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Segunda-feira
Minho sorriu ao dar um pequeno gole no chá de camomila com mel aproveitando o silêncio total em que a casa se encontrava - como se ninguém vivesse ali. O café esquenta devagar, os raios do sol já brilhavam entre as folhas da enorme árvore colocada em frente a casa da família enquanto a pequena cachorrinha caramelo dormia aconchegada no sofá como se o dia não tivesse começado. Minho caminhou devagar pela cozinha dando o último gole na bebida e começando a preparar o café da manhã para a família. Entre ovos, bacons e morango, olhava para o relógio colocado de forma estratégica na parede.
Eram sete da manhã de uma segunda-feira quente de outono. Ele teria alguns minutos até que o caos começasse - os barulhos de pequenos pezinhos correndo pela casa, as vozes infantis o chamando a todo momento, os pequenos beijos molhados de um bebê. E tudo isso enquanto precisava os preparava para o primeiro dia de aula.
As férias escolares finalmente haviam chegado ao fim. No último mês, Minho havia passado grande parte do tempo perdido entre livros de pintar, desenhos infantis, lanches saudáveis e incansáveis brigas por um pequeno boneco do personagem Bluey que o marido havia comprado apenas para um dos filhos - e que ele precisou esconder no sótão para que pudesse ter um pouco de “paz” e silêncio.
Ouviu pequenos passinhos descendo a escada e deu um sorriso. A casa finalmente estava acordada e, agora, Minho tinha cerca de duas horas para conseguir arrumá-lós para a escola. No último degrau, Jihoon sorriu ainda vestido com o pijama de super herói que havia ganhado dos avós no aniversário de sete anos. Seus pequenos cachinhos estavam bagunçados, o deixando ainda mais fofo. Minho o viu andar até o animal de estimação e fazer um pequeno carinho em seus pelos, como se quisesse acordá-lá. Berry soltou um pequeno latido e passou a lamber o rosto do dono, que ria alto fazendo o pai sorrir.
- Você vai me babar inteiro, Berry! - Jihoon reclamou abraçando a cachorrinha. - O Papai Min não vai querer me dar um beijo de bom dia agora…
- Não mesmo, você está todo babado. - Minho reclamou fazendo uma pequena careta que fez o filho rir. Jihoon colocou a cachorrinha no chão e andou até o pai, o abraçando pela cintura. - Dormiu bem, bebê?
- Sim, mas teria dormido melhor se o Anton não tivesse roncado tanto. - Falou fazendo o pai rir.
- Ele está doente, meu amor. Não é culpa dele. - Minho respondeu voltando a atenção para as maçãs que cortava.
- Então, ele não vai para a escola? - Perguntou. - Também quero ficar doente, papai.
- Não diga isso, Jihoon. - Minho reclamou virando devagar e indo até a mesa. - Ele já está melhor para ir até a aula. Aliás, você vai cuidar dele, não é?
Jihoon assentiu dando um sorriso enquanto comia um pedaço da maçã que o pai havia colocado em sua frente e começou a contar todos os planos que possuía para aquele semestre escolar. O garotinho já estava no segundo ano do ensino primário, era inteligente e muito bom em matemática - algo que Minho sabia que ele havia puxado do outro pai. Ele era o tipo de criança extrovertida, que gosta de conversar com todos em sua volta e possui muitos amigos - algo que Minho concordava que havia sido puxado dele. Jihoon era a junção perfeita dos dois pais. Ele possuía os olhos de jabuticaba e o pequeno sorriso de coelho de Minho. Já os cabelos castanhos naturalmente cacheados e as enormes covinhas em suas bochechas com toda certeza havia sido algo herdado do outro pai. Como esperado de um primogênito.
- Papai, podemos comer ensopado a noite? - Perguntou sorrindo.
Sem tirar a atenção dos ovos mexidos que servia nos pequenos pratos, Minho assentiu. - De peixe ou carne?
- Carne! Você sabe como odeio peixe. - Respondeu fazendo uma pequena careta de desgosto.
- Tudo bem, peixinho. - Minho disse sorrindo. - Agora, pode ajudar o papai e pegar um suco na geladeira?
Jihoon levantou os dois polegares e desceu devagar até a geladeira pronto para ajudar enquanto o pai terminava de organizar a mesa. Minho levantou a sobrancelha devagar, estranhando o silêncio matinal na casa, mas não demorou muito até que ouviu duas vozes ecoarem no andar de cima.
- Solta! Já disse que o Bluey é meu. - A garotinha gritou fazendo Minho suspirar fundo.
- Não! Você sabe que o Papai Chris comprou para mim. - O garotinho gritou.
- Nada disso! Ele não gosta de você como gosta de mim…
- Ele te achou no lixo.
- Ei, ei! – Minho surgiu no último degrau da escada olhando para as duas criancinhas que lutavam pelo boneco azul. - O que eu já disse sobre brigas?
- Ele não quer me devolver o Bluey. - A garotinha respondeu batendo os pequenos pés no chão.
- Mas é meu!
- Anton, devolve o boneco para a sua irmã.
- Mas é meu papai! Você sabe disso.
- Quer ficar de castigo? - Minho perguntou o olhando.
E, depois de minutos de paz, o caos estava instaurado na casa. Anton se jogou no chão enquanto chorava mesmo sem soltar o boneco. Minho olhou para a cozinha, vendo Jihoon sentado na mesa brincando com a comida, e suspirou fundo subindo as escadas até o filho.
- Anton, por que você está chorando? - Perguntou olhando para o filho.
- O Bluey é meu, papa. - Reclamou passando as mãos sobre os olhos molhados.
- Mas podemos deixá-lo um pouco com a Arin, o que você acha? - Comentou sorrindo. - Depois, você pode tê-lo pelo tempo que quiser.
- Até na escola? - Perguntou o olhando.
- Você sabe que não podemos levar brinquedos para a escola…
Anton voltou a chorar enquanto batia os pés e as mãos no chão. De longe, Arin sorriu brincando com o bicho de pelúcia que havia sido motivo de discórdia desde o dia que havia chegado. Minho suspirou fundo, sentindo que poderia surtar a qualquer momento, mas soltou o pequeno ar do pulmão pronto para tentar convencer o filho de cinco anos. No entanto, um barulho foi ouvido na cozinha, o fazendo levantar correndo do chão e indo até o cômodo. Na mesa, o filho mais velho estava com os dedos na boca enquanto olhava para o suco de laranja derramado sobre os ovos que o pai havia feito.
- Desculpa, papai… - Comentou já derramando lágrimas pelo rosto enquanto Minho olhava para a tragédia que havia sido feita. - É que eu queria um pouquinho de suco e…
- Tá tudo bem, meu amor. Vamos limpar, ok? - Jihoon assentiu devagar e Minho andou até a pia pegando um pano. - O que eu já disse sobre beber suco sozinho?
- Que temos que pedir ajuda….
- Exatamente. - Minho respondeu entregando o pano para que o filho limpasse o móvel molhado. No fundo, o choro de Arin ecoou por todo o cômodo, fazendo Minho fechar os olhos e seguir até a escada mais uma vez naquela manhã. No segundo andar, a garotinha chorava enquanto o irmão segurava o boneco e mostrava a língua em tom de provocação. - Ok! Chega. O Bluey é meu até vocês dois aprenderem.
- Mas, papai. - Anton respondeu tendo o objeto retirado das mãos.
- Nada de “mas”. Ninguém mais brinca com o Bluey. - Proclamou. - Agora, chega de choro e desçam para o café da manhã.
- É tudo culpa sua! Feiosa… - Anton disse cruzando os braços.
- E você é um cocô! - Arin respondeu mostrando a língua.
- Arin! Não diz isso. - Minho reclamou olhando para a filha.
Anton tentou se aproximar da irmã, mas acabou sendo impedido pelo pai, que tentava parar a briga. Como se o caos não estivesse completo, no primeiro degrau da escada, Jihoon apareceu com o pijama e o rosto molhado fazendo Minho olhar assustado.
- Papai, eu derramei o leite…
Minho suspirou fundo, mas não precisou dizer nada. A porta da casa abriu mostrando a pessoa que ele tanto precisava naquele momento. Chan vestia roupa de academia, os cabelos molhados pelo suor da “corrida matinal” e um semblante como se tivesse descansado a noite inteira. Seus olhos repousaram sobre os dos marido, que, apenas com um olhar, suplicou por ajuda.
- O que está acontecendo aqui? - Perguntou olhando para os filhos, recebendo como resposta choros e gritos. - Ok! Todo mundo no banho. Agora.
- Mas, papai… - Jihoon protestou.
- No banho, Jihoon Bang.
O garotinho não respondeu, apenas subiu as escadas sendo acompanhado pelos dois irmãos mais novos. Minho suspirou fundo pela décima vez naquela manhã e desceu as escadas com o boneco azul na mão, indo até o marido, que o abraçou forte enquanto sentia a cabeça repousar em seus ombros.
- Podemos deixá-lós na adoção? - Minho perguntou fazendo Chan rir.
- Você choraria, amor. - Chan respondeu. - O que aconteceu por aqui?
- Os gêmeos começaram a brigar por causa desse boneco azul estúpido e, para piorar, o Jihoon derramou suco de laranja por todo o café da manhã - Reclamou levantando a cabeça. - Agora estamos atrasados para o primeiro dia de aula e não temos o que comer.
- Que tal irmos comermos alguma coisa fora?
- Com três crianças? Você ficou doido? - Minho reclamou. - Jihoon está extremamente desastrado hoje, Anton está dando birra por qualquer coisa e a Arin chamou o irmão dela de cocô! - Chan soltou uma risada alta.
- Bom, nem todos estão teimosos hoje. - Minho olhou para o marido com dúvida. - Quer dizer, o Junhan ainda está dormindo, não é?
- Ai meu Deus! Eu esqueci que temos outro filho. - Reclamou olhando para o marido . - Que tipo de pai eu sou?
- O pai que está cansado, amor. - Chan respondeu. - Vai dar uma olhada no Junhan, eu vou cuidar das três pestinhas.
- Preciso arrumar a bagunça na cozinha…
- Relaxa, vou pedir para a faxineira vir hoje. Ok?
Minho assentiu sentindo os lábios do marido deixarem um selar devagar em sua testa antes de se afastar para cuidar dos filhos. Sorriu tímido conforme via a figura de Chan se afastar pelo segundo andar enquanto o barulho de crianças encherem o andar de cima.
