Chapter Text
A sala de arbitragem estava sufocante, o ar parecia pesado, como se cada palavra dita sugasse o oxigênio do ambiente. Buck estava sentado em uma cadeira no canto, os ombros rígidos e os punhos cerrados sob a mesa. Chase Mackey, seu advogado, argumentava com paixão, mas suas palavras eram como um zumbido distante na cabeça de Buck.
"…e não podemos ignorar o histórico de comportamento do Capitão Nash. Com todo o respeito, ele também teve suas lutas pessoais, incluindo o alcoolismo. O senhor Buckley fez tudo o que estava ao seu alcance para ajudá-lo a superar esses desafios e garantir sua reintegração ao departamento. No entanto, quando chegou a vez do Capitão Nash retribuir o apoio, ele falhou com o meu cliente", declarou Chase, apontando de forma calculada.
Do outro lado da mesa, Bobby estava tenso, com o rosto inexpressivo, mas a linha rígida de sua mandíbula denunciava a raiva contida. Ao lado dele, o representante do departamento de bombeiros fez uma breve anotação, sem levantar os olhos.
As palavras continuavam a ecoar na mente de Buck, mas ele não conseguia focar. Ele sentia o coração acelerado, a respiração pesada, quase dolorosa. Era como se o chão estivesse se movendo sob seus pés. O som das vozes se tornou abafado, e ele sentiu um calor subir pelo corpo, uma mistura de raiva e desespero.
Finalmente, Buck se levantou de repente, empurrando a cadeira para trás com um movimento brusco. O som ecoou pela sala, interrompendo Chase no meio de sua fala.
"Quer saber?" disse Buck, a voz rouca e baixa no início, mas ficando mais firme conforme ele continuava. "Que se dane!"
Todos na sala pararam e o encararam. Ele olhou ao redor, sua visão turva de frustração.
"Isso… isso é…" Ele fez um gesto no ar, como se estivesse tentando pegar as palavras, mas sua voz falhou momentaneamente. Então, ele olhou diretamente para Bobby, os olhos carregados de mágoa e exaustão. Depois, virou-se para o representante do departamento e declarou com firmeza: "Eu me demito."
"O quê?!" disseram Chase e Bobby quase ao mesmo tempo, o choque estampado em seus rostos.
"Eu desisto do processo e me demito do corpo de bombeiros", repetiu Buck, desta vez com mais clareza.
O silêncio que se seguiu foi esmagador. Ninguém sabia o que dizer, e Buck não deu espaço para respostas. Ele se virou e saiu da sala.
Do lado de fora da sala, Hen, Eddie e Chimney estavam encostados na parede do corredor, conversando em voz baixa enquanto esperavam o desfecho da arbitragem. Quando as portas da sala se abriram de repente, Buck surgiu como uma tempestade. Seu rosto estava rígido, os olhos fixos em algum ponto distante. Chase Mackey vinha logo atrás, falando rapidamente.
"Senhor Buckley! Você não pode simplesmente desistir assim!" Chase exclamou, tentando alcançá-lo.
Buck parou abruptamente e se virou para ele, os olhos faiscando.
"Bem, eu já desisti. Acabou!" Sua voz era afiada, cheia de emoção reprimida.
Hen, Eddie e Chimney pararam de falar e ficaram olhando para Buck, confusos.
"Buck, o que aconteceu?" perguntou Hen, dando um passo à frente.
Buck olhou para eles rapidamente, sem dizer nada, e depois caminhou direto para o elevador no final do corredor. Por sorte, as portas se abriram assim que ele chegou. Ele entrou, apertou o botão e, enquanto as portas começavam a se fechar, olhou para trás uma última vez. Ele viu os rostos de seus amigos, chocados e preocupados, mas não disse mais nada. As portas se fecharam completamente, cortando a conexão.
Dentro do elevador, Buck se encostou na parede e, pela primeira vez, deixou que as emoções o atingissem em cheio. A dor, a raiva, a tristeza e o arrependimento vieram como uma onda avassaladora. Ele sentiu as lágrimas começarem a escorrer e, desta vez, não tentou segurá-las. Ele apenas as deixou fluir, sentindo o peso de cada escolha, de cada palavra dita naquela sala.
