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Virgin at Forty - Jinkook (oneshot)

Summary:

Kim Seokjin é um quarentão… virgem.
No dia do seu aniversário, seus amigos decidem que está na hora de resolver isso. Eis que surge Jeon Jungkook, um jovem lindo e capaz de tornar a noite de Seokjin inesquecível.
O que começa como uma aposta entre amigos vira uma noite que nenhum dos dois vai esquecer.

 

- fanfic postada também no wattpad (user: moaningjin)

Notes:

oiee <33
espero que gostem

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

O barulho não era apenas alto; era uma parede sólida e pulsante de graves que parecia querer perfurar o tímpano de Kim Seokjin e sair pelo outro lado. A cada batida eletrônica, uma pontada aguda respondia atrás de seus olhos, um prenúncio de enxaqueca. A caixa de som, do tamanho de uma geladeira pequena, tremia em seu pedestal, e ele conseguia sentir a vibração no chão grudento de bebida, subindo por suas canelas. Três doses de alguma coisa vagamente cítrica — ele já havia perdido a conta — dançavam em seu estômago vazio, uma mistura quente e instável.
A boate, Fusion, tinha sido a escolha brilhante de seu melhor amigo, Jung Hoseok. "Você merece comemorar seus quarenta como se tivesse vinte!" Hoseok havia gritado, seus olhos brilhando com uma intensidade quase aterrorizante, uma semana antes. Naquele momento, Seokjin, afundado em uma de suas crises existenciais silenciosas no sofá de sua sala impecavelmente arrumada, apenas acenou com a cabeça. Por que não? pensou. O que eu tenho a perder, além da minha sanidade?
Agora, ele sabia a resposta: tudo. Estava perdendo a sanidade, gota por gota, a cada corpo suado que esbarrava no seu.
A pista de dança era um formigueiro humano. Corpos em movimento se esfregavam uns nos outros em uma coreografia desesperada e sem ritmo. O fedor de perfume barato, álcool e esforço físico criava uma névoa quase sólida, tingida de roxo e vermelho pelos lasers que cortavam o ar como navalhas. Uma garota com cabelo azul-elétrico tropeçou e riu no ombro de Seokjin, derramando meio copo de algo pegajoso em seu pulso. Ele apenas sorriu, sem graça, e se afastou. A fila para o banheiro serpenteava como uma cobra preguiçosa, e ele já havia desistido do sonho de se lavar.
— HYUNG! — o grito perfurou a cortina de som, e um braço quente e suado envolveu seus ombros, puxando-o para um abraço de lado. — Está se divertindo?
Jung Hoseok estava radiante. E bêbado. Muito, muito bêbado. Seu sorriso, normalmente ensolarado, estava mole, quase preguiçoso. Suas pálpebras pesadas mal conseguiam manter os olhos abertos, e sua voz, geralmente aguda e animada, saía arrastada, como se estivesse falando debaixo d'água. Gotas de suor escorriam de suas têmporas, fazendo seu cabelo laranja-escuro brilhar sob a luz negra. Ele estava com a camisa aberta até o peito, revelando a pele morena coberta por um leve brilho.
— Sim, Hobi — mentiu Seokjin, forçando um sorriso que mais parecia uma careta. — Obrigado.
O sorriso de Hoseok, se possível, ficou ainda maior. Era um sorriso bêbado, sem filtro, cheio de uma afeição desastrada.
— De nada, Jin hyung! — ele apertou o abraço. — Quarenta anos! Isso se comemora com estilo! O que acha de ir pra pista rebolar essa sua bundinha, hein?
Mesmo com a luz roxa, Seokjin sentiu suas orelhas queimarem, um rubor quente que descia pelo pescoço. Antes que pudesse responder, Yoongi apareceu como uma sombra calma, deslizando um braço pela cintura de Hoseok e puxando-o para perto. Seu rosto, uma máscara de aparente impassividade, traía uma preocupação contida nos olhos. Ele ofereceu uma garrafa de água a Hoseok, que foi aceita com um beijo ruidoso e molhado na bochecha do namorado.
— E-eu... melhor não. Acho que vou ficar por aqui mesmo.
— Vamos lá, hyung! — insistiu Hoseok, ignorando a água. Sua voz ficou mais séria, um tom que contrastava com seu estado. — Quando foi a última vez que você se divertiu de verdade? Com alguém?
Seokjin nem precisou pensar. A resposta era um poço vazio e silencioso em sua memória: nunca. Aos quarenta anos, o Professor Kim Seokjin, PhD em Biologia Marinha, um homem de palestras impecáveis e artigos revisados por pares, carregava um segredo que pesava como um bloco de chumbo: ele era virgem.
Não por falta de oportunidade. Na adolescência, houvera Irene, no último ano do colégio, com suas sardas no nariz e um jeito de tocar em seu braço que o deixava paralisado. Ela havia se inclinado para beijá-lo uma vez, em seu quarto de parede cor-de-rosa, e Seokjin, em um acesso de pânico puro e primal, saiu correndo porta afora, desceu quatro lances de escada e foi para casa a pé, quase uma hora de caminhada, sentindo as lágrimas geladas no rosto quente. Ele nunca soube explicar por quê. Apenas sabia que não estava pronto. E o 'não estar pronto' se estendeu por décadas, transformando-se em uma zona de conforto.
Taehyung se juntou ao grupo, uma lufada de ar fresco e alto-astral. "Feliz aniversário, hyung!" Seu sorriso quadrado era genuíno, iluminando seu rosto escultural. Ele beijou Yoongi e Hoseok em saudação, um gesto tão natural e afetuoso que doeu no peito de Seokjin.
— Desculpem o atraso. A turma B inventou de me entregar um trabalho às 23h59, e eu fiquei até agora na faculdade corrigindo aquelas... obras-primas. — Ele fez aspas no ar com os dedos. — O que perdi?
— Nada. Absolutamente nada — respondeu Seokjin, um pouco mais rápido do que deveria.
Os quatro eram professores da Universidade Nacional de Seul. Seokjin, o catedrático de Biologia, cujo laboratório cheirava a algas marinhas e solventes. Hoseok, o professor de Inglês que fazia os alunos dançarem para aprender phrasal verbs. Yoongi, o professor de Educação Física que usava estatísticas para explicar a eficácia de um treino. E Taehyung, o professor de Literatura que conseguia fazer alunos de engenharia se apaixonarem por poemas do século XIX. Os três mais novos formavam um trisal feliz e vibrante. Seokjin, por sua vez, era o amigo solteiro, o padrinho de casamento eterno, o fifth wheel que havia se acostumado a ocupar o banco de trás.
