Chapter Text
EIJIRO BAKUGOU P.O.V
"Notícias urgentes: a empresa Ground Zero, do herói Dynamight, acaba de pegar fogo após problemas elétricos causados pela última chuva. As equipes de resgate já estão no local, incluindo os heróis Mirko, Shoto, Nejire e o dono da empresa, Dynamight, que já estava presente quando o incêndio começou. Das quatorze pessoas presentes no local, nove já foram resgatadas e encaminhadas ao hospital mais próximo. Até o momento, não houve nenhuma morte, e esperamos que continue assim. Traremos atualizações em breve."
Respirei fundo e abaixei o volume da televisão. Não queria continuar ouvindo aquelas notícias e ficar ainda mais ansioso. Minha única vontade era de vestir meu traje e correr até lá, mas desde que quebrei o braço e desloquei o punho na última missão, estou estritamente proibido de chegar perto de qualquer coisa que possa atrasar minha recuperação, mesmo já estando na reta final dela.
Talvez eu estivesse sendo egoísta com as pessoas feridas, mas minha maior preocupação era um herói esquentado e cabeça-dura que não pensa duas vezes antes de colocar a própria vida em risco para salvar os outros. Principalmente quando esses outros trabalham para ele. Eu tinha certeza de que Katsuki estava se culpando por aquela catástrofe.
Mesmo depois do nosso divórcio, eu não consigo deixar de pensar em como ele está, no que está pensando ou em como têm sido seus dias no trabalho. Nosso casamento terminou de forma pacífica, mas isso não o tornou menos doloroso. Nem nos meus piores pesadelos eu imaginaria terminar com o homem da minha vida... Ainda o amando.
Nos conhecemos no primeiro ano da U.A. Nossa aproximação não fazia o menor sentido. Ele sempre era explosivo, agressivo e difícil de lidar. Mas havia alguma coisa nele que me encantava. Talvez sua determinação absurda, ou a maneira como aceitava qualquer desafio porque simplesmente sabia que seria o melhor.
Sempre tivemos uma conexão indescritível. Tudo entre nós sempre foi tão natural que conseguíamos nos entender sem dizer uma única palavra.
Ele sempre me chamava para treinar porque eu era "indestrutível", então podia lutar sem pegar leve, sem ouvir reclamações como acontecia com os outros.
Quando eu ficava mal e inseguro sobre se tornar um herói, eu batia na porta do dormitório dele no meio da madrugada, Katsuki sempre abria, me deixava entrar e só voltava a dormir quando tinha certeza de que eu estava bem. Lembro até que ele trocou a cama por uma maior porque eu praticamente passava mais noites lá do que no meu próprio quarto.
Nas missões, éramos tão imbatíveis que os professores começaram a impedir que fizéssemos simulações juntos. Diziam que ficava injusto para os outros alunos.
Não sei exatamente quando comecei a amar Katsuki. Éramos tão próximos que nossos amigos começaram a suspeitar que tínhamos algo antes mesmo de eu entender o que sentia. Mas foi quando Katsuki foi capturado pela Liga dos Vilões que percebi que o amava e que não conseguia mais imaginar minha vida sem Bakugou nela.
Eu nunca fui do tipo que esconde o que sente. Sempre achei mais másculo colocar para fora tudo o que sentimos. Então, durante uma festinha improvisada de fim de ano dos primeiranistas, puxei Bakugou para o terraço e confessei meus sentimentos. Sua resposta veio acompanhada com aquele seu jeitinho bruto:
“— Tá. Então me pede em namoro direito. Com aliança. Sou um homem tradicional.”
Acho que nem preciso dizer que obedeci. Três dias depois, estávamos oficialmente namorando, usando alianças tão reluzentes quanto as explosões dele.
Eu tinha absoluta certeza de que Katsuki era o homem da minha vida a cada dia que passávamos juntos no colegial. Se como amigos éramos próximos, como namorados nos tornamos inseparáveis.
Fazíamos "sessões de filmes" praticamente todas as noites em seu quarto, e eu passava tanto tempo ali que meu dormitório parecia abandonado. Nas patrulhas, sempre dávamos um jeito de nos esbarrar para matar a saudade. Mas nos treinos continuávamos separados depois de Aizawa nos flagrar nos agarrando contra a parede durante uma missão de resgate:
“— Vocês dois, separem agora! — Ordenou, mas nem tivemos tempo de obedecer porque suas fitas já tinham nos enlaçado.
— Eu tava capturando o vilão! — Me defendi.
— E o vilão tava dentro da boca do Bakugou? — Perguntou irritado. Katsuki riu. — Você fica quieto também!
— Mas que merda...”
Então, num impulso de coragem, logo depois de recebermos nossos diplomas de conclusão do terceiro ano, puxei Katsuki para o mesmo terraço onde o pedi em namoro e, dessa vez, o pedi em casamento.
Ele aceitou sem hesitar. Os olhos dele brilhavam como se estivesse esperando por aquele pedido a tempos.
Todos nos chamaram de loucos. Diziam que era cedo demais para um noivado. Mas sempre fomos loucos. Loucos um pelo outro. Ninguém jamais entenderia do que éramos capazes quando se tratava dos nossos sentimentos.
Dois anos depois, estávamos em cima de um altar, prometendo amor eterno em um casamento ao pôr do sol, na praia. Fiz questão de escolher aquele lugar só para poder carregar meu homem nos braços de um lado para o outro, porque ele odeia a sensação da areia entre os dedos depois de muito tempo pisando nela.