Apesar das habituais manhãs caóticas na casa, Minho sabia que não conseguiria pensar em um mundo onde ele fosse feliz sem sua família — sem as risadas altas de Jihoon, as piadas sem graça de Anton, a mania de maquiar que Arin estava adquirindo nos últimos meses e os sorriso banguelas que Junhan sempre o dava pela manhã. As quatros crianças eram sua força.
E claro, Bang Chan. Minho não conseguia pensar em uma pessoa melhor que pudesse passar a vida junto. Eram 15 anos de história. 15 anos que dividiam os mesmo sonhos, as mesas risadas e os frios na barriga que nunca passavam quando se viam depois de um dia inteiro longe um do outro. Os mesmos sentimentos que sentiram no dia que se conheceram no primeiro dia de aula da universidade. Era um dia frio de outono que fazia cada pedaço do corpo de Minho arrepiar. Ele era calouro do curso de engenharia e carregava diversos livros nos braços quando, sem querer, esbarrou em um garoto derrubando o café que ele bebia no chão. Minho pediu desculpas diversas vezes até sentir a garganta ficar seca, mas o outro estudante pareceu não se importar. Abaixou devagar, pegou os livros e o entregou com um sorriso no rosto. Minho sorriu. Sorriu pela gentileza de uma pessoa que nunca havia visto - e, claro, pelas covinhas profundas e a beleza magnética da pessoa em sua frente. Minho o convidou para um café com um pedido de desculpas e, como se nada tivesse acontecido há segundo atrás, os dois saíram juntos até uma cafeteria perto da universidade.
Naquele encontro, Minho descobriu que o nome do garoto bonito era Christopher, mas todos o chamavam de Chan. Descobriu que ele havia crescido na Austrália, mas que se mudou para Seul ao passar na faculdade de direito e que ele era o mais velho de três irmãos. Minho ouviu tudo atentamente - talvez hipnotizado por cada traço que o desconhecido à sua frente apresentava. E Minho também contou um pouco sobre sua vida. Contou que ainda morava com os pais e como os amava incondicionalmente, que era filho único e o primeiro da família a entrar na universidade. Minho se lembra do sorriso de Chan o ouvindo, a risada alta e contagiante que ele soltou ao saber da história sobre o pedaço de alface preso em seu aparelho odontológico durante as aulas da sexta série. Minho se lembra que, daquele dia em diante, ele prometeu a si mesmo que sempre faria Chan sorrir daquela forma.
A partir daquele mesmo dia, os dois nunca mais se afastaram. Iam para as aulas juntos, construíram o mesmo grupo de amigos, saiam para jantar com os colegas, mas também amavam passar noites sozinhos no apartamento pequeno que Chan havia alugado no centro da cidade. E, em um desses encontros, Chan beijou Minho. Eles estavam deitados na cama enquanto assistiam um dos filmes de romance o qual Minho era viciado e dividiam um balde de pipoca feita especialmente no microondas. Naquela noite, Chan olhou no fundo dos olhos de Minho e se declarou para ele. Beijou seus lábios como se sua vida dependesse daquilo. Sentiu as mãos suadas de Minho escorregarem pelas suas costas nuas no exato momento em que o mais novo disse que também gostava dele. Desde aquele momento, Chan se tornou de Minho. E Minho se tornou de Chan.
Passaram por muitos problemas, mas nunca se afastaram um do outro. Minho apoio Chan para se formar na faculdade que tanto amava e passar no exame da ordem. E Chan apoiou Minho quando ele contou que não queria mais seguir na faculdade e que seu sonho, na verdade, era ser escritor. Chan esteve lá quando Minho lançou o primeiro livro, quando o sucesso chegou em outros continentes até que o livro estivesse presente na lista de mais lidos do New York Times.
E Chan também esteve lá quando Minho contou sobre sua condição médica. Era um jantar de comemoração entre o casal em um restaurante chique em um dos bairros mais famosos de Seul. Minho vinha ensaiando há algum tempo sobre como deveria contar ao namorado que ele era um homem, mas que possuía um útero. Sim, um útero. Não era uma doença ou qualquer coisa do tipo, porém era algo que poderia afastá-lo, e Minho não queria isso. Ele passou o jantar inteiro nervoso, comendo o pouco das unhas que ainda restavam, até que Chan percebeu e perguntou se tudo estava bem. E Minho contou. Contou sobre a condição médica, sobre como era um homem que possuía um útero e como se sentia como uma “aberração” às vezes. E Chan escutou tudo com um sorriso no rosto. Quando Minho terminou de falar, com os olhos cheios de água, Chan fez um pequeno carinho em sua mão e soltou algo que Minho nunca sonhou em ouvir.
- Ainda bem, assim podemos ter filhos com os meus olhos e o seu sorriso de coelhinho.
Foi nesse mesmo dia que Chan o pediu em casamento. E Minho não duvidou em dizer sim. Porque, desde o dia que derrubou o café, ele sabia que o Chan era o amor da sua vida.
- Amor, Junhan está chorando! - Minho balançou a cabeça devagar e andou até o quarto do filho mais novo
🍼
A cafeteria estava vazia no momento em que Minho colocou os pés no local. O cheiro de café misturado com os bolos de castanhas faziam seu estômago revirar, o fazendo ter certeza que a refeição pela manhã não havia o feito bem. Junhan estava em seu colo com os dedinhos teimosos na boca e sorriu feliz ao perceber onde havia chegado, batendo os pezinhos no colo do pai até que foi colocado no chão. Ele correu de forma atrapalhada até a cozinha enquanto Minho colocava a bolsa em uma das mesas do canto e ouvia a voz alta de alguém nos fundos do estabelecimento. Não demorou muito até que Felix surgisse carregando o garotinho no colo, o enchendo de beijos enquanto Junhan ria e jogava a cabeça para trás.
- Você está tão gordinho. O que os seus pais estão te dando, hum? - Felix perguntou fazendo pequenas cócegas na barriga de Junhan.
- São seus brownies. - Minho comentou tirando a blusa de frio que vestia.
- Como você está, hyung? Chegaram cedo hoje. - O loiro falou notando as olheiras no rosto do amigo.
- Cansado. As crianças estavam terríveis hoje de manhã. - Reclamou sentando na cadeira. - Íamos levá-las para tomar café da manhã na rua, mas atrasaram brigando por causa de uma escova de cabelo e precisei alimentar três ferinhas no carro enquanto esse bebê gritava.
- Uau, ter quatro filhos realmente é um evento. - Disse brincando com Junhan. - Ainda bem que Allie é um anjo. Ela se arrumou sozinha para a escola e ainda nos acordou, acredita?
- Não quer trocar de filhos? - Minho perguntou e Felix riu.
- Não, obrigado. - Comentou. - Então, quais são os planos para hoje?
- Preciso terminar as revisões de um capítulo e… - Minho colocou as mãos sobre a boca como se tentasse impedir que algo saísse.
- Você tá bem?
- Meu estômago está horrível desde semana passada. Acho que foi a carne grelhada que Chan comprou na janta de quinta.
- Você não deveria ir ao médico? Pode ser algo sério.
- Ah, não. Eu não tenho tempo. - Minho respondeu. - Além do mais, são só enjoos e um pouco de tontura. Não é nada preocupante.
- Se você diz… - Felix respondeu. - Mas, se você desmaiar no chão da nossa cafeteria, vou deixá-lo sozinho.
Minho soltou uma risada baixa e estendeu o polegar, atitude que Junhan copiou com o sorriso banguela no rosto. Logo, o sino da porta foi ouvido e Felix entregou o garotinho para o pai indo atender o cliente que esperava por um café.
A manhã foi tranquila no local. Minho ajudou Felix com contas do financeiro, alimentou Junhan com uma papinha de mamão que Chan havia feito mais cedo e tentou revisar o maldito capitúlo do livro apesar de todo o enjoo que sentia. Na hora do almoço, Felix decidiu que seria ideal fazer um ensopado de frango para o amigo e sumiu na cozinha por algum tempo enquanto Junhan cochilava no pequeno carrinho e Minho se perdia entre palavras de duas pessoas se apaixonando. Quando a comida finalmente ficou pronta, a porta abriu revelando Seungmin e Jisung com sorriso no rosto. Han carregava o violão nas costas e ainda usava a blusa da escola onde trabalhava como musicoterapeuta. Já Kim tentava caminhar com a enorme barriga de oito meses de gravidez e um semblante cansado na face, mas que melhorou assim que viu Junhan abrindo os olhos no carrinho.
- Jesus, Minnie, você tem certeza que não está carregando duas pessoas aí dentro? - Felix perguntou colocando a panela sobre a mesa devagar.
- O médico disse que é só um, mas dúvido muito. - Seungmin reclamou. - Minhas costas doem, meus pés estão inchados. Estou me sentindo como uma bola ambulante.
- Você tem sorte que só é um, Minnie. - Minho respondeu. - Na gravidez dos gêmeos me senti como uma roda gigante.
- Talvez o bebê irá nascer com os músculos do Changbin. - Jisung comentou recebendo um tapa certeiro no ombro. - Ai!
- Você vai ter um terçol.
- E o que é isso? É grave? - Jisung perguntou olhando para Minho. - Eu vou morrer.
- Espero que sim. - Seungmin respondeu revirando os olhos.
- Não, Hannie. - Felix respondeu se sentando ao lado de Minho. - Então, quais são as novidades da semana?
- Eu ainda estou grávido e o meu excelentíssimo marido continua achando que vamos chamar o meu filho de Seungbin. - Seungmin contou.
- É um nome legal, Minnie. - Minho comentou olhando para o filho mexer no carrinho e voltar a dormir.
- Legal? Não mesmo! O nome dele vai ser Sieun. - Respondeu. - Se eu carrego esse bebê na minha barriga, ele vai ter o nome que eu quiser.
- Mas ele também é pai…. - Jisung comentou com as bochechas cheias.
- Você quer morrer agora ou mais tarde?
- E quais as suas novidades, Sungie? - Felix perguntou sorrindo.
- Bom, lembra da professora que comentei com vocês na semana passada? Ela finalmente aceitou ir comigo em um encontro.
- Uau! Depois de tanto insistir, correr atrás, mandar flores… - Minho comentou colocando uma colher da comida na boca em seguida.
- Você fez isso tudo? - Seungmin perguntou.
- Não, quer dizer, quase… não mandei as flores. - Jisung respondeu. - Porém, corri atrás dela. Não atrás, mas junto com ela.
- Você aprendeu a correr por ela? - Felix perguntou.
- Ela é linda! Você já viu…
Minho respirou fundo antes de levantar deixando os amigos confusos e indo até o banheiro vomitar tudo o que tinha no estômago. Suspirou fundo sentindo a tontura o atingir, ficando parado por alguns segundos até ter forças para limpar a boca e sair do cômodo. Na mesa, os três amigos o olhavam curiosos enquanto Junhan balançava as pernas sentando no pouco espaço disponível no colo de Seungmin.