— O Jin quer dançar! — Hoseok respondeu ao namorado, apontando um dedo trêmulo na direção do professor mais velho.
— Não quero não, Hobi. Estou muito bem aqui, na minha zona de quase-morte.
— Mas hyuuung! — Hoseok arrastou a vogal, fazendo beicinho.
— Hobi-ah, amor da minha vida, luz dos meus olhos... quanto você bebeu? — Taehyung perguntou, rindo, afastando uma mecha suada da testa do namorado. — Deixa o Jin hyung em paz. Ele é um introvertido de quarenta anos. Nós o arrastamos para o inferno na Terra. Já cumprimos nossa cota de sadismo social.
— Só estou dizendo — Hoseok insistiu, desviando do aperto carinhoso de Taehyung e olhando para Seokjin com um brilho malicioso — que, se ele quer realmente balançar a 'vida sem graça' dele... ele precisa se aventurar um pouco.
Maldito dia, pensou Seokjin com amargura. Maldito dia em que eu bebi vinho demais naquele jantar e confessei a Hoseok que ainda não... transei. A expressão 'transei' parecia vulgar até em seus pensamentos. Ele usava 'tive uma relação sexual completa', o que era ainda pior. Agora, Hoseok, com o entusiasmo de um terrier e a sutileza de um martelo hidráulico, usava qualquer brecha para tentar "consertar" sua vida sexual.
— Hyung, você só trabalha, vai para casa, lê artigos científicos e dorme. Isso não é viver! — Hoseok continuou, aninhando-se nos braços dos dois namorados, que agora o flanqueavam como guarda-costas afetuosos. — Você precisa experimentar coisas novas! Beijar uma boca aleatória, sentir o toque de alguém... Não é tarde. Tem quarenta anos, não oitenta! Está na flor da idade!
Seokjin revirou os olhos. Na adolescência, ele nunca se interessou. Os livros eram mais seguros. As páginas não o rejeitavam. As histórias de amor nos romances da biblioteca pública o satisfaziam mais do que qualquer tentativa real. Depois, vieram os vestibulares – a obsessão silenciosa com o sucesso acadêmico, a planilha de horas de estudo colada na parede do quarto. Relacionamentos? Perda de tempo. Ele se convencia disso todas as manhãs. Na universidade, houve tentativas – olhares mais longos, convites para café, mãos que roçavam as suas. Seokjin sempre encontrava uma desculpa para recusar. Preciso estudar. Tenho prova. Estou cansado. Ele gostava de ser sozinho. Acreditava nisso.
E então, o diploma. O emprego. A estabilidade. Ele finalmente permitiu-se pensar: e agora? Dois encontros. Um com um professor que falava apenas sobre seu gato. Outro com um administrador que cheirava a cigarro demais. Química zero. Ele aceitou, então, que talvez isso não fosse para ele. Talvez ele fosse simplesmente... assexuado. Ou talvez apenas tarde demais. Aos trinta e cinco, a ideia de morrer virgem deixou de ser assustadora e tornou-se apenas um fato.
Até que, num acesso de sinceridade etílica, ele contou a Hoseok. E agora a mentira confortável estava ameaçada.
— Vamos lá, Jin hyung — Hoseok se aproximou, baixando a voz para um tom conspiratório, um feito impressionante em meio ao barulho. — Que tal uma aposta?
Seokjin ergueu uma sobrancelha. A palavra 'aposta' era seu ponto fraco. Seu calcanhar de Aquiles. Sua kryptonita. Taehyung mordeu o lábio, já prevendo o desastre.
— Aposta? — perguntou Seokjin, um fio de interesse cortando sua apatia.
— Sim. — Hoseok falou devagar, como quem oferece uma fruta proibida. — Eu aposto o meu Playstation 5... novinho em folha... — ele deixou a palavra pairar no ar, vendo o brilho cobiçoso aparecer nos olhos de Seokjin — que você não vai embora acompanhado com alguém daqui.
Seokjin ponderou. O PS5. O controle adaptativo. A nova expansão de Elden Ring. Ele olhou para seus amigos. Era isso. Ele tinha quarenta anos, um emprego estável e, apesar de tudo, ainda se considerava bonito. Ele se olhara no espelho antes de sair: rosto sem rugas (graças a sua rotina de skincare mais rigorosa que um protocolo de laboratório), lábios naturalmente carnudos e rosados, mandíbula definida, olhos grandes e castanhos. Alto, um metro e setenta e nove, ombros largos que estreitavam para uma cintura fina, pernas longas e firmes de quem passa horas em pé no laboratório. Sua blusa de seda azul-marinho acentuava a palidez de sua pele. O que ele tinha a perder, além de um pouco de dignidade?
— Hoseok-ah... amor... — Yoongi interveio, sua voz um murmúrio calmo. — Você está irremediavelmente bêbado. Amanhã você vai acordar com uma ressaca moral tão grande que vai se arrepender até de ter nascido.
Hoseok o calou com um selinho rápido. "Deixa eu brincar", disse o gesto.
Seokjin mordeu o lábio inferior — um hábito nervoso que o deixava com a boca vermelha e inchada. Ele olhou para Hoseok aninhado entre Yoongi e Taehyung, para a facilidade com que eles se tocavam, para a intimidade que parecia tão natural. Um desejo agudo e doloroso perfurou seu peito. Ele queria aquilo. Queria saber como era a pressão de uma mão em sua nuca, o calor de um corpo junto ao seu, a sensação de ser desejado.
— Certo — ele disse, antes que sua sanidade pudesse protestar. — Diga adeus ao seu videogame. Eu quero ele na minha sala até amanhã à noite.
Hoseok soltou um guincho de alegria, batendo palmas como uma foca.
— Ótimo! Deixa eu escolher o alvo.
— O quê? Não... Eu vou escolher!
— Aquele ali, no bar — Hoseok apontou com o queixo, ignorando-o completamente. — Bíceps grandes. Cara de quem sabe o que faz.
Yoongi e Taehyung trocaram olhares de ciúmes fingido.