Sabíamos que os primeiros anos como heróis seriam caóticos. Adaptação, rotina, adrenalina, patrulhas, missões, mídia em cima e a constante incerteza de voltar vivos para casa.
Mas conseguimos. Nos dedicávamos ao trabalho para que, no fim do dia, pudéssemos simplesmente ser nós dois dentro de casa. Era o nosso refúgio. O lugar onde esquecíamos quem éramos para a sociedade. Éramos somente Eijiro Bakugou e Katsuki Bakugou, um casal apaixonado.
Seja na cozinha, por exemplo, onde sempre estávamos testando alguma receita nova que vi no celular. Na verdade, ele cozinhava enquanto eu o observava, porque eu era péssimo em qualquer coisa envolvendo culinária. E Katsuki adorava ser observado por mim, mesmo fingindo que não.
Ou no jardim, que fiz questão que fosse grande e arborizado. Gostávamos de tomar café da manhã ali enquanto brincávamos com nosso cachorro, um border collie que adotamos depois de uma missão envolvendo maus-tratos animais.
Tentamos decidir um nome juntos e colocamos de "Crimson Riot All Might Junior"... No fim, chamamos ele só de Totó mesmo. Mais fácil.
Eu sempre fui feliz com minha vida de herói, satisfeito em ajudar as pessoas e voltar para casa cansado, mas realizado.
Mas Bakugou sempre quis mais. Ter a própria empresa. Subir no ranking dos heróis. Sempre participar de patrulhas e missões. Assumir mais responsabilidades. Além de sempre ajudar nossos amigos professores da U.A. nas simulações onde, claro, ele fazia questão de ser o vilão.
Ele nasceu para isso. Nunca vou conseguir imaginar Katsuki sendo qualquer outra coisa além de herói. E eu amava vê-lo em ação. Ainda perco o ar quando o vejo em missões, exatamente como acontecia quando eu era criança assistindo ao Crimson Riot na televisão.
Por isso o divórcio partiu de mim. O que é irônico, e até vergonhoso, vindo do homem que enchia a boca para falar que Katsuki seria o amor da sua vida para sempre. E ele ainda é. Sempre vai ser.
Mas foi justamente por amá-lo demais que tomei essa decisão. Katsuki estava crescendo cada vez mais na carreira. Mais ocupado, consequentemente mais distante.
Primeiro começou a chegar tarde em casa, na maioria das vezes, eu já estava dormindo quando ele chegava. Depois trouxe papeladas da empresa para casa, então já não jantávamos juntos. Em seguida, passou a trabalhar nos fins de semana, sempre envolvido em alguma missão. E, quando percebi, tinham missões internacionais que nos deixavam semanas sem nos ver.
Ele estava alcançando um auge que eu não conseguiria acompanhar. E eu jamais pediria para que se dedicasse mais a mim quando nosso trabalho era salvar vidas.
A única coisa que eu queria era que Bakugou alcançasse todos os seus sonhos. Realizasse cada um deles. Porque só eu enxergava o brilho em seus olhos ao salvar uma vida, em ter uma missão bem sucedida ou ao ver sua empresa crescendo.
Então, se em troca disso eu precisasse ser deixado de lado... Preferi tomar as rédeas da situação para não chegarmos ao ponto de brigarmos como duas pessoas infelizes.
Depois do divórcio, que nunca finalizamos de verdade porque assinar os últimos papéis era "burocrático demais", passamos cerca de dois meses sem nos falar. A separação ainda machucava e muito.
Depois vieram os encontros "por acaso" em rolês com amigos. As caronas que ele oferecia e eu aceitava, mesmo tendo ido de moto.
As ligações tarde da noite. Katsuki nunca foi bom em desabafar com outras pessoas. Eu sempre fui seu porto seguro. Então, quando o mundo parecia sufocar sua mente ansiosa, ele acumulava tudo dentro dela e quando estava prestes a explodir, ele me ligava. E eu sempre atendia.
Primeiro vinha a respiração pesada do outro lado da linha. Depois, com a voz rouca e cansada, ele perguntava:
“— Posso te ver?”
Eu respondia que sim. E três minutos depois ele já estava na porta do meu apartamento, como se estivesse do outro lado da porta e só esperasse minha confirmação.
Não precisávamos conversar muito. Eu só o acolhia nos meus braços pelo tempo que ele quisesse. Depois preparava uma banheira quente, lavava seu cabelo do jeito que ele gostava e nós dividíamos alguma comida congelada enquanto ele reclamava dos meus hábitos alimentares horríveis.
Então ele ia embora. Nos olhávamos por longos segundos Ele implorando silenciosamente para ficar. E eu implorando para que ele ficasse. Mas nunca cedíamos porque eu não suportaria vê-lo ir embora mais uma vez.
TEMPO DEPOIS
"Últimas notícias sobre o incêndio ocorrido nesta noite na empresa do herói Dynamight: já era fim de expediente, então havia poucas pessoas presentes no local. Felizmente, todos foram resgatados com vida e já foram encaminhados para o hospital mais próximo, onde estão recebendo atendimento."
Finalmente desliguei a televisão. Já passava da uma da madrugada, mas eu estava longe de conseguir dormir, porque sabia que, a qualquer momento, ele ligaria.
Nem preciso estar perto de Katsuki para saber como sua mente funciona. Neste exato momento, sua cabeça deve estar um fervilhão de puro estresse e culpa. Eu estava cogitando seriamente em deixá-lo dormir aqui esta noite.
Fui até o banheiro da suíte e liguei a torneira da banheira, deixando a água quente cair. Coloquei alguns sais de camomila e erva-cidreira para ajudá-lo a relaxar um pouco e deixei o shampoo e o condicionador em fácil acesso.