- Você tá bem, Min? - Jisung perguntou.
-Estou. É só um enjoo chato. - Minho respondeu sentando. - Acho que comi algo estragado.
- Você tem certeza que não quer ir ao médico? Posso buscar as crianças. - Felix falou olhando preocupado.
- Não precisa, Lix. Vou tomar um remédio para enjoo e amanhã já estarei 100%.
- Hyung… - Seungmin o chamou. - Desde quando isso vem acontecendo?
- Sei lá, desde quinta-feira passada? Não consegui prestar atenção. As crianças estão agitadas nos últimos dias.
- Você se lembra do que sentiu na última vez que ficou grávido? - Kim perguntou olhando no fundo dos seus olhos.
- Verdade! Você sentiu enjoo de frango. - Jisung comentou. - Todas as vezes que comiamos, você vomitava.
- Isso é besteira, gente. Com certeza é a carne grelhada que o Chan comprou.
- Ou é mais um bebê. - Seungmin falou sorrindo. - Olha que legal, nossos bebês cresceriam juntos.
- Para com isso, Seungmin. - Minho reclamou. - Já tenho quatro crianças, o Junhan acabou de completar um ano de idade. Se isso acontecesse, o Chan surtaria.
- Surtaria? Qual é, Min. - Felix falou. - Ele é doido pelos filhos. Acho que o sonho do hyung é fazer um time de futebol.
- Imagina doze crianças com o temperamento do Anton. - Jisung falou fazendo Seungmin rir,
- Ou com a inteligência do Jihoon. Você ficaria rico, Min. - Felix respondeu.
- Parem com isso, é só um enjoo.
- Se você diz. - Seungmin comentou dando os ombros. - Só se lembra que eu fui escolhido para ser padrinho do próximo bebê do nosso grupo.
Minho revirou os olhos e afastou o ensopado devido ao cheiro.
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O teto girava sem parar. Apesar do escuro, Minho sentia a cabeça doer com o reflexo que vinha do lado de fora pela pequena fresta deixada na porta. O quarto estava silencioso e escuro, sem nenhuma distração que pudesse fazer com que sua dor piorasse. Estava deitado entre as cobertas quentes e com o cheiro do marido que, de certa forma, o acalmava.
Após o almoço, Minho jurou a Felix que estava melhor e saiu da cafeteria pronto para cumprir a rotina juntamente com os quatro filhos. Os buscou na escola e seguiu em rumo às atividades extracurriculares enquanto Jihoon contava sobre a nova professora de gramática e os gêmeos brigavam por um pedaço grande de brownie. Jihoon era o único quieto no veículo, olhando atentamente para a paisagem enquanto balançava os pezinhos balbuciando pequenos barulhos. Conseguiu chegar a tempo na aula de balé e karatê, indo vomitar no banheiro entre os intervalos que conseguia. Por fim, decidiu cancelar a aula de natação das crianças e voltar para casa quando sentiu que poderia desmaiar a qualquer momento. Ao chegar, arrumou o lanche das crianças e as colocou na frente da televisão, tentando descansar enquanto um episódio de Patrulha Canina passava na televisão, mas foi uma missão totalmente em vão. Jihoon o chamava a cada dois segundos para contar sobre um novo dinossauro, Junhan chorou quando Anton pegou seu brinquedo favorito de sua mão e Arin gritou quando um pequeno cachorrinho apareceu. Minho gemeu de dor. Sentiu que o estômago iria o matar a qualquer momento, mas tudo o que fez foi respirar fundo e tentar manter cada criança viva.
Chan chegou em casa no exato momento em que Minho saia do banheiro depois de vomitar mais uma vez. Notou a situação do marido — as olheiras profundas, a palidez, o cansaço presente no corpo — e o olhou assustado, o colocando na cama enquanto dava um sermão do porque ele não havia o avisado sobre a situação mais cedo. Minho dormiu um pouco, acordou quando sentiu as mãos quentes do marido sobre suas bochechas anunciando que havia comprado um remédio e voltou para a cama recebendo um selar calmo na testa.
Agora, Minho encarava o teto com certa dúvida. Ele poderia estar grávido? Ou era só uma virose? Chan ficaria bravo se isso acontecesse? Ele conseguiria cuidar de mais uma criança? Chan o deixaria por uma pessoa mais nova e sem filhos?
Gemeu de dor ao pensar na última hipótese.
Não que filho fosse algo ruim — na verdade, Minho os amava mais do que a si mesmo. —, mas ter uma criança naquele momento talvez não fosse algo ideal. Sabia como Chan estava se desdobrando no trabalho e como havia sido difícil acomodar cada criança naquela casa. Além disso, Junhan tinha apenas um ano e ter dois bebês em casa seria desgastante.
Mas, ter um bebê, também significava o quanto Minho e Chan se amavam.
Essa foi a frase que ouviu quando descobriu a gravidez de Jihoon. Há oito anos atrás, Minho havia acabado de lançar um novo livro e estava viajando por diversos países para sessões de autógrafo. Em contrapartida, Chan passava longos dias dentro de um escritório no centro de Seul trabalhando duro para conseguir um aumento e finalmente comprar o apartamento que o casal tanto sonhava. Fazia dois anos que haviam se casado, mas ainda moravam no pequeno apartamento no centro da cidade que o mais velho havia alugado na época da faculdade. O lugar possuía um pequeno banheiro, um quarto que mal cabia a cama de casal e cozinha interligada com a sala. O chuveiro não era dos melhores, quase sempre faltava água ou luz no local, mas eles não pareciam se importar. Tudo o que importava era o momento que deitava na cama e dormiam abraçados, sentindo o calor um do outro no lar que haviam construído.
E foi naquele mesmo lugar que Minho descobriu que estava grávido. Era uma noite quente, o ar condicionado do apartamento havia quebrado e só poderia ser consertado dali três dias. O casal estava jogado no chão da pequena sala de estar com o ventilador de teto ligado no máximo enquanto tomava o sorvete favorito de Minho — passas de rum e chantilly. Chan odiava o gosto da sobremesa, mas sempre aceitava as colheradas que o marido lhe dava com um sorriso no rosto. Na televisão, o filme “O Bebê de Bridget Jones” passava pela segunda vez na semana. Minho sentiu o coração apertar na cena em que a protagonista descobria a gravidez — o olhar de incerteza e as mãos trêmulas. Engoliu seco entregando o resto de sorvete para o marido e anunciou que iria até o quarto ligar para Felix. No banheiro, tirou a pequena embalagem escondida no fundo da gaveta. A caixa rosa mostrando o teste de gravidez brilhava fortemente fazendo seu estômago revirar.
Minho havia comprado o teste um dia depois do aniversário de dois anos de casamento, mas ainda não tinha criado coragem para fazê-lo. O escondeu no fundo da gaveta logo atrás dos cremes de rosto pensando que, talvez, algum dia faria. Semanas se passaram, os sintomas se agravaram e Minho ignorou todos. Ele tentou esquecer os desejos esquisitos, o cansaço que sentia depois de fazer uma tarefa simples ou a forma como o cheiro do perfume de Chan o estava deixando enjoado. Colocou tudo na culpa do cansaço, mesmo quando o corpo dizia que não era aquilo.
— Ok, Minho. Você consegue fazer isso. - Foi o que disse antes de abrir a embalagem e ler as instruções descritas no manual. Sentou na tampa do vaso enquanto olhava para aquele palito mergulhado na urina. Mordeu as unhas de forma ansiosa tentando imaginar como seria a reação de Chan se aquelas duas linhas aparecessem. Ele ficaria bravo? Surtaria com Minho? O chamaria de irresponsável? Afinal, moravam em um apartamento tão pequeno que, criar uma criança ali, seria impossível. Suspirou fundo quando o celular apitou avisando que três minutos haviam se passado e suspirou fundo olhando para o teste.
Duas linhas rosas. Minho estava grávido. Ele teria um bebê.
— Amor, tá tudo bem aí? - Minho deu um pequeno pulo ao ouvir a voz de Chan e arregalou os olhos quando a porta foi aberta. O mais velho desceu os olhos para o teste em suas mãos. — Min, o que.. o que é isso?
— Por favor, não fica bravo. - Minho pediu antes de sentir os braços do marido rodearem sua cintura.
— Você tá grávido? Nós vamos ter um bebê? - Chan perguntou.
— Segundo o teste sim. - Minho respondeu sorrindo. — Você está bravo?
— O que… amor? - Falou sorrindo. — Eu estou tão feliz! Não acredito que isso aconteceu. Que vamos ter um bebê. O nosso bebê.
— Mas moramos em um apartamento tão pequeno e…
— E esse bebê foi a melhor coisa que poderia acontecer. - Respondeu o olhando. — Esse bebê significava o quanto eu e você nos amamos, amor.
E Chan estava certo. Jihoon era a prova viva do quanto os dois se amavam. Os olhos de jabuticaba serenos e o sorriso com dentinhos para frente como Minho, os cabelos castanhos cacheados e as covinhas na bochecha como Chan, o jeito dramático e artístico que possuía assim como os pais. Era o testemunho de que, quando duas pessoas se amam tanto, o coração precisa transformá-lo em uma forma humana.
Minho sorriu pensando se Chan reagiria daquele mesmo jeito — com um sorriso no rosto como se tivesse ganhado um Oscar. Ouviu um barulho na porta e direcionou o olhar para o lugar, vendo uma pequena cabeleira cacheada aparecer bem devagar. Jihoon estava vestindo um pijama de dinossauros e os olhos curiosos passaram por cada canto do quarto dos pais, até encontrar Minho deitado na cama.
— Papai Min? - Chamou o olhando.
— Oi, meu amor. - Minho perguntou com um sorriso no rosto.
— Você está bem? Já melhorou? - O garotinho perguntou entrando devagar no quarto.
— Estou melhorando meu amor. Mas, sabe o que me ajudaria a melhorar muito mais rápido? - Jihoon balançou a cabeça curioso. — Um abraço seu.
Jihoon sorriu e correu até a cama do pai, subindo com dificuldade. O abraçou fazendo Minho sorrir com o cheiro de bebê que o filho ainda tinha.
— Você me prometeu que ia fazer ensopado de carne, mas ficou dodói, né? - Jihoon falou. — Tá tudo bem, Papai Chris fez lámen e me deixou comer um pedacinho de chocolate.
— O senhor sabe que não pode comer chocolate à noite, não sabe?