— Aquele perto da VIP também é bonito. Muito sorriso. Deve ser pegajoso... — Hoseok continuou, filosofando sobre os homens como quem avalia frutas no mercado.
— Que tal aquele? — Yoongi interrompeu, apontando com um movimento quase imperceptível de cabeça.
O grupo seguiu seu olhar. Um homem estava encostado na parede perto da saída de emergência, a poucos metros deles. E Seokjin... Seokjin prendeu a respiração.
O rapaz — porque definitivamente parecia mais novo — vestia uma camisa preta de algodão que abraçava cada curva do seu torso como se tivesse sido pintada. A luz fraca destacava os relevos de músculos firmes: peitoral largo, abdômen definido, braços onde serpenteavam tatuagens de preto intenso — desenhos abstratos que subiam pelos antebraços e desapareciam sob as mangas. Usava uma calça jeans larga, desbotada nos joelhos, e coturnos pretos pesados. Seu cabelo negro caía em ondas desgrenhadas sobre os olhos, mas Seokjin pôde ver o brilho do metal: um piercing fino na sobrancelha esquerda, dois pequenos anéis no lábio inferior. Vários brincos de prata adornavam suas orelhas. Ele estava sozinho, mexendo no celular com uma expressão entediada, recostado como se fosse dono do lugar.
— Ele parece o protagonista de um dark romance... — Taehyung sussurrou, com os olhos arregalados.
— Sim! — Seokjin concordou, sentindo um frio na barriga. — E eu pareço o pai sem graça de um aluno. — Velho. Inexperiente. Virgem. Completou em seus pensamentos — Ele parece... inacessível. Nunca vai se interessar. Escolham outro. Por favor.
— Pelo visto você não quer tanto o PS5 assim — Hoseok disparou, com um sorriso cheio de dentes. — Tudo bem. Vamos embora, então. Pode deixar...
Irritado, o espírito competitivo de Seokjin despertou com um rugido. Não. Eu não vou desistir. Não de um Playstation 5. Antes que pudesse pensar melhor, seus olhos capturaram a garrafa de tequila sobre a mesa. Em um movimento que sua parte racional classificaria como "suicídio social", ele encheu um shot, virou de uma só vez, sentindo o líquido queimar sua garganta, e deu passos firmes e decididos na direção do desconhecido.
— Oh, meu Deus — Taehyung murmurou, a mão indo à boca. — Ele está indo. O hyung está indo.
Os três ficaram imóveis, olhando como se testemunhassem um panda dançar breakdance.
A cada passo, o chão parecia mais distante. As palmas das mãos de Seokjin suavam. A mente, um borrão branco. Ele não havia pensado em nada. Nenhuma cantada ensaiada, nenhuma frase de efeito. Apenas a certeza do fracasso iminente. Parou a meio metro do rapaz, que continuava no celular. A poucos centímetros, Seokjin pôde ver os detalhes: a linha da mandíbula forte, os cílios longos... a aura magnética de quem não precisa fazer força para ser interessante.
— Uh... oi — disse, baixo demais, quase um sussurro.
O rapaz não moveu um músculo.
Seokjin sentiu a vontade de ser sugado para uma dimensão paralela. Qualquer lugar, menos aqui.
— Olá! — ele tentou de novo, mais alto que a música, com um tom que saiu mais agudo que o planejado.
Dessa vez, funcionou. Lentamente, como se tivesse todo o tempo do mundo, o rapaz ergueu o rosto. E Seokjin foi atingido por um par de olhos que pareciam conter a escuridão do espaço sideral. Grandes, negros, profundos. E estavam fixos nele.
— Hum... e-eu... Uh... — Seokjin gaguejou. O cérebro, PhD e tudo, tinha saído de férias sem aviso prévio.
— Você…? — A voz do rapaz era grave, com um toque de aspereza, e ecoou por baixo da música.
Ele se desencostou da parede, e Seokjin percebeu o erro de seus cálculos. Ele não era só mais alto. Era imponente. Dois centímetros a mais, talvez, mas com uma presença que preenchia o espaço. Seus ombros pareciam uma muralha. Seokjin, por comparação, sentiu-se frágil, um junco ao lado de um carvalho. Instintivamente, deu um passo para trás. Seu coração batia tão forte que ele jurava que dava para ver a camisa de seda vibrar.
Inspira. Expira. Você consegue, Kim Seokjin. Pense nos livros. Pense nos filmes. Pense nas histórias terríveis do Hoseok.
Endireitou a postura, forçou os ombros para trás e ofereceu o que esperava ser um sorriso confiante. Provavelmente parecia uma careta de constipado.
— Me chamo Kim Seokjin — ele disse, e, por um impulso neurótico, curvou-se levemente em um cumprimento respeitoso. Quem diabos faz uma reverência em uma boate escura? O rapaz franziu o cenho, confuso. Por um segundo, Seokjin viu algo humano e vulnerável por trás da fachada de bad boy.
— Hum... olá — respondeu o rapaz, sem graça.
Ok. O pior já passou. Ele não me esbofeteou. Ainda.
Ouvindo a voz de Hoseok em sua cabeça ("Seja direto, hyung! Homem é bicho burro!"), Seokjin juntou o pouco de coragem que restava.
— Eu sei que te abordei do nada, e peço desculpas pela invasão. — Suas palavras saíram formais, como se lesse um relatório. — Mas eu estava pensando se... você não gostaria de me acompanhar de volta ao meu apartamento. Comigo. Para... passar o tempo.
As luzes roxas e vermelhas dançavam, salvando Seokjin de ter que ver a própria cara de vergonha. O rapaz — ainda sem nome — simplesmente o encarou. Segundos que pareceram horas. O suficiente para Seokjin revisar mentalmente cada escolha que o levara àquele momento: a aposta, a tequila, a amizade com Hoseok, a escolha da biologia marinha, o dia em que saiu correndo da casa de Irene...
Finalmente, o rapaz guardou o celular no bolso. Seus lábios, onde os piercings brilhavam, se curvaram em um sorriso. Não era um sorriso fácil ou malicioso. Era curioso. Quase... encantado.
— Você costuma fazer essa oferta para muitos? — perguntou, e havia um humor suave em sua voz.
— Na verdade, você é o primeiro — admitiu Seokjin, surpreso com sua própria honestidade. — Funcionou?
