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De Todos Os Jeitos, Em Todos Os Mundos

Summary:

Jed estremeceu quando Joshua tocou seu antebraço. Ele notou que Josh sentiu, pois deu-lhe um olhar estranho, como um ponto de interrogação em sua expressão.

- Desculpe, me assustei. - Jed exibiu um sorriso um pouco sincero. Ele se sentiu grato, pois Josh não queria que ele tropeçasse nem desejava seu mal. Mas Jed ainda lutava contra si próprio.

Nunca imaginei que eu me apaixonaria, nem Jed. Pensei que amor fosse coisa de livros ou pura imaginação. Mas, eu notei, a pouco tempo, que não importava se fosse criação da minha própria mente me pregando peças ou letras no papel; quando me escondi atrás da árvore de pêssegos dele que pouco me camuflava durante a noite, percebi que, no fundo do meu âmago, eu desejava que Joshua me chamasse de Danny.

Ghostface (DBD) x Oc (AMAB)
Também pode ser lido como x Leitor.

Chapter 1: Condor da Flórida

Chapter Text

Danny johnson, conhecido pelos leigos por Jed Olsen. Sim, esse sou eu, ambos são eu. Como Danny, sou exaltado como O Assassino do Rosto de Fantasma da Flórida, ou Ghostface. Um título grande, não? Estou acostumado com grandezas. As pessoas me adoram, não tiram os olhos das minhas obras; eu sou um artista.

Nas horas vagas, sou Jed Olsen, a identidade que me balança na corda bamba entre ver o sol nascer quadrado e meu apartamento. Freelancer, jornalista de forma ocasional no jornal das terças entregue nas casas das pessoas.

O dia mal começa e, é claro, os abutres já estão em volta da carniça. Não devem ter coisa melhor para fazer - nem eu -, penso ao chegar na cena do crime. Sou barrado logo antes da primeira fita amarela e preta, então almejo um revirar de olhos para o policial.

Mais uma morte, mais pessoas querendo migalhas de atenção, mais jornais e mais notícias cobrindo o assassinato. É sempre assim e sempre vai ser. Todos eles querem um pedaço de mim, e se tentarem, eu tiro tudo deles. É como deve ser. Eu deveria odiar esse tipo, sempre famintos por carne e furos de notícia; mas eu adoro o quanto massageiam meu ego. Nunca conseguiria admitir isso em voz alta.

Ele, porém, me chama a atenção. Ele não é diferente dos outros; também quer um pouco de mim, mas é diferente. Ele faz perguntas diferentes, me provoca, clama por mim e é sempre o segundo a chegar. Diferente dos outros abutres desprovidos de nomes, Joshua é um condor. Sempre me perguntei como um animal tão único veio de tão longe, da América do sul. Ele é o maior abutre, o abutre mais poderoso, aquele que pega toda a carniça e deixa apenas os ossos para a ralé. Poderia caçar a própria comida, mas se orgulha de pegar o trabalho dos outros e manter para si. Isso o faz diferente dos abutres menores.

Eu o noto antes que ele me note. Encaro seus olhos, seu microfone, e de repente, Jed surge; ele chega mais perto.

- Na madrugada de hoje, dezenove de fevereiro, foi encontrado mais um corpo na praça no centro da cidade. É o quarto apenas nesse mês e o segundo no mesmo lugar. Os cortes limpos característicos indicam que é mais uma pobre vítima do assassino Ghostface. As autoridades se recusam a dar depoimentos e não divulgaram nada que realmente ajudasse na busca. - O jornalista, encarando a câmera, dá uma pequena pausa. Este é Joshua; loiro, óculos de armação preta, um pouco mais alto. O homem que tanto me fascina. Fascina, no caso, Jed. Eu, Danny, pouco me importo além de ser o meu objeto de obsessão. - O que os policiais tanto escondem, porque as imagens das câmeras não são divulgadas, e, principalmente, quem é você, assassino da máscara de fantasma?

Uma frase de efeito, sempre tão previsível. Seu diferencial deve ser esse, além de ser tão pontual.

Que se dane a filmagem, que se dane a sagacidade de Joshua. Se Joshua fosse algo, eu seria superior. Eu escrevo artigos, ele fala com a câmera. Besteira. Filmagens não prestam para nada além de vídeos caseiros mesmo. Fotos e jornais físicos são mil vezes superiores. Joshua deveria saber disso; ele vai.

Preciso matá-lo.

Eu já estava de saída quando Jed volta. Ele sorri para uma parceira do jornal. Ela o cumprimenta, ele retribui, mate-o, eles conversam, ela comenta sobre o cadáver, o quão brutal foi, o quão desumano. Fico feliz. Ela o convida para almoçar; estamos no meio de uma cena de crime, o que você quer dizer? Matar Joshua, é claro. Jed recusa: tem coisas melhores para fazer do que jogar conversa fora.

