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Take me and let me stay (Hiatus)

Summary:

Buck, de volta ao quartel 118 após o período de afastamento, percebe que as coisas não são mais as mesmas. Sentindo-se deslocado e ignorado por seus colegas, especialmente por Eddie e Bobby, ele começa a questionar seu lugar na equipe. Enquanto busca novas formas de lidar com suas frustrações, incluindo o conselho de sua terapeuta para encontrar um novo hobby, Buck acaba se envolvendo em um encontro inesperado em uma livraria. Lá, ele conhece um garoto que o confunde com seu pai e um homem misterioso que, agradecido pela ajuda de Buck, começa a criar um vínculo inesperado com ele. Esse encontro não apenas ilumina o dia de Buck, mas também planta a semente de uma nova amizade e um futuro incerto, quando ele percebe que talvez precise repensar seu caminho e suas conexões pessoais.

Notes:

Helloooooo

Então, eu disse que postaria isso só quando eu terminasse uma das minhas outras fanfics. Mas... eu não pude, fiquei ansioso.

Espero que gostem!!!!!!

Chapter 1: Eu conheço... o Deus da Guerra?

Chapter Text

Ele estava cansado, não fisicamente, não, para isso ele teria que realmente fazer o trabalho dele. Ao invés disso, ele limpava o quartel e os caminhões, organizava os suprimentos, lavava a louça; ele era praticamente uma empregada glorificada agora. Ele não sabia quanto tempo mais iria aguentar, sua cabeça estava a mil.

 

O 118 tinha sido seu lar por tanto tempo que era difícil lembrar de uma vida antes disso. Agora, quando Buck passava pelo quartel, vendo a tinta desbotada e as janelas vermelhas lascadas, ele sentia um vazio gélido se espalhar dentro dele. Tinha voltado para o trabalho naquele dia, com o processo resolvido e a cidade livre de pagar uma fortuna, mas nada parecia como antes. Nada parecia certo.

 

Ele não sentia mais que fazia parte dali. Essa sensação ficou ainda mais forte quando Eddie passou por ele, sem sequer olhar nos seus olhos.

 

Então, o chamado veio. Buck foi até o escritório de Bobby, sentindo a tensão no ar. Bobby nem levantou os olhos, apenas empurrou uma folha na direção de Buck. “A sua lista de tarefas.”

 

Era isso. Nenhum "bom te ver de volta", nenhum "bem-vindo". Apenas um comando seco e a fria lembrança do que um dia foi diferente.

 

Buck tentou ignorar os sussurros maliciosos e os olhares furtivos enquanto seguia a lista de afazeres. Tentou ignorar a dor que crescia dentro dele ao ver os outros comendo juntos, enquanto ele pegava um sanduíche murcho do seu armário. E quando ouviu o caminhão partindo com aquele som estridente que antes fazia seu coração bater mais rápido, agora só o fez tremer, lembrando do som do fogo estalando em seus ouvidos.

 

 


 

 

Buck caminhava lentamente pelos corredores da livraria, observando as prateleiras repletas de opções. Ele havia decidido seguir o conselho de sua terapeuta, que sugeriu que ele encontrasse um hobby ou passatempo para clarear a mente e se distanciar dos pensamentos negativos que o assombravam. A leitura parecia uma boa escolha, algo que poderia transportá-lo para outros mundos e histórias, afastando-o da realidade difícil que enfrentava.

 

Era sorte ele ter encontrado uma livraria aberta em um shopping após as dez da noite. Ele veio direto para cá depois de sair do turno, na esperança de encontrar algo que o distraísse. No entanto, a tarefa de escolher um livro entre tantas opções parecia impossível. Vários gêneros, idiomas e mundos diferentes... Buck estava começando a se sentir tonto.

 

Foi então que algo chamou sua atenção. Um livro solitário no canto vazio de uma estante. A capa era laranja, com letras grandes que diziam: "The Subtle Art of Not Giving a F". Um título interessante, pensou Buck, enquanto o pegava.

 

De repente, ele sentiu algo agarrando sua perna direita. Buck levou um susto e deixou o livro cair.

 

Uma voz infantil e alegre disse: "Papai!"

 

Buck olhou para baixo e viu uma criança. Um garotinho que não parecia ter mais de cinco ou seis anos. O menino olhou para cima e encarou Buck por um momento antes de se afastar um pouco, com uma expressão triste. "Você não é o papai..."

 

 

Buck sorriu e se abaixou para ficar na altura do garoto. "Não, amigo, eu não sou. Acho que você me confundiu."

 

O garoto se virou para trás, olhando ao redor, e disse, ansioso: "Mas o papai estava..."

 

Vendo a angústia no rosto do menino, Buck sugeriu: "Olha, que tal eu te ajudar a encontrar seu pai, hein? A gente pode ir até o caixa e pedir para anunciarem pelos alto-falantes que você está lá. O que acha?"

 

O garoto olhou para Buck com apreensão e respondeu: "O papai disse para eu não falar com estranhos."