Agora ele provavelmente está dentro do carro, as mãos apertando o volante com força, a mandíbula travada e o cabelo completamente bagunçado depois de ter passado os dedos várias vezes pelo estresse.
Em seguida, fui até a cozinha e desliguei o fogo do yakisoba picante que preparei, a única receita que Katsuki conseguiu me ensinar e que fica minimamente comestível nas minhas mãos.
Agora ele deve estar encarando meu número no painel do carro, decidindo se liga ou não. Ele sabe que estou acordado. Esperando por ele.
Seu lábio inferior provavelmente já está machucado de tanto ser mordido, os dedos pairando sobre o painel enquanto tenta convencer a si mesmo de que não precisa disso. Que não precisa de mim. Então... Trrim, trrim.
Meu celular vibra na minha mão e o nome dele aparece imediatamente no visor: Meu bem. Nunca consegui mudar seu contato.
“— Posso te ver?” — a voz dele saiu baixa, quase como uma súplica. Meu peito apertou instantaneamente.
— Vem. Tô te esperando.
A ligação foi encerrada logo em seguida e senti meu coração acelerar. Passei rápido pelo espelho apenas para conferir se eu parecia minimamente apresentável e foi exatamente o tempo necessário para a campainha tocar.
Antes mesmo das suas visitas começarem, eu já tinha deixado o nome dele cadastrado na entrada do prédio. Como se, no fundo, eu sempre estivesse esperando que voltasse.
Abri a porta e encontrei Katsuki parado diante de mim. O cabelo desgrenhado. Os lábios avermelhados e cortados. O traje amassado e levemente aberto no peitoral. Os ombros rígidos. E os olhos carregando o mais puro caos.
— Desculpa aparecer tão tarde, mas eu... — Não deixei que terminasse. Puxei Katsuki para um abraço apertado sem pensar duas vezes.
Uma das minhas mãos subiu para sua nuca enquanto a outra acariciava suas costas devagar. Por alguns segundos, os braços dele permaneceram imóveis, como se estivesse em choque.
Então ele me abraçou de volta. Com força. Os dedos apertaram minha cintura enquanto um suspiro pesado escapava de seus lábios, como se finalmente pudesse respirar.
Eu sempre gostei de abraços apertados, mas normalmente tinha medo de exagerar com pessoas menores que eu. Parecia que poderia quebrá-las se usasse força demais.
Mas com Katsuki era diferente. Eu amava abraçá-lo justamente porque seu corpo era grande, forte e se encaixava perfeitamente no meu. Eu podia apertá-lo o quanto quisesse e, mesmo reclamando, ele nunca se afastava.
— Tá tudo bem. — Murmurei baixinho. — Vem. Você só precisa relaxar agora.
Soltei o abraço e segurei sua mão, puxando-o em direção ao banheiro. Ele poderia simplesmente me seguir. Mas eu precisava do toque dele.
Entramos no banheiro que mesmo sendo grande, pareceu apertado depois de duas pessoas que mais pareciam duas muralhas ocuparem o local. No automático e sem racionar direito, fui para cima de Bakugou.
— Eijirou, calma aí. — As mãos dele seguraram as minhas quando, num movimento impensado, comecei a tirar partes do seu traje.
Um velho costume. Sempre fazíamos isso quando chegávamos em casa depois das missões. Ele gostava que eu o despisse.
— Eu não tava preparado. Pelo menos avisa antes, merda. — Ele virou o rosto, tentando esconder as bochechas avermelhadas.
Soltei uma risada baixa, igualmente envergonhado, e me afastei.
— Desculpa... Maus costumes.
Me virei para a bancada, fingindo me distrair com os poucos itens espalhados ali, mas Katsuki segurou minhas mãos novamente e as trouxe de volta para perto do seu corpo.
— Continua o que tava fazendo, idiota. — A voz autoritária fez meu peito esquentar do jeito mais ridículo possível. Como sempre, obedeci.
Tirei a parte superior do traje devagar, permitindo meus dedos deslizarem por cada pedaço de pele que eu não tocava livremente a três meses.
O que era meio irônico, não? Nos divorciamos há oito meses, mas nossa última recaída tinha acontecido apenas três meses atrás.
Em minha defesa, aguentamos bons meses antes disso. Quase um recorde, né?
Aconteceu quando Katsuki finalmente recebeu o prêmio de herói número um. Depois de anos se destruindo de trabalhar, ele finalmente havia alcançado o topo que sempre perseguiu, e eu nunca me senti tão orgulhoso dele:
“Naquele dia, eu estava em Osaka terminando uma missão e não consegui comparecer ao evento. Não me importava de não estar no ranking, mas queria estar lá para vê-lo receber aquele prêmio pessoalmente.
Eu o acompanhei se desdobrar em mil para alcançar esse lugar, não para esfregar na cara dos outros que era melhor do que todos, mas para provar a cada pessoa que enchia a boca para dizer que ele parecia mais um vilão por causa do seu temperamento explosivo que estavam errados...Tá, e talvez um pouquinho para esfregar na cara deles também.
Quando anunciaram seu nome no palco, Katsuki simplesmente não apareceu. Todo mundo ficou confuso. Inclusive eu, sentado sozinho no quarto do hotel.
A câmera deu zoom na mesa que até minutos ele estava presente e mostrava seu assento vazio. Conseguia escutar Shoto murmurar "cadê ele?", e Uravity responder "não sei, ele tava aqui agorinha!".
Até que ouvi batidas brutas na janela da varanda. E encontrei Katsuki do lado de fora, ainda vestido com o traje de gala da cerimônia e usando suas enormes manoplas nas mãos.
