Zefesar
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A igreja permaneceu em silêncio. Só o som da respiração quebrada de Zéfero preenchia o espaço.
Zéfero choramingou como um cão ferido, o som fino demais, como um apito quebrado. O grunhido subia e descia, irregular, misturado a um engasgo úmido. As cavidades onde antes existiam olhos, se contraíam inutilmente, tentando enxergar através da dor.
Velisar se aproximou devagar. Não o tocou de imediato. Farejou.
Caminhou em círculos ao redor dele. O cheiro de Zéfero mudou sob o nariz apurado do vampiro — não era mais só sangue e animalidade. 𝘌𝘳𝘢 𝘮𝘦𝘥𝘰. Um medo cru, recém-aberto. 𝘈𝘭𝘨𝘰 𝘧𝘳𝘢́𝘨𝘪𝘭. 𝘝𝘶𝘭𝘯𝘦𝘳𝘢́𝘷𝘦𝘭.
Velisar inspirou fundo. Um esboço de sorriso deformou seu rosto.
— 𝘈𝘩... — murmurou, a voz reverberando pelas paredes. — Entendi… — deu mais uma volta ao redor dele. — Querrr chamarrr minha atenção…
Zéfero baixou a cabeça. As mãos tocaram o chão ensanguentado, abandonando qualquer vestígio de postura humana. O corpo se dobrou até assumir o formato familiar do quadrúpede obediente que fora moldado para ser.
Series
- Part 2 of Crônicas Vampirescas (Hexatombe)
- Part 1 of Zefesar
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Zéfero, apesar de sua estatura atrofiada, menor que o esqueleto frágil de Velisar, possuía uma força assustadora, forjada nos experimentos que haviam dilacerado sua humanidade. Ele se agarrou com ferocidade, o focinho enterrado na coxa do homem, inalando o aroma acre de suor rançoso, um elixir que o deixava febril, os olhos injetados brilhando de loucura.
Velisar esticou a mão ossuda para a coleira ao redor do pescoço da criatura, mas soltou a corrente com um estalo abrupto quando o nariz úmido de Zéfero subiu, roçando sua virilha. Um gemido gutural escapou dos lábios ressecados do velho, um som que misturava repulsa e um tremor involuntário, enquanto suas mãos se fechavam nos ombros largos de Zéfero, empurrando debilmente, mas seus ossos traidores vibravam a cada avanço dele.
Series
- Part 2 of Zefesar
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Series
- Part 3 of Zefesar