 

Buck riu, admirando a precaução do menino. "E ele está completamente certo. Você definitivamente não deve falar com estranhos na rua." Depois de pensar por um segundo, Buck acrescentou: "Ok, então vamos nos apresentar. Eu começo. Meu nome é Buck. Qual é o seu?"

 

O garoto parecia estar avaliando Buck com cuidado antes de responder: "Ivan."

 

"Que nome legal," comentou Buck com um sorriso. "E aí, Ivan, percebeu uma coisa?"

 

Ivan balançou a cabeça.

 

"Nós sabemos o nome um do outro agora, então não somos mais estranhos, certo?"

 

Ivan ponderou por um momento antes de concordar: "Acho que não."

 

"Então, que tal você e eu irmos juntos até o caixa e tentarmos achar o seu pai? Pode ser?" sugeriu Buck.

 

Ivan sorriu timidamente e estendeu sua mãozinha, que Buck segurou com gentileza. Pegando o livro que havia deixado cair, Buck se levantou, e os dois começaram a caminhar pelos corredores em busca do caixa.

 

De repente, uma voz alarmada ecoou pela livraria: "Ivan!"

 

Um homem se aproximou deles com pressa. Ivan soltou a mão de Buck e correu em direção ao homem, gritando: "Papai!"

 

O homem se agachou rapidamente, segurando Ivan em seus braços e o abraçando com força. Agora que estava mais próximo, Buck pôde ver por que Ivan o confundiu com o pai. Eles estavam vestidos de forma quase idêntica: calças cinzas, sapatos brancos, jaqueta jeans e camisa preta.

 

O homem olhou para Buck, ainda segurando Ivan. Ele se levantou e estendeu a mão para Buck, que, meio confuso, retribuiu o gesto. O homem apertou a mão de Buck com firmeza e disse: "Obrigado por ter encontrado meu filho."

 

Buck, ainda meio surpreso, respondeu: "Não foi nada. Qualquer um faria o mesmo."

 

O homem balançou a cabeça. "Não, nem todo mundo faria. A proposito meu nome é Ares, Ares Santoro."

 

"Ares? Como o...?" Buck começou a perguntar, mas foi interrompido por um sorriso de Ares.

 

"Sim, como o deus da guerra," disse Ares, com um sorriso.

 

"Uau, legal, meu nome é Evan, Evan Buckley" comentou Buck, mudando a o livro que segurava para sua  outra mão.

 

Ares notou o livro e disse: "Ah, esse livro é muito bom."

 

Buck olhou para a capa novamente. "É mesmo?"

 

"Sim, já o li várias vezes. Me ajudou muito," respondeu Ares, com um olhar sincero.

 

Buck olhou pensativo para o livro. Ares, percebendo a hesitação de Buck, sugeriu: "Já sei. Como agradecimento por ter encontrado meu filho, vou pagar esse livro para você."

 

Buck olhou para ele, surpreso. "O quê? Não, não precisa."

 

"Por favor, eu insisto," Ares disse com um sorriso.

 

Depois de um momento, Buck acabou cedendo. Eles foram juntos ao caixa, onde Ares comprou o livro para ele. Quando saíram da livraria, Ares agradeceu a Buck mais uma vez e disse a Ivan: "Como é que se diz?"

 

Ivan levantou a cabeça do ombro do pai e disse: "Obrigado."

 

Buck sorriu, abaixando-se um pouco para ficar na altura de Ivan. "De nada. Você foi muito corajoso."

 

Ivan sorriu de volta, e então Ares e Buck seguiram seus caminhos separados. Enquanto caminhavam, Ivan comentou: "Eu gostei dele, papai."

 

Ares olhou surpreso para o filho. "É mesmo?"

 

Ivan acenou com a cabeça. Ares olhou para trás, na direção de onde Buck seguia, "É... ele parece ser um cara legal."

 

 


 

 

Buck estava na baia do quartel, fazendo a manutenção do equipamento como de costume. Os outros haviam acabado de voltar de mais um chamado, um dos muitos que ele não tinha atendido ultimamente. Mas, para ser honesto, isso já não o incomodava tanto assim. O livro que Ares havia comprado para ele alguns dias atrás tinha sido bastante... esclarecedor. Junto com as sessões de terapia, ele começava a entender que se preocupar com o que os outros pensavam ou como agiam com ele era uma batalha perdida. O que realmente importava era ele mesmo, e não o que os outros esperavam ou queriam dele.

 

Buck havia passado praticamente toda a sua vida em busca de aceitação e amor. Ele pensava ter encontrado isso no 118, mas bastou um erro para perceber que estava enganado. Só que isso não tinha mais importância. Ele ia seguir em frente, ser apenas ele mesmo e parar de se desculpar por suas ações. Ele iria simplesmente fazer seu trabalho e viver sua vida. Se Bobby, Chimney e Eddie queriam continuar com suas birras – porque era isso que eram, birras – então o problema era deles, não dele. Buck tinha coisas mais importantes para se preocupar agora, como, por exemplo, buscar um novo local de trabalho.