— Abre essa janela, cabelo de merda! — A voz bruta me arrancou do choque imediatamente. Corri até a janela e a abri para que ele pulasse para dentro do quarto.
Observei em silêncio enquanto ele deixava as manoplas no chão, tirava o paletó e afrouxava a gravata. Ainda desacreditado que ele estava ali. O quão longe é do evento até aqui? Bom, o suficiente para que eu me perguntasse como ele chegou tão rápido em tão pouco tempo.
— Você enlouqueceu? — Perguntei, incrédulo. — Acabaram de anunciar seu nome. O que você tá fazendo aqui?
Meu tom provavelmente soou mais duro do que eu pretendia, mas Katsuki não se importou. Pelo contrário. Sorriu e se aproximou de mim.
— Eu não queria receber aquele prêmio se você não estivesse do meu lado. — A proximidade me deixou sem ar.
Nossos peitos quase se tocavam e aquelas palavras mexeram comigo muito mais do que deveriam. Mas Katsuki sempre teve esse efeito em mim. Sempre teria e sempre terá. Ele é o único homem que me tem em suas mãos, que me desmonta em segundos.
— Tsuki... você não devia ter feito isso. Vai dar um problema enorme.
— Nada que eu não consiga resolver.
— Isso foi irresponsável, você sabe, né?
— Pedi serviço de quarto. Daqui a pouco vão trazer champanhe e comida. Quero passar essa noite com você. O resto eu resolvo depois.
Os dedos dele começaram a abrir lentamente os botões da camisa social, revelando pedaços do peitoral que eu tentava desesperadamente não encarar, falhando miseravelmente.
— A gente pode só conversar. — Ele continuou, a voz mais baixa. — Mas fique sabendo que eu tô louco pra bagunçar sua cama e fazer um estrago naquela jacuzzi do banheiro.
Aquilo acabou comigo. Porque eu precisava de Katsuki mais do que precisava respirar. Ficar tanto tempo longe dele estava me destruindo aos poucos.
Então simplesmente puxei sua gravata e o beijei. Forte. Desesperado. Como se estivesse em um deserto por dias e ele fosse minha fonte de água
Conduzi seu corpo até que caísse na cama enquanto suas mãos percorriam minhas costas, minha cintura, meu peitoral e qualquer pedaço de pele que conseguia tocar, me enlouquecendo ainda mais.
— Então eu vou satisfazer os desejos do meu herói número um. — murmurei contra seus lábios, rebolando em seu colo. — Ele merece.”
No dia seguinte dei uma gorjeta generosa para a camareira para compensar o cenário de guerra que havia ficado o quarto.
— Eu mandei você tirar minha roupa, não ficar me alisando. — Voltei à realidade ao perceber que estava acariciando o peitoral nu dele havia tempo demais. Apesar da reclamação, tinha divertimento na sua voz.
— Não vem pagar de santo, Bakugou. Tira o resto. Eu também preciso tirar a minha roupa.
Me afastei o máximo possível naquele banheiro, o que não foi muita coisa porque ocupávamos espaço demais.
Normalmente, eu ficava enrolando no quarto até ter certeza de que Katsuki já estava dentro da banheira. Além de sempre manter minha cueca numa tentativa patética de preservar algum autocontrole.
Então, enquanto ele tirava os coturnos e a calça, eu fazia um esforço gigantesco para olhar para qualquer lugar que não fosse o corpo dele.
— Que humilhação... — Murmurou, mas alto o suficiente para que eu escutasse de propósito. — Ver o homem que faltava me revirar do avesso com vergonha de me ver pelado.
— Acho que você já tá bem o suficiente pra ir embora, né? — Cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha.
— Idiota. — Seus olhos vermelhos quase pegaram fogo de irritação. — Você sabe que essa cueca não impede porra nenhuma, né? Tira isso antes que eu me sinta mais vergonha de você. — Revirei os olhos, mas obedeci.
Até porque eu não seria o único lutando por autocontrole naquela noite. Do jeito que Katsuki estava me olhando, parecia pronto para me devorar vivo.
— Vem logo. — Entrei primeiro na banheira e observei enquanto ele se aproximava.
Seus movimentos eram tímidos, mesmo que tentasse disfarçar. Já eu fazia questão de encará-lo como se pudesse enxergar sua alma. E, honestamente? Depois de tantos anos juntos, talvez eu realmente pudesse.
Antes de me mudar para este apartamento, eu odiava o fato da suíte ter uma banheira tão grande. Agora, agradecia por isso enquanto via Katsuki se acomodar entre meus braços.
No instante em que suas costas tocaram meu peito, um arrepio atravessou meu corpo inteiro. Talvez isso devesse ser considerado uma segunda individualidade. Porque acontecia toda vez que nos tocávamos.
Um suspiro cansado escapou dos lábios dele enquanto seus ombros finalmente relaxavam sob a água quente com sais minerais.
Com as mãos em formato de concha, comecei a jogar água sobre as partes do corpo que a banheira não cobria completamente, os ombros largos, parte do peito, o pescoço tensionado de estresse.
Era impressionante como Katsuki sempre conseguia me fazer gostar de coisas que antes eu odiava. Como banhos de banheira, que antes eu considerava perda de tempo e até um pouco depressivos.
Mas ele gostava. Então eu passei a gostar também. Passei a ansiar por isso. Por chegar em casa depois de um dia exaustivo e passar horas abraçado com ele dentro da água, ouvindo suas reclamações sobre alguma coisa que o estressou durante o dia enquanto eu ficava de chamego.