O rapaz o analisou de cima a baixo. O olhar demorou-se no formato de ampulheta criado pelos ombros largos e cintura fina, no volume dos lábios que Seokjin, ansioso, mordia sem parar. O olhar do rapaz parou ali. Nos lábios.
— Completamente — ele respondeu, e a palavra foi um sopro. Sua voz pareceu mais grave. — Então, para que lado é seu apartamento?
O coração de Seokjin deu um salto mortal. Ele conseguia ouvir o sangue zumbindo em seus ouvidos. Com a mão trêmula — e ele odiava que estivesse trêmula —, ele a estendeu. O rapaz a segurou. A mão dele era quente, firme, e a tinta das tatuagens parecia vibrar sob a pele.
Antes de sair, Seokjin olhou para trás, na direção dos amigos. Taehyung estava com os olhos esbugalhados, a boca formando um 'O' perfeito. Yoongi havia deixado cair a garrafa de água no chão. E Hoseok... Hoseok pulava que nem um coelho em um campo de cenouras, sorrindo como um idiota feliz. Seokjin riu, um riso nervoso e solto, e deixou-se guiar para fora.
Do lado de fora, a madrugada de Seul era uma lâmina fria. A brisa cortou a névoa de calor da boate, arrepiando a pele exposta de Seokjin. Ele tremeu, mas não tinha certeza se era do vento ou dos olhos do estranho, agora mais nítidos sob a luz branca do poste.
— Você não me disse seu nome — lembrou Seokjin, finalmente conseguindo formar uma frase completa.
— Jeon Jungkook.
Jeon Jungkook. O nome ecoou, familiar, como uma campainha distante. Onde ele tinha ouvido aquele nome antes?
— Então, para onde vamos? — Jungkook perguntou, estendendo um capacete preto. Só então Seokjin notou a moto. Era enorme, preta, com detalhes cromados que brilhavam sinistramente sob a luz da lua. Uma máquina de pura potência.
— Isso é seu? — perguntou Seokjin, sentindo um frio na espinha diferente.
— É — Jungkook já havia colocado o próprio capacete, a viseira levantada, seus olhos negros brilhando. — Coloque isso. E suba. Vai ter que agarrar firme. As curvas são intensas.
Seokjin riu, uma risada nervosa que morreu em sua garganta. Ditou seu endereço — um bairro nobre e silencioso — e subiu na garupa. Sentou-se o mais perto que pôde, enlaçando a cintura de Jungkook com os braços. O corpo do mais novo irradiava calor, um contraste delicioso com o vento gelado que cortava suas bochechas assim que a moto roncou e disparou.
A viagem foi um turbilhão. Nas retas, Seokjin sentia a velocidade como um aperto no peito. Nas curvas, Jungkook inclinava a moto a ponto de o joelho quase raspar o asfalto, e Seokjin, em pânico, apertava os braços com força, enterrando o rosto nas costas largas e quentes do rapaz. Ele fechava os olhos, sentindo apenas o motor, o vento e o cheiro de sabonete e couro que emanava de Jungkook.
Quando a moto finalmente desacelerou e silenciou diante do seu prédio, Seokjin precisou de um momento para sentir as pernas.
— Chegamos — anunciou Jungkook, baixando a viseira.
— Chegamos — ecoou Seokjin, sua voz saindo mais ofegante que gostaria.
O saguão do edifício era de mármore branco e silêncio. O contraste com a boate era tão grande que doía nos ouvidos. Seokjin acenou com a cabeça para o porteiro noturno, que ergueu uma sobrancelha ao ver o acompanhante tatuado, mas não disse nada.
No elevador, forrado de espelhos, o silêncio era ensurdecedor. Seokjin encarava a própria imagem refletida — cabelos bagunçados, bochechas coradas, lábios vermelhos de tanto morder. Jungkook, ao lado, não desviava os olhos dele. A cada 'ding' do elevador subindo, o estômago de Seokjin dava um nó.
Quando abriu a porta do seu apartamento e acendeu a luz do corredor, a realidade o atingiu como um balde de água fria. Havia um desconhecido em sua casa. Um desconhecido lindo, tatuado, de moto, que ele trouxe para...
Ambos tiraram os sapatos na entrada — os coturnos pesados de Jungkook ao lado dos mocassins de camurça de Seokjin. Era uma imagem quase cômica.
— Vamos para a sala — Seokjin disse, tentando controlar a respiração.
Enquanto caminhava, ele sentia o olhar de Jungkook percorrendo o ambiente. Seu apartamento era seu santuário. Paredes brancas, móveis de madeira clara, uma estante abarrotada de livros científicos e mangás. Vasos de plantas que ele se esforçava para manter vivas (algumas já entregavam os pontos). Quadros de gravuras botânicas. Fotografias emolduradas: ele com os pais na praia, com Hoseok, Yoongi e Taehyung em uma formatura, uma foto sozinho em um barco de pesquisa no meio do oceano. Era um lar de alguém que valorizava a calma.
Jeon Jungkook estava ali, na penumbra do apartamento, e parecia preencher cada centímetro do espaço com sua energia bruta e calor jovem. A camiseta preta abraçando cada curva de seus ombros largos e definidos. O cabelo escuro caindo sobre os olhos, e os piercings na orelha brilhavam ao reflexo da TV desligada. As tatuagens que subiam pelo braço desapareciam sob a manga da camisa, um mistério que Seokjin desejava decifrar com os dedos.
Seokjin, por outro lado, era a elegância personificada. A camisa oversized de algodão azul marinho — propositalmente cara — escondia a finura da sua cintura, mas caía perfeitamente sobre seu corpo magro e conservado. O cabelo castanho, macio como seda, estava levemente bagunçado.
— Lindo espaço que você tem, hyung — Jungkook disse, e havia genuína admiração em sua voz.
A palavra 'hyung' soou estranha. Íntima.
— Hyung? — Seokjin perguntou, franzindo a testa. — Como sabe que sou mais velho que você?
Ele se sentiu imediatamente idiota. Era óbvio. A pele dele, embora bem cuidada, tinha a textura de quem passou dos trinta. Jungkook tinha aquele viço juvenil, a elasticidade de quem ainda está nos vinte.
Jungkook apenas deu de ombros, um movimento que fez os músculos de seus ombros se moverem sob a camisa.
— Imaginei.
— Quantos anos você tem, afinal?
— Isso importa? — Jungkook perguntou, aproximando-se.