— Mas foi só um pedacinho beeeem pequeninho papai. - Jihoon respondeu. — Pequeno igual um bebê.
— Um bebê? - Minho questionou o olhando.
— Uhum. Hoje, na aula, a Allie contou que viu o tio Lix falando que ele quer ter outro bebê bem pequeno. - Jihoon comentou. — Papai, você pode me dar outro bebê bem pequeno?
— O Junhan ainda é pequeno, amor.
— Mas eu queria uma menina dessa vez. Ter irmãos é chato.
Minho soltou uma pequena risada e fez carinho devagar no cabelo do filho, sentindo o cheiro de camomila subir pelo quarto.
— Bang Jihoon! - Como gêmeos, Minho e Jihoon olharam para a porta na mesma hora. Chan estava parado na porta do quarto olhando para o filho, com as mãos na cintura e uma fralda de pano colocada sobre os ombros. — O que eu disse sobre vir até o quarto do papai?
— Mas eu estava com saudades e….
— Tá tudo bem, amor. O cheirinho dele de camomila me acalmou. - Respondeu. — Acho que já estou até melhor.
— Viu, papai? Ele me ama mais do que ama você.
— Bang Jihoon! - Chan o repreendeu fazendo Minho rir. — Vai escovar os dentes e arrumar o seu quarto.
— Eu quero ficar mais um pouquinho com o papai, por favor!
— Ele precisa descansar, Hoonie. - Respondeu sorrindo.
Jihoon fez um pequeno bico e abraçou Minho antes de descer da cama. Chan bagunçou o cabelo do filho enquanto o via sair e deitou no lugar que ele estava, passando os braços pela cintura do Minho aconchegando sua cabeça no ombro do marido.
— Como as crianças estão? - Minho perguntou dando um selar devagar entre os cabelos pretos do marido.
— Terríveis. - Chan confessou. — Jihoon derramou suco no chão e o Junhan acabou passando a mão enquanto se lambuzava inteiro, tudo isso no exato momento em que os gêmeos estavam brigando por um pedaço de chocolate.
— Christopher, o que eu já disse sobre chocolate durante a noite?
— Era o único jeito de acabar com a crise! Ou dava chocolate ou sairia dali morto.
— Prefiro que você saia morto do que tenha que criar filhos viciados em chocolate.
— Disse o homem que chora quando não pode comer uma barra de chocolate.
— Foi só uma vez! Ok? - Chan soltou uma risada baixa apertando ainda mais o corpo do marido contra o seu. Minho o observou descansar o corpo por alguns segundos e soltou um pequeno sorriso. — Chan-ah, posso te perguntar uma coisa?
— Hum? - Respondeu sem abrir os olhos.
— Se eu ficasse grávido.. você… como você iria reagir? - Minho o questionou. Chan levantou o olhar e estreitou a sobrancelha.
— O que foi, Min?
— Nada, é só uma dúvida. Jihoon me contou que o Felix queria um novo bebê e eu me questionei sobre isso. Sobre como você reagiria se eu estivesse grávido novamente.
— Acho que eu surtaria, Minho. - Chan respondeu. — Serão cinco crianças! CINCO.
— Eu entendi, Channie. - Minho respondeu.
— Mas eu também amaria. Porque, você sabe, amo tudo que sai de você.
— Isso foi uma frase muito nojenta.
— E bem romântica. - Chan respondeu juntando seus lábios com o de Minho.
— Papai Chris! Eu quero fazer o número dois. - Anton gritou do outro lado fazendo os pais se separarem. Minho soltou uma risada baixa, vendo o marido levantar devagar com certa tristeza no olhar.
Minho fechou os olhos com força. Talvez ter um novo bebê não fosse uma decisão boa.
🍼
Quinta-feira
O cheiro de lavanda misturado com jasmim fez o sorriso de Minho brotar no rosto enquanto seguia até a entrada de um dos seus lugares favoritos em Seul. O relógio marcava oito da manhã quando colocou os pés dentro do local, se perdendo entre as rosas espalhadas e o cheiro inconfundível de café com caramelo que apenas aquele lugar tinha.
No balcão, uma mulher que veste avental rosa com pequenas flores amarelas cantava alguma música que tocava no rádio enquanto cortava galhos de árvores que eram colocados em um buquê de lírios. O barulho do sino por cima da porta a fez levantar a cabeça, dando um enorme sorriso quando avistou Minho.
- Min! Que visita maravilhosa. - Disse limpando as mãos sujas de terra sobre o avental. - Lembrou que eu existo?
- Sempre lembro da sua existência, Yuna. - A garota deu um sorriso enorme e abraçou o amigo.
- Como você está? Jeongin me contou que passou o dia doente. - A ruiva o olhou preocupada. - É alguma coisa séria? Foi ao médico?
- Não, Yuna, estou bem. - Minho sorriu ao ver os ombros da amiga relaxar. - Com certeza foi o ensopado de carne que Chan comprou na semana passada.
- Mas, se fosse isso, as crianças também não deveriam estar doentes? - Questionou levantando a sobrancelha enquanto se afastava voltando para trás do balcão. - Não acha que seja outra coisa? - Desceu os olhares para a barriga do amigo.
- Porque todos vocês estão cismados em uma gravidez? - Questionou. - Quem deveria engravidar era você ou o Felix.
- Ei! Vira essa boca pra lá. - Yuna respondeu apontando a tesoura para o amigo. - Preciso caber no vestido de casamento ou será dinheiro jogado fora.
- Você sabe que isso é mentira, ficaria muito mais fofo se você estivesse grávida.
- Isso é verdade, não é? - Respondeu sorrindo. - Imagina só… entrando grávida no casamento com um barrigão e o Jeongin chorando lá no altar. - Yuna sorriu olhando para o amigo. — Acho que quero engravidar hoje à noite.
- Cruzes, que conversa de maluco! - Minho e Yuna olharam para o lado com um sorriso no rosto. - Vocês querem mesmo engravidar?
- Não! - Minho respondeu
- Sim. - Yuna sorriu. — Você só está reclamando porque sua namorada não pode te engravidar, Ryu.
- Ainda bem! Imagina? Andar por aí com uma criança catarrenta, cheirando leite e chorando. - Ryujin fez uma pequena careta. — Sem ofensas, Min. Eu amo meus sobrinhos.
- Tá tudo bem, Ryu. As vezes queria poder colocá-los na adoção. - Minho reclamou olhando para ela.
- Eu fico com a Arin! - Yuna levantou a mão.
- E eu com o Junhan! - Disse Ryujin sorrindo.
- Mas eu amo meus filhos e não faria isso jamais. - Yuna fez um pequeno bico enquanto Ryujin fingia derramar lágrimas fazendo Minho rir.
Logo, uma conversa sobre novidades envolvendo conhecidos se instaurou entre o grupo de amigos. Ryujin contou animadamente sobre como os trigêmeos de Seonghwa e Hongjoong eram fofos, enquanto Yuna citava todas as tarefas que deveria cumprir antes que o seu casamento chegasse. Minho ouviu tudo com certo silêncio no ar, o rosto calmo e o enjoo quase inexistente no estômago.
— Então, brigamos porque ele escolheu verde musgo para os padrinhos, sendo que a palheta do casamento é inteira azul e branco! - Yuna reclamou cruzando os braços.
— Verde musgo é uma cor bonita, Yun. - Ryujin disse enquanto virava as costas e saia do cômodo.
— Até porque verde musgo combina muito com azul marinho! - Yuna gritou fechando a cara.
— Eu ficaria bonito de verde musgo. - Minho disse. — Mas o Channie com certeza desapareceria.
— Verdade, acho que perderíamos ele entre verdes e azuis. - A ruiva riu. — Você pode conversar com o Innie sobre isso, não pode?
— Eu sou padrinho de vocês, Yuna, não um santo milagroso.
— Mas o Jeongin apenas escuta você e Chan. - Reclamou. — Às vezes até acho que você deu a luz a ele.
Minho soltou uma risada baixa enquanto observava a amiga revirar os olhos. Realmente, a amizade que ele e Chan possuíam com Jeongin era algo parecido com paternidade, já que o conheceram antes mesmo do garoto entrar na faculdade. Jeongin era amigo próximo de Seungmin desde a infância e, sempre que o grupo saía junto, ele marcava presença tentando se encaixar entre os “universitários”. Chan foi o primeiro a ficar próximo do adolescente e, em seguida, Minho começou a mimá-lo com presentes como se todos os dias fossem seu aniversário. O casal chorou no dia que Yang se formou no ensino médio, no primeiro dia de aula no curso de Engenharia Mecânica, no dia em que conheceu Yuna durante uma calourada e, principalmente, no dia que Jeongin a pediu em casamento durante a formatura.
— Tudo bem, Yuna. Vou fazer isso. - Minho concluiu fazendo a garota sorrir. — Mas só porque eu realmente não quero perder meu marido entre diversos tons de verde e azul.
— Obrigado, Min! Você é o melhor de todos. - A ruiva respondeu batendo palmas. — Agora, próximo tópico: DJ ou banda? Pensei na banda, mas o Jeongin disse….
Um cheiro salgado chamou toda a atenção de Minho, o fazendo descer o olhar para as mãos de Ryujin. A amiga segurava um sanduíche doce com chocolate e nozes em uma das mãos e, na outra, um pouco de kimchi com arroz. Minho não viu o momento em que passou a língua sobre os lábios, pensando em como gostaria de devorar cada pedacinho daquela refeição. Seu estômago roncou alto, fazendo Yuna e Ryujin. trocarem olhares.
— Você está bem, Min? - Yuna perguntou levantando a sobrancelha enquanto agradecia o kimchi dado pela amiga.
— Sim, só está parecendo… gostoso. - Respondeu sem tirar os olhos da comida de Ryujin.
— Quer um pouco? - A loira perguntou estendendo o sanduíche para Minho, que assentiu devagar pegando a comida da mão da garota.
A primeira mordida fez Minho sentir como se estivesse nas nuvens. Soltou um pequeno gemido de satisfação ainda com os olhos fechados, mas sentiu que algo ainda faltava para matar seu desejo. Abriu os olhos encontrando Yuna e Ryujin o encarando e apontou para o kimchi nas mãos da ruiva.
— Você… você quer kimchi? - Yuna perguntou.
— É que… qual será o gosto de kimchi com sanduíche de chocolate? - Perguntou dando outra mordida no prato.
— Ah… não sei. - Yuna respondeu.
— Você tá maluco? - Ryujin perguntou. Yuna bateu em seu braço, fazendo a Shin reclamar. — O que foi?