— Tava resolvendo as coisas com a polícia antes de vir? — Perguntei, o rondando para ver se já gostaria de falar sobre o assunto.
Peguei o shampoo e coloquei um pouco sobre as madeixas loiras, logo começando mais uma massagem do que uma limpeza.
— Sim, fizeram registro da ocorrência e da causa, isolaram a área e conversei com a seguradora também. — Sua voz não carregava o tom ácido de sempre, apenas cansaço. — Depois fui ao hospital ver as pessoas, elas vão ficar lá 24h pelo tempo que os médicos dizerem ser necessário.
Bakugou pegou a esponja e comecou a esfregar o próprio corpo, seus movimentos eram brutos e desajeitados. Deixei que fizesse o que queria, mas depois de um tempo sua pele já começava a ficar irritada.
— Você vai arrancar sua pele desse jeito. — Murmurei, segurando seu pulso antes que ele esfregasse o braço avermelhado outra vez.
— Eu tô fedendo queimado ainda. — Rosnou baixo, insatisfeito pela minha ação, mas não fez nada para pegar a esponja de volta.
— Não tá, não.
— Tô sim! — Suspirei e peguei o chuveirinho.
— Deita a cabeça aqui. — Apontei para o meu ombro e ele se encostou para que eu tirasse o shampoo do seu cabelo.
Não queria pressioná-lo, ele falaria quando se sentisse confortável. Então por alguns minutos, o único barulho que preenchia o banheiro era o som da água escorrendo.
— Três funcionários se feriram. — Sua voz saiu dura, mas cansada. — Eu tinha que ter checado aquela merda antes.
— Tsuki...
— Eu não devia ter deixado aquela merda de lado. — Fechou os olhos com força. — Eu vi a instalação dando problema semana passada. Eu sabia que era um risco, caralho! Mas tava tão ocupado com a nova missão que deixei de canto.
Riu sem humor. Se eu conseguisse entrar na sua mente, conseguiria ver vários mini Katsukis em puro surto de culpa e raiva. Raiva de si mesmo pelo o que aconteceu.
— A empresa inteira fodida porque eu fui um idiota irresponsável.
— Não é bem assim, Kats.
— Você tava lá? — Travei minha mandíbula.
Eu sabia que Katsuki estava estressado com tudo o que aconteceu, mas não contive minha língua para o retrucar.
— É isso mesmo, você foi um irresponsável de merda! — Seus olhos se estreitaram em minha direção. — É isso que você quer escutar? Porra, foi péssimo o que aconteceu mas o que você pode fazer agora é ajudar seus funcionários nesse momento e garantir que não aconteça de novo.
Ele não me respondeu. Mas aquilo já era resposta suficiente. passei os dedos com condicionador pelo cabelo molhado dele, desembaraçando com cuidado.
— Você sempre faz isso... — Digo baixo.
— Isso o que?
— Carrega o mundo nas costas como se fosse o único responsável por qualquer coisa ruim que acontece com todos. — Katsuki virou um pouco seu rosto para me encarar.
— Eu sou o dono daquela empresa, aquelas pessoas podiam ter morrido!
— Mas não morreram. Foi horrível o que aconteceu, mas eles estão vivos.
— Mesmo assim, Eij... — O interrompi.
— Mesmo assim você entrou naquele prédio pegando fogo pra tirar todo mundo de lá.
A mandíbula do herói travou. Seu olhar mudou para um que eu já conhecia muito bem, culpa misturada com exaustão. O mesmo quando Katsuki se destrói tentando ser forte o tempo inteiro.
Então o virei para que ficasse de lado para mim e o puxei para se aninhar no meu peitoral. Meus braços rodearam seu corpo e comecei a fazer um carinho em suas costas.
— Você não precisa continuar se culpando agora — Murmurei. — Já acabou. — Ele soltou uma risada fraca.
— Não acabou porra nenhuma, eu perdi tudo. Isso vai ser uma dor de cabeça desgraçada.
— Então fica aqui até descobrir o que fazer. Mas deixa pra pensar nisso depois.
Vi sua expressão vacilar pela primeira vez desde que pisou aqui. Foi pequena, quase imperceptível. Mas eu sempre noto cada mínimo detalhe nele.
— Você fala como se fosse simples.
— E não é mesmo, como você mesmo disse, vai ser uma dor de cabeça desgraçada. Eu só não quero que você passe por isso sozinho.
Seus olhos criaram um pequeno laguinho, mas ele se recuperou antes que eu o consolasse.
— Hm. — Resmungou e colocou a cabeça no meu ombro. Na linguagem do Katsuki, isso quer dizer que ele gostou do que escutou.
𓇼𓆉
Quando a água começou a esfriar e os olhos de Katsuki ficaram pesados de sono, saímos da banheira. Deixei-o sentado na minha cama enquanto procurava alguma roupa para ele vestir.
— Não vai dormir aí. — gritei de dentro do closet.
— Vai se fuder. — ele gritou de volta, e eu ri.
Continuei procurando alguma coisa até encontrar, no fundo da última gaveta, dois conjuntos de pijama vermelhos chamativos. Peguei os dois para confirmar e quando me deparei com os diversos rosto do Crimson Riot estampado, tive certeza do que era.
Aqueles pijamas tinham sido um presente da Mina algum tempo atrás. Ela me zoou por eu ainda ser um fã lunático do Crimson Riot e insinuou que eu e o raivoso usaríamos como um casal ridiculamente apaixonado.
O que ela não sabia era que nós sempre usávamos alguma coisa combinando quando estávamos juntos. Tínhamos até mesmo uma parte do closet só para eles.