Aos quarenta anos, ele se preocupava com as pequenas rugas ao redor dos olhos — quase imperceptíveis —, com a pele que não era mais a de um jovem. Mas quando Jungkook o olhava, como agora, com aquela intensidade quase animal, Seokjin se sentia a coisa mais preciosa do universo.
A luz amarelada do abajur criava sombras aconchegantes. O perfume de Seokjin — uma mistura suave de almíscar e chá branco — parecia mais forte no silêncio. Jungkook parou a poucos centímetros. Seokjin podia sentir o calor irradiando do corpo dele, o cheiro de couro e sabonete de sândalo. A respiração calma de Jungkook roçava sua bochecha.
— Na verdade, sim — Seokjin respondeu, a voz saindo mais firme do que ele se sentia. — Não quero fazer nada com um menor de idade.
Jungkook riu. Foi um riso baixo, que saiu pelas narinas, um som quase íntimo.
— Relaxa, hyung. Eu já sou bem grandinho. Faz tempo.
Seokjin prendeu a respiração quando sentiu as mãos de Jungkook em sua cintura. Os dedos longos e tatuados apertaram a carne macia por cima da seda da blusa. Os olhos escuros de Jungkook desceram para a boca de Seokjin, para o lábio inferior que ele, mais uma vez, começava a morder.
— Posso te beijar, hyung? — Jungkook perguntou, e a voz estava mais grave, quase um rosnado.
Seokjin assentiu. Um gesto mínimo, mas suficiente.
Jungkook sorriu, um sorriso lento, passando a língua nos próprios lábios, umedecendo os piercings. Suas pupilas dilataram, engolindo o castanho escuro de seus olhos. Ele se moveu, colando o corpo ao de Seokjin. O peito dele era uma parede dura, as coxas pressionavam as de Seokjin. O mais velho podia sentir a excitação já evidente, a promessa de algo mais.
— Você passou a noite toda machucando essa boquinha — Jungkook sussurrou, o nariz roçando a bochecha de Seokjin, descendo para a curva do pescoço. — Agora é minha vez.
O beijo começou como um afago, uma pressão experimental. Mas logo se tornou fome. Os lábios de Jungkook selaram os seus com vontade. O beijo era intenso, molhado, e o barulho pequeno e obsceno que escapava ecoava pelo silêncio do apartamento. Seokjin sentiu o mundo girar. As mãos de Jungkook subiram lentamente de sua cintura, traçaram suas costelas através do tecido fino, até que os dedos se enroscaram em seus fios castanhos, puxando com força suficiente para inclinar sua cabeça para trás. Um gemido baixo, tímido e ainda reprimido, escapou dos lábios de Seokjin. Jungkook respondeu com um ruído gutural, puxando-o ainda mais para perto, como se quisesse fundir seus corpos.
Cada toque era uma superestimulação para Seokjin. A aspereza dos dedos calejados de Jungkook, a maciez de sua própria pele arrepiada, o contraste entre a brisa fria que entrava pela janela e o calor sufocante dos corpos colados.
Um beijo se multiplicou em dois, depois em três, uma sequência interminável. Jungkook, sem nunca desgrudar os lábios dos de Seokjin, guiou-o para trás. Seokjin tropeçou, confiante, entregue, até que as costas de suas pernas tocaram o sofá. Jungkook sentou-se com um baque suave, puxando Seokjin para seu colo. O peso do mais velho sobre ele arrancou um suspiro de Jungkook.
As mãos de Jungkook, incansáveis, deslizaram pelas coxas de Seokjin. Ele podia sentir os músculos firmes contraírem sob a calça fina, uma reação involuntária ao toque. Seokjin se separou do beijo por um segundo, apenas para ofegar, mas Jungkook aproveitou para descer a boca até seu pescoço, criando um arrepio delicioso.
Jungkook desviou a boca para o pescoço de Seokjin, beijando, lambendo, sugando a pele alva e macia. Suas mãos desciam pelas costas de Seokjin, apertavam suas coxas, sentiam a firmeza dos músculos através do tecido da calça.
— Jungkook... — Seokjin murmurou, arquivando o pescoço, oferecendo mais pele, sua voz falhando no final.
— Hm? — A resposta foi um sopro quente contra sua jugular, seguido por um beijo molhado e um estalo alto que ecoou no cômodo.
— Jungkook, e-eu... Oh! — A frase morreu quando Jungkook mordeu suavemente a curva de seu ombro, chupando a pele com uma devoção que deixaria uma marca.
— Diga, hyung. — Jungkook pediu, sua voz um pouco mais grave do que o normal.
Seokjin sentiu as bochechas queimarem. Ele não era de se expor. Aos quarenta anos, ele havia construído uma fortaleza ao redor de suas vontades, uma aparência de confiança inabalável. Mas ali, montado no colo de um homem muito mais jovem, ele sentia cada camada de sua armadura se dissolver.
— Eu quero... — ele hesitou, mordendo o lábio inchado. — Isso é embaraçoso.
Jungkook parou imediatamente. Seu rosto, iluminado pela luz amarelada do abajur, buscou o de Seokjin. Ele olhou para cima com olhos grandes, negros e infinitos, sem pressa. Analisou cada detalhe: o cenho levemente franzido, as maçãs do rosto coradas, os lábios vermelhos e úmidos. Jungkook o achou divino. Não apesar da timidez, mas por causa dela.
— Respira e fala comigo. O que foi, hyung?
Seokjin inspirou fundo. A confiança era um salto no escuro.
— Eu quero que você faça sexo comigo. — disse, de uma só vez, rápida como um curativo sendo arrancado.
Jungkook ergueu as sobrancelhas. Não era surpresa pelo pedido — ele mesmo já estava meio duro sob o peso de Seokjin — mas pela vulnerabilidade. Seokjin estava se entregando, e Jungkook sentiu um calor no peito.
— Que bom. Eu também quero. Muito. — respondeu, acariciando o braço do mais velho.
— Só que... — Seokjin hesitou, a voz caindo para um sussurro — Eu meio que sou… — a palavra 'virgem' parecia um bloco de concreto em sua língua, e ele a soltou, baixo, quase imperceptível: — Virgem.
— O quê? Não ouvi.
— Virgem.
— Fale mais alto, por favor? Não entendi o que disse no final.
