Work Text:
O sol do deserto iluminava Sunagakure com uma suavidade rara.
Pela primeira vez em muitos anos, a Vila da Areia parecia ter parado completamente.
As ruas estavam decoradas com tecidos brancos e dourados, enquanto inúmeras cerejeiras, trazidas especialmente de Konoha, floresciam ao longo da avenida principal.
Era impossível olhar para aquele cenário sem perceber o significado daquela união.
As pétalas rosadas encontravam a areia dourada.
Assim como duas vidas completamente diferentes haviam encontrado uma à outra.
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Sala do Noivo
Gaara permanecia diante de um grande espelho de madeira escura.
Vestia um elegante traje branco com detalhes dourados e vermelhos, inspirado nas vestimentas tradicionais de Sunagakure. Sobre os ombros, uma capa leve trazia discretamente o símbolo do Kazekage.
Pela primeira vez em muito tempo...
Ele parecia nervoso.
Naruto entrou primeiro, já sorrindo.
— Nunca imaginei que fosse viver para ver isso.
Gaara desviou os olhos do espelho.
— Ver o quê?
— O Kazekage mais poderoso da história completamente nervoso.
Gaara suspirou.
— Estou apenas...— Ele procurou as palavras. — Pensando.
Shikamaru sorriu de canto.
— Quando alguém começa uma frase dizendo "estou apenas pensando", normalmente significa que está ansioso.
Naruto começou a rir.
— Ele acertou!
Sai aproximou-se tranquilamente.
— Isso é perfeitamente normal.
Todos olharam para ele.
Sai continuou.
— Quanto maior o sentimento... maior costuma ser o medo de não estar à altura dele.
O ambiente ficou silencioso.
Gaara sorriu discretamente.
— Obrigado.
Sasuke, encostado próximo à janela, falou pela primeira vez.
— Ela escolheu você.
Todos olharam para ele.
— Não desperdice isso.
As poucas palavras carregavam um peso enorme e Gaara assentiu.
— Não vou.
Neji caminhou até o amigo.
— Conheço Sakura há muitos anos. Ela enfrentou guerras. Perdeu pessoas importantes. Superou seus próprios limites. Mesmo assim... nunca deixou de acreditar nas pessoas. Tenho certeza de que vocês construirão uma família admirável.
Gaara inclinou levemente a cabeça em sinal de respeito.
Antes que pudesse responder...
Toc... Toc...
Um funcionário de Sunagakure abriu a porta.
— Kazekage-sama... Está na hora.
Todos trocaram um último olhar.
Naruto sorriu.
— Vamos.
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Sala da Noiva
Do outro lado do salão...
Sakura permanecia imóvel diante do enorme espelho.
Seu vestido parecia ter sido confeccionado para representar exatamente quem ela era.
A delicada renda lembrava pétalas de cerejeira.
O tecido branco possuía discretos detalhes em dourado, homenageando Sunagakure.
Seu cabelo rosado estava preso parcialmente por pequenas flores naturais.
Ela respirou fundo.
— Então... Chegou o grande dia.
Atrás dela, Ino já enxugava os olhos.
— Não acredito... Nem começou e eu já vou borrar toda a maquiagem.
Karin cruzou os braços.
— Você está chorando desde que colocaram o vestido nela.
— Claro que estou! É a Sakura!
Temari riu.
— Continua dramática como sempre.
— Eu sou sensível!
Tenten aproximou-se da noiva.
Abaixou-se discretamente.
Arrumou uma pequena dobra do vestido.
Depois sorriu.
— Agora sim. Está perfeito.
Hinata permaneceu observando Sakura em silêncio.
Então caminhou lentamente até ela.
Segurou suas mãos.
— Está feliz?
Sakura sorriu.
Um sorriso calmo.
Seguro.
— Muito.
— Está com medo? - Perguntou Hinata.
Ela pensou por alguns segundos.
— Não. Acho que... encontrei alguém diante de quem nunca precisei fingir ser forte o tempo todo.
Os olhos de Hinata se encheram de lágrimas.
— Você merece isso.
Antes que qualquer uma pudesse dizer mais alguma coisa...
Uma senhora elegantemente vestida abriu a porta.
— Senhoritas... Está tudo pronto, a cerimônia vai começar.
As cinco madrinhas trocaram olhares.
Respiraram fundo.
Ino enxugou as lágrimas.
Karin sorriu.
Temari ajeitou discretamente o próprio vestido.
Tenten segurou delicadamente o buquê.
Hinata apertou novamente a mão de Sakura.
Então todas caminharam juntas até a porta.
Quando ela se abriu...
Era hora de começar um novo capítulo.
Do lado de fora, os convidados já ocupavam seus lugares. Representantes das Cinco Grandes Nações estavam presentes. O Quinto Kazekage havia convidado não apenas aliados, mas amigos.