 

Não que ele estivesse prestes a sair, mas Buck havia conversado recentemente com alguns colegas da academia, e eles falaram sobre como estavam sendo promovidos ou parabenizados em seus respectivos quarteis. Isso o fez pensar. Talvez fosse hora de ele também procurar algo assim. Talvez ele devesse fazer um curso para adquirir uma nova especialidade ou se voluntariar para dar aulas na academia. Quem sabe até prestar a prova para tenente esse ano. As possibilidades eram muitas.

 

Enquanto ele refletia sobre essas novas perspectivas, sentiu alguém cutucar seu ombro. Ele se virou e viu Hen, que disse: "Você tem visitas, Buck."

 

Curioso, Buck se levantou e foi até a entrada do quartel. Ao chegar lá, ficou surpreso ao ver rostos familiares que ele não esperava encontrar novamente. "Bucky!" A criança gritou, chamando a atenção dos outros ao redor.

 

Ivan correu na direção de Buck, que instintivamente se abaixou para pegá-lo, levantando-o e apoiando-o em seu quadril.

 

"Oi, Ivan! Como você está, amigão? Não esperava te ver novamente," Buck disse com um sorriso, mas também com uma expressão confusa ao olhar para Ares, que estava parado logo atrás. Ares, vestido com um terno preto elegante, camisa preta e óculos escuros, parecia quase uma figura saída de um filme.

 

 

Ares riu e levantou as mãos em um gesto de rendição. "Não olhe para mim. Ele estava me pedindo há dias para te ver de novo. Ele usou os olhos de cachorrinho, então não pude dizer não."

 

Buck riu, olhando para Ivan. "Ah, então você queria me ver de novo, é?"

 

"Sim!" Ivan respondeu, cheio de entusiasmo.

 

Ares então perguntou: "Você não tinha algo que queria entregar a ele, querido?"

 

Ivan ficou animado, balançando-se nos braços de Buck, tentando se soltar. Buck o colocou no chão, e o garoto correu em direção a outro homem que Buck só agora notou. Enquanto isso, Buck se virou para Ares e disse: "Olha, não que eu me importe de ver vocês, mas como você descobriu onde eu trabalho? Não me lembro de ter dito que era bombeiro, nem em que quartel estou."

 

Ares sorriu enigmaticamente e respondeu: "Um mágico nunca revela seus segredos. Além disso, não foi muito difícil. Um rosto bonito como o seu se destaca, então é fácil de encontrar." Ele piscou para Buck.

 

Buck sentiu seu rosto corar com o comentário de Ares, surpreso com a intensidade da reação que isso provocou nele. Antes que pudesse responder, Ivan voltou correndo, segurando um buquê de flores.

 

"Para você, Bucky!" Ivan disse, entregando o buquê a Buck.

 

Buck ficou atordoado e emocionado ao mesmo tempo. Ele pegou o buquê, agradecendo Ivan com um sorriso. "Isso é muito legal da sua parte, Ivan. Eu vou cuidar bem delas, prometo."

 

O som de um alarme tocou no quartel, e Ares olhou para o relógio, suspirando. "Infelizmente, temos que ir agora," ele disse.

 

Ivan protestou: "Mas eu queria ver o caminhão vermelho!"

 

Ares sorriu e disse: "Nós temos um compromisso agora, querido."

 

Buck, tentando confortar o garoto, disse: "Escute seu pai, Ivan. Não tem problema. Você pode voltar quando quiser, e eu vou te mostrar o quartel inteiro."

 

"Promete?" Ivan perguntou, esperançoso.

 

"Prometo," Buck respondeu com um sorriso.

 

Ivan então voltou para Ares e segurou a mão do pai. Ares agradeceu a Buck mais uma vez, e os dois começaram a se afastar. Buck ficou olhando as flores em suas mãos, sentindo uma alegria interior que não sentia há algum tempo.

 

No entanto, seus devaneios foram interrompidos por uma voz familiar.

 

"O que foi isso?" perguntou Chimney, trazendo Buck de volta à realidade. Ele se virou e viu todos os outros lá. Tinha se esquecido que eles estavam ali.

 

"Amigos meus," respondeu Buck de forma indiferente, dando de ombros.

 

Hen, com um sorriso provocador, comentou: "Um amigo que te chama de bonito e pisca para você?"

 

Buck sentiu seu rosto corar novamente. "Fica quieta, Hen," ele retrucou, tentando disfarçar o embaraço.

 

Hen riu, mas foi interrompida por Bobby, que disse: "Bem, a visita acabou. Guarde suas flores e volte ao trabalho. Não se pode se distrair assim no trabalho."

 

A expressão de Buck mudou imediatamente para uma de amargura. Antes que pudesse se conter, disse: "Não vejo o senhor dizendo isso quando Athena visita, capitão."

 

Todos olharam para Buck, pasmos, como se não pudessem acreditar no que ele havia acabado de dizer. Bobby ficou em silêncio, pego de surpresa. Buck, percebendo o impacto de suas palavras, se afastou rapidamente e foi para o vestiário, tentando encontrar um jeito de guardar as flores sem danificá-las muito.