— Eu sou virgem! — Seokjin repetiu, em um tom que não era um grito, mas quase. O rubor desceu do rosto para o peito. — Eu sei, é patético. Tenho quarenta anos e nunca fiz sexo. Pode rir. Eu riria.
Ele esperou o escárnio. A piada. O olhar de julgamento. Em vez disso, recebeu o silêncio. E, quando ergueu os olhos, Jungkook não estava rindo. Seu rosto era uma máscara de surpresa, sim, mas
Seokjin esperava o pior. Uma risada debochada, um olhar de piedade, talvez até mesmo um pedido para ir embora. Mas o que recebeu foi silêncio. Olhou para Jungkook e viu um sorriso pequeno e suave, seus olhos brilhando com algo que parecia carinho.
— Não vou rir, hyung. Estou surpreso, confesso. Mas... — Jungkook ergueu a mão, afastando os fios de cabelo da testa de Seokjin. O gesto era íntimo, protetor. — Não tem nada de errado com você. E vou me esforçar para que você se sinta bem na sua primeira vez. Confia em mim?
E Seokjin percebeu, com uma clareza que o assustou, que confiava. Jungkook era, para todos os efeitos, um estranho. Ele sabia seu nome e que era mais novo que si, mas havia algo nos olhos daquele homem que gritava segurança.
Os beijos recomeçaram, agora mais lentos, mais exploratórios. Jungkook queria ensinar a Seokjin que não havia pressa, que o prazer residia nos detalhes. Sua boca desceu pelo queixo de Seokjin, pelo pomo de Adão, enquanto suas mãos percorriam o torso magro por cima da camisa.
— Vou tirar sua camisa, ok?
Seokjin apenas assentiu, erguendo os braços com uma obediência doce para facilitar o ato. A camisa branca foi jogada para longe, caindo ao lado do rack da TV, e o ar frio do apartamento beijou sua pele arrepiada. Seokjin sentiu um nervosismo súbito, uma vontade de cruzar os braços. Mas o olhar de Jungkook o impediu.
Jungkook o observava como se estivesse diante de uma obra de arte. O peito liso, os ombros largos mas suaves, os mamilos rosados que já estavam duros de excitação. Jungkook passou os dedos levemente sobre a pele, traçando círculos ao redor da auréola. Seokjin prendeu a respiração.
— Tão lindo... — Jungkook murmurou, hipnotizado. Sua cabeça se inclinou e, em vez de beijar, ele soprou suavemente sobre o mamilo direito — Será que você é assim rosadinho lá embaixo? — perguntou, retoricamente. — Já já vou descobrir…
Seokjin gemeu, o som escapando antes que pudesse controlar. A sensação era de um milhão de agulhas de prazer. Jungkook sorriu contra sua pele e, finalmente, tocou. Ele beliscou suavemente, depois rolou o pequeno botão entre os dedos, e Seokjin arqueou as costas, pressionando o peito contra a boca de Jungkook. A língua quente o envolveu, e o beijo molhado e sugado que se seguiu foi o suficiente para fazer Seokjin ver estrelas.
— Jungkook! — ele gritou, o som ecoando pelos móveis caros.
Jungkook marcou a pele clara com uma sucessão de beijos e pequenas mordidas, ruborizando o alabastro com tons de rosa e vinho. Quando se afastou para admirar seu trabalho, sentiu uma onda de possessividade.
— Tão lindo assim, por sua conta, por tanto tempo... — ele sussurrou, mais para si do que para Seokjin.
Entre beijos, mordidas e chupões, Jungkook foi marcando a pele clara de Seokjin. Quando se deu por satisfeito, encarou sua obra de arte. A pele do mais velho, antes branquinha e sem nenhuma marca, agora estava rosada, brilhando devido sua saliva, e com marcas vermelhas.
— Tão, mas tão lindo!
Seokjin sorriu sem mostrar os dentes, tímido. Sua autoestima não era tão boa, apesar dele fingir que sim. Sabia que era conservado, e preocupava-se com sua aparência. Mas também tinha noção da sua idade e que seu físico já não era o dos melhores.
Com um movimento rápido, Jungkook se levantou do sofá, envolvendo Seokjin pelas costas e sob os joelhos. Seokjin soltou um gritinho agudo e, por um segundo, seu corpo ficou rígido. Mas o riso nervoso se transformou em uma risada real quando Jungkook deu um giro exagerado.
— Seu quarto, hyung. Onde é?
— Final do corredor, à direita. — Seokjin respondeu, apoiando as mãos nos ombros largos e firmes de Jungkook, sentindo o tatuado sob as pontas dos dedos.
Jungkook assentiu com veemência, e com passos largos seguiu rumo a direção indicada. Seokjin aconchegou-se nos braços alheios, firmando suas pernas no torso de Jungkook e as mãos em seus ombros fortes.
O quarto de Seokjin era seu verdadeiro santuário. A cama king-size com lençóis pretos de seda, a cortina de veludo escuro aberta para a lua cheia. Luz azulada banhava o ambiente, criando sombras suaves. Não havia desordem; apenas o criado-mudo com um abajur de cristal, um livro de poesias e uma xícara de chá frio.
Jungkook deitou Seokjin no centro da cama com uma reverência que beirava o sagrado. Observou o corpo esguio espalhado nos lençóis escuros, o contraste da pele clara contra a escuridão, e sentiu sua cueca ficar desconfortavelmente justa.
Ele então tirou a própria camisa, o movimento lento e proposital. Os músculos do abdômen se flexionaram sob a pele tatuada — um dragão subindo pelas costelas, rosas desbotadas no antebraço. Seokjin arregalou os olhos, os lábios se separando em um "wow" silencioso. Ele nunca tinha visto um corpo tão esculpido ao vivo, apenas em telas de computador. A mandíbula de Jungkook, o pescoço grosso, a linha da cintura que desaparecia dentro da calça... Seokjin sentiu a boca seca.
— Oh, você é… Wow! — Seokjin murmurou, sem nem piscar.
Jeon Jungkook era uma visão e tanto! Agora, Jeon Jungkook apenas de cueca boxer era de outro mundo.
Seokjin mordeu o lábio inferior, sentindo-o sensível. Seus olhos castanhos não desviavam dos músculos marcados — o abdome, os braços, as coxas. Céus! Ele poderia babar.
— Gosta do que vê, hyung? — Jungkook perguntou, com um sorriso presunçoso, mas os olhos estavam ansiosos por aprovação.