— Prova, Min. - Yuna empurrou o alimento até o amigo, que agradeceu sorrindo. Ryujin fez uma pequena careta quando Minho sorriu colocando um pequeno pedaço de kimchi por cima do sanduíche e o mordendo com vontade. Um gemido de satisfação e os olhos revirando deixavam a cena ainda mais… intrigante para as garotas, que analisavam tudo com certa repulsa no olhar.
— Jesus! É a melhor coisa que eu já comi em toda a minha vida. - Minho comentou colocando arroz por cima do sanduíche dessa vez. — Querem? - Estendeu o sanduíche para Yuna e Ryujin, que se afastaram enquanto negavam.
— Isso… isso tem gosto do que? - Yuna perguntou.
— Tem gosto de felicidade misturado com alegria. - Minho comentou. — A acidez do kimchi quando encontra com as nozes… porra… que delícia! Sinto que poderia me casar com isso aqui.
— Vou vomitar. - Ryujin reclamou fazendo Minho a mostrar o dedo enquanto comia outro pedaço do doce dessa vez com alho. Minho gemeu de entusiasmo conforme mastigava e o enjoo ia embora, melhorando seu dia inteiro.
Ryujin e Yuna se olharam com suspeita, tentando entender o que estava acontecendo, e Minho continuava a se deliciar. O sino da porta da floricultura abriu fazendo as garotas olharem para a entrada e verem Felix entrar com as sobrancelhas erguidas.
— Vocês estão vendo pornografia ás oito e meia da manhã? - Perguntou o loiro.
— Min está comendo kimchi com… sanduíche doce. - Yuna respondeu sem tirar os olhos do Lee.
— Você tem café amargo aí? - Minho perguntou olhando para Ryujin.
— Jesus! Se isso não for gravidez, não sei o que pode ser. - A loira reclamou virando as costas para buscar a bebida.
— Não sei da onde vocês estão tirando que eu estou grávido! Isso aqui tá uma delícia. - Minho comentou. — É tipo… comer lamen cru ou queijo com ketchup.
— Queijo com ketchup? - Yuna pergunto.
— Hyung, eu literalmente comi isso quando estava grávido da Allie. - Felix disse olhando para o amigo.
— Sério? E tava gostoso? - Perguntou olhando com brilho nos olhos. Ryujin voltou da cozinha com uma xícara na mão e colocou na frente de Minho, que bebeu assim que colocou o último pedaço da “sobremesa” na época.
— Lembra quando você estava grávido dos gêmeos e comeu picles com nuttela? - Ryujin perguntou.
— E na gravidez do Junhan que ele chorou porque queria comer concreto? - Yuna falou. — Acordei às quatro da manhã com o Chan ligando para perguntar se o nosso prédio ainda estava em reforma.
— Você tem certeza que não tá grávido? - Felix perguntou.
Minho arregalou os olhos e tirou a xícara da boca, pronto para dar qualquer sermão em Felix. Queria dizer que era impossível, que ele e Chan haviam se protegido em todas as últimas vezes que fizeram sexo, que seu período já havia vindo naquele mês e que estava tudo bem. Mas, não, não estava. E isso acabou com ele durante os últimos dias.
— É só o período menstrual, Lix. - Respondeu curto e grosso. — E isso aqui não tem gosto de café.
— Claro que não é café. - Ryujin reclamou. — Café faz mal para pessoas gestantes. Isso aí é Coca-Cola, sem açúcar, para você não ter pré-diabetes como na gestação passada.
— Parem com isso! Já disse que não estou grávido.
— Mas não mata fazer um teste, não é? - Felix questionou.
— E você fez o seu? Porque Allie contou ao Jihoon que ouviu você pedindo outro bebê ao Hyunjin.
— O que? Finalmente vou ter outro afilhado loiro? - Yuna questionou tirando toda a atenção do amigo e mudando para Felix, que revirava os olhos com o turbilhão de questionamentos. Já Minho sorriu satisfeito com a pequena “escapada”.
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A manhã havia passado rápido na floricultura. Os quatro amigos conversavam sobre diversos assuntos enquanto Minho desviava de cada assunto envolvendo sua “suposta” gravidez — sempre trocando o assunto para algo envolvendo uma fofoca entre os amigos ou uma habilidade nova que Junhan havia descoberto na última semana. Por fim, o assunto acabou passando despercebido e o foco voltou ao casamento de Yuna e Jeongin, como planejado.
Minho e Felix se despediram do grupo por volta de 12h30, seguindo juntos até a escola das crianças. Lee dirigiu entre músicas infantis e as reclamações de Felix sobre como os últimos meses de trabalho na cafeteria haviam sido corridos graças a falta de funcionários. Minho ouviu tudo atentamente enquanto tentava achar uma solução, mas sempre se perdia no assunto graças a sua mente tumultuada.
Aquele desejo estranho ainda rondava pela sua cabeça. Não que Minho fosse alguém chato para comer, mas ele também não era o tipo de pessoa acostumado a comer combinações tão estranhas. Claro que ele amava comer pipoca com tempero pronto ou tomate com caldo de limão, mas sanduíche doce com kimchi realmente era algo alarmante, além do fato de que foi isso que tirou seu enjoo.
Ainda por cima, outro fato também ocupava sua cabeça: seu período ainda não tinha acontecido. Na verdade, ele estava atrasado há dois meses.
Dois meses.
Talvez fosse o efeito do anticoncepcional ou, quem sabe, o estresse que havia passado nos últimos dias. Ele tentava se manter calmo. Tentava se manter positivo. Mas tudo voltava à possibilidade de uma gravidez e isso o deixava tão irritado.
Suspirou fundo quando pararam em frente à escola, faltando dez minutos para que as crianças fossem liberadas. Bateu os dedos no volante enquanto cantava baixo uma das músicas de Guerreiras do Kpop, filme o qual Arin estava viciada nos últimos dias — e, consequentemente, ele também.
— Hyung? - Felix o chamou fazendo Minho o olhar. — Porque você tem tanto medo de estar grávido? Não seria…. algo bom?
Minho suspirou olhando para frente sentindo o ar nos pulmões falhar enquanto Felix o olhava atentamente. Entre todos os amigos, Minho sabia que Felix era a única pessoa que poderia conversar sobre um assunto tão íntimo como aquele. Afinal, assim como Minho, Felix também era pai de uma garotinha e era totalmente metódico quando se tratava da família, sempre deixando claro que apenas engravidaria mais uma vez quando Allie estivesse em uma idade “aceitável”. E era exatamente por isso que Minho também tinha tanto medo em contar sobre sua suspeita para Felix. Não queria que, além do marido, o melhor amigo também ficasse bravo com ele.
— Não sei, Lixie. - Respondeu em um sopro sem tirar os olhos da frente.
— Você não sabe ou você está com medo? - Felix questionou virando o corpo devagar para conseguir olhar Minho nos olhos. — Te conheço, Minho. Sei quando algo está errado…
— E se for verdade, Felix? - Virou o rosto devagar fitando os olhos castanhos do amigo. — E se eu fizer o teste e ele dá positivo? E se eu contar para o Chan e ele… ele simplesmente ir embora? - Sentiu as lágrimas descerem devagar pela bochecha. — Na segunda-feira, tentei conversar sobre isso com ele e, sei lá, senti que no fundo uma nova criança não seria algo ideal. Seria irresponsável, Felix. Eu sou uma pessoa irresponsável…
— Para com isso, hyung! Quando você concluiu que uma nova gravidez te torna alguém irresponsável? - Felix passou os dedos pelas bochechas de Minho enxugando as lágrimas que caiam. — Eu sei o quanto você ama os seus filhos, sei que uma nova gravidez o deixaria tão feliz quanto as últimas três. E sobre o Chan… — O loiro soltou uma pequena risada. - Ele é maluco por você, Min. Desde o dia em que se conheceram até hoje, você é a única coisa que ele não consegue parar de falar. Aposto que ele faria uma festa se você estivesse esperando outro bebê.
— Você sabe que não é verdade, Lix….
— Sabe de uma coisa, hyung? Me arrependi de não ter tentando engravidar quando a Allie era pequena. Sei como criar uma criança é difícil, mas sei também que irmãos que crescem com idades próximas se tornam melhores amigos para a vida inteira. - Felix suspirou fundo deixando o sorriso morrer. — Da última vez que precisei cuidar dos gêmeos para você, eu contei para o Hyun que queria tentar ter um bebê. E ele ficou tão feliz, hyung. Desde então, estamos tentando.
— Isso não faz alguns meses?
— Há 5 meses, hyung. - Respondeu. — Fiz alguns exames nas últimas semanas para saber se está tudo bem, mas a médica encontrou um pequeno mioma no meu útero. Ela acredita que talvez eu não possa mais ter uma gestação.
— Lixie…
— Tá tudo bem, hyung! Vou fazer uma cirurgia daqui alguns dias e podemos tentar novamente. - Felix comentou sorrindo. — Por isso, eu comprei uma coisinha… - O loiro abriu a bolsa marrom que carregava e procurou por algo durante alguns segundos, tirando uma embalagem rosa e estendeu para Minho.
— Um teste de gravidez?
— Uhum, o mesmo que você fez na noite que descobriu a gravidez do Junhan e chorou achando que o Chan o mataria. - Comentou. — Mas, olha só, você tá vivo e o seu marido é ainda mais obcecado por você. - Ouviram o barulho de crianças entrando e saindo do local. — Faz o teste, ok? Por mim.
— Lixie…
— Nada de não! Yuna me pediu para avisar que esse é o presente dela de casamento. - Comentou sorrindo. Minho enxugou as lágrimas que caiam e abraçou o amigo com força. — Acho melhor irmos buscar as crianças antes que a professora surte.
Minho soltou o garoto com delicadeza e o viu sair do carro carregando a bolsa nos ombros. No portão da escola, Hyunjin o aguardava segurando a mochila de Allie sobre os ombros e a pequena garotinha nos braços com um sorriso enorme no rosto. Viu o momento em que Felix andou até a família com um sorriso, encheu a filha de beijos pelo rosto e selou os lábios de Hyunjin como se estivesse morrendo de saudades. Desceu o olhar para a caixinha rosa e suspirou fundo enquanto a guardava no porta-luvas.
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Às tarde de quinta-feira eram sempre as mais tranquilas para Minho. Eram quatro e meia da tarde. O calor de Seul fazia seu corpo inteiro suar como se estivesse em uma sauna e o fazia beber litros e litros de água enquanto trocava o olhar entre o computador em sua frente e as crianças correndo pelo campo de futebol. Aquele era o horário da prática esportiva dos filhos — Jihoon e Anton no futebol, e Arin nas aulas de ginástica —, por isso Minho sempre aproveitava o tempo para trabalhar. Naqueles dias em especial, Junhan estava na casa dos avós passando um tempo, o que significa um descanso a mais para sua mente e permitia a concentração total no bendito rascunho que precisava entregar em três semanas.