Kakashi Hatake conversava tranquilamente com Tsunade.
Kankurō já fazia piadas para aliviar a tensão da irmã.
— Aposto que o Gaara está mais nervoso do que quando enfrentou o Madara.
Temari riu.
— Não duvido.
Do outro lado, Chiyo observava tudo com um sorriso emocionado.
— Quem diria...
O menino que acreditava existir apenas para matar... hoje encontrou alguém para viver.
A música começou.
O salão silenciou imediatamente.
As grandes portas se abriram.
Gaara surgiu.
Vestindo branco, caminhava lentamente pelo corredor central.
Cada passo parecia carregado de significado.
Os convidados levantaram-se em respeito.
Não apenas porque ele era o Kazekage.
Mas porque todos conheciam a história daquele homem.
Naruto observou em silêncio.
"Ele conseguiu..."
"Encontrou aquilo que sempre procurou."
Gaara chegou ao altar.
Respirou discretamente.
Olhou para os bancos ocupados.
Depois para o enorme corredor ainda vazio.
Esperaria por ela.
A música mudou delicadamente.
As portas voltaram a abrir-se.
O mestre de cerimônias anunciou:
— Recebamos agora os padrinhos e madrinhas desta união.
Os primeiros a entrar foram Hinata e Sai.
Hinata usava um elegante vestido em tom lavanda, bordado com pequenas flores prateadas.
Sai vestia um terno branco com detalhes em azul-escuro.
Enquanto caminhavam...
Sai falou baixinho.
— Você está emocionada.
Hinata sorriu.
— Muito.
— Eu também.
Ela olhou surpresa.
— Porque ver duas pessoas encontrando felicidade... faz acreditar que ela existe para todos nós.
Hinata apertou delicadamente o braço dele.
Os dois seguiram até seus lugares.
Em seguida...
Entraram Naruto e Ino.
Naruto sorria o tempo inteiro.
Ino precisou conter uma risada.
— Você prometeu que ia se comportar.
— Eu estou me comportando.
— Então pare de acenar para todo mundo.
Naruto coçou a nuca.
— É mais forte que eu.
Alguns convidados riram discretamente.
Ao chegarem ao altar, Ino apenas balançou a cabeça.
— Continua sendo um idiota.
— Mas um idiota elegante hoje.
Ela sorriu.
— Disso eu não posso discordar.
Logo depois...
Karin e Sasuke.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Os dois caminhavam lado a lado.
Karin lançou um olhar discreto para Sasuke.
— Está muito sério.
— Estou prestando atenção.
— Em quê?
— Em tudo.
Ela sorriu.
Era exatamente esse tipo de resposta que esperava dele.
Ao chegarem ao altar, Sasuke lançou um breve olhar para Gaara.
Os dois trocaram um discreto aceno de respeito.
Na sequência...
Temari e Shikamaru.
Assim que começaram a caminhar...
Shikamaru suspirou.
— Que problemático...
Temari olhou para ele.
— Você reclamou durante todos os ensaios.
— Casamentos têm muitas regras.
— E mesmo assim você decorou todas.
— Porque você me obrigou.
Ela sorriu discretamente.
— Exatamente.
Os convidados riram baixinho ao verem os dois.
A naturalidade com que discutiam deixava evidente o quanto se conheciam.
Por último...
Entraram Tenten e Neji.
Os dois caminhavam lentamente.
Sem dizer uma palavra.
Quando chegaram à metade do corredor...
Tenten olhou para ele.
— Está pensando nela?
Neji respondeu com sinceridade.
— Sim.
— Ela cresceu muito.
— Nós todos crescemos.
Depois de alguns segundos...
Ele completou.
— Mas ela nunca perdeu aquilo que sempre admirei.
Tenten sorriu.
— O coração dela.
Neji assentiu.
Os dois seguiram até seus lugares.
A música mudou novamente.
Desta vez...
Muito mais delicada.
As portas abriram-se.
Três pequenas daminhas surgiram.
Duas eram crianças de Sunagakure.
A terceira vinha de Konoha.
Cada uma carregava uma pequena cesta de madeira.
Enquanto caminhavam lentamente...
Espalhavam pétalas de cerejeira misturadas a pequenas flores do deserto.
O corredor transformou-se em um caminho de rosa e dourado.
Um símbolo perfeito.
Folha.
E Areia.
Unidas.
Quando as daminhas chegaram ao fim do corredor...
A música cessou por apenas alguns segundos.
Então...
Começou uma nova melodia.
Mais lenta.
Mais emocionante.
Todos se levantaram.
As enormes portas abriram-se pela última vez.
Sakura apareceu.
Vestia um longo vestido branco adornado por delicadas flores de cerejeira bordadas à mão.