Mas nos separamos antes de termos a chance de usar aqueles pijamas. Katsuki nem deve saber da existência deles.
Escondi as peças atrás das costas e saí do closet, encontrando o loiro exatamente do jeito que o deixei, pernas abertas, cotovelos apoiados nos joelhos e um olhar cansado.
Parei na frente dele, tentando conter o sorriso que insistia em surgir nos meus lábios. Bakugou me olhou desconfiado.
— Que merda você tá aprontando?
— As minhas roupas estão todas pra lavar, então... — joguei um dos conjuntos no colo dele.
Katsuki desdobrou o pijama devagar, e eu esperei enquanto seus olhos analisavam os vários rostos estampados do Crimson Riot e todos usando uma touca de dormir.
— Você comprou um pijama do Crimson Riot? — a voz dele saiu incrédula. Quase horrorizada.
— A Mina me deu de presente.
— E por que ela te daria dois pijamas? Tava pensando em usar com quem, idiota? — Me encarou e precisei morder o lábio para esconder o quanto gostei vê-lo com ciúmes.
— Ela me deu antes da gente se... Antes da separação. — A última palavra saiu amarga e Katsuki se mexeu desconfortável na cama.
— "Riot Dreams"... — Leu a frase bordada no peitoral. — Caralho, Eijirou... Nem uma criança de oito anos usa isso. Tá ligado do quão deprimente isso é?
— Cala a boca. —Ele soltou uma risada. Curta e cansada, mas uma risada de verdade dessa vez.
E aquilo me pegou completamente desprevenido. Porque desde que ele chegou, eu não via nenhuma expressão no rosto dele que não fosse culpa ou exaustão.
— Você já usou roupa bem pior, não pode julgar.
— Nunca usei nada pior que essa coisa aqui. — Apontou com desgosto para o pijama.
— Aquela regata com caveira flamejante era o que então?
— Aquilo era estilo.
— Aquilo era um crime visual. — Antes que ele retrucasse, voltei para o closet. — Anda logo e veste isso.
𓇼𓆉
Deixei Katsuki no quarto se trocando e fui correndo até a cozinha esquentar a comida. O cheiro de molho shoyu tomou o apartamento inteiro quando o vi aparecer na entrada da cozinha.
Seus pés se arrastavam no chão, como se estivesse cansado de sustentar toda a sua estrutura. Mordi o interior da minha bochecha para não rir ao vê-lo todo vestido de Crimson Riot. Sua expressão era de quem odiava cada segundo dentro daquela roupa.
— Não fala nada! — Avisou, se sentando na banqueta.
— Eu nem abri a boca.
— Mas pensou que eu sei, seu merdinha. — Dessa vez não conseguir conter a risada
— Ficou melhor em você do que eu esperava.
— Tá me imaginando usando isso faz tempo? — Estalou a língua irritado, nã o respondi.
A cozinha estava quente. Pequena. Familiar. Meu peito apertou porque só agora me dei conta do quanto senti falta desses nossos momentos juntos. Fazia tanto tempo...
Desliguei o fogo e servi o yakisoba nos pratos, levando tudo para o balcão logo em seguida.
— Não tá com a melhor cara de todas, mas o que importa é o gosto, né? — Brinquei, escondendo o fato de que ainda não tinha certeza se aquilo realmente estava, pelo menos, comestível.
— Se estiver ruim, eu vou embora. — Brincou e eu revirei os olhos.
O loiro pegou os hashis, e eu fiquei observando, inquieto, esperando pela reação dele. Ansioso para saber se tinha acertado.
Ele levou uma boa quantidade à boca, mastigou em silêncio e, logo depois, pegou mais um pouco. Não consegui esconder o sorriso orgulhoso.
— Tá tão bom assim? — Perguntei, começando a comer o meu também.
— É, melhor que nada.
— Então você amou.
— Não força, idiota. — Respondeu antes de voltar a comer.
Ele mal terminava de mastigar antes de colocar mais comida na boca. Meu peito apertou ao perceber que Katsuki provavelmente não tinha comido nada desde o incêndio.
Continuamos em silêncio depois disso. Os únicos sons preenchendo a cozinha eram o barulho dos hashis batendo de leve nos pratos e a chuva fina contra a janela. Apesar de tudo, não era um silêncio desconfortável. Muito pelo contrário.
— Vou secar seu cabelo antes da gente deitar. Se não, você vai acordar péssimo amanhã. — Avisei.
O herói em uma saúde de dar inveja em qualquer um, mas quer vê-lo ruim por dias? Faça-o dormir de cabelo molhado e ganhe um Katsuki gripado e mal humorado por dias.
— Obrigado. — Murmurou. Eu o encarei imediatamente, mas ele não olhou de volta. — Obrigado pelo banho, pela comida... Por tudo.
— Não precisa agradecer. — Respondi devagar, atordoado pelas suas palavras.
— Preciso sim. — Bateu a mão na mesa e finalmente me encarou.
Observei Katsuki por alguns segundos em silêncio. Mesmo destruído, cansado e claramente tentando não desmoronar, ele ainda parecia estar se segurando sozinho. Como sempre.
— Você pode ficar aqui o tempo que precisar, sabe disso, não é? — Digo e ele bufa, como se sentisse ofendido com o que eu disse.
— Não começa. — Mandou. — Não me olha essa cara de cachorrinho pidão querendo cuidar de tudo.
— Então para de agir como se fosse morrer se descansar cinco minutos. — Nos encaramos em silêncio. A respiração dele estava pesada, e seus olhos percorriam cada detalhe do meu rosto como se tentassem decorar tudo outra vez.