Contudo, como nos últimos dias, nada funcionava como Minho queria. Sua mente estava travada. Seu pensamento sempre voltava para o bendito teste de gravidez guardado no porta-luvas do carro. Seria loucura se ele fizesse aquilo no banheiro da escola de futebol? Ou, pior, seria loucura se ele fizesse o teste?
Balançou a cabeça tentando ignorar a voz que rodopiava e voltou a leitura do rascunho, passando devagar por cada linha do maldito capítulo que parecia não agradar “seu gosto excentrico e autoritario” - como seu editor sempre dizia. Sentiu um pequeno toque em seu joelho esquerdo e tirou o olhar do computador para encontrar a mão de Jihoon que, assim como a chuteira azul, estava suja de terras.
- Papai, eu fiz um gol! - O garotinho gritou animado balançando o cabelo com cachos fazendo Minho sorrir.
- Sério? - Respondeu sorrindo.
- Sim! Um bem bonito. - Jihoon soltou pequenos pulinhos. - Professor disse que eu vou ser o melhor jogador de todos igual o Son Heungmin e o tio Binnie.
- Eu não sei se o tio Binnie é um bom jogador, bebê…
- Como não? Ele é o melhor de todos! - Jihoon abriu um enorme sorriso. - Ah, e sabe para quem eu fiz o gol? Para o bebê que está na sua barriga.
- Para quem? - Minho perguntou o olhando assustado.
Minho não teve tempo de reagir à frase dita pelo filho. Ouviu a voz do professor o chamar e tirou a atenção do filho, olhando para o campo de futebol onde Anton estava deitado no chão. Uma roda de crianças estava em volta do garotinho, que derramava lágrimas enquanto abraçava uma das pernas.
- Anton! - Minho afastou algumas crianças até que chegasse ao filho. - O que aconteceu?
- Papai, tá doendo muito. - Reclamou abraçando a perna.
- Ele estava correndo e tropeçou na bola. - O professor disse. -O pé dele está muito vermelho, acho que é melhor levarmos ao médico.
Minho assentiu e, com dificuldade, pegou o filho no colo. Jihoon vinha logo atrás carregando a mochila e a bolsa do pai enquanto olhava para o irmão chorando. Seguiram até o carro onde Minho acomodou o filho devagar e Jihoon sentou ao lado do irmão enquanto o olhava preocupado. Minho se certificou que estava com tudo antes de sair em alta velocidade até o hospital mais próximo.
- Papai, o Anton vai ficar bem? - Jihoon questionou.
- Claro, meu amor. Ele só está com os pés doendo. - Respondeu tentando transmitir tranquilidade para o filho.
- O pé dele vai cair? - Jihoon perguntou.
- O que?
- Papai, eu não quero perder o pé! - Anton protestou chorando ainda mais alto.
- Você não vai perder o pé, Anton.
- Então, ele vai levar injeção no bumbum?
- Não! Papai, eu não quero. - Anton gritou fazendo Minho suspirar.
- O médico não vai ter uma injeção no bumbum, muito menos vai tirar o seu pé, ok?
- Você promete?
- Promessa de mindinho! - Minho olhou para o retrovisor e viu Jihoon olhar o irmão. - E Jihoon, nada de passar medo no seu irmão.
- Mas o Papai Chris disse que o nosso pé pode cair se corrermos muito…
- Ele disse? - Minho respirou. - Ok, o papai está mentindo.
- Mas mentir não é errado? E se o pé do Anton cair? Vou ficar com todos os tênis dele? Ou o outro bebê?
Minho olhou para o filho sem saber o que responder. Como ele poderia lidar com tanta coisa ao mesmo tempo?
- Jihoon, se você ficar quietinho até chegarmos em casa, eu prometo que vou deixar você comer sorvete.
- De qual sabor?
- Qualquer um.
- E quantas bolas?
- Três, Jihoon.
O garotinho pareceu satisfeito com a resposta e assentiu virando o rosto para a janela. Minho agradeceu aos céus e aproveitou o silêncio para avisar o marido sobre o conflito com os filhos, recebendo uma resposta informando que já estava a caminho do local.
Demorou cerca de dez minutos até que Jihoon fosse atendido no hospital. Durante a espera, Minho tentou tranquilizar Anton enquanto Jihoon estava sentado ao seu lado balançando os pés sujos de lama e cantarolando algo sobre sorvete de morango. Chan chegou cinco minutos após a família e questionou o marido da mesma forma que Jihoon mais cedo, fazendo Minho ter certeza de que o comportamento do filho veio dele.
- É uma torção média no tornozelo e ele precisará de gesso por cerca de duas semanas. - O médico informou olhando para os pais.
- O pé dele vai cair? - Jihoon perguntou olhando para Chan.
- Ninguém vai perder o pé, Jihoon. - Minho respondeu fazendo o médico rir.
- Perder um pé é difícil, Jihoon. Seu irmão vai ficar bem. - O médico respondeu bagunçando os cabelos do garotinho. - Quer acompanhar seu irmão colocando uma botinha?
- Eu posso, papai? - Perguntou.
- Claro, meu amor. - Chan respondeu e Jihoon sorriu pulando do colo de Chan, indo até o médico.
- Nada de perguntar se o pé do seu irmão vai cair, ok? - Minho ordenou e Jihoon sorriu enquanto respondia com um joinha e acompanhava o médico até a maca onde o irmão estava deitado. - Jesus, que dia. E que história é essa que você disse ao Jihoon que, se ele correr demais, os pés vão cair?
- Eu não me lembro disso. - Chan respondeu sorrindo.
- Meu filho não mente, Christopher.
- Ei, amor. Você lembra que hospital é esse?
- Porque você está tentando mudar a conversa?
- Não estou, Min. - Chan sorriu. - É que eu lembrei que foi aqui que você descobriu a gravidez dos gêmeos, mesmo depois de te dizer dez mil vezes que o teste estava certo.
Minho olhou para frente. As cores brancas com listras azuis decoram as paredes do consultório médico juntamente com quadros de bebês durante o nascimento e uma fita métrica para medir altura decorada com flores. Minho se lembrou do momento em que estava sentado fitando aquelas mesmas cores enquanto tentava absorver o positivo no papel em sua frente.
Na época, Jihoon havia acabado de completar dois anos e Chan finalmente conquistado um cargo maior na empresa. A família havia trocado o velho apartamento pequeno no centro da cidade por uma casa de três quartos no subúrbio, com uma enorme árvore na entrada e uma cozinha onde Minho já imaginava a família jantando por ali. Além disso, com o estrondoso sucesso do terceiro livro, Minho havia aberto uma cafeteria ao lado de um dos melhores amigos. E a vida caminhava do jeito que Minho sempre imaginou — Jihoon crescia de forma saudável, Chan cada vez mais elogiado no trabalho e a escrita do seu quarto livro não podia estar melhor.
Até que, em uma tarde de inverno, Minho começou a passar mal. Primeiros enjoos e tontura, depois o cansaço que consumia seu corpo cada vez mais. Ele acreditou que poderia se tratar de uma virose qualquer ou uma gripe que havia pegado durante uma das últimas viagens ao exterior. No entanto, mesmo com tantos remédios e descanso, nada parecia melhorar e Minho já estava até mesmo cogitando em uma doença mais grave.
Seungmin, ao ver o estado do amigo, foi o primeiro a falar sobre uma suposta gravidez. Minho negou, dizendo que era impossível já que seu período menstrual havia ocorrido. Depois de alguns dias, foi a vez de Felix e Jeongin suspeitarem de uma possível gravidez, mas ainda sim parecia algo distante para Minho.
O teste de gravidez só foi feito depois que Minho vomitou durante um jantar com o marido e o filho. Na mesa, Chan tentava fazer Jihoon comer mais um porção de arroz quando Minho saiu correndo ao sentir o maldito cheiro de frango vindo do prato do marido.
— Você tem certeza que não está grávido? - Chan questionou enquanto observava Minho enxaguar a boca na pia.
— É impossível, Channie. - Minho respondeu olhando. — E já conversamos sobre isso. Nada de bebê até que Jihoon tenha, pelo menos, cinco anos.
— Ah, mas seria legal se você estivesse grávido… - Comentou cruzando os braços. — Quer dizer, um teste de gravidez não mata, né?
— Isso vai fazer e os garotos pararem de me encher? - Perguntou fazendo Chan assentir com um sorriso no rosto.
Minho revirou os olhos enquanto se abaixava para pegar o teste de gravidez que havia comprado há alguns meses e que estava no fundo do armário depois do susto que haviam passado. Não que uma gravidez fosse um problema — eles sempre conversavam em ter dois filhos —, mas, naquele momento, não parecia tão ideal. Com o novo cargo, Chan trabalhava muito e Minho passava tempo demais com a cafeteria e Jihoon. Um novo bebê demandava tempo e paciência, algo que talvez o casal não tivesse naquele momento.
Demorou cerca de três minutos até que o teste finalmente estivesse pronto. Minho desligou o alarme do celular e olhou para Chan, que estava encostado na porta do banheiro com Jihoon no colo balançando os pezinhos descalços. Virou o teste rapidamente vendo as duas linhas rosas brilharem.
— Eu disse! - Chan falou sorrindo. — Você vai ter um irmãozinho, Hoonie.
— Esse teste tá com problema, ele é velho. - Minho comentou. — Vou até a farmácia comprar mais um.
— Min...
— É sério! Ele tá vencido.
Chan revirou os olhos enquanto observava Minho sair do seu campo de visão. Demorou cerca de quinze minutos até que Minho finalmente voltasse para casa com uma sacola cheia de testes e um semblante nada feliz. Da sala, Chan olhou confuso para o marido no momento exato em que ele voltou do banheiro com a sacola cheia de testes feitos e todos com duas linhas.
— Isso tá errado! Vamos ao hospital. - Minho falou bravo.
— Amor, todas as linhas estão rosas. - Chan comentou com um dos testes na mão.
— Você sabe que eu fiz xixi ai, não é?
— Foi eu quem tirei o Jihoon da sua barriga, não tenho nojo de você. - Deu os ombros.
— Pega as chaves, vamos para o hospital.
E Chan, mais uma vez, revirou os olhos. A ficha de Minho sobre a gravidez apenas caiu depois que o exame do hospital apontou a gestação de um mês e meio. Dois dias depois, o casal descobriu que traria gêmeos ao mundo.