Ignorando as bochechas coradas de vergonha, Seokjin assentiu com a cabeça. Jungkook pareceu satisfeito com a reação do outro, orgulhoso quase.
Jungkook se aproximou e, pegando na barra da calça de de Seokjin, começou a puxar para baixo devagar. Foi uma tiração lenta, uma revelação. As pernas longas e magras apareceram, brancas, poucos pelos. Jungkook plantou beijos nos tornozelos, nos joelhos e na face interna das coxas. Seokjin gemia baixo, os olhos fechados, deixando-se levar pela sensação de ser cuidado.
— Hummmm….
Jungkook lambeu a pele lisa, desde o calcanhar até o cós da cueca boxer que Seokjin vestia. Sua saliva deixou um caminho molhado por onde passou. Ainda vestindo cuecas, Jungkook esfregou seu membro na região perineal de Seokjin. Como estava de pé, colocou as pernas de Seokjin, que estava deitado, em seus ombros. Seu membro roçou o pequeno buraco de Jin e então seus testículos. Seokjin soltou mais um suspiro. Ele suspeitava que nunca havia se sentido tão bem antes.
— Posso tirar? — perguntou Jungkook, sinalizando as boxers. Seokjin respirou fundo, mas acabou por confirmar com a cabeça.
— Sim. E-eu… confio em você, Jungkook-ssi.
Jungkook gemeu, puxando Seokjin para um beijo. Seus lábios se encontraram com força, dentes batendo e a língua de Jungkook invadindo a boca de Seokjin com fome.
— Você ainda vai me enlouquecer, hyung.
Seokjin, em um ato de coragem, tomou a liberdade de levar seus dedos até o cós da própria cueca. Foi um pouco difícil retirá-la, mas Jungkook o ajudou. Os olhos escuros e grandes de Jungkook não desviavam de seu orifício.
— Como eu imaginei… — Jeon disse, deixando um último beijo molhado nos lábios inchados de Jin — Você é rosinha aqui embaixo também.
Jin gemeu alto quando Jungkook pressionou o pequeno anel com seu dedão.
— Oh, faça isso de novo.
— Tão sensível, meu bem.
Jungkook se afastou alguns centímetros, retirando seu boxer. Jin arregalou os olhos, olhando para o membro de Jungkook. Era grande com veias salientes, rijo, batia na região inferior do abdome, e a glande rubra brilhava de pré-gozo. Jungkook inflou o peito, orgulhoso. Mas hoje não era sobre ele, era sobre o lindo homem maduro deitado nos lençois pretos de seda. Ele faria Seokjin chorar de prazer.
Jeon voltou a se aproximar. Sua mão apertou a coxa de Seokjin, separando as pernas de Jin, deixando a vista sua intimidade. O pênis de Seokjin também era grande, um pouco mais fino, e sua glande rosada estava inchada, sensível. Seguindo mais abaixo, estava o pequeno anel também rosinha, que piscava de maneira contínua, como se pedisse por atenção. Jungkook sentiu-se salivar.
— Eu vou fazer você sentir-se bem, hyung. Como prometi.
Jungkook se abaixou, ficando de joelhos no chão. As pernas de Seokjin foram agarradas pelo mesmo, que as manteve firme sobre seu peito como indicado por Jungkook. Ele sentia-se exposto. Era um pouco desconfortável e…
— OH!
Suas preocupações foram interrompidas por Jungkook. O mais novo agarrou seu membro de maneira firme com uma mão, enquanto a outra brincou com seus testículos. Era bom, bom demais. E melhorou ainda mais quando Jungkook deixou um beijo estalado em sua glande, enviando arrepios por sua espinha. Ele curvou-se na cama, criando um arco lindo, mas isso não interrompeu o toque de Jungkook. Pelo contrário, intensificou-o. Jungkook começou a lamber o pênis de Seokjin, colocando o falo aos poucos na boca, chupando, beijando e lambendo. Seokjin era uma mistura de gemidos e suspiros. Ele puxava os fios pretos do cabelo de Jungkook com força, fazendo Jungkook gemer, tornando a situação ainda mais deliciosa.
Quando os gemidos de Seokjin tornaram-se mais altos, Jungkook parou. O choramingo que ele escutou saindo dos lábios carnudos de Jin quase o mataram de tesão. Ele então voltou sua atenção para o anel pulsátil. Virgem, Seokjin era virgem. Isso deveria deixálo assim tão excitado? Pois para ele, saber disso foi excitante para caramba. Seria ele quem mostraria para Seokjin o prazer, o sexo. Ele poderia estar sentindo-se um pouco pressionado, mas Jungkook se garantia quando a questão era agradar seus parceiros sexuais. Seokjin estava em excelentes mãos. Jungkook observava o pequeno buraquinho com fome, como um predador observando sua presa. Sua boca salivou. Seokjin era a carne e Jungkook o carnívoro. Jungkook então se aproximou do anel, deixando uma lambida molhada. Jin gemeu alto em resposta. Jungkook mais uma vez lambeu o orifício, dessa vez pressionando com o músculo molhado da sua língua, forçando um pouco para entrar. Ele lambia com devoção, alternando em lamber e chupar. Os gemidos dengosos de Jin eram uma melodia aos seus ouvidos. Então ele se afastou, ouvindo um resmungo de Jin.
— Chupe eles pra mim, sim? Deixe-os bem molhados, hyung.
Jungkook levou seus dedos à boca de Seokjin. Não teve que pedir duas vezes. Jin acolheu seus três dedos dentro de sua cavidade bucal, e começou a chupá-los com veemência. Jungkook gemeu, imaginando seu pau no lugar dos seus dígitos. Outro dia. Quando já achou ser suficiente, ele puxou-os da boca de Jin, escutando um “ploc” molhado soar pelo movimento, fazendo Seokjin e ele revirarem os olhos.
— Respire fundo.
No momento da expiração, Jungkook introduziu um dos seus dedos dentro de Seokjin. O corpo do mais velho tencionou levemente, mas ele não disse nada para Jungkook parar, então o mais novo começou a movimentar o dígito, para frente e para trás. Seokjin suspirou, sentindo o desconforto e queimação. Para distrair-se da sensação incômoda, puxou Jungkook para um beijo o qual foi imediatamente aceito. Jungkook o beijava com fervor, tão intenso era seu carinho que Seokjin mal notou quando Jeon introduziu o segundo dedo. A queimação aos poucos desaparecia, e a sensação desconfortável substituída por volúpia.