O véu caía suavemente sobre seus cabelos rosados.
Em suas mãos repousava um buquê composto por cerejeiras, lírios brancos e pequenas flores do deserto.
Ao seu lado caminhava Tsunade.
Os olhos da Hokage brilhavam de orgulho.
Gaara ergueu o olhar.
E ficou completamente imóvel.
Todo o restante desapareceu.
Não existiam convidados.
Não existia cerimônia.
Não existia o Kazekage.
Existia apenas a mulher que caminhava em sua direção.
Sakura também o olhava.
Sorria discretamente.
Cada passo diminuía a distância entre eles.
Quando finalmente chegou diante do altar...
Tsunade segurou a mão da afilhada por alguns instantes.
Depois voltou-se para Gaara.
Sua voz era firme.
— Durante muitos anos ela protegeu incontáveis pessoas. Agora... Confio a você a missão mais importante de todas. Cuide do coração dela.
Gaara segurou delicadamente a mão de Sakura.
Sem desviar os olhos dos dela.
Respondeu:
— Não apenas hoje. Enquanto eu viver.
Tsunade sorriu.
Beijou a testa de Sakura.
E entregou oficialmente sua mão ao noivo.
Nesse instante...
Uma última criança entrou pelo corredor.
Era um pequeno menino da Vila da Areia.
Nas mãos carregava uma almofada branca onde repousavam duas alianças de ouro, gravadas internamente com uma única frase:
"Onde houver você... haverá lar."
O celebrante aguardou o menino chegar.
Recebeu as alianças.
Olhou para o casal.
Sorriu.
— Hoje não celebramos apenas a união entre duas pessoas. Celebramos duas almas que decidiram caminhar lado a lado, escolhendo uma à outra, todos os dias, pelo resto de suas vidas.
O silêncio tomou conta do salão.
O celebrante permaneceu alguns segundos em silêncio.
Não havia necessidade de pressa.
Cada pessoa presente compreendia que aquele momento seria lembrado para sempre.
O vento atravessou o salão aberto, carregando consigo algumas pétalas de cerejeira que dançaram suavemente entre os convidados.
Então ele começou.
— Existem pessoas destinadas a mudar o mundo. Outras... Destinadas a mudar apenas uma única vida. Por vezes, essas duas pessoas encontram uma à outra. E, quando isso acontece, descobrem que o verdadeiro significado da força nunca esteve em lutar sozinho. Mas em escolher alguém para dividir o peso da caminhada. Hoje... Não celebramos apenas um casamento. Celebramos dois corações que aprenderam, através da dor, que o amor não é uma fraqueza. É uma escolha.
Todos permaneceram completamente em silêncio.
O celebrante voltou-se para Gaara.
— Kazekage Gaara. Você preparou seus votos?
Gaara respirou profundamente.
Olhou para Sakura.
Ela já estava emocionada.
Ele sorriu.
Era um sorriso pequeno.
Mas completamente verdadeiro.
Então começou.
— Quando eu era criança... Acreditava que jamais ouviria meu nome sendo pronunciado com carinho. As pessoas me olhavam com medo. E eu aprendi a acreditar que o medo era a única forma de existir. Passei muitos anos pensando que havia nascido para permanecer sozinho.
Sua voz permaneceu firme.
Mas seus olhos revelavam emoções que poucas vezes alguém havia visto.
— Depois descobri a amizade. Descobri o perdão. Descobri que alguém pode estender a mão mesmo quando você acredita não merecer. Achei que essa seria a maior mudança da minha vida. Até conhecer você.
Gaara apertou delicadamente as mãos de Sakura.
— Você nunca me enxergou apenas como o Kazekage. Nunca me tratou como uma arma. Nunca esperou que eu fosse perfeito. Você conheceu o homem por trás do título. E ainda assim... Escolheu permanecer.
Os olhos de Sakura começaram a marejar.
— Existem milhares de pessoas que depositam em mim suas esperanças. Elas confiam que eu protegerei suas casas. Seus filhos. Seus sonhos. É uma responsabilidade que carrego com orgulho. Mas hoje... Assumo uma responsabilidade ainda maior. A de proteger o nosso lar. Porque descobri que existe um lugar mais importante do que qualquer vila. É o lugar onde você está.
Sua voz falhou pela primeira vez.
Ele sorriu discretamente antes de continuar.
— Prometo nunca permitir que o silêncio ocupe o espaço onde deve existir diálogo. Prometo que, mesmo nos dias mais difíceis, você jamais precisará imaginar o que sinto. Eu direi. Prometo que nenhuma missão, nenhum cargo e nenhuma responsabilidade me farão esquecer que existe alguém esperando por mim em casa. Prometo ouvir antes de responder. Compreender antes de julgar. E permanecer ao seu lado mesmo quando o caminho parecer impossível. Porque foi você quem me ensinou que amar alguém não significa protegê-la do mundo. Significa caminhar ao lado dela enquanto enfrentamos o mundo juntos.