Minho balançou a cabeça e olhou para maca vendo Anton com um sorriso no rosto quando ganhou um pirulito do médico ao terminar de colocar o gesso no pé. Ele foi levado de cadeira de rodas pelo médico até os pais e Jihoon que tentava empurrá-lo.
— Prontinho, um super-herói de cadeira de rodas. - O médico disse sorrindo. — Agora, Anton, nada de correr, ok? Você vai descansar até que possa tirar a bota do pé.
— Nem com a Berry? - Perguntou fazendo um pequeno bico nos lábios e recebendo um aceno negativo como resposta.
— Mas, quando melhorar, seu pé estará mais forte e você vai poder correr atrás da sua cachorrinha até ficar bem velhinho!
— Eu também posso ter uma botinha, papai? - Jihoon perguntou olhando para Minho.
— Não, meu amor. Você não está machucado, mas podemos desenhar dinossauros na botinha do Jihoon depois. O que acha?
— Um azul e um rosa?
— Se ele deixar, claro.
Jihoon pareceu satisfeito com a resposta e deu um enorme sorriso mostrando as covinhas. Depois do hospital, Minho seguiu até a casa de Felix para buscar Arin e Chan até os sogros para buscar Junhan.
O casal suspirou aliviado quando, finalmente, deitaram na cama depois de um dia agitado. Minho se aconchegou ainda mais no marido, sentindo o cheiro do seu habitual perfume e o calor da sua pele o esquentar. Pensou em como passou o dia todo ansioso por aquele momento — as luzes apagadas, o silêncio reconfortante e o calor do corpo do marido sobre o seu.
— O que você tanto pensa? - Chan perguntou fazendo um pequeno carinho nos cabelos do marido.
— Em como nossa vida não é tranquila, mas que eu não a trocaria por nenhuma outra. - Respondeu sorrindo.
— Nem eu, amor. - Respondeu. — Obrigado por ter me dado a família mais perfeita desse mundo.
— Até mesmo com um dos filhos com o pé quebrado?
— Até por isso. - Minho riu. — Acho que hoje cheguei a conclusão que talvez devemos parar no quarto filho, não é? - Minho engoliu seco sentindo o coração acelerar. — Pensa se tivéssemos mais um filho? Acho que iríamos surtar.
Minho riu sentindo o coração ainda mais acelerado. Naquela noite, ele desejou que tudo o que estava sentindo fosse apenas mais um susto da vida.
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Domingo
Minho adora domingos. Afinal, esse é o “dia oficial da preguiça” e ele poderia passar o tempo jogado na cama, comendo besteiras enquanto assisti uma série de televisão qualquer. Bom, isso era o que ele e Chan faziam antes da família crescer.
Agora, os domingos eram cheios de passeios infantis e risadas altas graças aos desenhos que passavam na televisão da sala de estar. O dia sempre começava com panquecas americanas com calda de chocolate, suco de laranja e morangos frescos que a família do marido sempre mandava da fazenda em Jeju. As crianças sentavam ao redor da mesa, conversavam sobre os planos para o dia e suas ideias de brincadeiras - que sempre terminavam com um castelo de lençóis no quarto de uma delas.
Naquela manhã, Minho analisava cada passo do marido pela cozinha. Chan sempre era o responsável pelo café da manhã aos finais de semana e Minho adorava acompanhá-lo contando sobre alguma novidade envolvendo as crianças ou os amigos. Porém, Minho parecia distante nesse dia. Olhava para a janela ao lado da pia de mármore, observando o vento balançar cada folha da árvore que Jihoon e Chan haviam plantando quando se mudaram para casa alguns meses antes dos gêmeos nascerem. Percebeu como o marido o olhava algumas vezes, como se quisesse saber se tudo estava bem, mas não disse nada.
Sua mente voltou ao lugar quando sentiu uma pequena mão puxar seu suéter marrom, o fazendo olhar para baixo. Junhan estava sentado no chão, mostrando o sorriso com poucos dentes enquanto levantava os braços indicando que gostaria de ser levantado. O garotinho vestia uma roupinha de dinossauros que havia sido a primeira roupa de Jihoon e, posteriormente, de Anton. Minho sorriu enquanto o pegava no colo. O filho mais novo sorriu, passando as pequenas mãozinhas pelas bochechas pálidas do pai. Minho percebeu como Junhan parecia criar ainda mais características que lembravam Chan - os cabelos com cachos na ponta, as covinhas tímidas na bochecha, a boca volumosa e rosada. Era como se ele tivesse dado a luz ao ser mais lindo do mundo.
- Pa… - Junhan balbucio chamando a atenção de Minho. De longe, Chan observava tudo com um enorme sorriso no rosto. - Papai.
Minho abriu a boca em um ‘O’ perfeito. Aquela era a primeira palavra do filho. E havia sido direcionada a ele.
- Ele disse papai? - Chan perguntou.
- Papai! Você disse, não foi? - Minho perguntou balançando o garotinho.
- Papai. - Junhan disse mais uma vez.
Minho olhou para Chan com lágrimas nos olhos e abraçou o garotinho forte. Chan sorriu com a cena - sentindo o calor emocionar atingir seu coração em cheio.
Ele adorava assistir cenas como aquelas. Adorava ver Minho correndo pela casa com as crianças. Adorava vê-lo brincando de carrinho com Jihoon e Anton, e de maquiagem com Arin. Adorava vê-lo assistir filmes infantis enquanto abraçava um dos filhos com um enorme sorriso no rosto. Momentos como aqueles faziam Chan se sentir completo, fazia o sentir em casa.
- Amor, você está chorando? - Chan perguntou andando devagar até Minho.
- Ele… ele disse papai. - Minho fungou. Junhan soltou uma risada alta e beijou as bochechas do pai. - Ele me ama.
- Claro que ele te ama, amor. - Respondeu sorrindo. - Todos os nossos filhos te amam. - Beijou devagar o dedo onde a aliança de casamento ficava. - E eu te amo ainda mais.
Minho sorriu sentindo as lágrimas molharem ainda mais seu rosto. Era incrível como Chan sempre o fazia se sentir bem. E Minho tinha certeza de que a vida era perfeita porque ele tinha a pessoa mais perfeita do mundo ao seu lado.
- Papai! Eu to com fome. - Jihoon apareceu segurando Berry no colo e Arin logo atrás. As crianças carregavam brinquedos nas mãos e ainda usavam os pijamas da noite anterior - Jihoon com seus lendários dinossauros e Arin com um conjunto de princesa.
- Eu também! - Anton gritou do sofá onde estava sentado assistindo um desenho.
- Ok! Crianças, vamos lavar as mãos e comer panquecas com chocolate. - Chan gritou. - Mas, antes, todo mundo dando um beijo no papai Min.
- Amor… - Minho não conseguiu responder. Ele foi atacado por duas crianças que beijavam todo o seu rosto enquanto Berry latia alto.
- Eu também quero! - Anton gritou enquanto Chan o pegava no colo.
- Vocês estão me babando inteiro. - Minho disse sorrindo.
- É prova de amor, papai. - Jihoon disse. - Papai Chan sempre diz que é assim que a Berry fala “eu te amo”.
- Sim! E é por isso que te babamos inteiro. - Arin respondeu sorrindo.
- Ok, vamos lavar as mãos para comer panquecas com chocolate e muito morango que a vovó mandou. - Chan disse enquanto colocava Anton na cadeira ao lado de Minho.
- Eba! Posso comer duas? - Jihoon perguntou se afastando ao lado do pai.
Não demorou muito para que a mesa estivesse cheia de crianças falando alto com as bocas sujas de chocolate. Minho observava os filhos com um enorme sorriso no rosto enquanto dava pequenos pedaços de panqueca sem chocolate a Junhan, que parecia não se importar com a falta do doce.
- O que vocês querem fazer hoje, crianças? - Chan perguntou. Gritos e gritos foram ouvidos fazendo Minho rir. - Calma, calma. Um de cada vez.
- Piscina! - Jihoon falou.
- Eu quero ir no shopping comprar roupas. - Arin falou sorrindo. - De princesa e tem que ser da Bela.
- E eu quero jogar futebol! - Anton respondeu colocando um pedaço de panqueca na boca.
- Ok, muitas sugestões. - Chan olhou para os filhos. - Não vamos comprar novas fantasias, Arin, você já tem muitas. E Jihoon, não podemos ir na piscina, pois o Anton está com o pé machucado e esse é o mesmo motivo para não jogarmos futebol.
- Ah não! - Anton cruzou os braços e fez um pequeno bico nos lábios.
- Mas eu não tenho a fantasia da Bela, só da Ariel, da Cinderela, da Branca de Neve…
- E se formos no zoológico? - Minho olhou para os filhos. - Podemos ver os leões, pandas, pinguins…
- Eba! Eu quero. - Jihoon gritou.
- Eu também! - Arin disse.
- Tudo bem, vamos para o zoológico. - Chan respondeu sorrindo.
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O sol brilhava entre as únicas nuvens presentes no céu da capital coreana. O caminho até o zoológico foi agitado - com músicas infantis, risadas altas e muitos planos do que fazer durante o passeio. Minho ouvia tudo silenciosamente, anotando cada animal que os filhos desejavam visitar durante o dia, e traçava um plano para atender todos os pedidos sem que uma confusão acontecesse.
O plano era simples: chegar cedo, evitar filas longas, ver os animais que as crianças desejavam e terminar o passeio com um almoço simples à beira do lago. Para que nada desse errado, Minho anotou cada passo do dia na cabeça no momento em que organizava mochilas, garrafas de água, lanches e protetor solar. No entanto, antes mesmo de conseguirem pegar a primeira fila do dia, tudo pareceu desmoronar.
Chan havia esquecido de comprar os ingressos, o que os deixou plantados na fila por longos trinta minutos. Minho deixava escapar longos suspiros enquanto ouvia Jihoon reclamar de fome e os gêmeos brigarem por qual animal seria visitado primeiro. Junhan era o único quieto no momento - brincando com os pezinhos e sorrindo com as bochechas gordinhas aconchegado confortavelmente no carrinho. Quando finalmente conseguiram entrar no local, Minho tentou acompanhar os passos da família, mas o forte calor e a sensação de enjoo em seu estômago só piorava a situação.
- Primeiro, vamos ver os leões! - Jihoon gritou enquanto puxava Chan pela mão.
- Não! Vamos ver os macacos. - Anton disse sorrindo.
- Eu quero ver a girafa, papai. - Arin puxou devagar a blusa de Minho. - Podemos?
- Ok, que tal seguirmos a ordem no mapa? - Chan perguntou olhando para os filhos. - Primeiro, vamos ver as aves e, depois, seguimos aos leões.