Era o fim de uma parte de sua vida, e ele não sabia o que viria a seguir.
O apartamento de Buck estava mergulhado em um silêncio desconfortável. As cortinas fechadas mantinham a luz do dia do lado de fora, e o único som era o tique-taque do relógio na parede. Buck estava sentado no sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos, encarando o nada. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, as marcas de lágrimas ainda visíveis em seu rosto. Ele estava exausto, física e emocionalmente.
Enquanto olhava para o vazio, pensamentos pesados se acumulavam em sua mente. "Como foi que tudo chegou a isso?" Ele se perguntava. O trabalho que ele amava, as pessoas que ele considerava família, tudo tinha acabado. Ele sentia como se estivesse à deriva, sem propósito, sem rumo.
De repente, o som familiar da porta sendo destrancada o tirou de seus pensamentos. Ele franziu a testa e se virou para olhar. A porta se abriu com força, e Eddie entrou, o rosto uma máscara de fúria.
"Você é um covarde!" Eddie disparou, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina.
Buck apenas o olhou, sem expressão, antes de perguntar com a voz baixa: "O que você quer, Eddie?"
"É sério isso? Você processa o Bobby, faz um inferno na vida de todo mundo e depois simplesmente desiste de tudo? Se demite? Que porra é essa, Buck?" Eddie gesticulava enquanto falava, sua indignação evidente.
Buck esfregou os olhos, cansado. "Olha, eu não quero falar sobre isso. Você pode ir embora."
"Ah, que pena de você!" Eddie retrucou, a voz carregada de sarcasmo. "Deve ter sido muito difícil pra você, não é? Sério, Buck, pra que foi tudo isso? Tudo o que você tinha que fazer era esperar até ser liberado! O Capitão disse que você não estava pronto. Por que você tinha que ser tão exaustivo?"
As palavras de Eddie atingiram Buck como um golpe. Ele congelou por um momento, sentindo cada palavra perfurar fundo. Seus punhos se cerraram involuntariamente, e sua respiração ficou pesada.
"Saia", ele disse, sua voz baixa, mas carregada de tensão.
Eddie zombou. "Sério, Buck? Você vai me mandar embora agora?"
"EU DISSE PRA SAIR!" Buck gritou, a voz reverberando pelas paredes do apartamento.
Eddie ficou em silêncio, surpreso com a explosão de Buck.
Buck se levantou de repente, o corpo tenso, e o encarou com os olhos cheios de dor e raiva. "Você acha que eu queria isso? Que eu queria que toda essa merda acontecesse? Não, Eddie, eu não queria!" Ele gesticulava enquanto falava, cada palavra carregada de emoção. "Eu não queria ter processado o Bobby, eu não queria ter envolvido vocês nessa bagunça, eu não queria ter destruído a minha vida! Perder um trabalho que eu amava! Perder as pessoas que eu considerava família!"
Ele respirou fundo, sua voz quebrando no final. "Então, sim, foi mesmo muito difícil pra mim ter perdido minhas razões pra viver!"
Eddie ficou parado, sem palavras, encarando Buck. Ele nunca o tinha visto assim, tão despedaçado, tão vulnerável.
Buck suspirou, a raiva esvaindo-se para dar lugar à exaustão. "Vai embora antes que eu chame a polícia, Diaz. E deixa a sua chave."
Eddie hesitou por um momento, mas viu a seriedade no olhar de Buck. Ele tirou a chave de seu chaveiro e a colocou sobre a mesa de centro. Antes de sair, ele deu uma última olhada em Buck, mas o outro evitou seu olhar, encarando o chão.
Eddie fechou a porta com força, o som ecoando pelo apartamento vazio.
Buck ficou em pé por alguns instantes, respirando fundo, tentando processar o que tinha acabado de acontecer. Finalmente, ele afundou no sofá novamente, com o olhar perdido. Ele não tinha mais energia para lutar. Ele estava sozinho, a solidão parecia insuportável.