Gaara levou lentamente a mão de Sakura aos lábios.
Beijou-lhe os dedos com delicadeza.
— Sakura... Em todas as minhas vidas... Se eu pudesse escolher apenas uma pessoa... Ainda escolheria você.
As lágrimas desceram livremente pelo rosto de Sakura.
Ino já chorava sem qualquer vergonha.
Naruto fungou alto.
— Ah, droga...
Ino entregou-lhe discretamente um lenço.
— Eu disse que você ia precisar.
Naruto apenas aceitou.
Até Sasuke fechou discretamente os olhos por alguns segundos.
O celebrante esperou o silêncio voltar.
Então sorriu para Sakura.
— Sakura Haruno. Agora é sua vez.
Ela respirou profundamente.
Tentou começar duas vezes.
Não conseguiu.
Sorriu entre lágrimas.
Gaara segurou sua mão um pouco mais forte.
Como se dissesse silenciosamente:
"Estou aqui."
Ela assentiu.
Respirou outra vez.
Então começou.
— Durante muito tempo... Achei que ser forte significava nunca precisar de ninguém. Passei anos treinando até a exaustão. Queria provar que podia acompanhar pessoas extraordinárias. Queria ser suficiente. Queria ser alguém de quem pudessem sentir orgulho.
Olhou rapidamente para Tsunade.
Depois voltou os olhos para Gaara.
— Com o tempo percebi que a verdadeira força nunca esteve nos meus punhos. Nem no chakra que aprendi a controlar. A verdadeira força estava nas pessoas que caminharam ao meu lado quando eu ainda estava aprendendo quem eu era.
Ela sorriu.
— E então... Você apareceu. O homem que transformou dor em compaixão. Solidão em acolhimento. Responsabilidade em esperança. Você poderia ter permitido que o passado definisse quem seria. Mas escolheu construir um futuro. Foi nesse momento que me apaixonei. Não pelo Kazekage. Mas pelo homem que todos os dias escolhe continuar acreditando nas pessoas. Mesmo depois de tudo o que viveu.
As lágrimas já impediam Sakura de enxergar com clareza.
Mesmo assim...
Ela continuou.
— Você me mostrou que posso descansar. Que posso dividir meus medos. Que posso chorar sem sentir vergonha. Que posso confiar meu coração a alguém sem medo de vê-lo partir. Você me fez compreender que um relacionamento não é feito apenas de grandes declarações. É construído nas pequenas escolhas. Na conversa depois de uma discussão. No abraço depois de um dia difícil. Na decisão de voltar para casa. Todos os dias.
Ela sorriu.
— Prometo caminhar ao seu lado nos dias de paz... E também nos dias de guerra. Prometo lembrar você de descansar quando insistir em trabalhar além dos seus limites. Prometo ser sincera, mesmo quando a verdade for difícil de ouvir. Prometo nunca deixar que o orgulho seja maior do que o nosso diálogo. Prometo fazer do nosso lar um lugar onde sempre haverá compreensão, respeito e amor. Porque não importa quantos títulos conquistemos. Quantas batalhas vençamos ou quantas responsabilidades assumamos... Quando o dia terminar... Quero que seja a sua mão a procurar a minha.
Ela segurou o rosto de Gaara delicadamente.
— Você passou tantos anos procurando um lugar ao qual pertencesse... Quero que nunca mais precise procurar. Porque... Enquanto eu respirar... Você sempre terá um lar. E ele será comigo.
O silêncio foi absoluto.
Nem mesmo o vento parecia soprar.
Alguns convidados choravam discretamente.
Outros sorriam.
Kakashi baixou a bandana sobre o olho por um instante.
Tsunade enxugou discretamente uma lágrima.
Temari sorriu orgulhosa para o irmão.
Naruto olhou para Hinata, Ino, Sai, Sasuke, Karin, Shikamaru, Neji e Tenten.
Naquele instante, todos tinham a mesma certeza.
Depois de tantas guerras...
Depois de tanta dor...
Finalmente havia chegado um dia em que só existia felicidade.
O beijo ainda era a lembrança mais viva na mente de todos.
Enquanto os convidados deixavam o jardim da cerimônia em direção ao grande salão do Kazekage, uma chuva de pétalas continuava sendo carregada pelo vento do deserto.
A noite finalmente havia chegado.
Centenas de pequenas lanternas iluminavam o pátio principal de Sunagakure.
As mesas eram decoradas com flores do deserto e delicados ramos de cerejeira.
No centro do salão havia uma enorme pista de dança.