— Talvez eu só esteja... eu só tô cansado de resolver tudo sozinho. — A confissão foi como um tiro no meu peito.
Engoli em seco e coloquei minha mão sobre a sua, fazendo um carinho leve com o polegar.
— Não precisa mais resolver tudo sozinho, eu tô aqui, não tô? — Lhe entreguei um sorriso leve, acolhedor. Katsuki retribuiu, o seu era pequeno, mas verdadeiro.
𓇼𓆉
O quarto era iluminado apenas pela luz fraca dos abajures ao lado da cama. A chuva continuava batendo preguiçosamente contra a janela.
Estávamos sentados no meio da cama, com Katsuki entre as minhas pernas enquanto eu secava seu cabelo.
— Fica quieto. — Murmurei quando ele tentou afastar a cabeça outra vez.
— Tá puxando meu cabelo, imbecil! — Bufou, mas se aquietou logo depois.
Nos observei pelo espelho à nossa frente e, sob a luz amarela, nossos pijamas pareciam ainda mais ridículos. Mordi o lábio para conter o sorriso.
— Se você rir eu vou embora agora.
— Você fala isso desde que chegou. — Revirei os olhos pelo drama exagerado.
— Eu deveria ter ido mesmo.
— Não vai, não. — Bakugou virou o rosto um pouco, me lançando um olhar estreito.
— Tá confiante, né? — Dei de ombros e desliguei o secador
— Te conheço. — Minha resposta o deixou em silêncio. O ambiente se tornou diferente. Mais íntimo. — Pronto. Não vai mais ficar gripado amanhã.
Katsuki passou as mãos nos fios, observando no espelho seu cabelo menos rebelde do que o costume.
— Hm. — Resmungou e eu sorri.
— Levo isso como um elogio? — Coloquei o secador no chão.
— Não força, idiota. — Soltei uma risada baixa e puxei a coberta para que pudéssemos nos deitar.
Nos enrolei nela antes de pegar o controle do ar-condicionado e ajustar a temperatura do jeito que ele gostava. Depois disso, ficamos encarando o teto em silêncio.
Eu não conseguiria dormir antes de ter certeza de que Katsuki realmente estava bem. Escutei um suspiro ao meu lado, como se o corpo dele finalmente começasse a relaxar depois de horas em estado de alerta. Mas sua mente ainda parecia estar a milhão.
— Ainda pensando no incêndio? — Perguntei baixinho.
— Sim. — Murmurou depois de alguns segundos.
— Vai continuar pensando nisso amanhã também? — O encarei.
— Com certeza.
— Então descansa hoje. — Seus olhos cansados encontraram os meus, e o loiro soltou um ar que eu nem sabia que estava prendendo.
Entrelacei nossas mãos e estremeci ao sentir sua mão tão quente. Sempre foi assim, não importa o quão quente o meu corpo esteja, o de Katsuki sempre estará mais.
Levei seus dedos até os meus lábios e depositei um beijo suave ali. O observei fechar os olhos por um instante, como se apenas aquilo já aliviasse parte do peso dentro dele.
— Eu gosto de... — Sua voz saiu baixa, quase inaudível. — Eu gosto quando você cuida de mim. — Soou como um segredo. Como algo que ele não deveria ter confessado. Senti meu coração bater mais rápido com a sua confissão.
— Eu gosto de cuidar de você. — Minha resposta arrancou dele um sorriso pequeno e cansado.
Katsuki se virou devagar na minha direção, ainda lutando contra o sono. Me aproximei aos poucos, levando meu nariz até seu cabelo e respirando o cheiro familiar que vinha dele.
Desci até encostar os lábios em sua testa. Depois em sua bochecha. Em seguida no seu nariz. E então uni nossas testas, deixando nossas respirações se misturarem.
— Eu sempre vou cuidar de você. — Sussurrei antes de finalmente beijá-lo.
Passei uma das mãos pela sua cintura, puxando-o para que se colasse o quanto podia em mim, enquanto a outra repousei em seu rosto, acariciando sua pele devagar. Katsuki segurou minha nuca com uma mão e enroscou os dedos da outra no meu cabelo.
Não tínhamos pressa ou urgência. Somente calor e familiaridade. Nosso beijo era lento, sonolento e cheio de cuidado. Mais confortável do que intenso.
Quando aprofundei o beijo, o herói suspirou contra minha boca, como se estivesse finalmente permitindo que todo o peso daquela noite fosse embora aos poucos.
Minhas mãos deslizavam pelo corpo dele sem pressa alguma. Passei pelas costas, pelo peito e voltei para sua cintura, apertando de leve até sentir seus dedos puxarem meu cabelo. Ele sempre fazia isso quando gostava de algo.
Afastei nossas bocas apenas para espalhar beijos por seu rosto e descer até o pescoço. Meus lábios exploravam o local, as vezes deixando leves sucões e outras usando os dentes para dar leves mordidas.
Katsuki estremecia sob cada toque. Ele sempre foi sensível aos meus cuidados, mesmo tentando esconder, eu notava seu olhar raivoso se tornando manhoso.
Deslizei a mão até sua coxa, puxando-a por cima da minha perna. Em seguida a levei até entre o meio das suas pernas e para a minha surpresa, seu membro já estava semi duro.
Comecei a acariciá-lo por cima da roupa, do jeito que gostava porque isso o deixava mais ansioso. Estava atento à suas reações.
— Uhgm, Eiji... — Sua voz rouca invadiu meus ouvidos, me fazendo endurecer também. Porra como eu amo tê-lo em minhas mãos.
Mas, naquela noite, eu não queria nada além de cuidar dele.
