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— Você quer… o que?
No mundo de péssimas ideias, essa era a pior de todas. Sem argumentos. Mas o diabo realmente trabalha em mentes vazias e, honestamente, Love não podia nem mesmo querer culpar o impulso. Ela teve todas as oportunidades de desistir, de procurar uma alternativa ou de só fingir que a ideia nunca tinha sequer cruzado sua mente.
— Você me ouviu, View! — Murmurou baixo, suas bochechas assumindo um tom carmesim apenas por pensar repetir aquilo em voz alta novamente.
Só que se o diabo age em mentes vazias, ideias inconsequentes ganham força quando encontram uma carteira cheia e uma amiga que não podia dizer não graças aos diversos favores de outros carnavais. Foi assim que Love terminou sua tarde sentada de frente para View e Min, com os olhos jabuticaba brilhando de nervoso, enquanto explicava um plano que tinha duas medidas de mirabolância e três colheres de falta de bom senso.
— Você tem… certeza que quer fazer isso? — Aquela era a primeira vez, desde que chegou ali e explicou a ideia, que Min forçava as palavras a descongelarem sua expressão completamente chocada. — Eu não estou dizendo que eu não vou ajudar, só estou perguntando se realmente vai receber a Milk de quatro com glacê na bunda e uma velinha acesa.
— Honestamente? Não. — Love confessou, desviando o olhar para qualquer lugar que não fosse suas amigas. — Mas eu quero tentar.
Dinheiro. Tempo. Duas amigas malucas. A receita perfeita para o sucesso, ou melhor, a receita perfeita para ideias que não tinham que existir para começo de conversa. Mas depois de três semanas de planejamento, um abismo de tentativas mal sucedidas e milhares de granulados coloridos… Não tinha mais como voltar atrás. Ou tinha, mas sua cabeça já estava convencida que talvez não fosse tão ruim assim.
Era a primeira vez, em quase seis anos de relacionamento, que passava um dia inteiro sem mandar mais que cinco mensagens para Milk. E, embora não fosse tão boa com surpresas, manteve o bico fechado todas as vezes que a mais velha perguntava o que estava planejando. Sua namorada era inteligente demais para deixar tudo aquilo passar despercebido, era o motivo de ninguém tentar mais nada em datas especiais, mas Love tinha certeza que daquela vez seria inesquecível.
Milk:
acabei de tomar banho
você deveria estar aqui
amanhã é meu aniversário.
Love:
sim, por isso você tirou folga
e vai passar o dia todo comigo
já tá sentindo saudades?
Milk:
claro, sempre
Love:
vem dormir aqui então
A mensagem foi enviada 11:38, visualizada apenas alguns minutos depois e sequer foi respondida. Não precisava ser. Love conhecia Milk o suficiente para saber muito bem que, em menos de dez minutos, sua namorada estaria a caminho do seu apartamento. Então apenas enviou uma mensagem avisando que a porta estava destrancada e esperou, a ansiedade pulsando em suas veias e um sorriso convencido estampado em seu rosto.
Milk dirigia pelas ruas de Bangkok batucando os dedos no volante, nunca tinha se considerado alguém que dava muita importância para seu aniversário. Tinha tido algumas festas, aberto alguns presentes ótimos, criado memórias boas com as pessoas ao seu lado e também arruinado algumas surpresas. Mas nunca era algo que levava muita importância, era uma mulher que preferia uma celebração íntima com alguns amigos e a calma de um jantar muito mais do que bebidas ilimitadas e música estourando os tímpanos.
Dito isso, sempre adorou a ideia de que seu dia lhe rendia ótimos privilégios com sua namorada. Love nunca, em um milhão de anos, aceitaria tirar uma folga para aproveitarem o dia ou lhe convidar para seu apartamento sem nenhum aviso prévio. Exceto, claro, quando Milk usava a carta de seu aniversário.
Os porteiros já lhe conheciam muito bem, passava metade das suas noites ali e tinha até mesmo feito amizade com o responsável pela segurança noturna, então apenas passou por ele e subiu direto para o apartamento. A porta estava aberta, como Love havia avisado, as luzes apagadas e tudo silencioso. Ela provavelmente estava no quarto, prestes a dormir, mas mesmo assim havia cedido ao capricho da aniversariante.
— Você não precisava ter me chamado se já estava deitada, eu sou capaz de passar uma noite sem… — A voz de Milk morreu na garganta assim que abriu a porta do quarto.
A imagem que lhe recebeu não foi exatamente o que tinha imaginado, na verdade tinha passado bem longe. Love estava sim na cama, mas definitivamente não estava de pijama maratonando uma série apenas esperando para dormir. Sua namorada estava, na falta de um adjetivo melhor, completamente embrulhada para presente.
— Porra.
Foi a única palavra que seu cérebro, em curto circuito, conseguiu formar. Se aproximou com cautela, permitindo que seus olhos se adaptassem ao ambiente iluminado apenas por algumas velas.