Ao fundo, músicos das vilas da Folha e da Areia tocavam juntos.
Não era apenas um casamento.
Era a união de duas nações que aprenderam a confiar uma na outra.
...
Quando Gaara e Sakura entraram no salão...
Todos os convidados levantaram-se.
As palmas ecoaram por todo o ambiente.
Naruto foi o primeiro a assobiar.
— Ei! Kazekage! Você conseguiu!
Gaara sorriu discretamente.
Sakura apenas levou uma das mãos ao rosto, completamente envergonhada.
Ino riu.
— Ele nunca muda...
Os noivos caminharam lentamente até o centro do salão.
Assim que chegaram...
Kankurō apareceu segurando uma taça.
— Antes de qualquer coisa... Quero deixar registrado que nunca imaginei ver meu irmão casado.
Temari cruzou os braços.
— Nem eu.
Kankurō olhou para Gaara.
Depois para Sakura.
Seu sorriso tornou-se mais suave.
— Nós crescemos vendo o Gaara acreditar que ninguém poderia amá-lo. Durante muito tempo pensei que ele nunca encontraria alguém que enxergasse além do Kazekage. Então... Você apareceu.
Ele virou-se para Sakura.
— Obrigado por devolver ao meu irmão algo que ele havia perdido há muitos anos. Esperança.
Temari aproximou-se.
Segurou delicadamente a mão da cunhada.
— Seja bem-vinda à nossa família. Você já fazia parte dela há muito tempo. Hoje apenas oficializamos isso.
Sakura abraçou os dois.
— Obrigada...
Naruto limpava discretamente os olhos.
Ino percebeu imediatamente.
— Nem pense nisso.
— No quê?
— Você está chorando de novo.
— Não estou...
Ela entregou um lenço.
— Tome. Você já está na terceira vez hoje.
O salão inteiro caiu na risada.
Naruto coçou a nuca.
— Tá bom... Talvez um pouquinho.
Depois do jantar...
Os músicos diminuíram o volume.
Kakashi levantou-se.
— Atenção. Gostaria de convidar alguém muito especial para dizer algumas palavras.
Naruto arregalou os olhos.
— Eu?
Kakashi sorriu.
— Você.
Ino fechou os olhos.
— Meu Deus... Ele vai improvisar.
Naruto caminhou até o pequeno palco.
Respirou fundo.
Olhou para Sakura.
Depois para Gaara.
Ficou completamente em silêncio.
Todos estranharam.
Naruto nunca ficava sem palavras.
Ele sorriu.
Um sorriso pequeno.
Muito diferente do habitual.
— Eu ensaiei esse discurso umas dez vezes.
Shikamaru murmurou:
— Mentira.
Naruto apontou para ele.
— Cala a boca.
As risadas quebraram a tensão.
Naruto respirou novamente.
— Conheci a Sakura quando éramos apenas crianças. Nós brigávamos por qualquer coisa. Ela vivia me chamando de idiota.
Sakura respondeu imediatamente.
— Porque você era.
Mais gargalhadas.
Naruto continuou.
— Eu fazia de tudo para irritá-la. Ela fazia de tudo para me bater.
Gaara olhou discretamente para Sakura.
Ela apenas sorriu.
— Era merecido.
Até Gaara riu.
Naruto abaixou um pouco a cabeça.
Quando voltou a falar...
Sua voz havia mudado.
— Mas existe uma coisa que talvez eu nunca tenha dito. Quando eu não tinha ninguém...Você estava lá. Mesmo brigando comigo. Mesmo reclamando. Mesmo me dando bronca. Você fazia parte da minha vida. E eu nunca percebi o quanto isso era importante até crescer.
Os olhos de Sakura já estavam marejados.
Naruto sorriu para ela.
— Eu nunca tive irmãos de sangue. Mas... Se alguém me perguntasse hoje como é ter uma irmã... Eu apontaria para você.
O salão mergulhou em absoluto silêncio.
— Você comemorou minhas vitórias. Me bateu quando eu fazia besteira. Cuidou de mim quando eu me machucava. Brigou comigo quando eu era teimoso. E esteve presente em praticamente todos os momentos importantes da minha vida.
Ele respirou fundo.
— Obrigado... Por ser minha família.
Sakura já chorava sem tentar esconder.
Naruto voltou-se para Gaara.
Os dois permaneceram frente a frente.
— Eu sei que você é forte. Sei que protegeria esta vila até o último segundo da sua vida. Mas hoje... Não vou pedir que proteja Sunagakure. Ela já está segura. Vou pedir que cuide da pessoa que, durante tantos anos... Foi minha irmã.
Gaara aproximou-se lentamente.
Colocou uma das mãos sobre o ombro de Naruto.