Quando Katsuki ficou totalmente endurecido, adentrei sua cueca e segurei seu pau com firmeza, o sentindo quente em minha mão. O herói gemeu contra o meu ouvido e capturou meus lábios para outro beijo, tentando ocultar seu barulho.
Seu corpo todo estremeceu, acho que mais pelo carinho do que pelo toque em si. Nossos movimentos eram lentos, preguiçosos.
Queria apenas mostrar que ele não precisava carregar tudo sozinho. Que existia alguém ali. Que eu estava disposto a acolhê-lo sempre que precisasse.
Com a outra mão, segurei firme a nuca de Katsuki, do jeito que o enlouquecia. Passei os dedos pela sua glande, sentindo uma gota espessa de esperma vazando, mostrando o quanto ele estava entregue.
Comecei a rodar minha mão ao redor da sua extensão, como se tivesse fazendo um parafuso nele e quando chegava na base, pressionava meu dorso contra suas bolas.
— Ahgm... Como eu te odeio. — Murmurou e enterrou seu rosto no meu pescoço.
senti sua mão infiltrar minha cueca, eu tentei afastá-lo mas seus dedos seguraram firme o meu membro duro.
— Tsuki, não... — Me interrompeu.
— Cala a boca. — Mandou e começou a imitar meus movimentos em meu membro.
Apesar da nossa lentidão, não deixava de ser excitante. Na verdade, estava nos enlouquecendo ainda mais.
Eu estava sensível, a última vez que fiz sexo foi na nossa recaída e, mesmo que Bakugou esteja apenas me masturbando, parecia intenso demais nas suas mãos. Mas não era só eu, Katsuki também estava porque seus tremores não paravam, ele estava mais sensível do que costuma ser.
O herói nunca teve nenhuma interação sexual antes de começarmos a namorar, nem mesmo masturbação porque ele dizia ser ocupado demais para pensar nessas coisas, então não se importava. E depois que começamos a namorar, ele dizia que tinha a mim para satisfazê-lo sempre que quisesse, do jeito que queria.
Então analisando o jeito que estava em minhas mãos nesse momento, seus tremores e sua sensibilidade, julgava que ele não esteve com mais ninguém desde a nossa recaída também, o que me deixou feliz involuntariamente.
— Eiji... Eijiro. — Me chamava desesperado com a voz rouca. Sua mão agarrou minha cabeça e a enterrou no meu pescoço.
Entendi o recado e apertei ainda mais minha mão na sua nuca, puxando o cabelo do local no processo. Em seguida, cravei meus dentes entre o seu ombro e seu pescoço, forcei até senti o sabor metálico do seu sangue em minha boca.
Não faço a mínima ideia se Katsuki se encaixa no quadro de masoquista. No início do nosso relacionamento ele demorava um bom tempo para gozar, até mesmo quando era ele o ativo.
Mas uma vez, de forma inconsciente, eu tive um orgasmo tão forte que mordi seu pescoço, aquilo fez o loiro gozar na mesma hora intensamente. Desde então, quando está perto do orgasmo ele começa a ficar ansioso para sentir meus dentes furarem sua pele na sua região sensível.
Seu quadril comecou a estocar minha mão, ansiando o orgasmo. Eu continuei o movimento até sentir seu membro pulsando nos meus dígitos e o líquido quente escorrendo.
— Porra, Eiji... Aahm. — Apertou meu membro no impulso e isso, junto com a sua voz manhosa no meu ouvido foi o suficiente para que eu gozasse também.
Afastei meus dentes do pescoço de Katsuki e passei a deixar beijos pelo local. Eu mantive meus braços ao redor dele, firme e cuidadoso ao mesmo tempo.
Seus tremores diminuíram aos poucos. Nossas respirações pesadas começaram a desacelerar. Então senti seu peito mexer de maneira sútil, indicando uma risada fraca.
— Isso foi patético. — Me afastei com um sorriso preguiçoso nos lábios.
— Você tá literalmente usando um pijama com a cara do Crimson Riot estampada. Não tem mais moral pra chamar nada de patético.
Ele riu outra vez. Dessa vez mais leve. A testa dele já não estava franzida e o olhar irritado tinha desaparecido. Restava apenas tranquilidade.
Peguei alguns lenços na cômoda e o ajudei a se limpar, ignorando os resmungos irritados de que ele "conseguia fazer sozinho".
Quando terminamos, me ajeitei novamente ao seu lado e ia segurar sua mão quando Katsuki simplesmente virou de costas para mim.
Meu sorriso desapareceu na mesma hora e meu coração apertou instantaneamente. Será que ele tinha se arrependido? Será que queria ir embora? Será que eu tinha passado dos limites? Será que...
— Vem logo, Eijirou. — resmungou, impaciente.
Antes que eu pudesse reagir, Katsuki agarrou minha mão e a puxou para sua cintura, grudando meu corpo ao dele.
Naturalmente um sorriso enorme tomou conta da minha feição. Enterrei o rosto em seu pescoço, respirando fundo o cheiro familiar da sua pele.
— Ei. — chamei baixinho.
— Hm?
— Eu sempre vou estar aqui com você, tá?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, me fazendo pensar que talvez tivesse pegado no sono.
Mas então Katsuki entrelaçou nossos dedos e levou nossas mãos até seus lábios, depositando um beijo. Depois, as posicionou contra o seu peito.
— Eu sei. — Sua resposta aqueceu meu peito e me permiti se aconchegar em seu corpo e relaxar. Porque, pela primeira vez naquela noite, parecia que Katsuki realmente acreditava nisso.