— Mais rápido.
Jungkook sorriu, feliz por ver o mais velho deleitando-se. Não sabia os motivos de Seokjin para manter-se virgem tanto tempo, mas respeitava e sentia-se grato por ser ele a deflorá-lo.
Jungkook obedeceu. Aumentou a velocidade, e aproveitando a distração de Jin, adicionou o terceiro dedo. E então algo mágico aconteceu, seu dígito encontrou com o ponto doce dentro de Seokjin, fazendo-o gritar de prazer.
— Encontrei.
Jungkook bombeava os três dedos de maneira constante, atingindo a próstata de Seokjin repetidamente.
— Eu vou… Oh… Jungkookie…
Jeon assistiu, maravilhado, o mais velho gozar com seus toques. Os olhos de Seokjin fecharam-se com força e sua coluna se curvou, jatos grossos de semen sujaram seu abdômen magro, suas pernas fecharam-se e o buraco apertou os dedos de Jungkook. Céus, que cena mais linda e excitante! Jungkook controlou-se para não gozar apenas com a visão de Seokjin arrasado após o orgasmo.
— Lindo.
Jungkook coletou o líquido transparente do abdome, e levou-o até o buraquinho que agora piscava com mais ganas. Usou o gozo de Seokjin como lubrificante, deixando a área receptiva para aceitar seu membro.
— Pode doer um pouco no começo, mas aguente firme, hyung.
Seokjin assentiu, ainda sentindo a cabeça nublada. Jungkook posicionou seu membro no orifício rosado, e com calma, foi introduzindo no interior de Seokjin. O mais velho choramingou com a invasão — havia uma diferença significativa entre os dedos de Jungkook e seu pênis, mas Jin sabia que o mesmo estava sendo cuidadoso para não machucálo. Uma vez completamente dentro, Jungkook permaneceu parado, dando tempo para Jin acostumar-se com a invasão.
— V-você pode… se mexer…
Jeon deu uma estocada, firme. Seokjin gritou, revirando os olhos. A sensação era diferente, mas não desagradável. Agora ele entendia o que Hoseok dizia com “sexo pode ser incrível hyung, você só precisa se permitir sentir”. Realmente, sexo era incrível. Ele sentia-se tão bem, tão cheio e… completo. Jungkook movia o quadril com rapidez, chocando-se contra sua bunda com força. O quarto foi tomado por uma sinfonia de gemidos, pele com pele, suspiros e gritos. Seokjin arranhava as costas de Jungkook, enquanto Jungkook mordia e beijava seu pescoço. Eles eram uma bagunça.
Jungkook metia com força. Estar dentro de Seokjin era maravilhoso. O mais velho era apertado, quente e molhado. O recebia tão bem. A pressão em seu membro era deliciosa, e cada vez que sua glande encontrava com a próstata de Seokjin, a pressão aumentava.
— Eu vou gozar. Droga, hyung, eu vou gozar.
Seokjin apenas gemeu alto, perdido em seu próprio orgasmo. Jungkook grunhiu, seu gozo manchando as paredes internas de Seokjin de branco. Ambos estavam sem fôlego. Jungkook permaneceu parado por um tempo, ainda dentro do mais velho. Seokjin apertava-o deliciosamente. O silêncio que se seguiu foi pesado, mas bom. Apenas o som das respirações se normalizando e o zumbido distante da rua.
Jungkook caiu ao lado de Seokjin, ofegante, seu membro saiu do interior quente do outro e junto com ele, gotas do seu orgasmo escorreram pelas coxas do mais velho.
— Preciso de um banho. — Seokjin murmurou, a voz falha.
Jeon enrolou um braço na cintura dele, puxando-o para perto.
— Nós dois. — Jungkook riu baixo.
Jeon, mesmo sentindo as pernas bambas, seguiu até o banheiro anexado ao quarto. Ligou a torneira, vendo a água aos poucos encher a banheira. Mexendo no balcão, achou alguns sais de banho. Voltou para o quarto, encontrando Seokjin na mesma posição. Ele riu baixinho, aproximando-se do outro e o pegando no colo. Seokjin apenas resmungou algo, mas aconchegou-se em seus braços. Os dois entraram dentro da banheira, algumas gotas de água saltando para fora no processo.
Jungkook concentrou-se em lavar o mais velho, passando com calma o sabonete pela pele marcada. Seu peito encheu-se de deleite em saber que fora ele quem as colocou aí.
— Hyung... — Jungkook chamou, a voz baixa, próximo ao ouvido de Seokjin. Jin arrepiou-se inteiro — Você gostou?
Seokjin, aconchegado contra o peito de Jungkook dentro da banheira, virou o rosto.
— Eu gostei muito. Obrigado por ter tornado minha primeira vez especial, Jungkookie.
— Obrigado por se entregar pra mim, hyung.
Eles continuaram o banho. O momento era perfeito. Até que Seokjin, relaxado, comentou com um sorriso:
— Sabe, seu nome me soa familiar. É estranho, mas parece que já te vi antes.
— Hum, na verdade não é estranho. Eu fui seu aluno de Biologia II semestre passado.
Seokjin congelou. Virou-se tão rápido que a água voou para fora da banheira, encharcando o piso. Seus olhos estavam arregalados, o rosto pálido.
— O QUÊ?!
Jungkook riu, mostrando os dentes de coelho, adorável e completamente sem vergonha.
— Eu não tinha piercings nem tatuagens. Talvez por isso não me reconheceu antes. — explicou, tranquilo. — Mas você era o motivo de eu nunca faltar às aulas, professor Kim.
— Oh meu Deus! Eu dormi com um aluno?!
— Bem, não mais. O semestre acabou há três meses, professor.
— Pare com isso, Jeon Jungkook! Não me chame de professor agora!
— Por quê? Eu acho sexy. — Jungkook puxou Seokjin de volta para o abraço, rindo contra a nuca do mais velho.
Seokjin queria fingir indignação. Queria dizer que aquilo era errado. Mas o corpo doía de forma deliciosa, e o coração batia acelerado de uma forma que não sentia há anos.
— Você é terrível. — ele resmungou, mas se aninhou no colo de Jungkook.
— E você é maravilhoso, hyung.

 

Fim.

Notes:

claramente estou obcecada por jinkook