— Pode ficar tranquilo. Ela jamais caminhará sozinha. Enquanto eu respirar.
Naruto sorriu.
Os dois se abraçaram.
Um abraço firme.
Sem palavras.
Quando se afastaram...
Naruto olhou novamente para Sakura.
Ela correu até ele.
Abraçou-o com força.
— Obrigada... Nii-san.
Naruto fechou os olhos.
Sorriu.
— Seja muito feliz...
Por alguns instantes...
Ninguém conseguiu dizer absolutamente nada.
O abraço entre Naruto e Sakura parecia resumir anos de amizade, batalhas, despedidas e reencontros.
Quando finalmente se separaram, Naruto enxugou rapidamente os olhos.
— Tá bom... chega. Já chorei mais hoje do que em todos os funerais da guerra juntos.
Ino riu entre lágrimas.
— Você é impossível.
Naruto voltou para sua mesa sob aplausos.
Enquanto se sentava, Ino segurou discretamente sua mão por baixo da mesa.
Ele olhou para ela.
Ela apenas sorriu.
Não precisava dizer nada.
...
Kakashi tornou a pegar o microfone.
— Acho que todos concordam que será difícil superar esse discurso.
Naruto respondeu imediatamente:
— Claro que vai. Eu sou muito bom.
Shikamaru soltou uma risada baixa.
— Problemático até em casamento.
O salão inteiro voltou a rir.
Kakashi sorriu.
— Ainda assim... Existe alguém que gostaria de dizer algumas palavras.
Ele voltou os olhos para um canto do salão.
— Sasuke.
O silêncio caiu imediatamente.
Sasuke levantou-se.
Sem pressa.
Sem qualquer sinal de desconforto.
Apenas caminhou até o pequeno palco.
Recebeu o microfone.
Olhou para Sakura.
Depois para Gaara.
Durante alguns segundos...
Permaneceu completamente em silêncio.
Naruto murmurou baixinho:
— Lá vem... Ele está organizando as palavras.
Sakura sorriu discretamente.
Conhecia aquele silêncio.
Então Sasuke falou.
— Nunca fui bom com discursos.
Naruto cochichou:
— Isso é verdade.
Sasuke ignorou completamente.
— Durante muitos anos... Achei que laços eram uma fraqueza. Acreditava que perder alguém era inevitável. Então concluí que era melhor não permitir que ninguém se aproximasse.
Olhou para Sakura.
— Mesmo assim... Você insistiu em permanecer por perto. Não porque precisava de mim. Mas porque acreditava que eu ainda podia encontrar meu caminho.
Sakura sorriu entre lágrimas.
— Obrigada... Por nunca desistir da nossa amizade.
Ela abaixou discretamente a cabeça.
Sasuke respirou.
— Muitas pessoas acreditavam que existia algo além disso entre nós. Nunca existiu. Você sempre foi... Minha família. Minha irmã.
Sakura levou as mãos ao rosto.
As lágrimas voltaram imediatamente.
Sasuke voltou-se para Gaara.
Os dois permaneceram frente a frente.
— Durante muitos anos... Ela foi uma das pessoas que mais lutou por aqueles que amava. Agora... É a sua vez de lutar por ela.
Gaara respondeu sem hesitar.
— Lutarei todos os dias.
Sasuke fez um pequeno aceno.
Depois...
Sorriu.
Era quase imperceptível.
Mas suficiente para que Naruto arregalasse os olhos.
— Espera... Ele sorriu?
Karin riu baixinho.
— Eu disse que ele sabia sorrir.
Sasuke ignorou completamente o comentário.
Aproximou-se de Sakura.
Com extremo cuidado...
Tocou levemente sua testa com dois dedos.
Exatamente como Itachi costumava fazer com ele.
— Seja feliz... Onee-chan.
Sakura fechou os olhos.
Sorriu.
— Obrigada... Otōto.
O salão inteiro emocionou-se.
Até Kakashi precisou desviar o olhar por alguns segundos.
...
Sai levantou-se logo depois.
Trazia consigo um quadro coberto por um tecido branco.
Quando chegou ao centro do salão...
Retirou cuidadosamente o pano.
Um suspiro coletivo percorreu os convidados.
Era uma pintura.
Gaara e Sakura.
No instante do beijo.
Ao redor deles...
Pétalas de cerejeira misturavam-se à areia dourada.
O céu estava iluminado por um pôr do sol.
Mas havia um detalhe que apenas quem conhecia Sai perceberia.
Ao fundo...
Quatro pequenas silhuetas.
Um menino loiro.
Um garoto de cabelos negros.
Uma garota com cabelos escuros.
Um menino com cabelos negros.
Todos ainda crianças.
Observando os noivos ao longe.
Sakura aproximou-se lentamente.
— Sai...
Você...