Love estava deitada de quatro na cama.
Com a bunda coberta de granulados coloridos.
Lhe analisando por cima dos ombros.
— Oi.
— Oi. — Milk respondeu com um sorrisinho, jogando a mochila em algum canto do quarto.
— Feliz aniversário.
Milk afirmou com a cabeça, olhos fixos no seu presente. Sim, presente. Porquê Love também estava usando uma coleira vermelha com a guia minuciosamente arrumada para simular um laço.
— É… meu aniversário, né? — Murmurou boba, os dedos capturando um dos montinhos de chantilly que formava uma trilha pela espinha da mais nova, onde o laço improvisado estava, até terminar em dois montinhos em cada uma de suas nádegas. — Parabéns pra mim.
O doce em contato com sua língua lhe fez soltar um gemido baixinho, como se só agora sua mente tivesse assimilado que aquilo era realmente verdade. Milk murmurou algo completamente sem sentido e apenas enfiou o rosto direto entre as nádegas da mais nova, criando uma marca bagunçada no glacê.
— Melhor bolo do mundo. — Sussurrou, puxando o corpo menor contra seu rosto. — Caralho amor, você é oficialmente a coisa mais gostosa que eu já comi.
— Gostou, meu bem? — Love perguntou como um sorrisinho no rosto, balançando o quadril se exibindo. — Come até ficar satisfeita, tá?
Milk soltou um murmúrio concordando, sem mover nem mesmo um músculo na direção oposta ao corpo de Love. De repente, granulados tinham se tornado a coisa preferida de Milk, sem dar nem chance pra competição. Sua língua brincava na bunda da menor, criando trilhas e padrões completamente desordenados, denunciando que sua fome falava muito mais alto que seu racional.
Fincou os dentes na carne da Love, arrancando um gemido manhoso que lhe fez apenas aumentar a intensidade. Queria deixar sua marca, queria se lembrar daquele momento sempre que olhasse para a menor, queria garantir que cada pedaço do corpo dela fosse tocado e, mais que tudo, queria que sua boca nunca mais esquecesse aquele gosto. Quando se deu por satisfeita, Milk esticou uma das mãos resgatando a guia da coleira da mais nova, puxando até que Love fosse forçada a inclinar sua cabeça ao máximo, a aniversariante molhou os lábios com a língua roubando um beijo.
— Eu sei que é mal educado comer usando as mãos, mas você não se importa, não é? — Milk questionou, dois de seus dedos formando caminho entre as pernas de Love, brincando com seu clitóris. — Eu vou tentar… não fazer tanta bagunça.
Brincou, descendo um pouco mais o rosto e voltando a se perder na intimidade dela. Milk, dessa vez, tinha um objetivo um pouco mais claro, indo direto para a entrada da menor e circulando o local com sua língua. Love já estava molhada, incrivelmente ter alguém lambendo e mordendo sua bunda tinha sido muito mais excitante do que pensava, talvez fosse apenas a empolgação de Milk em saborear cada pedaço daquela surpresa, mas o efeito definitivamente lhe atingiu em cheio.
Felizmente Milk nunca tinha sido alguém que gostava de lhe torturar, a língua da mais velha foi certeira em sua entrada e, com a fome de quem tinha passado semanas sem se alimentar, Milk começou a sorver cada gota de sua lubrificação como se aquilo também fosse apenas uma parte do glacê. Seu dedo, ainda insistente no clitóris da mais nova, ficava mais melado a cada segundo, forçando com que o contato ficasse ainda mais bagunçado e escorregadio.
A essa altura Love já tinha soltado o corpo por completo na cama, rendida por seus gemidos e apenas aproveitando as sensações que sua namorada causava. Milk ia forte, de uma maneira intensa, exigindo cada fio de pensamento que ainda restava, apenas para o destruir no instante seguinte. Era um jogo que adorava jogar, porque mesmo perdendo… no fim, sua recompensa lhe aguardava. E estava cada vez mais perto, subindo por suas pernas e pelas pontas de seus dedos, se formando sobre seu ventre com uma intensidade absurda.
Quando seu orgasmo finalmente chegou, Love suspirou baixo soltando uma gargalhada gostosa, sendo acompanhada por sua namorada. Milk estava com o rosto completamente sujo de glacê, chantilly, gozo e granulados. Uma visão completamente ridícula, mas Love tinha a impressão que absolutamente nada no mundo seria capaz de arrancar a expressão convencida e satisfeita que iluminava seu rosto.
— Meu presente é resistente à água? — Milk perguntou simples, subindo para encontrar os lábios de Love em um beijo demorado. — Porque eu acho que a gente precisa de um banho antes de eu continuar brincando.
— Claro. — Love deu uma piscadinha. — É o melhor no mercado, a bateria dura a noite toda em todos os ambientes.
Milk iria, com toda certeza, testar aquelas palavras.