Ela vai embora, então posso parar de fingir que gosto de sorrir. Sinto meu estômago devorar a si mesmo, então decido voltar para casa. Como um artista, ver minhas próprias obras sendo testemunhadas e elogiadas me deixa com fome. Joshua não conhecerá o doce abraço da morte, não, hoje não.

 

~

 

Encaro o macarrão com queijo, mexo com o garfo e belisco um pouco. O típico almoço americano: carboidrato, queijo, sal e conservantes a gosto. Nunca fui muito bom com cozinha e hoje em dia não é diferente. É gorduroso, mas o gosto não é dos piores. Desde a morte dos meus pais, sempre consegui me virar. Me alimentando e desde que tenha um teto sobre minha cabeça, estou bem.

Pego o prato fundo e sento na frente da mesa do escritório, vulgo, meu quarto. Dou uma olhada para o traje preto e a máscara branca estendidos na beirada da cama de solteiro. Recém limpos, recém prontos para outra cruzada noite adentro em casas cujo não possuo a escritura. A imagem do monitor brilha no meu rosto e sibilo pelo mesmo motivo. Mordo mais um pedaço da massa. Talvez eu devesse abrir as janelas mais vezes.

Olho rápido para os diversos arquivos, procurando o vídeo correto. Porque esse computador é tão barulhento? Quando encontro, paro de mastigar na hora.

O vídeo começa com uma música típica de TV, avanço um pouco e a parte interessante começa. Joshua está recebendo perguntas de Marylin, a entrevistadora-chefe do programa.

- Então Josh, eu posso te chamar assim né? Já somos íntimos, é a sua segunda vez aqui, afinal. - Mary gira na cadeira rosa-avermelhada e coloca o cotovelo na mesa de madeira. Joshua assente. - vamos para um assunto mais sombrio. Todos sabemos que você tem sido crucial para a investigação do famoso assassino Ghost Face. Você acha que ele será punido por suas ações na cadeia algum dia?

- Você me lisonjeia, Mary, mas não sou nenhum detetive, você sabe. Faço isso por conveniência do meu trabalho. E sem nenhuma novidade por parte da polícia, não sei se estou realmente fazendo algo útil por Roseville. - Joshua tira os óculos e Marylin o dá um paninho para limpar. - o que eu cubro pode apenas ser um compilado de imagens fúteis.

- Sim, as autoridades não são confiáveis.

- E, sinceramente, de todo o meu âmago, eu não quero desrespeitar as vítimas e as famílias, mas... Comparando com outros assassinos em série, o Ghost face é beeem mediano. - ele faz um gesto de 'mais ou menos' para dar ênfase logo depois que colocou os óculos e devolveu o pano.

O que?

Deixo o prato de lado.

- Sério? O que você quer dizer?

- Bem, é que o Ghost Face deve ser um cara muito amador. Sempre suja muito as cenas de crime, é previsível e nunca matou pessoas que poderiam se defender. Supondo que seja um homem, ele parece mais um voyeur extremo com uns parafusos a menos. Desde que eu divulguei aquela filmagem dele invadindo a casa da Senhora Smith, que Deus a tenha, eu pude concluir que ele não é muito inteligente. - ele dá de ombros.

Como pôde? Ele está brincando com fogo. Aparentemente, a filmagem não foi humilhação o suficiente. Joshua me fez de chacota nacional, exibiu o pré da minha obra, durante o ato, algo que não deveria ser divulgado. 

- Jesus Cristo, que comentários picantes! Josh, seja sincero mais uma vez, você tem alguma ideia de que Ghost Face pode estar assistindo essa entrevista? O que você pensa sobre isso?

- É claro que ele está assistindo. Para um desocupado como ele, com certeza adoraria ver seu ego sendo amaciado como um gatinho mimado de apartamento. - ele cruza os braços e se recosta contra o sofá vermelho de três lugares. - assassinos em série adoram espectar, mas não suportam serem espectados.

- E você não tem medo de que ele vá atrás de você em busca de vingança? - Marylin coloca os cotovelos na mesa, animada, provavelmente pensando em como aquele programa vai dar quatro dígitos ou mais de dólares.

- Talvez sim, talvez não. Não vou dar essa satisfação para ele; o que tem que acontecer vai acontecer. - Joshua exibe um sorriso debochado e olha para a câmera, atraindo a atenção da audiência nas arquibancadas. - e aí Ghost Face, porque não para de brincar e se torna um profissional de uma vez?

Chega. Desligo o computador direto da tomada e solto um suspiro, empalo mais da massa dura, mas no primeiro contato com minha língua, cuspo para o prato de novo. Gelado.

Não estou irritado. Surpreso, talvez. Mas sou eu quem surpreendo as pessoas. Estou, na verdade, bastante excitado. Joshua me desafiou, quer saber do que sou capaz. Vou dar isso para ele, vou fazer da vida dele um inferno. Desocupado sim, mas amador? Com certeza não.

Olho para baixo e estalo a língua. Melhor tomar um banho frio.