Ele sorriu.
— Um casamento representa o início de uma nova família. Mas nenhuma família começa do zero. Ela é construída por todas as pessoas que caminharam conosco até aqui.
Naruto já chorava novamente.
Ino passou outro lenço.
— Quarto.
— Você está contando?
— Claro.
Sakura abraçou Sai com carinho.
— Obrigada. É o presente mais bonito que já recebi.
Sai respondeu simplesmente:
— Fico feliz. Porque foi exatamente isso que tentei pintar.
...
Depois de alguns minutos...
Kankurō bateu duas palmas.
— Muito bem! Já choramos o suficiente! Agora quero ver se o Kazekage sabe dançar!
Gaara olhou para a irmã.
Depois para Sakura.
— Eu... Nunca dancei.
Temari arqueou uma sobrancelha.
— Está brincando.
— Não.
Kankurō levou a mão ao rosto.
— Meu irmão sabe enfrentar um Bijū... Mas não sabe dançar.
Naruto gargalhava sem conseguir respirar.
Sakura aproximou-se de Gaara.
Sorriu.
Depois estendeu a mão.
— Então... Vamos aprender juntos?
Gaara olhou para aquela mão durante alguns segundos.
Depois segurou-a.
— Juntos. Sempre.
Os músicos começaram uma melodia suave.
O salão inteiro abriu espaço.
Gaara colocou cuidadosamente uma das mãos na cintura de Sakura.
A outra permaneceu entrelaçada à dela.
— Acho que vou pisar no seu pé.
Sakura sorriu.
— Então eu piso no seu também.
Ele riu.
— Parece justo.
Os dois começaram devagar.
Sem perfeição.
Sem coreografia.
Apenas deixando que a música conduzisse seus passos.
Depois de alguns instantes...
Todos os outros casais juntaram-se a eles.
Hinata e Sai dançavam calmamente.
Ino ria enquanto tentava ensinar Naruto a seguir o ritmo.
— Naruto! É para a esquerda!
— Eu fui para a esquerda!
— A outra esquerda!
Temari observava Shikamaru.
— Você decorou os passos.
— Decorei.
— Então por que continua errando?
— Porque você me deixa nervoso.
Ela não conseguiu conter o riso.
Karin olhou discretamente para Sasuke.
— Quer tentar?
Ele estendeu a mão.
Sem dizer uma única palavra.
Ela sorriu.
Aceitou.
Neji conduzia Tenten com elegância.
Os dois conversavam baixinho, quase imperceptíveis no meio da música.
No centro de tudo...
Gaara aproximou lentamente a testa da de Sakura.
O restante do salão desapareceu.
— Está cansada?
Ela sorriu.
— Nem um pouco.
— Arrependida?
Sakura riu.
— Nem por um segundo.
Gaara fechou os olhos.
— Ainda acho difícil acreditar que tudo isso é real.
Ela acariciou delicadamente seu rosto.
— Então olhe para mim.
Ele obedeceu.
— É real. E sempre será.
Naquele instante, fogos de artifício iluminaram o céu de Sunagakure.
As pétalas de cerejeira voltaram a ser levadas pelo vento.
Misturaram-se novamente à areia dourada.
E, observando aquela cena, Kakashi sorriu consigo mesmo.
Depois de tantas despedidas...
Depois de tantas guerras...
Aquela geração finalmente aprendera que existiam vitórias que não eram conquistadas em campos de batalha.
Algumas...
Eram conquistadas quando duas pessoas decidiam caminhar lado a lado.
E essa... Talvez fosse a mais bonita de todas.
A música ainda preenchia o salão.
Alguns convidados conversavam.
Outros continuavam dançando.
As crianças corriam entre as mesas enquanto pequenas lanternas iluminavam a noite do deserto.
Gaara observava tudo em silêncio.
Sakura aproximou-se dele.
Segurou delicadamente sua mão.
— Posso pedir uma coisa?
Ele sorriu.
— Você nunca precisou pedir permissão.
Ela riu baixinho.
— Acho que está na hora.
Gaara percebeu imediatamente.
Seu olhar suavizou.
— Tem certeza?
Ela assentiu.
— Tenho.
Ele levou a mão dela aos lábios.
Beijou-lhe os dedos.
— Então vamos contar.
Sakura caminhou lentamente até o pequeno palco.
Pegou o microfone.
No mesmo instante...
Sem sequer olhar em sua direção...
Hinata parou de conversar com Sai.
Seu sorriso desapareceu.
Ela levou lentamente uma das mãos ao próprio peito.
Sai percebeu.
— Hinata?
Ela respirou fundo.
Os olhos começaram a marejar.
Como...
Outra vez...
Ela conseguia sentir o coração de Sakura.
Duas semanas antes...