- Aves são chatas, papai. - Jihoon comentou cruzando os braços.
- Você sabia que as aves são consideradas dinossauros vivos? - Chan olhou para o filho. - Lembra do velociraptor?
- Ele é uma ave?
- A mais antiga de todas! Vamos?
- Eu quero! - Anton respondeu sorrindo.
Minho sorriu ao ver a cena. Inicialmente, seu plano era começar o passeio com visita aos pandas, mas ele não se importou em ficar vinte minutos observando as crianças brincarem com aves enquanto Chan os interdia. Sorriu ao ver Jihoon ficar impressionado com a águia real e Arin dizendo que gostaria de ter uma garça-branca-grande. Em seguida, a família andou até a jaula de leões entre gritos de animação e pequenas palmas de Junhan - que, naquele momento, parecia estar animado com o passeio.
- Papai! Olha o tamanho do leão. - Arin comentou puxando Minho devagar pela mão. - O que ele tá fazendo? - Perguntou olhando para o animal que lambia de um filhote.
- Ele está cuidando do bebê. - Minho respondeu sorrindo. - É o jeito que ele diz “eu te amo”.
- Eca, que nojento! - Respondeu fazendo Minho rir. - Papai, o leão protege o filho igual você e o papai Chan protege a gente?
Minho sorriu sentindo o coração se encher de amor. Olhou para os olhos puxados da filha, o sorriso de “coelho” que possuía e a pequena franja que teimava em cair sobre sua testa.
— Uhum, ele protege os filhotes como eu e o papai protegemos você e seus irmãos. - Respondeu tirando um pequeno fio de cabelo dos olhos da garotinha.
— Sabe… vocês poderiam ter outro bebê para proteger igual a mamãe leão. - Arin olhou para o pai. — Aí você poderia lamber ela!
— Arin!
A garotinha riu e abraçou as pernas do pai devagar com um sorriso no rosto. — Te amo, papai Min.
— Eu também te amo muito, meu amor. - Minho fez um pequeno carinho nos cabelos da filha. — Muito mesmo.
— Agora, podemos ir ver os pandas? - Anton perguntou olhando para Chan.
— Sim, papai! Eu quero ver os pandas. - Jihoon falou sorrindo.
— Tudo bem! Vamos ver os pandas. - Chan os chamou dando um sorriso.
Minho assentiu devagar e colocou Junhan no carrinho. Quando se preparava para sair, sentiu como se pudesse desmaiar. Sua visão ficou escura, sentiu o corpo ser consumido por um cansaço imenso, mas tudo o que fez foi respirar fundo sentindo a náusea preencher ainda mais seu corpo.
— Amor, você tá bem? - Chan perguntou olhou para Minho.
— Estou, é só uma queda de pressão. - Respondeu abrindo os olhos devagar. — Acho que estou muito cansado.
— Você quer ir ao médico? Podemos deixar as crianças com o Changbin e…
— Não! Eu tô bem, é sério. - Respondeu rápido. — Não quero atrapalhar o passeio das crianças.
Chan olhou para o marido percebendo a palidez pelo corpo e assentiu devagar — sabia que quando Minho colocava algo na cabeça era difícil de tirar. Mas, durante todo o resto do passeio, continuou ao seu lado com certa preocupação e cautela. A família seguia a visita entre pandas e elefantes até finalmente finalizarem nos pinguins.
Seguiram para o almoço perto do lago com Minho se negando a comer qualquer coisa. Sentia que vomitaria qualquer alimento que ingerisse e, por isso, evitou comer mesmo com a insistência do marido. No caminho até em casa, permaneceu de olhos fechados ouvindo as crianças contarem sobre como haviam gostado do dia e sorriu prevendo o sorriso que os filhos teriam nos rostos. Chan, mesmo na direção do carro e conversando com as crianças, olhou para Minho algumas vezes apenas para se certificar que tudo estava bem.
E a tarde de domingo que para Minho servia como descanso, acabou se tornando idas ao banheiro para vomitar e uma dor de cabeça insaciável. Chan insistiu para que o marido fosse ao médico, mas ele continuou negando. Sabia que, ao relatar tudo o que sentia, uma possível gravidez seria apontada e isso era tudo o que ele não queria. Talvez fosse a panqueca de manhã ou o kimbap que havia comido durante o almoço com Hyunjin e Felix no dia anterior. Então, não se importou.
Seu estômago finalmente o deixou descansar durante a noite. Chan havia garantido que a rotina das crianças estava completa — com o jantar às 18h e banho às 19h — então, Minho não se preocupou em continuar deitado na cama trabalhando na revisão que precisava entregar. Leu e releu o terceiro capítulo pensando se um primeiro beijo depois de uma briga no bar seria algo “romântico” . Mordeu os lábios devagar, pensando no que o protagonista da história poderia fazer em uma situação como aquela: dar um soco no inimigo o qual era apaixonado ou se declarar?
Ouviu a porta abrir e, pelo cheiro, reconheceu o marido. Não precisou tirar os olhos da tela para perceber a presença magnética de Chan.
— Amor, você acha que um beijo depois de uma briga em um bar é romântico? - Perguntou tirando os olhos da tela. Na sua frente, Chan estava parado o olhando enquanto segurava uma caixa rosa. Minho engoliu seco vendo o item em sua mão e olhou novamente para o marido.
— Eu fui procurar a chupeta do Junhan e achei isso aqui no porta-luvas. - Falou. — É por isso que você está doente?
— Channie….
— É por isso que você tem vomitado sem parar e chorando com coisas mínimas? - Perguntou. — Porque não me contou, Minho?
— Não é nada disso, ok? Felix me deu o teste na quinta-feira porque todo mundo acha que estou grávido e eu esqueci de guardar. Foi só isso.
— E você não fez?
— Não, Chan. Eu não fiz. - Fechou o computador devagar enquanto Chan sentava devagar na ponta da cama. — Eu tô com medo.
— Medo?
— É, medo. Medo de termos outro filho, medo de está grávido e você… você decidir que não consegue cuidar de cinco crianças.
— Minho…
— Eu sei que é besteira, mas você tem dado tantos indícios que não quer outro filho. Fiquei com medo de fazer o teste e ser verdade, e…. - Fungou derramando lágrimas pelas bochechas. Chan se aproximou devagar abraçando o marido enquanto passava as mãos sobre os cabelos castanhos.
— Amor, eu nunca faria isso com você. - Disse. — Claro que ficaria desesperado, são cinco filhos, mas daria um jeito como fizemos com os outros quatro. Nós daríamos um jeito, Min. - Levantou devagar a cabeça do marido até que ele o olhasse nos olhos. — Você sabe que a nossa família é meu sonho realizado, não sabe? E que, desde o dia que você me contou sobre sua condição, ter filhos com você é tudo que eu mais sonhei. Eu amo nossos bebês, Minho. Amo como Jihoon é a junção perfeita de nós dois, como os gêmeos possuem seus olhos e o seu sorriso, como Junhan parece ter as mesmas manias que você. - Minho sorriu. — E amo o fato que fizemos a família mais bonita e barulhenta de todas. Não me importaria em ter mais um filho com você.
Minho sorriu derramando ainda mais lágrimas pelo rosto. Puxou o rosto do marido devagar, unidos seus lábios em um beijo calmo com gosto de amor e pertencimento.
— Te odeio… - Falou separando devagar os lábios do marido.
— Eu sei que não é verdade. - Chan respondeu sorrindo. — Agora, você pode fazer esse teste antes que eu surte aqui?
— Tem certeza?
— Absoluta.
Minho assentiu devagar pegando a caixa das mãos de Chan e seguiu até o banheiro. Respirou fundo enquanto se preparava e colocou o cronômetro no celular. Sentou ao lado do marido, que segurou sua mão firme e ali permaneceram por longos três minutos — que pareciam infinitos como nas últimas vezes que estiveram naquela mesma situação. O calor das mão de Chan sobre a sua faziam seu coração acalmar, sentindo o pequeno carinho singelo. Naquele momento, Minho lembrou de todos os momentos ao lado do marido: quando se conheceram, primeiro encontro, primeiro apartamento juntos, pedido de casamento, o nascimento de Jihoon que o fizeram aprender a como ser pais de um dia para o outro. E como eles pareciam estar fazendo aquilo da forma perfeita. Claro, eles ainda erravam, mas também sempre tentavam acertar. Juntos.
Porque esse era o tipo de amor que Minho rezou para ter na vida. Um amor puro, cheio de carinho. Um amor que o tirasse do chão, que realizasse seus sonhos, que o fizesse imaginar a vida inteira juntos. E ele não poderia imaginar outra pessoa com quem desejava passar a vida inteira ao lado.
O celular apitou avisando que o tempo havia acabado e Minho fechou os olhos.
— Você quer que eu busque? - Chan perguntou. Minho assentiu devagar e sentiu o marido soltar sua mão. Em menos um minuto, Chan estava parado na sua frente segurando o pequeno objeto. — Juntos?
Minho assentiu soltando uma pequena risada sentindo como se aquela fosse a primeira vez que fariam isso. Chan virou o teste devagar e sorriu para o marido.
— Acho que teremos cinco crianças para cuidar.
Minho sorriu apesar das linhas rosas brilharem intensamente no pequeno bastão. Diferente do que imaginava, ele não estava com medo, muito menos ansioso. Ele estava feliz.
— Não acredito nisso. - Falou. — O Junhan tem um ano!
— Eles vão crescer como gêmeos, ué. - Chan respondeu dando os ombros. — E quando perguntarem como fazemos tantos filhos bonitos, podemos responder que o nosso amor é muito grande para ficar guardado dentro de nós.
— É, mas acho que essa será a última vez que o nosso amor irá transbordar, ouviu? - Minho comentou o olhando. — É sério! Não sei como isso aconteceu. Nós nos protegemos…
— Min, você lembra do que aconteceu no aniversário do Changbin? - Minho fechou os olhos devagar.
— Maldito banheiro do bar. - Falou fazendo Chan rir. — Não acredito que fiz o meu filho no banheiro de um bar!
— O próximo fazemos na cama, prometo.
— O próximo? - Gritou olhando para o marido, que riu o abraçando.
— Eu te amo.
— Eu também te amo. - Minho respondeu se aconchegando ainda mais no marido. — Mas, sem próximo.
Chan riu e assentiu devagar. E, ali estava ele, quinze anos depois: quatro filhos com muita energia e uma casa pequena demais para uma família grande.
Porque Chan era tudo o que Minho sonhava. E Minho era tudo o que Chan precisava.
Um amor grande demais para guardar apenas dentro do coração.
