há anos, eu consigo te ler perfeitamente.
— Então você não está bravo? — Hyunjin levantou o olhar o encarando.
— O que? Claro que não. Vocês dois são importantes demais pra mim, eu não poderia estar mais feliz por essa união. Eu sei que sempre fui um irmão protetivo, mas é só porque eu não queria ver você sofrer, Lix. Mas a sua felicidade sempre vai ser minha prioridade. Mas é claro que fique avisado que se você quebrar o coração do meu irmãozinho, você vai se ver comigo, ouviu?
— Pode deixar, cunhadinho. — Hyunjin sorriu, enquanto entrelaçava sua mão com a de Felix.
— Não abuse do poder garoto. — advertiu brincando. — Mas então, é oficial? Vocês estão namorando e tudo?
— Sim… o Hyunjin me pediu agorinha no mar, foi muito romântico. — suas bochechas coraram com a lembrança.
— Owwwnn, que bonitinho ver meu irmãozinho apaixonado. — brincou fazendo um biquinho.
Felix sorrindo envergonhado, pegou uma almofada atrás dele e a jogou em direção ao irmão, rindo quando ela aterrissou na sua cara.
— Seu pestinha!
— Você mereceu!
— Tudo bem, tudo bem, trégua. Então era só isso que queriam me dizer?
— Sim, estávamos com medo e não sabíamos como contar a você. — continuou Hyunjin.
— Bobagem, não importa o que aconteça sempre estarei aqui pra vocês ok? Espero que vocês sejam felizes sempre.
— Nós te amamos muito Chan. — sorriu Felix com lágrimas de felicidade nos olhos.
— Eu também amo vocês pestinhas.
Sorrindo orgulhoso de seu irmão e seu melhor amigo finalmente aceitando seus sentimentos, e estarem felizes vivendo um amor genuíno e com o coração leve que apenas torcia pela felicidade deles, ele se levantou para voltar a cozinha e continuar tomando seu café da manhã.
Mas antes que desse mais um passo, ele interrompeu seu caminho, se virando corajosamente de novo para o recente casal, com um ímpeto de também aliviar seu coração com a verdade.
— Ah, e, Hyunjin. — começou, com a atenção deles voltando para si novamente. — Eu também estou namorando o seu irmão.
FIM.