Na manhã em que Sakura despertara com uma estranha sensação...
Hinata havia deixado sua xícara de chá cair.
Sem motivo aparente.
Seu coração disparara.
Uma alegria inexplicável invadira seu peito.
Naquele instante...
Ela soube.
Não porque alguém lhe contou.
Mas porque uma parte da mesma alma que um dia compartilharam havia sentido o nascimento de uma nova vida.
Desde então...
Esperou pacientemente.
Sabia que aquele momento pertencia apenas a Sakura.
Jamais diria uma palavra antes dela.
Agora...
Ao vê-la segurando o microfone...
As lágrimas começaram a cair antes mesmo que qualquer frase fosse dita.
Sakura encontrou seu olhar.
As duas sorriram.
Nenhuma palavra foi necessária.
Hinata fez um pequeno gesto afirmativo com a cabeça.
Como quem dizia:
"Pode contar."
Sakura respirou profundamente.
Olhou para todos aqueles rostos.
Sua família.
Seus amigos.
As pessoas que mais amava no mundo.
Então começou.
— Antes de encerrarmos esta noite... Gostaria de dividir uma última felicidade com todos vocês.
O salão silenciou.
Naruto sorriu.
— Eu conheço essa cara... Ela está aprontando alguma.
Ino deu-lhe uma leve cotovelada.
— Fica quieto.
Sakura riu.
Olhou para Gaara.
Ele assentiu discretamente.
Era a confirmação de que estava ao lado dela.
Como sempre estaria.
Ela voltou-se novamente para os convidados.
Sua voz tremia de emoção.
— Durante muitos anos... Eu sonhei em construir uma família. Hoje... Achei que este seria o dia mais feliz da minha vida. Mas descobri... Que ele consegue ficar ainda mais especial.
Ela levou lentamente uma das mãos ao ventre.
Gaara fez o mesmo.
Os dois entrelaçaram os dedos sobre aquele pequeno gesto.
Sakura sorriu entre lágrimas.
— Porque... Nossa família acabou de crescer. Eu... Estou grávida.
Por um segundo...
O tempo simplesmente parou.
Ninguém respirou.
Ninguém falou.
Até que...
Naruto foi o primeiro.
— O QUÊ?!
O salão inteiro explodiu em aplausos.
Ino começou a chorar imediatamente.
Karin levou as mãos à boca.
Temari sorriu para o irmão com os olhos completamente marejados.
Kankurō ficou imóvel por alguns segundos. Depois abriu o maior sorriso de sua vida.
— Eu... Vou ser tio...
Tsunade fechou os olhos. Levou uma das mãos ao rosto. Jamais imaginara que veria sua aluna vivendo aquele momento.
Sai voltou os olhos para Hinata.
Ela chorava silenciosamente.
Sorrindo.
Ele aproximou-se.
— Você já sabia.
Não era uma pergunta. Era uma constatação.
Hinata enxugou delicadamente uma lágrima.
— Desde o dia em que aconteceu.
Sai olhou confuso.
— Sakura contou para você?
Ela balançou a cabeça.
— Não.
Ela nunca precisou.
Sai sorriu.
Já havia aprendido que existiam coisas que não podiam ser explicadas apenas pela lógica.
Naruto correu até o palco.
Abraçou Sakura com tanta força que ela começou a rir.
— Ei! Cuidado! Agora somos dois!
Naruto imediatamente deu um passo para trás.
Os olhos arregalaram.
— Ah! Desculpa!
Todo o salão caiu na gargalhada.
Gaara aproximou-se.
Colocou delicadamente um braço ao redor da cintura da esposa.
Depois pousou a mão sobre o ventre dela.
Ainda era cedo.
Ainda não havia qualquer movimento.
Mas...
Para ele...
Já era possível sentir a presença daquele pequeno milagre.
Ele olhou para Sakura.
Ela segurou sua mão.
Os dois permaneceram alguns segundos em silêncio.
Até que Gaara sussurrou apenas para ela:
— Obrigado.
Ela sorriu.
— Pelo quê?
Os olhos verde-água dele brilhavam.
— Por transformar o menino que acreditava ter nascido para viver sozinho... No homem que agora tem uma esposa... Uma família... E no futuro um filho ou filha esperando por ele.
Sakura aproximou-se.
Encostou a testa na dele.
— Não.
Ela sorriu através das lágrimas.
— Nós transformamos um ao outro.
Ao redor deles, aplausos, risos e lágrimas se misturavam.
Acima de Sunagakure, os últimos fogos de artifício iluminaram o céu.
As pétalas de cerejeira voltaram a dançar junto da areia dourada.
E, naquela noite, todos compreenderam que o casamento não era o fim de uma história.
Era apenas o primeiro capítulo de uma nova família.
Fim.
